Somos trovadores … urbanos

Na Idade Média trovadores eram aqueles que compunham, e jograis os que executavam as canções. Os trovadores eram nobres, e os jograis pessoas de origem plebeia – às vezes compondo também. Escrever poesias e inserir nelas música era algo belo, mágico, quase sagrado, no sentido criador.

Conheci os Trovadores Urbanos, em São Paulo, logo que formaram o grupo. Durante quase uma década passei em frente ao seu núcleo, em Perdizes, zona oeste paulistana. Era como passar na frente de um castelo medieval que agasalha a mítica e poderosa doçura das canções.

Outras vezes pude assistir a suas apresentações pela cidade fosse em aniversários, comemorações de datas significativas … como beija-flores que vão retirando o doce de cada uma, devolvendo lirismo, aspergindo sentimentalidades, colorindo a cinzenta terra da garoa de alegria.

Depois gravaram CDs, começaram a fazer seus shows …  há registros com Sílvio Caldas, Toquinho, Guilherme Arantes, entre outros.

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No mês de junho, as sessões abertas para o público, ser trovador também, homenageiam os namorados. São encontros maravilhosos onde e quando todos cantam e se encantam juntos, sem quaisquer preocupações com afinação etc. São momentos nos quais todos se esquecem de que a vida é árida e agreste, e pode ser salpicada por nossa afetividade, excluindo-se diferenças muitas vezes impostas a nós, mas sem qualquer justificativa.

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Somos todos trovadores e temos em nós essa poção trazida pelos beija-flores.

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Vídeos do Canal oficial dos Trovadores Urbanos: https://www.youtube.com/user/trovadoresoficial

Gravamos uma inserção em que agradeço a existência desse grupo fenomenal, no Facebook

 

 

 

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” Solidão, que poeira leve …”

UM VENTO

bate um vento

vento mudo

vento surdo

vento soturno

bate um vento

um compasso triste

um soluçar ímpar

um vazio companheiro

bate um vento

sacudindo cortinas

fechando portas

levantando poeira

bate um vento

tardiamente

constantemente

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A NUVEM

olha sonhando

olha desejando

olha em formas e tons

olha nuvens de algodão

toca nuvens de algodão doce

toca nuvens de algodão mais doce que algodão doce

flutua à espera da nuvem lírica

espera esteja ainda ali

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CAI A NOITE

tece teias

em telhados de tons outros

tantos

tece meias inteiras

em décimos de sons uns

tece xales em chalés difusos de outros

tece tece tece e se envaidece

tece tece tece e se enriquece

cai a noite, em teias

cai a noite, em meias

cai a noite

em chalés

enrola-se em si

na busca da tessitura real

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Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal Cleber Falcão dias

Emergências emocionais

 

Conheceram-se em situação de emergência emocional. Crise de saúde física ou emocional? Vai saber…

Do momento do encontro inicial ao clímax do contato, houve perdas e danos, risos e sufocamentos gástricos, engasgos incontidos, soluços intermitentes, isquemias transitórias, enxaquecas e, por fim, vômito em jato. Tudo com o quê apenas a saúde não poderia contar.Vai saber…

Remédios eram aquelas conversas intermináveis pelas telas, fosse sobre a conjuntura nacional sobre a internacional; desabafos de temática cotidiana, o emprego, o carro batido, a dor na família, uma perda aqui um dano ali, uma torcida acolá. Uma música ontem, um filme hoje , uma série amanhã, compartilhados via tela em emergência existencial. Coincidências de “toques de cotovelos cibernéticos”, etéreos, aéreos, em nuvem. Vai saber …

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Tudo novo, mesmo que conhecidos em carne e osso, em tela encontravam-se, assim, pelos botecos webianos. Os produtos, as alegrias, a vontade de rir … Freud explica, quase querendo fazer uma selfie de almas.

Os hábitos diferentes, os gostos diferentes, as trajetórias diferentes. Tudo igual. Vai saber … “Gente é pra viver não pra morrer de fome”, canta aquele que era um antes e agora já não se pode confiar nele politicamente mais. 

–  É mesmo, né.                                                                                                                                                                        

– Gosta de jiló, já comeu com chuchu? E com pimenta?

– Nunca provei, sabor amargo.  

– Vou ver se consigo uma boa receita, estas coisas têm segredos que os mais antigos conhecem bem, como altura do fogo, quantidade de água, tempo de cozimento, além da escolha do jiló ! …

  Há, há, há, quanta sutileza pode ter o jiló, né. Preciso até ter cuidado ao cozinhá-lo, ao degustá-lo…

–  Comer jiló é para ..profissionais!..

Ao que parece você é uma neófita!…hahhahhahahha

Não pode ser muito nem pouco, não pode ser cozido demais nem de menos. Como vinho é preciso aprender a gostar do discreto amargor que acaba por lhe conferir um certo charme!…

Vamos ver se consigo o passo a passo!..

Diria que nem tudo que parece amargo é realmente amargo. Um discreto amargo pode dar um gosto especial a certos pratos.Para alguns amargo é doce e nos faria ver as diferenças do mais doce mais salgado mais ácido e, nem tanto amargo, como é a fama do jiló!

– Aguardo o passo-a-passo.

–  Amargo pode ser doce, como pimenta que pra uns arde e pra outros não.                                –  Maas,  o nome desse sabor é amargo mesmo? Há controvérsias.

– Isso veremos brevemente ! e mesmo as controvérsias são as faces da mesma moeda!..Reagiu…tem a ver!…Não existe reação sem motivos.O que não tem importância não gera reação!.. Interpretá-las é FREUD.

Sabia que aquela pessoa interessante que conhecera há alguns meses era … era atraente. Era atraente conversar com ela em palavras, sentia falta daquela conversa. Mas havia perigos perigosos naquilo também: metáforas e alegorias em profusão, onomatopeias pouco reveladoras dos sentidos verdadeiros, pressupostos unilaterais ou bilaterais. Vai saber …

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Correr riscos, ainda que etéreos, implicava viver aquele discurso cheio de exclamações, vírgulas, pontos de interrogação. Tudo muito novo, ainda que de nuances tão conhecidas. No suporte, na plataforma diferente mas revelando emoções tão conhecidas, tão experimentadas. Sabe-se como começa, como caminha… e como terminaria. Teria de haver um término, uma finalidade em tudo aquilo. Ou não?

Embora haja ansiedades desveladas, prazerosas, elas também podem ser mais complexas do que aparentam.

Seres humanos são cheios de complexidades, quando deviam viver apenas.

As músicas enviadas e recebidas, o compartilhar de mensagens sobre partidos políticos, panelaços, coxinhas, terceirização, Lava Jato permeando sílabas, figuras de linguagem e trocadalhos recheados de humor. Tudo em cima do ponto, na mosca tal e qual em um e noutro.

Fôlego para mais quantas partidas? Para mais quantas chegadas?

O choque de realidade como um tapa na cara; nada daquilo existiu? Talvez nada daquilo tivesse existido.

Medo de abrir nova pasta, novo arquivo.

Salvos na nuvem, entretanto.

Deletem-se todos os e-mails, até prova em contrário.

Perigos perigosos desvelam-se a partir de um enter.

Ficar com um sentimento nas mãos.

Essas telas são muito perigosas mesmo.

Vai saber.

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Leia também:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/09/26/carta-aberta/

 

Texto: Odonir Oliveira

Imagens do pintor Pino Daeni

1º Vídeo: Canal: MaestroCanale

2º Vídeo: Canal:  max26111000    

“Tu pisavas nos astros distraída”

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CHÃO DE ESTRELAS

Caminho pela Avenida Paulista, em São Paulo, encontro um chão de versos que se estende feito onda quebrando na praia. Causa-me impacto ter que pisar em versos. Versos em chão de giz. Não consigo ir em frente. Pareceria uma heresia, uma profanação. Quem estende versos sob nossos pés merece no mínimo ser lido, degustado, inspirado como perfume de flor.

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Paro, leio, espero. Quem me acompanha no passeio, me conhecendo, para, fotografa, espera também.

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Observo que há pessoas que tropeçam literalmente nos versos e os saltam, os evitam, como se versos viessem alterar seu sentir, sua rota a seguir. Há outros que se desculpam. Há os que reclamam, com uma rabanada no ar, terem que proceder a um desvio de rumo na calçada. Todas essas reações, de fato, são esboços do que a poesia pode causar em alguém: saboreio, medo, surpresa, emoção, enfrentamento … há um ramalhete de sensações que nascem da absorção da poesia. Cada um beberá do desejo que tiver em si, cada um sorverá a paixão que carregar em si, cada um mastigará o soco que uns versos lhe darão, cada um se embrenhará, a seu modo, pelos sentidos tantos que certas palavras organizadas de uma certa forma o lerão. Sim, porque as poesias nos leem. Não o contrário. Nos leem porque bebem em nossas experiências daquilo mais sensível que guardamos em nós.

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Converso com Luciano A. e lhe pergunto se quer um editor ou quer ser lido. Responde-me que já faz poemas há muitos anos e quer ser publicado, viver com o produto de seu trabalho. É uma reivindicação justa. Analiso um pouco os versos que ele passa a ler de um caderno universitário pra mim. Escolhe aqueles que acha que gostarei mais. Avalio como professora de literatura ou como leitora apenas? Opto pela sensibilidade. Diz que rima para dar maior ritmo e musicalidade a seus versos, gosta de escrever sobre determinados temas. Percebo que tem vocabulário amplo e é bastante emocional. Avalio e lhe digo que sua poesia é bastante acessível e que muitos gostarão dela, mesmo os pouco iniciados em leitura de poemas.

Revelo que também escrevo poemas. Dou-lhe meus endereços, do blog e do Youtube porque também ele me deu o seu.

Por fim, saio daquela conversa, em uma tarde de sábado, como se levitasse ou voasse num tapete mágico e, sob ele, algo misterioso me conduzisse levemente. Creio que eram versos.

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Manacás abraçam postes na cinzenta cidade bandeirante a fim de colori-la e perfumá-la de um certo lirismo.

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Mais à frente, na tumultuada e abarrotada calçada, um rapazinho tocava violino. Era o fundo musical que faltava para ladrilhar com pedrinhas de brilhante a avenida, e o amor por ela passar.

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Texto: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal maiaangelo

2º Vídeo: Canal ArquivoRaíssaAmaral

3º Vídeo: Canal WH2music   

 

Facebook do poeta em busca de um editor: http://www.facebook.com/lucianoapoeta

Chico, 73 anos

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Chico Buarque, 73 anos

Chico. Bastaria escrever Chico e todos saberiam de quem estamos falando. Chico é ícone , domínio público, no sentido mais exemplar. Escreva-se Chico disse, Chico esteve presente, Chico assinou. Basta. Todos já saberão de que Chico estamos falando.

Trata-se de um HOMEM EXPLÍCITO. Explícito no seu sentir, no seu ser e estar. Quem duvidaria do HOMEM CHICO BUARQUE? Sempre claro em suas posturas e procederes, sempre de frente, enfrentando o que tem que ser enfrentado.

Na verdade, creio que Chico seja uma ameaça a muitos que sequer chegam próximo de sua conduta moral, ética, humana. É modelo de SER HUMANO. Tem imperfeições em sua perfeição e isso o torna um deus grego, daqueles cheinhos de humanidades.

Amo o artista e sobretudo o ser humano FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA, o nosso CHICO.

Parabéns, meu artista brasileiro.

Foto: Luiz de Campos Jr – amanhecer do dia 19/6/2017

1º Vídeo: Canal Tauil

2º e 3º Vídeos: Canal Biscoito Fino

 

Na estrada

PEDINDO ESTRADA

Paro, que gosto de respirar mato.

Paro, que gosto de beber ar de rio.

Paro, que nada pode ser mais sensual que nuvens de algodão doce no céu.

Paro, que gosto de ouvir o som do nada cortado pelo bucolismo de mim.

Paro, porque meu sonho, meu lirismo, minha rima pedem estrada.

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SORRISO DE ESTRELA

É quando no desespero de mim,

que encontro a ti

sorrindo repetidas vezes

com passos ouvidos

em reflexos mínimos

em espaços imprevisíveis

em momentos inesperados.

 

É quando miro estrelas

que encontro

teu lume no delas

tua silhueta na delas

teu dorso incomum no brilho delas.

 

É quando escurece

que estrelas em ramalhetes

te trazem a mim,

e em ti permaneço

pousada no céu.

 

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeos: Canal Biscoito Fino

Santo Antonio, eles amam …

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A FLOR

o dia inteiro
hora a hora a ideia
hora a hora a espera
hora a hora o instante
hora a hora o desejo
hora a hora a bênção
hora a hora a dádiva
hora a hora a intenção
agora a ida
agora a chegada

a flor de si

 

SER BELA
na voz
no amor próprio
na vontade explicitamente clara
na bravura indômita nascida
na trajetória crescida
na flor desabrochada

 

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RIVÂNIA AMA
Olha a menina.
Olhe a menina !
é flor molhada
é flor de lótus
é flor de lis
é flor de maracujá
é flor amorosa
é flor perfumosa
é flor de amor
é flor de amor aos seus livros
é flor de amor ao saber
é flor de amor ao seu futuro
Ah, Rivânia, quanto orgulho de ti, menina-flor.
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Poesias: Odonir Oliveira

1ª Imagem de tela de Chagall

2ª Imagem de tela de Portinari

Fotos retiradas do Facebook

 1ª foto: Mateus Alarcon

 

1º Vídeo: Canal Gabriel Zavitoski     

2º Vídeo: “Rotundamente negra”- Facebook- Postado por Sergio Fernandez (em Fala Guerreira, 12 de junho, 10:41)

 

Leia também:

Santo Antonio, pastor da minha infância

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/06/12/santo-antonio-pastor-da-minha-infancia/