Como se aprende a amar

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DE: Odonir

PARA: Leitores

Das conversas triviais entre primos e amigos, nascem reflexões, sentimentos abissais, trocas de cumplicidade e, sobretudo, conhecimento sobre o ser humano.

Tudo que li, estudei de psicologia do comportamento, da sexualidade … fica miúdo frente à grandeza da exposição inteira do outro frente a nós mesmos. E vice-versa.

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Durante anos em escolas fiz, em equipe, aconselhamentos a pais de crianças e adolescentes. Ouvi muito e orientei também. Uma das formas de se iniciar a prática do afeto em crianças é ensiná-los a cuidar. Sim, a cuidar de uma plantinha, de um aquário, de um animalzinho… tratar dele, alimentá-lo, acarinhá-lo, promover seu bem-estar … Lembro quando foi criado um brinquedinho eletrônico, o Tamagotchi, para ensinar as crianças a terem responsabilidades com ele, caso contrário morreria. Na época, nós educadores refletimos sobre a necessidade de se criar algo tão artificial para ensinar amor, cuidados etc. Muitos pais não queriam animais por serem trabalhosos, prenderem a família em casa, entre outras argumentações. Fato é que não se queria ter nenhuma responsabilidade adulta por aquilo que cativavam, digamos assim. Modelos esdrúxulos de ser e viver.

O egocentrismo, natural na primeira infância e até na segunda, e a inconsequência e onipotência dos adolescentes muitas vezes os fazem ter sérias dificuldades para lidar com o amor. É claro que receber afeto, carinho, atenção e cuidados pode desencadear amor e fazê-los retribuir. Mas nem sempre apenas isso é suficiente. É preciso ensinar e dar exemplos efetivos do que é cuidar do outro: de um parente mais velho, de um amigo, de um ser vivo animal ou vegetal e do responsabilizar-se por seu bem-estar. O produto desse encaminhamento de afetos é sempre favorável e prepara o ser humano para os diversos tipos de amor aos quais se entregará mais tarde. Já dizia o poeta Drummond “Amar se aprende amando”.37699-252c252ckooooooooooo

Percebo a dificuldade de algumas pessoas de lidar com afeto por um animal, um cão, um gato … Muitas escolheram não ter filhos, não têm plantas em casa e admiram-se da dedicação que outras mantém por animais. Ouço e analiso as razões desse tipo de comportamento, claramente explícito. Há certo egocentrismo e certa inconsequência em algumas pessoas, talvez marcas de momentos anteriores que não tenham sido vividos de forma mais altruísta. Embora seus discursos sejam muito interessantes até, percebe-se alguma fraqueza quanto a dar e receber afeto. Afirma-se que mulheres são mais cuidadoras, mais afetivas (por modelos etc.) que homens, mas nem sempre é assim que constato. Há certo culto à sua própria beleza, ao seu próprio bem-estar, ao seu próprio prazer (talvez reflexo de décadas de submissão etc.) em parcela grande de mulheres também. Assim, concluo que isso não seja relativo a um gênero, mas a seres humanos que não tenham exercitado, em momentos iniciais, o cuidar.

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Desenvolver a sensibilidade é tão importante como se alimentar. A poesia, a literatura são alimentos essenciais para quem se deseja humano, solidário, altruísta. É só se deixar levar por elas.

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Texto: Odonir Oliveira

1º Vídeo: Canal Piano Brasileiro

2º Vídeo: Facebook, postado por My Future Someone

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