Alegria ? É com o Clubinho da Leitura !

Ouvindo história sem ver as imagens. Trabalhando o imaginário. 

Mas por que a estrelinha é triste?

Como poderia resolver isso?

Será que conseguiria?

 

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OUVINDO “Aquarela”, de Toquinho e Vinícius, sem ver imagens. Apenas desenhando e aquarelando o que lhes pareceu mais significativo na música.

É SÓ VIAJAR.

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AGORA TEATRO.

TEATRO COM ANIMAIS, FLOR E O QUE MAIS VIER.

TEXTO LIVRE, PERSONAGENS COLORIDOS. E COLORIDOS POR TODOS.

COMO SE CRIA O INÍCIO DA PEÇA?

E O PROBLEMA A SER RESOLVIDO?

E O DESFECHO?

COMO ESCOLHER UM BELO TÍTULO ?

QUEM SE AVENTURA?

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E JOGAMOS PETECA RESPONDENDO AOS DESAFIOS SOBRE AS ATIVIDADES DO DIA

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DEDICATÓRIA: Amo Vinícius de Moraes em tudo e por tudo. Pelo conjunto da obra, ofereço ao Vininha essa ode à alegria.

 

Em tempo, as crianças do Clubinho pedem que dedique o post de hoje ao José Jones Oliveira, um parceirinho deles também.

VIVA O CLUBINHO DA LEITURA DE BARBACENA !

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Entre os céus e a terra: águas

 

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ROTAS DE FUGA

Sei ser
múltiplas.
Entrego a meus parceiros de viagens minhas pernas e braços.
Sou com os deles uma outra.
Sigo por seus pés, suas mãos, seus olhos
picadas, ramais, caminhos, veredas.
Não estou sozinha naquele escuro, sem fachos e raios
Estou luz
Estou risos
Estou estradas
Estou companheirismo.
Estou noites, dias, direções.
Estou neles e eles em mim.
 
Vamos ?
Seguimos
Percorremos
Sou até onde e quando puder.
Meus anos para estes parceiros não contam.
Ao contrário, deles se valem e me fortalecem.
 
Somos três.
Somos um.

 

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NASCENTES

Do que nasce o homem?
De terra, água, pedra, céu, fogo?
Do que nasce o homem, meu Deus?
Por degraus de pedras percorrem-se imensidões.
Somos o perfume da macela e do alecrim
Somos a alfazema da estrada de terra.
Somos o riso da menina-moça que nos observa e conta, conta …
Somos o nascer e o por-do-sol no mato
na revoada de asas.
Somos a noite de estrelas
cada uma delas conversando e nos sorrindo em particular.
Somos a voz do matuto que explica as maiores e mais complexas filosofias
a desafiar nossas reflexões.
Somos pedras, pedras, pedras
Movimentos de músculos, jogos de quadris, arremessos de olhares e risos
Somos risos de frases ingênuas, como anjos caídos de um céu daqueles,
mirando-nos,
mineiramente desconfiado.
Cada um de nós conversa com a estrela escolhida,
ainda que tão-tão distantes.
 
Estrelas ouvem, bem sei que ouvem.

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Placa de um restaurante de Sobradinho- MG

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(Vista a partir do restaurante de Sobradinho)

GRÃO DE GENTE

As águas me lavam as ignorâncias
as pedras esfregam meu diminuto elemento no cosmos
o céu me eleva ao curto instante em que me encontro.
Sou um isto apenas.
Sou uma mulher como tantas
Sou uma mulher que bebe leite das pedras
Estou humana
Estou simples
Estou verde ainda.

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Igreja Nossa Senhora do Rosário (Igreja de Pedra)- São Thomé das Letras- MG

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AO SOL

Ó sol, que pintas o céu todos os dias,
Ó sol, que colores de tons irreproduzíveis as manhãs, tardes e noites
Ó sol, que vivificas de esplendor
um grão,
um fruto,
uma flor
uma vida.
 
Que encanto é esse que tens e não me entornas ?
Que calor procuras para me enternecer de som o corpo árduo ?
Que sabor de vida é esse que insiste em me percorrer ?
Quem é você sol, quem és?

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Por-do-sol de 25 de junho de 2016, na Pirâmide, São Thomé das Letras- MG

Poemas: Odonir Oliveira
Fotos de meu arquivo pessoal: São Thomé das Letras e Sobradinho, MG, junho de 2016
1º Vídeo: Canal Gravadora Galeão
2º Vídeo: Canal: François Germain
3º Vídeo: Canal apfrezende G
4º Vídeo: Canal Gravadora Galeão

 

 

Dedico esse post ao povo mineiro dos rincões mais distantes, das cidades pequeninas, que quanto mais conheço mais gosto.

“Posso dar carinho?”

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O CARINHO ME PEGOU DESPREPARADA

 Parou e pediu:”Posso dar carinho ?”
“Não entendi. O quê ?”
“Posso dar carinho ?”- e se aproximou da Luna
Entendi.
“Pode sim” – respondi agradecendo, porque aquele carinho foi em mim também.
Nunca havia visto Luís Claudio.
Agora não conseguirei mais esquecê-lo.

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CONFESSIONAIS

I

É um ponto
é uma meta
é um rumo.
Persigo
sigo
avanço.

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II

Entranhas, noites, sussurros, segredos
histórias, cumplicidades, desvãos
Um leque, uma moeda, um retrato
um terço
um meio
um décimo de vidas
um centésimo de tristezas
um milésimo de revelações.
Revelações de últimos meses, de últimos dias e horas.
Confidências insuspeitáveis.

 

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III

Bato à porta,
que fechada, me permite contemplações
Bato à porta,
que inerte,
me permite reflexões.
Bato à porta,
que signo, me conduz a leituras internas.
Adentro o adro sagrado, profana que ainda sou.
Bato à porta.

 

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IV

Cruzeiro de joelhos
ainda que doam e sangrem feito penitência ignorada.
Cruzeiro do madeiro bento
Cruzeiro da Senhora do Carmo
respondendo por mim
entendendo a mim
respondendo a mim.
Cruzeiro cheio de luz dos dias frios de junho.
Minas escorrendo sempre por minhas veias.

V

Luzes em penumbra
altares, sinos e santos
toalhas brancas, presépios, mistérios,
ritos de vida e de morte,
encontros domésticos, casuais, sacramentados,
flores brancas,
perfume de rosas, jasmins, camélias e cravos brancos
Silêncios sigilosos de evocações
Humanos, sagrados pecadores.

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VI

Tia,
que ainda abre cofres de segredos aos poucos,
quase nove décadas de espíritos santos e de Espírito Santo nas mãos,
de terços e de águas bentas em vidrinhos rendados,
com seus santos conhecidos, clamados, ofertados, agradecidos,
das memórias distantes, de longas narrativas confidenciadas,
das memórias mínimas, de tempos próximos equivocados e fluidos
Única fonte,
última fonte.

 

VII

Tia Neyde que ouve, como eu, os apitos do trem de carga
duas, três vezes ao dia e pergunta se eu também ouvi.
Tia Neyde que quer saber da saúde, da tristeza, da alegria.
Tia Neyde que agradece as rosas, os presentes de santos,
as imagens e as comidas que recebe de nós,
muitas vezes
muitas vezes
muitas vezes
Tia, permaneça.
Permaneça, tia.

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VIII

Pede que eu faça uma foto e lhe dê.
Faço e lhe dou.
Sou,  das carnes que me mantinham de pé, um pouco.
Sou, dos risos que mantinham de pé, um pouco.
Sou, das histórias que ouvi, muito.

 

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DEDICATÓRIA: Escrevi esse post , totalmente embebida da voz, do olhar e da garra de viver de minha Tia Neyde, viúva de meu tio materno, Moisés. É para ela, portanto.

Faleceu em 9 de abril de 2017

Versos: Odonir Oliveira
Fotos de arquivo pessoal : Igreja Nossa Senhora do Carmo, Barbacena, MG.
1º Vídeo: Canal Samuel Lobo
2º Vídeo: Canal The Vivitutu
3º Vídeo: Canal  Monica Souza
4º Vídeo: Canal Odonir Oliveira
5º Vídeo: Canal luizfelipels7
6º Vídeo: Canal DAN88651

Santo Antonio, pastor da minha infância

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Paisagem imaginária,  Alberto Guignard

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JUNHO PLANTADO NO MEU CORAÇÃO

Vai dançar quadrilha esse ano?
Só se o Jonas criar novos passos?
Minha mãe vai fazer o vestido bem curtinho, com sinhaninhas coloridas.
Eu vou usar o do ano passado mesmo.
Ah, que 13 de junho é pouco pra tantos fogos no céu !

 

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FESTA  DE SANTO ANTONIO

Fecha a rua !
 
Pede ao Paulo, ao Zé Luiz, ao Gelson
pra pegarem as folhas de palmeiras.
Pronto, a entrada já está combinada.
Traz você, Jorge, e chama o Jairo e o Jandir
pra buscarem as madeiras pra fogueira.
 
Quem monta?
Quem ajuda?
Quem acende?
 
Pronto já está combinado.
 
Dona Maria, dona Carolina e dona Iolanda trarão os doces?
Quem vai fazer quentão?
Quem vai fazer o bolo de mandioca com coco?
Cocadas com João Carlos, deliciosas !
Bolo de fubá com erva-doce, quentinho, quem faz?
 
O som… quem carrega a vitrola, os discos, põe o alto-falante?
Hem, gente ?
Pronto, combinado.
 
Vai ter leilão? Mas de quê?
De sonhos, gente, dos nossos sonhos todos.
Pronto, combinado: leilão de nossos sonhos.

http://ajurspartesbrasil.blogspot.com.br/2012_06_01_archive.html

QUADRILHA 

Cristina, Jorjão
Sandra, Jonas
Eurilena, Zé Luiz
Ivete, Gilberto
Márcia, Márcio
Sandra, Paulo
Marisa, Jairo
Odô, Gelson
 
Formam-se outros pares.
Eurico, Míriam, Jandir, Tania, Gilcéia, Kátia, João Pedro, Isa,
Isaías, Ana,  Edna, Tânia, Celinha, Carmem Lúcia, Mauro, João Carlos …
 
Chapéus com trancinhas postiças,
vestidos floridos,  bocas vermelhas, sardinhas …
Chapéus de palha,
calças remendadas, barbas e bigodes pretos, de rolha …
 
O enlace, o enlevo, o prelúdio de nossas vidas
Assobiando nosso futuro, bombinhas  de 30, estalinhos, foguetes
buscapés, rojões, estrelinhas coloridas …
Correio-elegante de paixões secretas, reveladas, coroadas.
Trocas de pares no ritmo da quadrilha.
 
Trocas de pares no ritmo da vida.

 

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Avenida Nossa Senhora das Graças, FNM, Xerém, RJ (2016)

SABORES NA BOCA

Paçoca, pé-de-moleque, doce de abóbora e de batata-doce,
Cana assada na fogueira,
aipim assado na fogueira
batata assada na fogueira
 
Calor de fogueira no rosto.
Vermelhidão.
 
Noites frias de junho
Lua cheia, redonda, cúmplice
Beijos quentes longe da fogueira.
Abraços ardentes longe da fogueira
Lua cheia, redonda, cúmplice.
 
Santo Antonio bom demais !

 

SIMPATIAS 

De véspera.
Tem que ser de véspera.
Descobrir o futuro em papéis abertos em águas de bacias.
Descobrir o futuro em simpatias feitas no sereno.
Crenças ingênuas, crenças sinceras, amores definitivos.
Um cenário eternizado,
metros e metros de bandeirinhas de papel de seda
salpicando de futuro nosso presente.
Um céu de balões caseiros mínimos, simples.
Um céu de sonhos caseiros mínimos, simples
 
Colorindo presente.
Colorindo futuro.

 

 Santo Antonio de Pádua

BAGAGEM COLORIDA

Anos, décadas
Ruas, cidades, países
Não houve espaço, tempo ou experiência que superasse os invernos de mim.
Cada dia me lembrou um
Outra vez uma frase, um fato e até uma canção me lembrou outro.
Na bagagem colorida
um calor de fogueira na face
um painel brilhante de sorridentes expressões de rostos
um facho de luz de passeios de bicicleta, idas ao cinema,
um cofre repleto de bailes e de festas dançantes em domingueiras caseiras.
 
Nada, nunca foi esquecido.
Carrego comigo minha bagagem colorida
Nela vêm um pedacinho de vestido, uma capa de LP, uma foto
até mesmo páginas de um caderno de recordações.
Bagagem colorida que não se descolore jamais.
 
Padroeiro da nossa terra, pastor de nossas infâncias

 

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DEDICATÓRIA: A todos os meus amigos de infância e adolescência que viveram comigo tantas vidas,  e juntos, até o ano de 1968 na  FNM, Fábrica Nacional de Motores, RJ, (hoje Xerém).

 

Textos: Odonir Oliveira
 
1º Vídeo: Canal noryn00
2º Vídeo: Canal apfrezend G
3º Vídeo: Canal  Jânio de Souza Pereira
4º Vídeo: Canal FHERKENHOFF
5º Vídeo: Canal  Musicas200
6º Vídeo:  Musicas200
7º Vídeo: Gabriel  Zavitoski

AMOR, 12 de junho

AMORES-PERFEITOS SÃO FLORES LINDAS

Olhando a beleza dessas florezinhas, seu formato, suas cores, a delicadeza da textura de cada uma, há que se perguntar a que sentimento poderíamos nomear de amor perfeito.

Seriam aqueles amores juvenis nos quais nos envolvemos de tal modo, que se sem eles ficarmos, emagrecemos, adoecemos e queremos nos suicidar até.Seriam ainda aqueles que nos deixam com as mãos suadas, a boca seca, sem palavras, com um olhar culpado, só de nos sabermos apaixonados? Muitas vezes o ser amado nem sequer desconfia de nosso amor, seria esse? Seria aquele em que morremos de ciúme da menina mais bonita, de cabelo mais charmoso, do peito grandão e da bunda bonitinha que não temos? Ou seria aquele que provoca nos garotos uma inveja incontida , levando-os a desqualificar o dito rival e ladrão de suas amadas: não sabe nada, o Mané; não joga nada, o Mané; não toca e nem canta nada o Mané.

Seriam aqueles amores nos quais a  gente confia e se entrega de corpo  e alma, acreditando que corpo e alma são coisas diferentes? Seriam aqueles dos quais a gente se adona e diz: esse é meu, ninguém tasca; vi primeiro, encontrei primeiro, ninguém me toma mais; batalhei muito para conseguir, agora quer me tomar… Seriam aqueles que por uma ilusão à-toa, acreditamos estarmos vivendo um sonho, algo jamais experimentado antes, o melhor dos homens, a melhor das mulheres; esse é o meu número; ela é a mulher da minha vida; ele me completa; ela me incendeia; ele me enlouquece. Seriam esses amores de fogo em brasa os perfeitos? Seriam esses amores que dispensam palavras, imantados apenas pela libido ensandecida de nós? Seriam os amores de corpos nus atados por um suco divino, azeitados de suor, empoleirados pelo desejo os amores perfeitos? Seriam ainda os amores difíceis, quase impossíveis, pelos quais larga-se tudo, trabalho, família, filhos, em função dessa sua perfeição?

Amores perfeitos seriam talvez aqueles que nós, cada um de nós, acredita serem perfeitos naquele momento, naquela situação vivida. Não me refiro a casamento etc. Estou falando de amores perfeitos, que satisfazem num tanto, que deles sentimos falta, com eles queremos estar para deitar ou ficar de pé, tanto faz. Amores perfeitos seriam aqueles que nos alimentam de alguma forma e permitem que os alimentemos de nós também. Amores perfeitos para serem perfeitos têm que ser repletos de nossas imperfeições, nossas incapacidades e de nossa cumplicidade repartida e compartilhada.

Amores-perfeitos são flores lindas ! 

QUE  OS GRANDES POETAS BRASILEIROS CANTEM O AMOR !

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

– mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

– palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

– que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…

e um dia me acabarei.

Cecília Meireles

 

O beijoAugust Rodin

Soneto

Estes os olhos são da minha amada,
Que belos, que gentis e que formosos!
Não são para os mortais tão preciosos
Os doces frutos da estação dourada.

Por eles a alegria derramada
Tornam-se os campos de, prazer gostosos.
Em zéfiros suaves e mimosos
Toda esta região se vê banhada.

Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo
Do rosto do meu bem as prendas belas,
Dai alívio ao mal que estou gemendo.

Mas ah! delírio meu que me atropelas!
Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrelas.

Cláudio Manoel da Costa

 

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Canal: Djavan VEVO

Soneto VII

Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!

Tu, que em ímpeto abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.

Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

Gregório de Matos

     Canal: Djavan VEVO

Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

Álvares de Azevedo

  Canal: Djavan VEVO

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Deixa que o olhar…

Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes, se mostrasse?

Basta de enganos! Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.

Olha: não posso mais! Ando tão cheio
Desse amor, que minh`alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo.

Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.

Olavo Bilac

        Canal: Djavan VEVO

  

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

Canal: Djavan VEVO

Amor

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida

Hilda Hilst

Soneto

Encontrei-te. Era o mês… Que importa o mês? Agosto,
Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto,
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades de amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranquilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era no mês de agosto,
Setembro, outubro, abril, maio, janeiro, ou março.

Encontrei-te. Depois… depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia… Que importa o dia, um simples nome?

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira,
Brilhasse o sol que importa? ou fosse o luar já morto?

Alphonsus de Guimaraens

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…
…Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada.
Não desejo Também mais nada,
só te olhar, enquanto A realidade é simples,
e isto apenas.

Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições.
O encanto que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

Imagens retiradas da internet

Post dedicado aos namorados

Enamorar-se

Canal: acalcanhottoVEVO

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ENAMORAR-SE 

Sempre fui conselheira dos adolescentes sobre essas questões de amor, paixão, enamoramentos etc. etc. Sempre quiseram saber o que eu pensava, como agiria, o que faria se …. Costumava responder que era bacana que “eles” próprios sentissem- em primeiro lugar- depois que elaborassem um pouco aqueles sentires, tentassem descobrir o porquê de tal ou tais pessoas serem tão importantes, tão necessárias em suas vidas e até mesmo que motivos os levavam a pinçar aqueles entre tantos outros.

Por que os aconselhava assim? Porque pelas estradas da vida pude entender um pouco mais desse sentimento ou dessa ação de ENAMORAR-SE. Ouvi muitos relatos de amigos, em terapias de grupo ou em momentos de confidências etc. etc. Pude, então, sair de mim e levitar por, ou com, sentires alheios também.

Não há que se ter medo. Roberto Freire, terapeuta reichiano, afirmava – e escreveu um livro com esse título –  AME e DÊ VEXAME . Acredito que existam correspondências internas que sejam mais importantes e, aliadas às de corpo, pele e cheiros transfigurem o que provoca em nós o enamoramento.

É claro que com a mudança de idades, há alterações nisso. Não se permanece com as mesmas intenções dos adolescentes, nem dos jovens. Tornamo-nos mais criteriosos, seletivos e efetivos em nossas escolhas. Entretanto, há um componente, quase ingrediente, nessa receita nada receita que também vem com a idade, é o receio da dor, do sofrimento, a lembrança do que já ocorreu anteriormente. É inevitável, saiba-se.

Há poucos dias, conversando com um amigo da mesma idade que a minha, com quem convivi na universidade e hoje vive em outro estado, disse-lhe que homens, em geral, procuram mulheres mais jovens por vários motivos- além de corpos durinhos etc. etc.- bebem delas a juventude perdida, o quem eles eram antes, e …  a falta de bagagem, a qual normalmente as mais novas ainda não carregam. Ele me respondeu que, então, ele não era homem.Entendi.

Arriscar-se, aproximar-se, buscar, ouvir o sim ou o não, ou o talvez, demandam CORAGEM, nem sempre existente nas pessoas.

Meu filho, jovem e objetivo, reclama que as pessoas da minha geração são muito inseguras e se nega a conversar sobre esse assunto comigo.

Enamorar-se é uma competência que muitos perdem com o tempo. E outros nunca sequer conheceram. É pena.

Canal: luciano hortencio

CUPIDO

Ah, me atinja Cupido,
que tenho pouco tempo
para enamorar-me
para sentir um rosto colado ao meu
uma boca premida a minha
uns braços enlaçados em mim
um cheiro de amor
querendo espraiar-se.
 
Corra, Cupido,
estou do outro lado da ponte,
que liga  e não separa.
 
Vem, Cupido.

 

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Mel Melissa Maurer – Instantes  fotos ao álbum “NUde

INSEGUROS

Meninos e meninas se beijando de olhos abertos na porta da escola
Plateias diárias para o espetáculo
Mãos bobas e tontas aguardando esconderijos
Saudade do outro após dez minutos de separação
Vontade de contar ao outro tudo,
as mínimas banalidades.
 
Desejo de cabeça, tronco e membros.
Fogo aceso de apaixonamentos.

 

Canal: Wilton Fonseca

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Tela de Andre Khon

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JANELAS ABERTAS

Viver tudo
ao mesmo tempo
Ele querendo corpo, pulso, pescoço, orelhas, carne e ossos
Ela querendo corpo, pulso, pescoço, orelhas, carne, ossos e suspiros e palavras.
 
Encaixe de desejos e sabores
Perfumes de enamoramentos.

 

Canal Oficial Fábio Jr.

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PORTAS

Frente à porta,
bate ou não bate ?
entra ou não entra?
entrega ou não?
despe-se ou não?
declara-se ou não?
 
Portas podem fechar ou abrir
Frente à porta …

 

Canal: Noandro Meneses

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BAÚ FLORIDO

Tempos que vão
tempos que vêm
tempos que se guardam em baús de flores.
 
Quando as estações são sem flores,
abrem-se as histórias, perfuma-se o ar com elas de novo,
sorvem-se horas, dias, meses, anos encantados.
Depois, fecha-se o baú e segue-se
porque aquela bagagem estava repleta de fragrâncias.

 

Canal: zezeeLucianoVEVO

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QUARTO MINEIRO

Um vulto
uma personagem
uma voz, um sorriso, uma montanha
um rio, um barco, uma ponte, um trem
um vento, uma cruz, uma estrada, um trilho
um céu, uma lua, milhares de estrelas. 

 

Canal: Michael

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ENAMOREM-SE, MENINOS !

Moços e moças, enamorem-se.
A existência sem enamoramentos é parca
A caminhada sem paixões é ínfima
A trajetória sem amores é cinzenta
Estar na vida sem doar-se e dar-se ao amor é medíocre e vão.
 
Enamorem-se até os últimos momentos de suas existências.
É o enamorar-se que nos torna mais humanos e doces com nossos semelhantes 
Abençoado é aquele que ama e se deixa amar .

Moços e moças, enamorem-se.

 

Canal: MARCIO LEON

Post dedicado aos namorados, sem data fixa para comemorar e viver seu enamoramento.

Poesias: Odonir Oliveira

Imagens retiradas da Internet

“… No teu corpo como tatuagem”

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TATUAGEM NATURAL 

Na pele menina
um quadro-negro, um apagador
um cheiro de comida feita com lenha
um mato e uma rota florida
um heroi de carne, osso e altruísmo
um caráter forjado a inconfidentes
um regador, uma pá e uma enxadinha
uma montanha, um rio, uma terra histórica
tudo desenhado a bico de pena
na invisível pele.

TATUAGEM RECORRENTE

Escolhe letra
escolhe formatos
escolhe cores
escolhe, escolhe, escolhe.
Reserva, conserva, decide.
Desiste.
Adia.
Descarta.
Ensaios de tatuagens apenas.

TATUAGEM INESPERADA

Um poeta, um poema, uma rima
um esbarrão, um susto, uma fuga
uma surpresa, um retorno, uma reserva
Tatuagem tardia, de cores e formas raras.

TATUAGEM EXTRA-CORPO

Quando uma forma se tatua em outra,
nada a desfará,
quaisquer que sejam os fatos, os feitos, as fotos
Há desenhos de um em outro
inalienáveis, intocáveis, insubstituíveis.

Esse post é dedicado a mim mesma, que acredito merecer ser feliz. “A vida é um sopro”. E a todos que se dizem namorados de alguém.

Poesias: Odonir Oliveira
Imagens retiradas da Internet
1º Vídeo: Canal: Zsolt Réti
2º Vídeo: Canal: polyphonaXe
3º Vídeo: Canal: Alisson Duarte (Este vídeo foi produzido a partir da música de Chico Buarque de Hollanda, “Tatuagem” e ilustrado com as imagens do vídeoclip “The Word Stone” da cantora norte americana Cyndi Lauper)
4º Vídeo: Canal cubebossanova
5º Vídeo: Canal  Jumpcut Portugal – Cena do filme José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, 2010, que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Rio.