Fome de ler

PALAVRAS DE TUDO
Minha vida é feita de páginas.
Sem ler não concretizo voos
Sem ler não amanheço nem anoiteço,
e se entardeço
é porque sou em mim mesma um feixe de páginas
qual bambu
em touceiras
de difícil esfacelamento, destruição ou perda .
Quando de palavras me guarneço,
é com elas que me acasamato do mundo,
me resguardo das dores simples,
me afogo nas mais complexas,
irremediáveis e etéreas.
Palavras alimentam meu corpo,
atiçam meus desejos mais incompreensíveis,
sensorializam meu cotidiano mínimo,
transformando-o em rasantes sobre oceanos.

Na descrição do vídeo, – em inglês – “The Romantic Strings” fazia parte dos álbuns de música do Reader’s Digest, vendidos aos milhões nas décadas de 1950 e 1960! Várias orquestras foram contratadas para gravar a música para o Reader’s Digest. A música reflete uma visão de mundo positiva e edificante que não é mais encontrada na América ou em outras nações ocidentais. As músicas listadas abaixo podem ser adquiridas no iTunes. Este é o 2º Vídeo Álbum de The Romantic Strings!”

O DOCE DE LEITE, AS LEITURAS, O GIZ E O APAGADOR

Quando se é menina, nos anos de 1960 e se aprende a ler, a vida fica magnífica. Tem-se vontade de ler de tudo. De tudo mesmo. E quando na casa da amiga, o pai dela assina Seleções, uau, isso é o máximo. A revista passou a circular no Brasil em 1942. Nos EUA, em 1922.

Fico pensando, hoje, o quanto de compreensão eu tinha sobre aquelas reportagens etc. sempre curtas, com fotografias, falando sobre cinema, conselhos de saúde, política, regras de educação e de etiqueta social, literatura… não consigo voltar no tempo e captar aquelas sensações, ou melhor, resgatá-las mesmo. Sei que adorava as curiosidades (A propósito, nos anos 90, conheci em SP, o autor do Guia dos Curiosos, Marcelo Coelho, e lhe contei sobre essa minha cultura fóssil de Seleções). Gostava daquele jeito meio Almanaque Biotônico Fontoura da revistinha, meio informação de Rádio Relógio do Rio ”Você sabia que …”. Eu, menina, lia bastante daquilo tudo. Das biografias às descobertas, das sínteses de ”O livro do mês”, quando havia uma espécie de resenha de uma obra – aquilo me motivava a querer buscar o livro, pedir emprestado para ler. Na verdade, queria era confrontar a minha interpretação com a da resenha – penso hoje.

Depois meu irmão mais velho, Odecio, passou a assinar. Aí era a festa. Era briga pra ler primeiro, quando ele ia buscar no Correio da FNM.

Acredito que devido à idade que tinha, eu preferisse as ”Piadas de Caserna”, e as charges também. É evidente que tudo era bastante calcado na cultura americana. Talvez eu nem entendesse bem. Mas gostava. E o tamanho pequenino da revista era uma delícia – quase um gibi.

Melhor do que ler Seleções, só pedir umas moedas aos meus pais para comprar docinhos de leite e pedras de giz no Mercado Municipal da FNM, pra depois brincar de escola e escrever no grande quadro-negro que meu pai fez pra mim, no barracão-oficina dele, encostadinho nas laranjeiras. No recreio da minha escolinha, pausa para tomar Mineirinho, que meu pai comprava, porque a gente adorava, desde o nome. E ele, principalmente.

Poema e texto: Odonir Oliveira

Fotos retiradas da Internet

Vídeo: Canal James Randall

Leia também a tese: ”Seleções do Reader’s Digest, 1954 – 1964. Um Mapa da Intolerância Política”

Clique para acessar o TESE_SILVIO_LUIZ_GONCALVES_PEREIRA.pdf

Aqui o site atual da revista: https://www.selecoes.com.br/

Poema e texto: Odonir Oliveira

Fotos retiradas da Internet

Vídeo: Canal James Randall

A colmeia do canal Chico Abelha: 1 milhão de inscritos pelo mundo

A GRANDE COLMEIA
Vem que a função já começa, gente nossa,
brasilidade no olhar
gostosuras no fogão
perfume de flor nos caminhos
temperos de doces e salgados de dar água na boca
vem, gente, vem logo
a prosa esquenta
com um com outro
com ocê junto aqui
Vem aprendê é chá, emplastro, mezinhas
a gente faz junto
a gente prova junto
a gente ouve, aprende, ensina
traça um risco no país norte-sul, leste-oeste
gente de todo canto
gente de todo mundo
abelhas fazendo cera
abelhas fazendo mel
geleia real nas vidas todas
traz conversa traz causo traz reza traz viola e oração
uma colmeia extensa intensa, infinda
cada dia um convívio
cada dia uma companhia
pelos ares abelhas adocicam vidas.

Parabéns, Francisco Ruiz, missão é missão, e ser fiel àquilo em que se acredita é um grande mérito.

Canal do Chico Abelha: https://www.youtube.com/channel/UC1h0_3UMo1ZiIN_YsuM86Yg

Blog: Chicoabelha’s Blog: https://chicoabelha.wordpress.com/

Vídeo: Canal pappyrockfr

Quintal dos prazeres

Molhei as plantas. Era fim de tarde. O quintal me sorriu agradecido. No andar de cima as frutíferas. As abóboras já chegaram anunciadas por belas flores amarelas. Os mamões, de novo, se aproximam, o pessegueiro, as bananeiras, tudo plantado por minhas mãos, por mãos que sentem. Prazeres. Observar, acompanhar, fortalecer, cuidar. A natureza tem seu ritmo. Acalantos de vida. Prazeres. As flores me encantam nos recantos em que se mostram. Molho-as como se fossem bebês. Prazeres. Cai a noitinha. A lua menina vem posar pra mim. Ri um sorriso – como boca de desenho infantil. Prazeres.

Texto: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal (meu quintal agora de tarde)

Vídeo: Canal Instituto Piano Brasileiro

Tardes de domingo

CAMPOS DAS VERTENTES

caminhadas
caminhos de tardes em sons de pássaros
ruas entregues ao adormecer vespertino
sonambulismos televisivos
sonambulismos virtuais
ruas adormecidas pelos nadas

caminhadas
explosões de cores e perfumes
sinfonia de pássaros em desfile
desenho de rio cúmplice
arquitetura de olhares
engenharia de traçados

caminhadas
ver na pele a luz
ver na pele o particular
ver na pele o essencial

caminhadas
caminhos de tardes em solo

DOMINGOS DORMEM

É um sol modorrento nos telhados
é um muxoxo de nada mais
é um mormaço domingueiro vespertino
é um marrento sentar nas soleiras a conversações
é uma rebeldia estrangeira a tudo o mais.

É um abrir as cortinas
das ruas
das avenidas
dos barrancos
é um isso mais que aquilo
é um encanto multicor
é um encanto perfumado
é um carimbo intransferível

É Flor.

JANELA

Era sol
Era água
Era lago, lagoa, rio
Era amanhecer
Era entardecer
Era anoitecer
Era madrugada em sintonia
Era madrugada em sinfonias
Era gelosia centenária
Era veneziana secular
Era peitoral histórico
Era janela dos olhos.
Era explosão do sentir.

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal Instituto Piano Brasileiro

A arte, o artista, o encanto

BUCOLISMO
pele poros suor cheiros
músculos sangue mato cores
calor terra poeira
signos selas trotes
garupa nuca gozo encontro
bucolismo externo
bucolismo interno
bucolismo extremo

HOMENAGEM A MILTON NASCIMENTO

Repertório: Tela inicial 00:00

01 – A LUA GIROU (Tradicional Adap. Milton Nascimento) 00:15

 02 – NOITES DO SERTÃO (Milton Nascimento / Tavinho Moura) 05:37

03 – SAUDADES DOS AVIÕES DA PANAIR 09:38

04 – TERCEIRA MARGEM DO RIO (Milton Nascimento / Caetano Veloso) leitura de um trecho de “A Terceira Margem do Rio” de João Guimarães Rosa; livro Primeiras Histórias 15:08

05 – CANÇÃO AMIGA (Milton Nascimento / Carlos Drummond de Andrade) 21:50

 06 – CASAMIENTO DE NEGROS (Tradicional / Adpt. Violeta Parra / Adpt. Polo Cabrera) 26:55

07 – PAIXÃO E FÉ (Tavinho Moura e Fernando Brant) 30:38

 08 – MILAGRE DOS PEIXES (Milton Nascimento / Fernando Brant) 36:37

 09 – CREDO (Milton Nascimento / Fernando Brant) citação de SAN VICENTE (Milton Nascimento / Fernando Brant) 42:03

10 – PAULA E BEBETO (Milton Nascimento / Caetano Veloso) 47:17

FUGERE URBEM
O rio correndo lento em sol camarada
as pedras roladas emoldurando os beirais
as árvores desfazendo-se de folhas secas
o vento-brisa revolvendo cabelos
um cheiro de amor à vida
na frente
nos lados
atrás
acima
de nós
sem nós
só laços em espaços
tu caminhas distante fotografando a manhã, os longes
eu recostada à figueira centenária fotografo as nuvens
há uma toalha xadrez vermelha sobre a mata rala
há queijo fresco, roscas, bolos, salame, frutas
vinho
há um vivo ar de macelas ao longe
aquecendo aromas
pintando o rio
colorindo os corpos
beijando raízes similares
há uma fuga de Bach interna
há um fogo de peles externas
há você e eu

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de minhas flores

Vídeo: Canal Mônica Salmaso

O Diretor

”Os momentos bons e as horas más
Que a memória coa”
(Romance, Chico Buarque)

A MEMÓRIA COA

-Por favor, é da EMEF R.B. Gostaria de umas informações.

-Sim, é daqui mesmo. Em que posso ser útil?

-Bem, estou visitando escolas para definir as escolhas que acontecerão na semana que vem. Fui aprovada no concurso, entreguei os títulos, queria conhecer a escola, se possível.

-É possível sim. Aprovada para que cargo, professora do nível I?

-Não. Professora de Português, de 5ª a 8ª.

-Só temos uma vaga aqui. Quem está falando é o diretor Enzo. A escola é bem localizada , talvez seja escolhida logo no 1º dia. Qual a sua classificação de aprovada? Por que com a soma de títulos, só na hora da escolha você terá a informação, sabe não é?

-Sei sim. Sou a 45ª colocada, mas ainda tenho os títulos.

-Ah, bom. Acho que você consegue sim. Venha conhecer a escola, você vai gostar.

-Vou com meus filhos, então. Pode me ensinar como chegar?

-Onde você mora?

-Na Vila Romana.

-Pertíssimo, quase uma única reta. Vou te explicar.


Ao chegar à escola, fui bem recebida. Era janeiro. Vi uma escola bem arrumada, caprichada, com murais, pintadinha, um primor mesmo. Enzo deu um carrinho pro meu filho pequeno, 3 anos e meio. Fiquei satisfeita, estava entrando para a Secretaria Municipal de Educação, sem ter lecionado nunca em qualquer escola da prefeitura, sem ser concursada – como também no Estado. Lembro-me que peguei a estrada e senti uma vontade louca de viajar com meus filhos, ir parando, como a caminhoneira que sempre quis ser.


No dia da escolha, gestão da prefeita Luiza Erundina, assinando a pasta da educação, meu mestre Paulo Freire. Foi ele que assinou minha diplomação de ingresso. Chegando lá, somando-se meu tempo de magistério no estado, na rede particular e meus cursos, subi para a 22ª colocação. Escolhi, então, a EMEF R.B.


Quando fui levar minha documentação, o diretor me tratou muito bem, pois contei-lhe sobre meu desempenho profissional anterior e o atual. Disse-me que as aulas seriam no noturno, suplência, hoje EJA. Assumi a carga mínima porque já dava aulas no estado e na rede particular. Comecei em fim de fevereiro.

Enzo era um diretor muito criticado pelas professoras do nível 1 por acharem-no muito cobrador, exigente etc. Mas era pró-ativo, líder e queria o melhor para os alunos, sempre em primeiro lugar. Havia sido professor primário, feito o Curso Normal e, por concurso era, agora diretor. Eu não tenho reservas para com quem é exigente, em relação à educação. Ele era muito comprometido com essa tal educação de escola pública. Na EMEF R. B havia banda marcial, aconteciam olimpíadas todos os anos, com desfile de abertura pelo bairro, com tocha olímpica e tudo, feiras culturais, de ciências, e, sobretudo, reforçava as solicitações de comparecimento dos pais às reuniões. A aparência física da escola era excelente. Portanto, era preciso que cada um se dedicasse, sem corpo mole. Enzo chamava os professores a agir.


Logo, no 2º semestre, me afastei da EMEF por ter sido convocada a fazer um trabalho com a Secretaria de Cultura, coordenando trabalhos com a da Educação. Ele não gostou. Fiquei 2 anos fora.
Quando voltei, ele me recebeu meio ariscamente, não gostara da minha ausência. Minhas classes foram entregues a professores que não eram concursados, apenas iam buscar aulas que sobravam etc.


Quando voltei, sabendo de minha linha de trabalho e de meu comprometimento, ofereceu-me a Sala de Leitura, aceitei e fui confirmada pelo Conselho de Escola.


Logo depois, Enzo fora aprovado como supervisor de ensino e deixava a escola. Continuamos amigos. Sempre que eu apresentava algum trabalho de alunos em congressos, ia assistir, dava-me parabéns, contava aos participantes ter sido meu 1º diretor na prefeitura etc. Sentia o seu respeito por meu trabalho. Mais do que isso, o seu reconhecimento.
Era sabido que tínhamos linhas políticas de lados opostos. Jamais fiz qualquer observação política a ele. Para mim, para a EDUCAÇÃO, ele era progressista e muito. Talvez nem soubesse que era. Julgava-se um conservador.

Chamou-me algumas vezes para mesas-redondas em instituições públicas e privadas – sem recebermos por elas – apenas como colaboradores experientes.
Quando me aposentei, avisei-o. Disse-me que a dele também estava para sair. Mas que iria esperar até o início do ano para agregar mais uma “letra” aos valores de sua aposentadoria como supervisor – cargo mais alto das secretarias de educação, depois do Secretário.

Agora é que vamos começar a ganhar dinheiro, Odonir, com nossos cursos, nossas palestras. Agora que isso vai começar.


Despedi-me dele ao telefone, em meados de dezembro. Enzo era arrimo de família, tinha pai e mãe como dependentes. Morava com eles, passeava com eles, viajava com eles e com uma irmã mais jovem, quase sempre.


No fim de fevereiro, já aposentado, estava indo de carro pela estrada com os pais e a irmã, um caminhão atravessou a pista e pegou-o inteiro. Morreu instantaneamente. A irmã ficou muito ferida, submetida a muitas cirurgias e os pais sofreram traumatismos leves.


Na semana seguinte fui à sua missa de sétimo dia na capela do bairro, com todos as professoras da EMEF R.B presentes. Cada uma lembrou dele um pouco. Não falei. Fui guiando naquele fim de tarde de sábado para casa e recordando que, além de tudo o que eu via de qualidades nele, fora ele que conseguira proteção e meu afastamento da escola, quando estava sendo ameaçada de morte por telefonemas, durante meses. Conseguiu junto ao então Secretário da Educação meu afastamento da escola, sem divulgar meu novo domicílio escolar e providenciou isso como supervisor de ensino – visto que a diretora não havia levado a sério, nem dado qualquer encaminhamento.


Hoje há uma EMEF, no bairro vizinho, que leva seu nome. É provável que professores jovens não saibam quem foi, nem mesmo os alunos. Mas li artigos de fatos que vêm acontecendo nessa escola, desde 2019, insuflados pelo movimento ”Escola sem Partido” que me deixaram muito enraivecida, encolerizada mesmo. Ainda bem que há lá uma diretora valente que não teme ameaças e se respalda nas leis.


Obrigada, professor Enzo.
”Os momentos bons e as horas más
Que a memória coa”

Aqui reportagem sobre a escola que leva seu nome:

Texto: Odonir Oliveira

Vídeo: Canal Instituto Piano Brasileiro

John & Mary

“NÃO ME DEIXEM SÓ!”
O presidente da república assumira de forma equivocada – a história mostraria depois.
Maria, tinha prenome, mas preferia ser chamada de Maria. Mulher de pouco mais de 50 anos, professora, doutora de universidade pública, engajada até os dentes em todas as campanhas políticas que havia no país, estava com medo.
Os primeiros meses de angústia foram sendo sucedidos por atos de horizonte insuspeitável. Sequestro da poupança, fim da Embrafilme, abertura do país às indústrias automotivas estrangeiras, perseguição e boicotes a artistas e muita corrupção. A promessa de caçador de marajás havia angariado eleitorado desinformado, ingênuo e até mal-intencionado.
Maria era livre, não se apegava a homem algum. Gostava do sexo pelo sexo, tinha uma angústia ancestral – mantida e adubada por falta de crenças religiosas, crença na espiritualidade, por carências negadas. Gostava de beber. Muito. Gostava de fumar. Muito. Só prazer. Jamais quis vida em comum com um homem sequer. E adorava jazz, MPB.
Era brasileira, adorava o Brasil. Lutava com seus alunos nas manifestações dos Caras Pintadas, literalmente, com rosto pintado, adesivos na pele. Lutava em todas as manifestações. Lutava.
No momento em que a crise apertou, quis fugir, evadir-se. Nada de sofrimentos, dores, mágoas e marcas.
Conheceu José, um engenheiro, formado em TI também. Trabalhava para uma multinacional japonesa. Ganhara muito dinheiro, aplicara em imóveis. Conheceu Maria quando esteve em São Paulo, para uma reunião da empresa em sua sede. Desceu do hotel para ver a caminhada contra o presidente da república, clamando sua deposição. Conheceu Maria, de cigarro na mão esquerda e latinha de cerveja na outra. Saia jeans, bem curta, cheia de adesivos, rodeada por alunos. Conheceu Maria.
José era um brasileiro de se orgulhar de ser brasileiro. Gostava de mato, de terra, de gente simples, de comer junto com eles. Jamais viveria fora do país. Viajara algumas vezes. Conhecera os EUA, cidades europeias, mas jamais abandonaria sua terra, sua gente. Zé era um torcedor do ”sexo casual futebol clube”, nada de apegos, nada de casamentos, nada de coabitações. Nada. Conheceu Maria.
No momento em que a crise apertou, quis fugir, evadir-se. Nada de sofrimentos, dores, mágoas e marcas. Conheceu Maria.
Maria foi primeiro, exilou-se nos EUA, deixou para trás o país que amava. Ele foi logo depois.
John & Mary são seus codinomes no Império.

”Não me deixem só!”– frase proferida por Collor, dias antes de ser impedido de continuar na presidência.

Texto: Odonir Oliveira

Fotos retiradas da Internet (Isto É, O Globo,Veja)

Vídeos:

1- Canal Temas da TV

2- Canal BillyPaulVEVO

Chiquinha Gonzaga, que mulher!

CHIQUINHA GONZAGA: Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935. Mulher com visão muito diferenciada, muito à frente do seu tempo, participou de lutas libertárias, e, embora tenha sido criada em uma família de posses, aproximou-se do popular, compôs partituras para mais de 50 peças teatrais. É claro que para isso, foi obrigada a romper com a estrutura patriarcal e familiar em que vivia, perdendo a guarda dos filhos e sofrendo todas as consequências de suas escolhas. Viveu com muitas dificuldades materiais e no fim da vida os filhos se reaproximaram dela. Amou, no final de sua existência, um homem bem mais jovem, que lhe retribuiu o amor e cultivou seu canteiro de rosas, suas canções. Foi samba-enredo de 4 Escolas de Samba: Tupy de Brás de Pina (1972), Estação 1ª de Mangueira (1985), Imperatriz Leopoldinense (1997) Águia de Ouro (SP, 2006). Apaixonada por ela, desde mocinha, comprei e li sua biografia ”Chiquinha Gonzaga, uma história de vida”, de Edinha Diniz, Editora Zahar, logo no seu lançamento. É de encantar mesmo. A biografia da compositora confirma que não se pode ser um grande artista sem se chegar junto ao povo, às suas lutas e a seus anseios.

Aos 85 anos

Conheça mais sobre Chiquinha Gonzaga em seu site oficial: https://chiquinhagonzaga.com/wp/

Vídeos:

1- Canal Instituto Piano Brasileiro

2- Canal Telma Leite

Encantos

SIM
Sim, porque “eu te amo”
Sim, porque eu te amo, dei pra gostar de músicas de amor, outra vez;
Sim, porque eu te amo, dei pra gostar de cartas de amor, ora em nuvem;
Sim, porque eu te amo, dei pra conversar com as flores, os pássaros, os bichos que percorrem os caminhos;
Sim, porque eu te amo, dei pra recordar sorrisos e alegrias e piadas tolinhas outrora ouvidas;
Sim, porque eu te amo, dei pra adorar vegetais, verduras, pratos coloridos em geral;
Sim, porque eu te amo, voltei a ver os filmes que já vi, os que nunca vi e desejar fazer outros tantos;
Sim, porque eu te amo, encontro gente que me sorri adivinhando meu estado de constante prenhez amorosa;
Sim, porque eu te amo, fico a namorar a chuva pela janela, a ver escorrer enxurradas de barquinhos invisíveis …
Sim, porque eu te amo, abro sorrisos largos, antes desconhecidos;
Sim, porque eu te amo, dei pra dormir menos e viver mais;
Sim, porque eu te amo, passei a fertilizar a terra, a polvilhar nela sementes de abacateiros, ameixeiras, limoeiros, passiflora ardente;
Sim, porque eu te amo, espero o entardecer, o sol se por e o dia raiar de novo a suspirar;
Sim, porque eu te amo, dei pra aceitar mais as diferenças entre as pessoas, o percurso de cada uma, a beleza das animas;
Sim, porque eu te amo, encontro nas montanhas companhia solene para a reflexão, o assobiar dos bem-te-vis e a oratória das maritacas;
Sim, porque eu te amo, abro mão da cotidiana cobrança do ser e estar, do compulsório e eterno ressarcimento de tempo e espaço;
Sim, porque eu te amo entrego, em pacotes, manifestações de afeto e alegria como mínima retribuição pelos sonhos sonhados;
Sim, porque eu te amo, entorno rios de lágrimas pela insegurança do meu amor e não do teu;
Sim, porque eu te amo, não me permito ser mais frágil como antes o fui e não polir esse último e único brilhante;
Sim, porque eu te amo, contraio vontades inusitadas de dirigir por estradas a esmo, easyridermente;
Sim, porque eu te amo, aguardo o sono e os sonhos em que símbolos e sons compartilharão sensações indefinidas, irracionais, incompreensivelmente deleitáveis;
Sim, porque eu te amo, conheço espaços nunca antes percorridos, sabores nunca antes encontrados, sensações nunca antes experimentadas;
Sim, porque eu te amo, sei que estás no todo do meu caminhar e descubro que és a outra parte de mim em mim.
Sim porque eu te amo.

NO TEMPO
era quase tarde
ali ela apenas
sem ele
com ele
era quase tarde
ali apenas ela
um sino plangente
uma pétala de flor
umas folhas ao chão
era quase tarde
ali ela apenas
sem ele
com ele
uma música interna
um fulgor interno
uma carícia de vento frio na pele
ali apenas ela
sem ele
com ele
era quase tarde
ali

NOTURNOS
uma camisa fluida
dedos deslizantes
boca de batom atonal
pescoço de semibreves
colo de breves
seios fartos em sol maior
dorso de semínimas
ancas de allegros
flor em dó menor
coxas em si bemol
pernas em sustenidos e colcheias
sem camisa fluida
sem semibreves e breves
sinfonia noturna
perfeição de acordes
sintonia perfeita
neblina
querubins serafins
sinfonia dionisíaca

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeos:

1- Canal Tiago Santos

2- Canal Elis Regina – Tema

Positividade

(”Música de Rafael Schimidt e Gilberto Lamaison. Essa canção faz parte do disco INTERIOR”)

EU, NÓS
Se ando e enxergo, maravilho-me
Se paro e contemplo, pulso
Se ardo em sensações, vivo.
Se estou numa fala num gesto num sorriso, continuo.
Se toco a dor humana, emano
Se acarinho a terra vermelha, sou.
Se tenho compaixão, ajo.
Se tenho ainda a emoção, levito.

Picasso, “Dom Quixote”, 1955

Seres humanos tóxicos nunca vão admitir que estão errados
Por Holly Riordan

Você pode obter um pedido de desculpas de alguém tóxico, mas não será genuíno. A única vez que eles vão se desculpar é para manipulá-lo para dar-lhes o que eles querem, para fazer você acreditar que eles merecem perdão.
Caso contrário, eles nunca vão admitir a transgressão. Eles nunca vão dizer “sinto muito” e deixar por isso mesmo. Sempre haverá um “mas” na frase.
Eles vão argumentar com justificativas e com desculpas sobre como você não pode realmente culpá-los, porque isso é culpa de seus ex ou culpa de seus pais ou sua culpa.
Eles sempre tentarão colocar a culpa em outra pessoa porque não são maduros o suficiente para assumir a responsabilidade por suas próprias ações.
ELES SENTEM QUE NUNCA PODEM ESTAR ERRADOS, PORQUE REALMENTE ACREDITAM QUE NÃO ESTÃO.
Eles se sentem forçados a forjar a realidade com suas circunstâncias passadas ou atuais, quando na verdade, eles estão totalmente no controle de suas próprias decisões.
Eles podem escolher o caminho que vão tomar, e se escolherem errado, eles não conseguem confessar isso.
Claro, eles nunca vão lhe dar as desculpas que você merece.
Se eles se desculparem por te trair, eles vão dar detalhes sobre como isso nunca teria acontecido se a outra pessoa não tivesse se atirado para cima deles ou se você estivesse mais interessado em sexo ultimamente ou se eles não tivessem pedido aquela cerveja extra no bar… sempre haverá uma justificativa esfarrapada.
E se você tiver a coragem de enfrentá-los, de afrontá-los jogando em cima deles todas as suas besteiras, eles vão mudar a situação completamente.
ELES LISTARÃO TODAS AS COISAS BOAS QUE FIZERAM POR VOCÊ E O CHAMARÃO DE INGRATO.
Eles vão mencionar que você também não é perfeito e que nunca usaram isso contra você.
Eles vão tentar fazer você se sentir culpado, mesmo que tenham sido eles que estragaram tudo.
Pessoas tóxicas nunca vão admitir que estão erradas. Eles nunca vão refletir sobre suas escolhas e chegar à conclusão de que precisam mudar.
Não importa o que você faça ou o quanto você os ame, porque você nunca vai ganhar uma discussão com eles.
ELES FARÃO O POSSÍVEL PARA PROVAR QUE SÃO INOCENTES. ELES CRIARÃO MENTIRAS. ELES ESPALHARÃO BOATOS. ELES DISTORCERÃO A VERDADE PARA SE ENCAIXAR EM SUA PRÓPRIA NARRATIVA.
Você pode gritar com eles, pode amaldiçoá-los ou pode calmamente apresentar os fatos a eles – mas isso não fará diferença.
Eles têm um talento para transformar a realidade. Eles criam sua própria verdade. E eles tentam fazer com que tantas pessoas diferentes acreditem nessa ‘verdade’ quanto possível, então, no final, você é quem parecerá louco.
VOCÊ É QUEM PARECERÁ ERRADO.
Quando você está cara a cara com alguém tóxico, a melhor coisa que você pode fazer por si mesmo é ir embora, porque você nunca vai conseguir mudá-lo.
Você nunca vai fazer com que ele veja a situação do seu ponto de vista.
Você nunca vai fazer com que ele admita que foi longe demais.
OS HUMANOS TÓXICOS NÃO PENSAM LOGICAMENTE. ELES SÓ PENSAM EM SI MESMOS.

Fonte: https://www.seuamigoguru.com/seres-humanos-toxicos-nunca-vao-admitir-que-estao-errados/?fbclid=IwAR0yd-YytLKgW1MB4IDZmZRzEyVasNETIFuTMewCyBe2gjm-t5rnapidf9M

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa nasceu em Rio Negro, em 1908 e faleceu em SP em 2011. Chamada de ”Anjo de Hamburgo”: a brasileira salvou judeus do nazismo ao conceder-lhes vistos para o Brasil, no governo de Getúlio Vargas. Foi agraciada pelo governo de Israel com o título de ‘‘Justa entre as Nações”. A homenagem de inclusão do nome de Aracy no Jardim dos Justos entre as Nações, do Yad Vashem (Museu do Holocausto) em Israel, foi prestada em 8 de julho de 1982

Leia sobre Aracy Guimarães Rosa aqui: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53698746

Ambas as fotos: Wikimedia Commons

TOXICIDADES
calada no canto
baixe a cabeça
reflita sobre suas atitudes
censure suas ações
puna-se por caminhos lúgubres
enrole-se no manto das culpas
imole-se com a capa das vergonhas
humilhe-se
ofereça a outra face sempre
calada no canto
morda a língua
morda os lábios
sangre até as hemorragias
internas
externas
maltrate-se
condene-se
lamente ter sido daquele jeito
aceite o desprezo alheio
acate a narrativa alheia
compare-se
menospreze-se
recolha-se sem revoltas
calada no canto
baixe a cabeça

Poesias: Odonir Oliveira

Imagens retiradas da Internet

Vídeo: Canal Música de Interior