Autobiografia: uma antologia

De dezembro de 2015 a dezembro de 2021

Foram 1390 postagens. 98% totalmente autorais. Portanto, quem tiver a paciência e a boa vontade de ler, pouco a pouco, o que já escrevi aqui, terá sabido quem sou. Não sou uma poeta fingidora. Há aqui desenhos, pinturas e, sobretudo, tatuagens de mim. São diversos ângulos de uma figura não geométrica, mas sensível, apaixonada, crente nos seres humanos, alguém que ama estar na natureza nua e crua, de preferência em silêncio, ainda que acompanhada, e bem acompanhada. Não tolero agressões camufladas, disfarçadas, metafóricas, hiperbólicas, eufemísticas. Sou arroz com feijão, pão com manteiga, bife acebolado e caipirinha gelada. Não irei para fora do meu país nunca mais. Nem para encontrar entes queridos. Sou pés no chão de poeira e de terra vermelha. Morrerei aqui, serei cremada aqui e minhas cinzas serão jogadas no rio em Tiradentes, minha amante fiel.

O meu canal no Youtube é: https://www.youtube.com/channel/UCjD6ZiLlJOgDu5-lupIiWGw

Meu Instagram é: https://www.instagram.com/odoniraraujo/

Reorganizei as categorias do que já escrevi para facilitar leituras. Voltarei a escrever quando achar essencial (como o foi na pandemia, por exemplo). Isso poderá acontecer AMANHÃ, ou daqui a algum tempo.


POESIAS
: predominam, até porque são de mãos que sentem – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/poesias/

CRÔNICAS: dizem respeito a algo mais cotidiano, atual e relevante – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/cronicas/

PAISAGEM EXTERNA – NATUREZA: tenho predileção por flores, rios, matas, estrelas, lua, sol e me motivam a escrever – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/paisagem-externa-natureza/

#TBT: lembranças a partir de fotos e imagens que mergulham a memória na escrita ou vice-versa – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/tbt/

TRENS: sensações de quem gosta de ouvir o trem, de debulhar as estações uma a uma, de encontrar alegrias pela chegada e tristeza profunda pelas partidas – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/trens/

CHICO BUARQUE: poemas e textos nos quais me misturo ao escritor e compositor durante mais de 50 anos – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/chico-buarque/

ESCUTADOR DE HISTÓRIAS DE AMOR: há um narrador que procede a oitivas das narrativas alheias – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/escutador-de-historias-de-amor/

ESCUTADORA DE HISTÓRIAS DE MULHERES: há uma narradora que ouve as narrativas femininas, nem sempre de amor – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/escutadora-de-historias-de-mulheres/

HISTÓRIAS DE CERTO REALISMO FANTÁSTICO: aqui as narrativas são tão inacreditáveis, que beiram o fantástico – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/historias-de-certo-realismo-fantastico/

CLUBINHO DA LEITURA DE BARBACENA: atividades e fotos que registram meu trabalho voluntário com crianças na cidade nos anos de 2014 a 2017 – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/clubinho-da-leitura-de-barbacena/

TRABALHOS REALIZADOS COM ALUNOS: relatos em sequências didáticas de minhas atividades docentes, com processos e produtos – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/trabalhos-realizados-com-alunos/

PROFESSORES SEMPRE: textos que registram emoções e sensações vividas por professores – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/professores-sempre/

SEMANA DA CRIANÇAhttps://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/semana-da-crianca/

SEMANA DOS NAMORADOS: histórias de envolvimentos amorosos – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/semana-dos-namorados/

NATALhttps://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/natal/

ESCRITORES PREFERIDOS: releituras, aspectos literários, poemas sob a inspiração de suas obras … – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/escritores-preferidos/

CINEMA: poemas e crônicas a partir de filmes eternos – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/cinema/

SEM CATEGORIA: são os produtos escritos de difícil enquadramento em categorias – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/category/sem-categoria/

Todos são bem-vindos a essa antologia autobiográfica. Peguem suas digitais e deixem um comentário.

Texto: Odonir Oliveira

Vídeo: Canal Matheus Sena

Sem fim

Enem, mas também, hem …

Já mencionei por aqui que fui corretora de redações do Enem por 3 anos, em governos federais diferentes, e quando ainda não se tratava de um exame vestibular e sim de um EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO apenas. Nesses anos, poucos faziam o Enem, a ponto de escolas privadas do Brasil inteiro chegarem a induzir seus alunos a fazerem o Enem, atribuindo pontos nas suas médias e outras gratificações semelhantes. Isso porque era uma exigência dos clientes/pais saber como estava sendo o ensino pelo qual pagavam/compravam naquelas instituições de ENSINO. Já os alunos de escolas PÚBLICAS compareciam em massa ao exame. Sabem por quê? Porque muitas empresas utilizavam como prova de conhecimentos na admissão as notas do Enem. Era isso o que acontecia.

Nos anos em que li as redações – ao todo mais de 5 mil – pude avaliar o ensino ministrado país afora. Tinha vontade de me sentar ao lado daquela moçadinha e discutir os temas com eles, ensinar-lhes a argumentação, a articulação das ideias, como chegar às conclusões e, SOBRETUDO, como escrever PROPOSTAS para a pergunta apresentada. (O que era avaliado na 5ª competência, apresentar propostas para o tema discutido). Ficava pensando nas dificuldades que os professores daqueles alunos teriam – eles próprios – de entender aquelas competências e em como ensiná-las. A cada dia de correção, às vezes por 8 horas e depois de 200 redações lidas, saía com o Brasil aprendiz nas mãos e, principalmente, no coração.

Li muitas coisas tristes que vinham do nordeste do país – como eu sabia que vinham de lá? – ora quem estuda linguística e conhece as construções e as variantes regionais dá conta disso – pude sentir lendo o Brasil jovem, aquilo que pensavam e como sentiam o país. Jamais ri do que escreviam, nem publiquei em Orkut ou quetais – nem fazia parte dessa rede. As famosas “pérolas do Enem”(as provas não eram escritas e forjavam-se respostas, supostamente escritas e dadas por jovens estudantes) eram um deboche de uma classe média exclusivista que não queria se ver “competindo” com outros IGUAIS. Sim, IGUAIS, todos SOMOS IGUAIS.

Houve um ano em que no momento das correções, o Ministro da Educação nos visitou em SP. Logo depois, chegava a orientação para que as notas fossem reconsideradas, pois os primeiros resultados estavam baixando demais a curva – o que representaria uma avaliação ruim daquele governo que, inclusive, implantara o Enem.

Certa vez, no início da década de 2000, estando em Barbacena, em uma lan house providenciando a impressão de um guia estadual, passei a minha vez a uma mocinha, muito humilde, que vinha de um sítio nos arredores da cidade, sem computador, sem internet, desesperada, porque não sabia onde iria fazer o Enem e já estava quase na hora. A Escola Estadual havia feito as inscrições e informado o nº de inscrição. A mocinha, completamente deslocada, tentava ali sua chance. E qual CHANCE? Acho que nem preciso explicar. Percebi no atendente certa negligência, talvez sem avaliar a importância daquilo, a CHANCE a que aquela mocinha buscava. Interferi, metendo “o pé na porta’’, pedindo que ele procurasse assim e assado, me declarei logo ex-corretora do Enem etc. saquei minhas armas para oferecer a ela um ESCUDO na LUTA. Ele rapidamente a atendeu. Perguntei se saberia chegar lá, pois eu estava sem carro na cidade, mas a levaria de táxi. Agradeceu, mas um irmão em uma moto a aguardava. Dei-lhe recomendações do fundo do meu coração e, sobretudo, pedi que tivesse calma e que confiasse em si, era jovem e teria outras e tantas CHANCES quantas desejasse na vida. Despediu-se e foi.

Por muitos anos, em dias de Enem, percorria de carro a cidade de SP – e até aqui em MG também. Para mim, tratava-se de um dia de EXERCÍCIO DA CIDADANIA, mais ou menos como nos dias de votação, nas manifestações reivindicadoras etc. Sempre me agradou caminhar pelas ruas e ver a moçadinha carregando nas mãos um estojinho com caneta, documentos e ESPERANÇA. Sempre me fez bem ver isso.

Ontem fiz isso de novo. Da última vez em que participei das correções, o número de candidatos (portanto, quando ainda não era vestibular) foi quase o mesmo do de ontem, 18 anos depois. Senti isso nas ruas, na porta das escolas … os jovens pobres estavam ausentes, os  jovens pobres não se sentiram capazes mais, os jovens pobres estão fazendo entregas nas motos, na ‘’sevirança’’, vendendo nas esquinas, sendo camelôs, marreteiros, ambulantes … retornaram aos seus postos de sempre.

Voltei pra casa e chorei por isso também.

E, nem, mas também são conjunções coordenativas ADITIVAS e não ADVERSATIVAS ou ALTERNATIVAS. Aprendam de uma vez por todas!


Texto: Odonir Oliveira
Foto de arquivo pessoal

Vídeo: Canal Milton Nascimento

Namoro de domingo

Meu rio sabe entoar canções.
Sabe reconhecer suas musas.
Meu rio me encanta.

Meu rio ri e me abraça,
me beija com seu som,
com sua alegria.
Meu rio me inaugura.
Meu rio é lirismo.

NASCENTE
Porque nasci de um braço de rio e de uma pedra bruta
porque corri por margens doces e às vezes estéreis
porque saltei obstáculos e curvas
porque sou céu azul quando o céu é azul
porque sou barro quando o céu anda nublado
porque tenho voz e acolho olhares uns
porque sou força quando recebo torrentes outras
porque brinco de carregar flores
porque brinco de atrair borboletas
porque gosto de estar em mim
porque gosto de estar em ti
foi simplesmente
porque nasci de um braço de rio e de uma pedra bruta.

Fotos de arquivo pessoal: manhã de domingo

Vídeos: Facebook e Instagram: Odonir Araujo

Assopro versos …

Encanta-me saber que leitores copiam meus versos, os espalham pelo espaço como se os assoprassem aos ventos. Assim meu post “Marianas” foi parar no Boletim da UFOP, com poema e crônica. Achei lindo. São momentos de alegria intensa ser lida e, mais ainda, ver versos ganharem asas, passearem por olhos tantos, de tantos lugares diferentes. É de encantar. Ainda de outra vez foi uma empresa de turismo que aspergiu meus versos de “Tiradentes, a cidade mineira”. Hoje, para minha completa surpresa, encontrei um poema dos meus, ”Vidas Secas”, declamado em um vídeo no Youtube por uma voz nordestina linda. Eu não o leria assim com tamanha beleza. Muito obrigada, querida leitora Gegliane Santos, você coloriu com seu tom os meus versos.

VIDAS SECAS
nesses brasis
terra seca
gente seca
almas secas
terra seca
pele seca
homem seco
mulher seca
menino mais velho seco
menino mais novo seco
horizontes secos
sonhos secos
valentias dos donos de terras
valentias do soldado amarelo
valentias dos grileiros
valentias dos expropriadores
terras secas
almas secas
vidas secas
nesses brasis

Orquídeas do meu jardim pra você. Beijo.

Vídeo: Canal Gegliane Santos

Igreja do Carmo

CAI A NOITE
tece teias
em telhados de tons outros
tantos
tece meias inteiras
em décimos de sons uns
tece xales em chalés difusos de outros
tece tece tece e se envaidece
tece tece tece e se enriquece
cai a noite, em teias
cai a noite, em meias
cai a noite
em chalés
enrola-se em si
na busca da tessitura real

Acervo público

Moro bem próximo. E cheguei a conhecer essa rua assim, lama pura, e a ir à festa da padroeira, em julho, com leilão de um galo, de uma galinha e de macarrão em pacote de papelão. Até o início dos anos de 1980, inclusive, ainda era assim, cheguei a levar minha filhota comigo até lá.

O CARMO EM NOSSAS VIDAS
Vem, menina
a procissão já vai sair
ajeita sua auréola
puxa a túnica
você é um anjinho branco
.
O ritual dos hinos
o badalar dos sinos
uma beleza mística
um sussurrar de milagres
um coro de orações.
A menina tem 10 anos
segue o ritual católico
sente a embriaguez mística
acolhe a santa no andor
aplaude nas portas e janelas
as casas sorriem e são abençoadas
há luz nos dias
Nossa Senhora do Carmo irradia
perfuma caminhos
protege com seu manto
ensina a fé.

CONFESSIONAIS
I
É um ponto
é uma meta
é um rumo.
Persigo
sigo
avanço.
II
Entranhas, noites, sussurros, segredos
histórias, cumplicidades, desvãos
Um leque, uma moeda, um retrato
um terço
um meio
um décimo de vidas
um centésimo de tristezas
um milésimo de revelações.
Revelações de últimos meses, de últimos dias e horas.
Confidências insuspeitáveis.
III
Bato à porta,
que fechada, me permite contemplações
Bato à porta,
que inerte,
me permite reflexões.
Bato à porta,
que signo, me conduz a leituras internas.
Adentro o adro sagrado, profana que ainda sou.
Bato à porta.
IV
Cruzeiro de joelhos
ainda que doam e sangrem feito penitência ignorada.
Cruzeiro do madeiro bento
Cruzeiro da Senhora do Carmo
respondendo por mim
entendendo a mim
respondendo a mim.
Cruzeiro cheio de luz dos dias frios de junho.
Minas escorrendo sempre por minhas veias.
V
Luzes em penumbra
altares, sinos e santos
toalhas brancas, presépios, mistérios,
ritos de vida e de morte,
encontros domésticos, casuais, sacramentados,
flores brancas,
perfume de rosas, jasmins, camélias e cravos brancos
Silêncios sigilosos de evocações
Humanos, sagrados pecadores.
VI
Tia,
que ainda abre cofres de segredos aos poucos,
quase nove décadas de espíritos santos e de Espírito Santo nas mãos,
de terços e de águas bentas em vidrinhos rendados,
com seus santos conhecidos, clamados, ofertados, agradecidos,
das memórias distantes, de longas narrativas confidenciadas,
das memórias mínimas, de tempos próximos equivocados e fluidos
Única fonte,
última fonte.

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal: Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de 1790, Barbacena, MG

Vídeo: Canal Partituras Católicas

Biografias

Assisti, há poucos dias, ao filme “Coco antes de Chanel”, de 2009, uma bonita película que conta a vida de Gabrielle Bonheur Chanel, sua infância, juventude, seu amor, até se tornar a criadora das bases da roupa de trabalho usada pelas mulheres na contemporaneidade. Em um mundo dominado por costureiros homens, ela foi uma das responsáveis por revolucionar o jeito de ser, pensar e vestir uma mulher. Abolindo os espartilhos, foi a criadora do pretinho básico, dos tailleurs … e ficou rica, em Paris, como se propôs um dia. Coco Chanel nasceu em 1883, em Saumur na França e faleceu em Paris em 1971.

Após esse período, a história mostra que Coco Chanel se envolveu com nazistas, acobertando-os etc. Sei disso, mas a cada dia que passa estou aprendendo a entender as pessoas em seus contextos de vida. Não que as perdoe, mas as entendo.

(A razão do apelido Coco)

“Eu não faço a moda, eu sou a moda”. Coco Chanel

“Elegância é tudo aquilo que é belo, seja no direito seja no avesso.” Coco Chanel

 “A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida lhe desenha o rosto aos 30. Mas, aos 50, é você quem decide o rosto que quer ter.” Coco Chanel

“Não importa o lugar de onde você vem. O que importa é o que você é. E quem você é? Você sabe?” Coco Chanel.

“A força se consegue com fracassos e não com sucessos.” Coco Chanel

“Um homem pode ser o que ele quiser, mas ele permanecerá sendo apenas o acessório da mulher.” Coco Chanel

“Antes de sair de casa, você deve sempre tirar um acessório.” Coco Chanel

INVENTANDO MODA

Estilo Hi-Lo

É graças à estilista que, hoje em dia, você sai de casa vestindo uma blusa de paetês com calça jeans e não vê problemas nisso, sabia? Chanel criou o conceito de Hi-Lo (quando há, em um look, a mistura de peças caras com outras mais baratas), mesmo sem utilizar a palavra.

Na época, em que imperavam tecidos luxuosos, como a seda, foi Chanel a primeira a ter a ousadia de usar o jérsei – antes restrito apenas a roupas íntimas – em vestidos e casacos.

A camisa listrada

Sabe essa camisa branca com listras azul-marinho mais finas que quase todo mundo tem no armário? Foi criação da estilista! Nos anos 1920, durante uma visita ao litoral da França, Coco se inspirou no uniforme da marinha francesa (é por isso que, em francês, essa camisa listrada se chama marinière) e criou a clássica camisa listrada, feita de malha e com modelagem mais larguinha e prática.

A partir dos anos 80, a criação ficou ainda mais popular por conta dos desfiles de outro estilista francês: Jean Paul Gaultier — mas a invenção foi de Chanel.

Minimalismo

Órfã de mãe, Chanel foi abandonada pelo pai aos seis anos de idade na porta de um convento. Os resquícios da infância pobre e solitária se refletiram, anos depois, em todas as suas criações. A sobriedade do convento, associada aos trajes em preto e branco das freiras, produziu uma simplicidade austera que dominou para o resto da vida as criações da estilista.

Calça pantalona

Foi por causa de Chanel que as mulheres trocaram as saias por calças no início da década de 1920. Há quase 100 anos, uma irreverente Gabrielle jogou para o alto as regras de que algumas peças precisam ser essencialmente masculinas. Apareceu vestindo pantalonas de forma despojada e criou um item de estilo reproduzido até hoje!

Sapatos bicolores

Embora os clássicos sapatos bicolores não tenham sido oficialmente criados pela Chanel até 1957, em 1920, Coco já passeava com eles. Atenta aos detalhes, a estilista criou os sapatos em bege, para alongar a perna, e com a ponta preta, para encurtar o pé e proteger o calçado dos desgastes pelo uso a longo prazo.

O pretinho básico

Embora o ‘pretinho básico’ seja uma das peças mais comuns nos armários das mulheres hoje em dia, a realidade era bem diferente na época da estilista. Naqueles tempos, a cor era usada apenas em funerais ou por funcionários domésticos. É por isso que quando a estilista apareceu pela primeira vez com um vestido preto, de corte simples, sem frescura, frufrus ou flores, e de caimento até os joelhos (coisa impensável para a época), o escândalo foi imediato — mas o sucesso também!

Tailleur

É impossível falar de Chanel e não citar o tailleur de tweed. Mais uma vez, a estilista se inspirou no universo masculino para oferecer novas possibilidades ao corpo feminino. Na época, o tweed era usado tradicionalmente pelos homens da corte britânica e a francesa usou o tecido para criar o tailleur, que é uma composição de casaco e saia feitos do mesmo material. Com modelagem reta e fluida, forro de seda, quatro bolsos e botões que mais parecem joias, o conjunto é considerado uma obra-prima e é reinterpretado até hoje.

Bijuterias

Pode parecer algo absurdo, mas na época de Chanel, o uso de acessórios como brincos, colares e anéis era restrito às joias usadas pelos membros da fatia mais rica da sociedade. Só que a falta de dinheiro nunca impediu a estilista de nada… Foi por isso que ela passou a criar bijuterias com materiais mais baratos, incluindo o famoso colar de pérolas (falsas).

Imagens retiradas da Internet

Com informações retiradas da Internet.

Fontes:

1- https://gshow.globo.com/moda-e-beleza/noticia/coco-chanel-8-tendencias-de-moda-que-a-estilista-criou-e-voce-usa-ate-hoje.ghtml – Por Victor Hugo Camara (editado)

2- https://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/as-grandes-estilistas-da-moda-europeia-coco-chanel-parte-35/ – Por Queila Ferraz (editado)

Vídeo: Canal Fabri

Pelourinhos

LUGAR NA FALA
venho requerer lugar
busco gritar e revelar
quero minha fala no lugar
não calo a crueldades
históricas
servis
cruéis
não calo a dominações
selvagens
feitoras
senhoris
não aceito discriminações
no espaço
no tempo
nas cores
rebelo-me em luta
contra as finezas hipócritas
contra os discursos de salas de estar
contra as garras encolhidas nas patas
de vilões senhores
de vilões feitores
de vilões capitães do mato
estruturalmente
camufladamente
eternamente

Carlinhos Brown explica a CULTURA NEGRA. Vamos aprender?

Sobre o tema consciência negra, leia aqui no blog também: ‘‘Nós, todos negros brasileiros”https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/11/19/nos-todos-negros-brasileiros/ “África, me perdoe!”https://wordpress.com/stats/post/11015/poesiasdemaosquesentem.wordpress.com“Sobre pretos (negros), escutar, aprender e ser empático”- https://wordpress.com/stats/post/11015/poesiasdemaosquesentem.wordpress.com“Eunice, a rosa negra” – https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/03/15/eunice-rosa-negra/

Poesia: Odonir Oliveira

Vídeos:

1- Canal Logos Aachen

2- Canal Carlinhos Brown

Nas nuvens

UMA ESTRADA REAL
No rumo, na rota , no traço
uma estrada real sangra meus olhos.
Parto com Beatles a meu lado
ora cantam
ora apenas orquestrados
ora apenas sussurrados.
O sol ao meio
as nuvens na ponta do para-brisas
o vento de acordes doces.
No caminho, um aceno do pai na beira da estrada,
no outro lado, a mãe me sorri,
mais à frente vejo avôs e avós que me estendem as mãos.
No azul do céu mineiro uma seta desenhada cuidadosamente
por tios e tias como se preparassem uma festa de batizado.
Esse é meu torrão.
Essa é a minha vereda, a minha picada.
Estou entre os meus.
Tiradentes corre nas minhas veias.

MÃE, EU SOU VOCÊ ?
“Quem quer ser outra deixa de ser uma, mãe?”
“Quem quer ser outra é sempre outra e uma, filha.”
Aquela mulher era uma onça.
Parindo cinco filhotes de parto natural
Amamentando-lhes bocas por toda sua vida
Lavando, passando, cozinhando, costurando
Mãe mais que mulher?
Mulher bem maior que apenas mãe.
Dos ditos, sempre bem ditos, a sabedoria herdada do pai-avô por ventos mineiros.
Com olhar arqueólogo de almas, um chiste, uma picardia.
Ferro nos braços, nas pernas, no peito.
Coração de manteiga derretida e esconderijo de sentimentos.
Onça, minha onça mineira, eu também sou você, mãe?
Sou?

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal GianfrancoByPreciso

Tudo o que você semeia

PARAÍSOS DE MIM

no caminho a seguir
encontro as primeiras romãs
mas os passarinhos já encontraram antes de mim
não me importo não
as frutas são basicamente para eles mesmos
só o canto deles já me alegra bastante
as bananeiras que outro dia semeei
plantei mudinhas
olha como já estão grandes

no caminho
os passarinhos já deram conta das romãs
não tem importância
pra eles mesmos
as belezas do meu paraíso estão aqui
as belezas do meu paraíso estão aqui,
as belezas do meu paraíso estão aqui, ali, lá,lá
as belezas do meu paraíso !

SEMEAR

Entrego à terra todas as minhas sementes
de flores frutos e dores.
Aguardo os tempos
recolho as ervas daninhas
rego galhos novos e folhas
adubo de lágrimas e risos a terra-mãe.
Aguardo tempos
aguardo luas
aguardo estações
aguardo anos.
Tempo,
anjo algoz de minhas esperas.

UM PÉ DE VERSOS

Prefiro sacudir versos de árvores,
retirar rimas de camélias,
colher metáforas de galhos e raízes.

O olho estaciona sua menina no igual desigual
resgata a outra menina com sonhos incorporados
recupera ilusões e faz acreditar no improvável.

Árvores são canteiros de lirismo.

FLORES NO OUTONO DE MIM

Volto de ter com elas.
De mãos sujas de terra e verde,
trago-as em fotos,
como se fossem bebês

Revelo suas poses
frente, perfil, sozinhas, acompanhadas,
instantâneos de meu jardim,
rosas
azaleias
primaveras
palmeiras fênix
coroas-de-cristo …

Quão difícil é poemizar com flores
porque muito mais belas são elas
que meus versos frouxos e pálidos
a lhes prestar quaisquer favores.

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal: Todas essas belezas foram semeadas por minhas mãos que sentem, de 2014 a 2021.

Vídeo: Canal Instituto Piano Brasileiro

O enlevo do Amor

O AMOR CÚMPLICE

De todos os amores
o mais perpétuo
entre os pares
é o cúmplice,
o parceiro,
o incomum.

Amores há muitos,
polinizados por abelhas de espécies várias.
Mas mel do bom
é o mel particular
é o meu,
particular,
essencial.

ANA DE AMSTERDAM

Escolhera ir para Amsterdam estudar. O curso há tanto tempo prometido e tão esperado, por fim iria acontecer. Ana era filha de pais, modelo geração 68, engajados socialmente, socióloga e cientista social, deram a ela o nome de Ana e sempre lhe citavam a canção de Chico Buarque, composta para o espetáculo Calabar, para o qual haviam colaborado nas pesquisas etc. e depois o viram ser censurado pela ditadura militar.

Ana partia agora no final dos anos 80 para estudar. Tinha lido os existencialistas franceses, devorava os exemplares da estante da mãe e do pai. Agora ia.

Pierre era francês, vivia desde os 10 anos em Amsterdam e conheceu Ana naqueles corredores da universidade, onde ele estudava algo bem diferente. E era músico, um belo saxofonista das noites de Amsterdam.

Amaram-se muito e intensamente, liam Milan Kundera juntos, orbitavam nuvens juntos e sabiam que duraria pouco. Eram jovens, 20 e 25 anos e tinham todas as vidas pela frente. Sabiam.

Contou a ele o porquê da escolha do seu nome. Ana falava francês muito bem. Tinha avó materna francesa, vivendo com seus pais no Brasil. Nunca faziam planos para além da semana em que estavam juntos. Ele estudava durante as tardes, tocava nas noites de Amsterdam. Nem sempre Ana ia vê-lo tocar pelos bares, pubs e bistrôs da cidade. Preferia ler, ir ao cinema, ao teatro, assistir a uma performance nas ruas. Ou comer queijos, adorava queijos.

Viveram 4 estações com grande intensidade. Ana lhe falava das cidades históricas mineiras, Pierre ficava fascinado com aquela história narrada por ela… Fizeram-se uma promessa – até certo ponto um pouco inesperada – um dia, em um ano, encontrariam nas ladeiras de pedras de Tiradentes as suas vidas em curso. Enquanto isso não acontecesse, cada um seguiria seu caminho. Sempre ouvindo as canções que os ligaram, que os mantinham juntos. Sempre.

Poesia e texto: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal: Amsterdam e Tiradentes

Vídeos:

1- Canal RWR

2- Canal George Salma