De crianças e nuvens

Ora direis ….”
“O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.”  Charles Baudelaire

sam_4582

19554658_477215495959779_2643661056524192236_n

Fui professora por mais de 30 anos. Lecionei para as primeiras séries do ensino fundamental, depois para os maiores. Ainda na década de 1970, dei aulas de português e literatura para o segundo grau (ensino médio) e depois, de redação para cursinhos pré-vestibulares. Sempre atuei nas redes públicas (estadual e municipal) como professora concursada, e na rede privada. Costumo afirmar que meus melhores trabalhos foram realizados em escolas públicas. Aliás sempre estudei no ensino público, até chegar à USP.

19943034_477148865966442_8453651321934271924_o

Em minha atuação profissional sempre me encantaram as descobertas das crianças, dos jovens e, por consequência, as minhas. Sim, porque quando se estuda, se aperfeiçoa seu ofício, continuamente, aprende-se a cada instante, seja com o quê e com quem for.

19905277_477215815959747_1264516325597965076_n19787080_477148609299801_7427044974937595424_o

Início da década de 2000, março, os alunos receberam o material escolar distribuído pela Prefeitura de São Paulo. Pela primeira vez vinha numa bela sacola, como aquelas das papelarias famosas ou das lojas de shopping. Ali dentro havia cadernos universitários, lápis de cores, giz de cera, dicionário, canetas, lápis pretos, borrachas, régua, transferidor. Ah, uma beleza! Eles recebiam aquilo e se encantavam. Nas sacolas dos menores, das séries iniciais ainda havia outros materiais pertinentes ao seu trabalho cotidiano nas aulas. Era um encantamento receber aquilo tudo e cheirar cada caderno novo, abrir as caixas de lápis de cores, folhear o dicionário. Parecia que uma fada madrinha havia deixado ali o material de cada um. Os olhos embevecidos, comoção total. Pura poesia.

19800627_477148189299843_6626212209214252872_o

Ao término das aulas, enquanto caminhavam pelas ruas, dando mãos aos irmãos menores, carregando suas sacolas e as deles, pulavam, cantavam, riam, pareciam ter vindo das compras, pareciam ser como os outros meninos que estavam acostumados a sair das papelarias com os pais, depois de terem escolhido os materiais escolares que desejavam, os mais caros , os mais bonitos. Mas eles sempre foram iguais a quaisquer outros meninos ! Não seria o poder de compra que os diferenciaria. Não no que dependesse de mim.

19780687_477149005966428_4160158918396309483_o

No dia seguinte conclamei meus colegas professores a desenvolvermos um projeto para ressignificar aquelas mudanças que vinham ocorrendo na escola municipal: a distribuição do material escolar, as peruas que levavam e traziam os alunos de lugares um pouco mais distantes, as refeições oferecidas nos 3 períodos com arroz, feijão, carne, salada e frutas de sobremesa. ( Já recebiam a lata de leite em pó antes, e livros do governo federal – agora também ofertados ao nível médio e à EJA ( educação de jovens e adultos). Elaboramos e demos encaminhamento a um projeto que esclarecia o custo daquilo tudo, de onde vinham os recursos para aquelas aquisições, de como cuidar do material recebido, como encapá-lo, cuidar dele etc. Para isso foi necessário ensinar, sentar com eles, encapar com eles, criar etiquetas, capas personalizadas, talvez o rosto de um ídolo, talvez um poema, talvez o símbolo da disciplina, da matéria que o caderno abrigaria …

19800894_477148492633146_6760494373977167823_o

Os cálculos de quanto custavam os 2 uniformes de inverno e os de verão – que receberam também. Logo depois o custo do passe estudantil a que tinham direito e assim por diante. Projeto envolvendo muitas disciplinas escolares e a valorização do que recebiam. Conscientização de todo investimento em EDUCAÇÃO. Assim, quando mais tarde quisessem lhes arrancar aquilo a que tinham direito – direito adquirido – soubessem eles reivindicar, lutar mesmo pelo que buscavam.

Creio que crianças e jovens têm muito em comum com as nuvens. Tanto eles quanto elas nos fazem olhar para cima, para o céu. Ou não?

19983357_478005689214093_2315019671879027631_o

xmenina_jpg_pagespeed_ic_agyttoznq4-5134097

(Rivânia, a menina nuvem)

 

OBSESSÃO  

Sou obsessiva.

Sou obsessiva sim.

Tenho ideia fixa de justiça

Tenho ideia fixa de comprometimento.

Tenho ideia fixa de educação

Tenho ideia fixa de doação e entrega.

Não tenho receio de dor.

Não tenho medo de envolvimento.

Não tenho pavor de amor.

Minha obsessão por ensinar

seja a miúdos, maduros, graúdos

passa pelo ato de amar.

Não restrinjam minhas ações.

Não desprezem minhas veredas.

Não me imponham o silêncio covarde.

Não me limitem os braços e as pernas.

Não me amordacem o verbo.

Defendo meus aprendizes

como felina parida.

Não mexam com eles.

Não os ignorem

Não os maltratem.

Não os desprezem.

Somos raízes, mas também somos sementes.

Dedico esse post a quem me ensinou a olhar as nuvens e a conviver com os espíritos das florestas.

Texto e poema: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeos: Canal Orquestra de Ouro Preto

 

Anúncios

Lendo pelo mundo …

16265837_394374247577238_4641453642231408198_n

LER O MUNDO
Odonir Oliveira

bebo palavras
lambo ilustrações
sorvo metáforas, alegorias, hipérboles
de mim
de nós
de todos.

mastigo estrofes
degluto versos
sugo frases
chupo páginas

amo capas lombadas
devoro prefácios, sumários, epígrafes

Sou uma devoradora de livros
quase autofagia de meus mitos gregos
quase antropofagia de meus mestres poetas
quase dependência física de papéis escritos.

Essa sou eu.
Sei que é você.
Também.

16406853_398819573799372_9095059578014014420_n

Eu, uma contadora de histórias, declamadora de poemas …

Durante mais de 3 décadas tentei seduzir meu alunos pela leitura. Muitas foram as atividades que realizamos com esse objetivo. Fora de sala líamos sob as árvores, fazíamos leituras compartilhadas- capítulo a capítulo- de narrativas memoráveis. Recriamos finais de obras, transformamos texto narrativo em texto dramático- e o encenamos para o autor, inclusive. Fizemos tantas e tantas peripécias literárias… de saraus lítero-musicais até a recriação da Semana de Arte Moderna de 1922- com duração de uma semana mesmo, com vaias, apupos, plateia etc.Sempre lutei, lutei mesmo, nas editoras para conseguir levar os escritores às escolas, com intuito de dessacralizar essa coisa chamada LIVRO.

16142356_1732439473448202_3822287610393132934_n

Quando fui saindo das salas de aulas, havia decidido ser uma leitora apenas. Trabalho voluntário.Leria para quem desejasse, fossem analfabetos, internos em hospitais, asilos … ou para crianças em quaisquer circunstâncias- menos nas escolares. Fujo de escolas, de seu carcomido anacrônico roteiro apostilado e pasteurizado de ensino. Por mais de 15 anos, trabalhei com recapacitação de professores por 4 estados brasileiros, mambembando leituras. Concluí que pouco havia conseguido alterar na sua forma obsoleta de ensinar, naquela em que estavam viciados.

16196069_398825620465434_5745378941980142483_n

O Clubinho da Leitura é um dos ramais que sigo com o objetivo de ser apenas uma leitora. Logo vem alguma mãe que me pede para ir a um encontro de crianças e contar histórias etc. VOU.

16486952_1149426768488798_5919557645333428878_o

De outra vez o faço em domicílio, há ali uma criança adoentada, desanimada, merecendo sonhar. VOU.

sam_1470Cont.hist.12.JPGCont.hist.14.JPGCont.hist.15.JPG

Ainda outra vez há uma festa de aniversário, crianças de todas as idades, inquietas, talvez acostumadas a tablets, celulares… VOU.

16386880_399978827016780_67184655186615616_nContando histórias-1.JPG16508342_1149425628488912_4587673410279530600_n16427577_1149425668488908_6243742188063168440_n16507827_1149425695155572_4812426529314052369_n16473266_1149425738488901_6568619576633923975_n

Todos deveriam ler para outros, experimentar fazer isso em voz alta, declamar um poema, ler com a beleza que a literatura quer distribuir, ler com o encanto que as palavras, as frases e suas combinações querem semear com suas metáforas e alegorias. Ler sem ficar investigando o que se aprendeu com aquele texto, aquele poema. Quando muito, conversar sobre a fruição, se gostou e por que gostou, de que trecho gostou mais, se gostaria de conhecer outros textos como aquele, do mesmo autor etc. E com crianças, deixar que elas namorem os livros, peguem, abram, cheirem, vejam as ilustrações, de que material são feitos e tudo mais.

Em novembro, em um shopping de B. Horizonte, MG, havia um espaço montado para leitura que funcionava da seguinte forma: qualquer pessoa doava 2 livros e levava outros 2 pra casa. Assim, o acervo tornava-se atualizado e circulante, manipulável, facilmente. Uma menininha chegou com mãe, pai e avó, tocou nos livros que lá estavam, não havia um infantil sequer. Fiquei observando, de perto. Abriu, manipulou, queria penetrar neles, mas não viu graça. Pedi que esperassem um pouco ainda por lá. Corri à Livraria Leitura e comprei 4 livros infantis. Coloquei-os na mesinha. Imediatamente ela os devorou, ainda que não soubesse ler. Ofereci minha leitura, comecei e deixei a cargo do pai continuar. Em troca, levei meus 2, um do Saramago e outro do Chico Buarque, que aliás não os tinha em casa.

sam_4501sam_4498sam_4496sam_4500

LIVROS ENCANTAM. 

Leituras necessitam de MEDIADORES, bons leitores, que tragam a chave (como indicou Drummond em seu verso: ”Trouxeste a chave?”) e arreganhem as cortinas do sonho, da aventura, da magia, da poesia … Depois é deixar com os novos leitores que eles seguem os ramais e caminhos.

16473858_399782500369746_1104722996925454862_n

As mais belas histórias – por Sartre

“Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir os meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente Os Contos, do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na ‘página certa’, fazendo-os estalar. Debalde eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: ‘O que queres que eu te leia, querido? As Fadas? ‘ Perguntei, incrédulo: ‘As fadas estão aí dentro?’ A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me levava, interrompendo-se para me friccionar com água -de- colônia […] e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido […] Durante todo o tempo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.”

Em As Palavras, Jean-Paul Sartre,Nova Fronteira, 5ª edição, p.34.

16265248_393650930982903_4018235017554857381_n

A paixão de Bastián

As paixões humanas são um mistério, e com crianças acontece a mesma coisa que com os adultos

A paixão de Bastián Baltasar eram os livros.

Quem não tiver passado nunca tardes inteiras diante de um livro, com as orelhas ardendo e o cabelo caído no rosto, lendo e lendo, esquecido do mundo e sem perceber que estava com fome ou com frio…

Quem nunca tiver lido à luz de uma lanterna, embaixo das cobertas, porque papai, mamãe ou alguma pessoa solícita apagou a luz com o argumento bem intencionado de que tem de dormir, porque amanhã precisa levantar cedinho…

Quem nunca tiver chorado dissimuladamente lágrimas amargas porque uma história maravilhosa acabou e era preciso se despedir dos personagens com os quais tinha corrido tantas aventuras, que amava e admirava, pelo destino dos quais temera e rezara e sem cuja companhia a vida pareceria vazia e sem sentido….

Quem não conhecer tudo isso por experiência própria, provavelmente não poderá compreender o que Bastián fez então.

Em “La historia interminable, Madrid, Alfaguara, p.12-13)

15976981_1715193505172799_3129566841799412935_n

1º vídeo: Canal Odonir Oliveira

2º vídeo: Canal HYnd- Photography

Meninos, vamos à luta?

À  LUTA

Odonir Oliveira

 

Ei você aí que tem

Ei você aí que viu

Ei você aí que recebeu

Ouve um lamento

Ouve um pedido

Ouve um direito.

 

Ei você aí que sabe

Ei você aí que usufruiu

Ei você aí que possui

Ouve um desejo

Ouve um sonho

Ouve uma vontade.

 

As paredes e os muros

deveriam ser etéreos apenas.

IGUALDADES SEMEADAS

Em todos os anos em que lecionei em São Paulo, estive entre os meninos das escolas  estaduais de Carapicuíba e as particulares da Granja Viana e depois na Vila Romana. Estive nas escolas municipais entre os jovens do Jardim Santo Elias, em Pirituba, e os do Morumbi. Sempre rompendo muros de um lado e de outro com a mesma força. Integrando alunos dos bairros ricos aos dos bairros pobres, com campanhas de doações de livros, de socialização das conquistas de uns a outros, com visitas aos mesmos equipamentos culturais ao lado de uns e de outros. E comigo outros tantos colegas de ofício.

Sentia que não eram uns e outros, mas apenas eles e eu, eles e o mundo, eles e a vida em São Paulo e no mundo.

Aprendia com eles, enquanto lhes ensinava as coisas mais elaboradas do conhecimento formal e ao mesmo também aprendia quando me ensinavam como eram, aquilo que queriam, como se sentiam.

Em 40 anos de ensino, pude, como poucos, medir e sentir as diferenças entre o tratamento dado a pobres e ricos, os valores ensinados em suas famílias, as dificuldades de relacionamento entre “os mais iguais e entre os mais diferentes”. Antes dos rolezinhos concretos, constatei rolezinhos emocionais, religiosos, funcionais e suas diversas formas de repressão.

Certa vez, jovens adultos alunos de escolas da periferia de SP foram convidados a se sentar no chão do Theatro Municipal para não sujarem as cadeiras do salão nobre. Aconteceu quando estava na Secretaria de Cultura, desenvolvendo “Educação é cultura”, em que eu elaborava projetos pedagógicos a serem desenvolvidos por professores em suas escolas, envolvendo todas as disciplinas – preparando os alunos , recheando-os- para o saboreio de um espetáculo teatral, de uma apresentação de coral lírico ou de música de câmara. Para que tivessem acesso a tudo o que é de todos. Um teatro municipal, literalmente, pertence aos munícipes, portanto há que se frequentá-los.

Occupy, occupy!!!

Quando receberam material escolar “de graça” e também uniformes nas escolas municipais, procurei elaborar projetos pedagógicos globais – com todas as disciplinas – para que calculassem quanto havia custado tudo aquilo aos cofres públicos, como deveriam ser conservados etc.o mesmo com a merenda escolar, lembrando aos meninos sempre que tudo aquilo estava sendo pago pelos impostos de todos os cidadãos, por aqueles que mantinham seus filhos nas escolas públicas ou não. Trabalhando sempre o conceito de cidadania, de igualdade cidadã . E isso eu levava para a parte pedagógica também. Aulas bem preparadas e bem executadas para os mais pobres e para os mais ricos também. Retornos sempre melhores entre os mais pobres, é claro. Muito mais valorizada como professora, me sentia poderosa e “vitaminada” por seus abraços e afagos cotidianos. Aprendi a gostar de ser autora de meus projetos, de minhas aulas diferenciadas, de estudar mais em momentos em que poderia estar me divertindo apenas, e com merecimento. Mas lecionar SEMPRE FOI PRAZER MAIÚSCULO!

Então, durante todos esses anos aprendi com meus companheiros de ofício a fazer aulas mais dignas de nossos alunos, fosse nas periferias com meninos  fora da faixa etária adequada,  com jovens carentes de afeto e em situação de abandono ou de semi-abandono, quer por pais nas favelas quer por pais em Miami e Paris…

Cresci vendo, e digo cresci porque cresci mesmo, no sentido mais alto, ao me misturar com gente. Ao compreender gente. Ao quebrar a cabeça pra romper muros e ensinar a nós mesmos a aprender a ser GENTE, assim maiúscula mesmo.

Creio que a educação tenha muita força. As escolas podem mudar  esse estado trágico de coisas que se vê, principalmente em SP, por falta de informação, formação ou até mesmo de simples esclarecimentos. Não sozinha, professor sozinho faz pouco para poucos, mas juntos… fazem muito para muitos. Testado e comprovado!

Não podemos perder pra uma rede de televisão ou duas, pra um, dois, três jornais, pra uma, duas, três revistas. SOMOS MAIS E MELHORES QUE ELES NO SENTIDO CIDADÃO E COLETIVO DO SER!!!

“Então, levanta e anda, levanta e anda, vai!”

VÊM APRENDER, MENINOS

Odonir Oliveira

 

chega, conhece

aprende

pergunta

dialoga

pergunta

responde

confronta

explica

reflete

pergunta

discute

argumenta

ouve

aprende.

Faz!

COMUNHÃO

Odonir Oliveira

 

bebe verso

come letra

sorve número

mastiga a história

namora a ciência

acorda com a geografia

aprecia a letra e a música

desenha a geometria dos sons e dos signos

encanta-te com as descobertas todas os dias

porque todo dia tem um futuro novo pra você.

Post dedicado a TODOS OS PROFESSORES BRASILEIROS.

Imagens da internet.

“Encontra-me em Vila Rica”, por favor …

POESIA EM MINHA VIDA

Encontros nas redes sociais me fazem relembrar trabalhos que realizei com meus alunos, hoje homens e mulheres íntegros e cidadãos da melhor qualidade. Acredito que são estrelas que espalhamos nos céus e, de repente, nos aparecem em ramalhetes. E como é belo vê-los assim brilhando, cada um em sua esfera ou no cosmos, em suas atuações.

Sempre lutei para que seus trabalhos fossem vistos, reconhecidos e que autores de livros fossem conhecê-los, dessacralizando a visão fossilizada de que escritores são seres inatingíveis.

Tudo que produziam sempre divulguei para que servisse de estímulo à sua vontade de criar, de continuar criando vida à fora.

Este post é uma merecida homenagem a meus garotos e garotas que estão por aí hoje, sendo HOMENS e MULHERES com letra maiúscula.

Obrigada por me engrandecerem toda uma existência, viu.

PROJETO “CIDADANIA”

UM POUCO DE CONVERSA

Havia, em um ano que passou, alunos, em classes diferentes, todos tão diferentes e ainda assim tão parecidos.

Havia uma professora que desejava trabalhar os conceitos da vida, os procedimentos da vida, os valores da vida.

Havia meninos e meninas querendo conhecer cada dia mais sobre a vida.

Encontraram-se e durante aquele ano de 1998 fizeram tanto, mas tanto, que não se contentavam mais com pouco. Queriam cada vez mais e melhor.

Já sabiam a música, agora queriam a letra. Já sabiam o compasso, agora queriam os acordes e o tom. Já sabiam os versos, agora queriam a prosa.   

Já sabiam os valores, agora queriam vivê-los. Já sabiam do tempo, agora queriam o espaço. Já sabiam da massa, agora queriam o volume. Já sabiam das paisagens, agora queriam habitá-las, percorrê-las, vivê-las. Já sabiam da escrita, agora queriam escrever. Já sabiam das cores, agora queriam colorir o mundo. Já sabiam da História, agora queriam fazer História. Já sabiam das letras, agora queriam autoria.

 Assim, caminharam, crescendo muito.

Em 1999, juntaram-se a eles outros professores. Estudaram, aprenderam. Fizeram com que muitos dos quereres acontecessem e, fazendo isso, fizeram Luz.

Agora? Há clarões e luzes por todos os lados!

Professora Odonir Araújo de Oliveira- 1999

sam_2437

PROJETO CIDADANIA

“ENCONTRA-ME EM VILA RICA”

(7ªs séries ou 8ºs anos)

HISTÓRICO

Iniciamos o trabalho nas 3ªs séries em fevereiro e retomamos, no coletivo dos professores, questões que haviam ficado pendentes no ano anterior quanto a conceitos, valores e atitudes. Ao fazermos essa retomada, elencamos com destaque o tema CIDADANIA – seria o centro de todas as nossas atividades em 1999, ano que se iniciava. Cada componente curricular foi repensado em seus processos para atingir o que estávamos buscando.

Havia problemas intra-escolares e extra-escolares relativos à comunidade em que se inseria a maior parte de nossos alunos – agrupamento de moradias de autoconstrução nos fundos da escola, que ano a ano vinha crescendo e modificando nossa clientela – reflexo da crise social e econômica em que vivemos. Isso nos obrigou a reconhecer a necessidade de mudança de enfoque dado aos componentes curriculares e nos embrenhamos pelos temas transversais, que já eram tão urgentes e não percebíamos.

JUSTIFICATIVA

Optamos pelo trabalho com projetos globais e muito tivemos que estudar e nos reunir para desenvolvê-lo. Sabíamos, então, que a concepção de globalização vinculada ao tratamento interdisciplinar tinha a intenção de promover o trabalho dos professores de diversas matérias em equipe e de levar os alunos a descobrir que os temas estão relacionados entre si – a unidade do saber. Os alunos, após terem decidido, teriam que se engajar, assumir responsabilidades e serem agentes de suas aprendizagens.

OBJETIVOS:

1-Conhecer o país em que nasceram e vivem os brasileiros.

2-Tomar consciência dos problemas do Brasil.

3-Estudar as características físicas, históricas, antropológicas e culturais desse país.

4-Pesquisar possíveis encaminhamentos para soluções desses problemas.

5-Comparar valores sócio-culturais do século XVIII com os do século XX.

6-Conhecer os movimentos revolucionários acontecidos no país.

7- Estudar as diferenças de solo, população, vegetação e os recursos naturais existentes em

M. Gerais no século XVIII e no século XX.

8-Pesquisar vida e obras de autores e artistas mineiros em geral.

9-Conhecer o barroco mineiro.

10-Reconhecer as obras de Guignard e de Aleijadinho.

11-Leitura de versos dos poetas árcades brasileiros.

12- Leitura da obra “Encontra-me em Vila Rica”, de Paulo Condini, Editora Santuário.

13-Estabelecer o hábito da pesquisa como fonte de aprendizagem.

14-Valorizar o patrimônio histórico e cultural brasileiro.

15-Criação de identidade entre os cidadãos e o país visando ao cumprimento de deveres e à conscientização de direitos.

DESENVOLVIMENTO

CRONOLOGIA:

fevereiro a novembro/1999

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS:

Profª Odonir Araújo de Oliveira (Português)

Profª Maria Marilene Muradi (História)

ÁREAS – COMPONENTES CURRICULARES

-Português

-História

-Geografia

-Inglês

-Educação Artística

-Ciências

sam_2434

1-ESCOLHA DE TEMAS: (ESTÍMULOS INICIAIS)

Projeção do filme CENTRAL DO BRASIL.

Projeção de vídeos turísticos sobre a REGIÂO SUDESTE – Revista Caras

-Leitura do poema CARTAS CHILENAS de Tomás Antonio Gonzaga.

sam_2435

 

2-LEVANTAMENTO DE PERGUNTAS: (avaliação inicial/ponto de partida)

-individualmente

-reunião em índice coletivo – por classe

Índice de uma das turmas

O que queremos saber?

  1. Em Mariana e Ouro Preto há favelas? (Renata)
  2. Com que idade Aleijadinho fez sua primeira escultura? (Carla)
  3. Quais os doze profetas de Aleijadinho? (Bruno)
  4. Por que Vila Rica passou a se chamar Ouro Preto? (Renan/Camila)
  5. Por que Tiradentes está com barba e cabelo comprido nas fotos em que está com a corda no pescoço? (Clélio e Joseph)
  6. As pessoas tinham racismo com o Aleijadinho? (Selma)
  7. A taxa de desemprego em Minas é igual a de S. Paulo? (Bruna e Letícia)
  8. Pedra-sabão tem sabão na sua composição? (Paulo)
  9. Onde estão os restos mortais de Tiradentes? (Paulo)
  10. Como a Prefeitura deu início às visitas à mina de Mariana? (Emanuela)
  11. Existem esculturas de Aleijadinho em outros Estados? (Juliana)
  12. Por que em Ouro Preto há tantas igrejas e esculturas barrocas? (Simony)
  13. Onde ficavam os escravos que não trabalhavam nas minas? (Amanda)
  14. O que é Barroco? (Milene/Émerson)
  15. Por que tem tantas igrejas em Ouro Preto? (Bruna/Selma)
  16. Há favelas nas cidades históricas de Minas? (Bruna/ Letícia)
  17.  As pessoas dessas regiões gostam de viver lá? (Bruna Gonçalves)
  18. Com quantos anos morreu Aleijadinho? (Karina/Camila)
  19. Aleijadinho vendia as suas esculturas? (Bruna/Bruno/Karina)
  20. Quantas pessoas ajudavam Aleijadinho a esculpir? (Simony)
  21. Que medidas as administrações de Minas Gerais tomam para preservar o patrimônio histórico? (Murilo)
  22. Quem descobriu o dom de Aleijadinho? (Rodrigo)
  23. Quantas igrejas Aleijadinho esculpiu? (Glauco)
  24. Existem indústrias em Ouro Preto? (Bruno/Rodrigo)
  25. Ainda existe ouro em Mariana e Ouro Preto? (Margareth)
  26. Qual a maior igreja de Ouro Preto? (Diego)
  27. Existem muitos roubos nas cidades históricas mineiras?(Camila)
  28. Há tanta poluição nessas cidades como tem aqui em S. Paulo? (Rafael)
  29. Aleijadinho só esculpia imagens religiosas? (Juliana)
  30. Que tipo de música os mineiros mais gostam? (Isabelle)
  31. As comidas mineiras são as mesmas dos paulistas? (Beatriz)
  32. Por que teve tantos Presidentes mineiros? (Estefânia)
  33. Por que querem privatizar a USIMINAS? (Roberto)
  34. Quanto tempo se leva de S. Paulo até Ouro Preto de bicicleta? (Gracilda)
  35. O que é pepita de ouro? (Michelle)
  36. Quais as palavras típicas dos mineiros? (Leandro/Diogo)
  37. Quem participou da Inconfidência Mineira? (Itamar)

3-SEPARAÇÃO DAS PERGUNTAS:

  • por campos: áreas/disciplinas/fontes de pesquisa

4-INÍCIO DAS PESQUISAS:

  • em classe (individualmente/em grupo)
  • em casa

Professores acompanham as pesquisas oferecendo material e socializando descobertas, a fim de que os alunos enriqueçam seus índices com novas indagações, ampliando seus estudos. Propõem atividades de busca para solução de questões.

sam_2425

 

 

sam_2424

5-ATIVIDADES:

-Leitura compartilhada, e por capítulos, da obra ENCONTRA-ME EM VILA RICA.

-Estudo do momento histórico de que fala a narrativa da obra lida.

-Estudo do BARROCO no BRASIL e do BARROCO MINEIRO.

-Estudo da região histórica mineira: área, vegetação, população, produção agrícola e industrial, entre outros aspectos.

-Estudo das variantes lingüísticas (regionalismos mineiros)

-Pesquisa da vida de autores mineiros.

-Leitura de textos avulsos e obras completas de autores mineiros, em verso e prosa.

-Caracterização do texto instrucional (estudo e criação de receitas/cardápios/ guias turísticos)

sam_2419

sam_2444

-Pesquisa e audição de músicas de grupos mineiros de música popular e erudita.

-Estudo das obras de ALEIJADINHO.

-Estudo e releituras de pinturas de GUIGNARD.

sam_2431

sam_2421

RETRATO DE UMA FAMÍLIA, de Alberto Guignard, 1930sam_2438

sam_2439

(Releituras do aluno Clélio Gonçalves de Souza e de Isabelle Dourado  das obras de Guignard)

sam_2430

sam_2442

 

 

sam_2436

 

sam_2417

-Estudo do texto dramático -criação de  RADIONOVELAS

sam_2418

 

LIBERDADE MINEIRA CENA III – CAPÍTULO XV

(A cena passa-se em 1774, em Vila Rica, Minas Gerais, na casa de Cláudio Manuel da Costa. São oito da noite)

Cláudio: Querida, mande as escravas aprontarem logo o jantar que nossos convidados já estão para chegar.

Juliana: Mas quem você chamou, afinal, Cláudio?

Cláudio: Ora, nossos grandes amigos: Marilia, Dirceu, Maria Dorotéia e Tomás Antonio Gonzaga.

Escrava: Senhora, os convidados chegaram.

Cláudio: (apressado) Depressa, Juliana, vá receber os convidados e diga que estou esperando na sala de visitas.

Juliana: (sorridente) Amigos, há quanto tempo! Boa noite, Tomás. Como é que vai? Oi, Marília. Cláudio os está esperando na sala de visitas.

Cláudio: (contente) Amigos, como vão? Por favor, vamos jantar?

Marilia: Eu e Juliana temos muito que conversar.

Maria Dorotéia: É temos que colocar a conversa em dia.

Cláudio: E como estão indo as coisas para você, Tomás?

Tomás: Como sempre, dando duro e os portugueses roubando mais que podem.

Maria Dorotéia: É mesmo, estão cobrando impostos demais. E altíssimos.

Marília: Só falta eles cobrarem impostos de nossas roupas íntimas!

Cláudio: Eu não duvido nada. Do jeito que esses portugueses são, eles seriam bem capazes disso.

Tomás: Se algum dia alguém se rebelasse contra o Governo de Portugal, eu certamente estaria do seu lado.

 Cláudio: Eu seria capaz de arriscar a minha vida pela liberdade.

Juliana: (irritada) Pare com isso, Cláudio, e vamos jantar em paz.

Acabado o jantar…

Maria Dorotéia: O jantar estava ótimo, Juliana.

Marília: Precisamos nos reunir mais vezes.

Cláudio: Até mais, amigos.

Tomás: Foi um prazer.

Juliana: (cansada) Eles já se foram embora. Vamos dormir, Cláudio.

Cláudio: (sério) Mas sinceramente, Juliana, daria a minha vida pela nossa liberdade.

Juliana: (sonolenta) Vamos dormir, por favor, Cláudio.

 

AUTOR: Antonio Bastos do Vale – 7ª C

 

 

CULINÁRIA MINEIRA

sam_2411

VÁRIOS CARDÁPIOS DE RESTAURANTES

 

Estudo da linguagem televisiva: criação de programas de culinária para TV – com gravações em criação de vídeos

sam_2409

SISTEMA MINEIRO DE TELEVISÃO – “TREM -BÃO” – PROGRAMA DE CULINÁRIA

sam_2410

sam_2412

-Leituras de capítulos de ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA, de CECÍLIA MEIRELES.

-Apresentação de FESTIVAL DE POESIAS. (declamação de poemas e concurso com premiação dos 20 melhores: POETAS BRASILEIROS PEDEM PASSAGEM).

sam_2408sam_2427

sam_2415sam_2440

VOTAÇÃO

sam_2432

-Criação do JORNAL DA HISTÓRIA (manchetes e notícias do passado e do presente mineiro).

-Simulação do julgamento de TIRADENTES. (criação da argumentação oral e escrita).

Criação de texto publicitário bilíngue (inglês/português) para divulgação das cidades mineiras.

-Utilização da ENCICLOPÉDIA ELETRÔNICA ENCARTA, em inglês, nas aulas na SALA DE INFORMÁTICA, para ler e traduzir informações para o português, sobre o conteúdo pesquisado.

sam_2420

-Estudo de outros MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS brasileiros e sua comparação com a CONJURAÇÃO MINEIRA.

-Leitura de textos jornalísticos sobre a questão do HERÓI. (entre outros “As barbas de TIRADENTES”, em AS ARMADILHAS DO PODER, de GILBERTO DIMENSTEIN).

Comparação das cidades históricas mineiras com outras cidades históricas brasileiras.

-Recriação de capítulos do livro ENCONTRA-ME EM VILA RICA.

-Criação de poemas ilustrados sobre MINAS GERAIS.

Apresentação dos trabalhos para o autor da obra, PAULO CONDINI, em visita à ESCOLA.

sam_2426

(Escritor Paulo Condini autografa livros de alunos)

 

TEXTOS NARRATIVOS

-Produção de textos narrativos escritos pelos alunos ENCONTROS COM MINEIROS FAMOSOS encadernados em livro de capa dura.

MEU ENCONTRO COM JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS

Vou contar uma conversa, uma simples conversa, mas que mudou todo um movimento.

Lá estava eu andando pela CASA DOS CONTOS, quando avistei, ao fundo de uma sala escura, um homem. Me aproximei para ver e lá estava Joaquim Silvério dos Reis, um militar de nosso movimento. Lá estava ele, cabisbaixo. N mão, um copo e na mesa uma garrafa de vinho quase vazia.

–          Posso me sentar? – perguntei, já puxando uma cadeira.

–          Claro!

–          Então, Joaquim, todos já se foram e o que você está fazendo aqui?

–          Bebendo, bebendo, para esquecer os problemas.

–          Mas que problemas, a Conjuração vem seguindo tão bem?

–          Ah, a Conjuração, a maldita CONJURAÇÃO. Mas quer saber, eu sou humano e como qualquer ser humano, tenho problemas! Todos vocês só se preocupam com esse movimento e se esquecem de que têm famílias e vidas para cuidar!

Percebi que Joaquim estava tenso. Pensei que talvez a bebida o tivesse deixado tão nervoso. Alguns minutos de silêncio e resolvi tentar descobrir o que estava havendo com ele.

–          Me desculpe, talvez tenha sido inconveniente. Vou me retirar, com licença.

–          Não, fique. Sinto que se eu ficar sozinho, vou acabar fazendo uma besteira.

–          Então me conte o que está acontecendo, Joaquim, só assim poderei ajudá-lo.

–          Ninguém nesse mundo além de mim pode me ajudar.

–          Mas, talvez, desabafar, ajude.

–          Pois bem, afinal não tenho nada a perder. É o seguinte: eu estava em um dilema entre a lealdade e a paz definitiva.

–          Não entendo.

–          Bem, tudo se concretiza assim: eu estou falido, endividado na Corte e não são dívidas pequenas, mas se por acaso eu acabasse com toda essa CONJURAÇÃO, a delatando ao Visconde de Barbacena, tenho certeza de que minhas dívidas estariam completamente quitadas.

–          Joaquim, você tem consciência do que está dizendo? Se fizer isso, além do movimento, a vida de todos nós estará acabada.

–          E você acha que não estou pensando nisso também?!

–          Chega, não vou ficar aqui ouvindo isso. Faça o que vier em sua cabeça e o que você achar melhor. Só que se eu tiver que lutar por meus companheiros, vou lutar, mesmo que tenha de lutar contra você.

Depois de me retirar da sala, pensei que talvez tivesse sido rude demais com Joaquim, mas decidi deixar que o destino levasse tudo aquilo à diante.

AUTOR: Murillo Soares Barreto – 7ª A

-Estudo dos MINERAIS extrativos das regiões mineiras no século XVIII e no século XX.

6-REGISTRO DO 3º ÍNDICE:

Recapitulação do trabalho realizado:

1-Índice individual

2-Índice coletivo

3-Sub – temas pesquisados e organizados.

sam_2429

7-CONFECÇÃO DE UM DOSSIÊ DE SÍNTESE:

-O aluno reúne em um DOSSIÊ de síntese todos os aspectos tratados, pesquisados e todas as suas produções durante o PROJETO.O aluno cuida da apresentação de seus trabalhos de forma artística e criativa, como um PORTFÓLIO.(que é de sua propriedade) – elemento de auto-reflexão e avaliação.

-Relação de QUESTÕES PENDENTES, que tenham ficado sem respostas, ao final do DOSSIÊ.

sam_2443

sam_2441

 

 

(Capas do dossiês das alunas Isabelle Dourado e Estefânia de Lima, respectivamente)

 

8-AUTO-AVALIAÇÃO E AVALIAÇÃO:

-AVALIAÇÃO CONTÍNUA da evolução na solução dos problemas (perguntas a que se propôs a responder)

-AUTO-AVALIAÇÃO (escrita) – sobre o percurso desenvolvido e o produto do seu processo de pesquisa. (constando no DOSSIÊ DE SÍNTESE- “O que eu aprendi com todo esse Projeto, hem?”

f359c8925a707ff26d531904f06ee5be_img

Auto-avaliação de uma aluna

Fazendo esse DOSSIÊ MINEIRO, eu me dei conta que sabia de coisas que eu nem sabia que soubesse. Eu fui escrevendo, escrevendo e quando me dei conta …Já nem sei mais de tão encantada que estou.

Eu tenho certeza de que tudo que eu aprendi ou escrevi nessa junção de conhecimentos, não foi uma “decoreba”, eu aprendi de verdade. É claro que que eu não sou um computador que armazena informações sobre Minas, mas meu conhecimento aumentou muito.

Assim que esse trabalho começou eu era leiga no assunto, tanto quanto desconhecia a existência desses lugares, quem dirá todas as informações registradas aqui.

Apesar de ter sido cansativo, porque é claro, eu busquei além do que eu já sabia, tive que pesquisar um pouquinho mais, embora eu já tivesse tudo, ou melhor, quase tudo esclarecido, além das horas de sono perdidas… nada foi em vão.

Eu fico mais contente ainda, quando lembro que tudo isso é BRASIL, o meu país, onde nasci e quero viver o resto dos meus dias, afinal, é essa a intenção: conhecer o país em que moramos, que por sinal tem histórias belíssimas para contar.

Posso falar de todo coração, são lugares como os que “conheci” agora, que me orgulham de ser brasileira. É, mas também não posso esquecer que Minas faz parte do meu conhecimento e da minha imaginação: essa é a única parte chata – quero ir a Minas Gerais!!!

Estou me orgulhando de mim, modéstia à parte.

Aproveito também esse espaço para deixar um abraço bem agradecido pra professora Odonir!!!  

Valeu muito. Ela merece! Esse não é o fim do dossiê, nem do trabalho, ainda é só o começo.

Isabelle Dourado – 7ª B

Barbacena- Acervo Bárbaras Cenas

Produção de texto individual sobre tudo o que se aprendeu durante o PROJETO (CARTA a alguém onde se enunciam as aprendizagens, constando no DOSSIÊ DE SÍNTESE INDIVIDUAL).

São Paulo, 16 de novembro de 1999

Meu amigo Ricardo:

Olá, tudo bem?

Estou lhe escrevendo essa carta para lhe contar o que estudamos na E.M.E.F. RUI BLOEM  esse ano. Não vou lhe contar tudo, mas como havia me perguntado que projeto havia estudado, vou lhe contar tim, tim, por tim, tim.

Começamos com o projeto Cidadania, assistimos a fitas de vídeo sobre uma região que lhe interessa – sudeste – destacando-se Minas Gerais. A professora Odonir nos mostrou um livro chamado “Encontra-me em Vila Rica”, todos nós compramos o livro – muito bom por sinal – nos envolvemos num trabalho mais profundo sobre Minas Gerais, estudamos tudo ou quase tudo, levantamos perguntas sobre o projeto, Aleijadinho, Tiradentes entre outros.

Como havia lhe dito, de Minas Gerais, só conhecia Teófilo Otoni. Hoje posso lhe dizer que conheço muitas outras cidades. Não que eu as tenha visitado, mas por estudar as suas características, a história da Inconfidência, a música, os grupos mineiros, entre eles “Só pra contrariar”, a culinária, eh….trem bão…, cada prato, cada doce! Devo ter engordado uns dois quilos, só por estudar esses pratos.

Mineiros, seus hábitos, suas artes…Uai ! se eu for lhe contar tudo vai dar umas cinco folhas !

Como no ano passado, a professora Odonir trouxe o autor do livro que estávamos lendo – Paulo Condini . Sabe, ele ficou muito emocionado com todo esse projeto.

No começo, quando a professora falou Minas Gerais, lembrei-me muito de você, que justamente tinha ido morar na Grande Minas Gerais!

Bem, o projeto ainda se desenvolve até o fim desse mês.

Ah, não posso me esquecer dos stands. É isso aí, o nosso trabalho foi exposto na DREM, MOSTRA A TUA CARA . Foi emocionante. Eu interpretei Carlos Drummond de Andrade, nosso maior poeta, como você sabe. Fiquei muito emocionada com todo o trabalho. Pra finalizar, fizemos um dossiê, onde havia tudo que estudamos.

Aprendi que nós, como brasileiros, temos que valorizar o nosso Brasil, pois ele, sem dúvida, é o melhor país do mundo.

Quem sabe, um dia, eu não irei a Minas Gerais e junto com você conhecerei mais sobre a arte do nosso país e degustarei as deliciosas comidas mineiras, que me dão água na boca só em pensar.

Sem mais, mando-lhe lembranças e estou com muitas saudades.

    Sua amiga,

                                                                          Bruna Cristina

(Desculpe se me esqueci de algo, é que o trabalho é muito extenso).

São Paulo, 16 de novembro de 1999

Bênção, vô Manuel:

Lembra que eu lhe disse que eu estava fazendo um projeto sobre Minas Gerais? Pois é, eu já estou quase terminando ele, mas pode continuar mandando curiosidades sobre Minas.

E as enciclopédias que o senhor me deu. No começo eu não lia, mas depois descobri que lá havia bastante assunto sobre Minas.

Na parte da música, falava de Ataulfo Alves e Ari Barroso, com as músicas “Aquarela do Brasil” e “Amélia”.

E a receita de ambrosia que o senhor tentou ensinar para minha mãe?

E ela aprendeu, mas foi com a Jú!

E a literatura? Tem o Ziraldo, de quem o senhor me contava a história do Maluquinho.E o Drummond? Eu adorei a poesia “José”.

Ah, vô, bem que o senhor podia dar uma passadinha em Ouro Preto! Pena que o senhor mora aí em Montes Claros!

Eu também aprendi a linguagem dos mineiros: “uai”, “sô”, “trem bão”…

Mas eu nunca vi o senhor falar assim!

Ah, eu não posso esquecer de Guignard, um pintor mineiro! Eu aprendi a fazer um quadro dele!

Bom, vô, acho que vou terminar por aqui.

Depois eu escrevo falando da carta para o Itamar Franco que vamos escrever!

             Peço a bênção de novo e um abraço do seu neto Clélio.

9-AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES:

-Comparação entre a avaliação e auto-avaliação.

-Discussão e registro, em assembléia, do próprio processo vivido e em relação ao grupo (aluno-aluno/aluno-professor/professor-professor).

-Estabelecimento de uma nova seqüência onde se tomam decisões sobre um NOVO PROJETO sobre um NOVO TEMA (SÃO PAULO)

10-EXPOSIÇÃO DO MATERIAL:

-Apresentação para a COMUNIDADE ESCOLAR (alunos/professores/funcionários e pais) dos PRODUTOS do trabalho.

-Apresentação dos alunos e seus trabalhos no CONGRESSO DE EDUCAÇÃO da DELEGACIA REGIONAL DE ENSINO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO –DREM, MOSTRA A TUA CARA – nov/1999.

sam_2428

– Trabalho apresentado em diversos encontros de professores de ESCOLAS PÚBLICAS e de ESCOLAS PRIVADAS em S. Paulo.

– Trabalho publicado na  REVISTA DO PROFESSOR – RS. nº 66/2001

 

11-MATERIAL:

-livros de literatura brasileira, enciclopédias, INTERNET, jornais, vídeos, filmes, livros didáticos dos diversos componentes curriculares, pedra-sabão, ferro, aço, fotos, gravuras, guias de agências de turismo, dicionários, TV, vídeo, aparelho para CD, retro-projetor, filmadora, máquina fotográfica, fogão, geladeira.

12-OBSERVAÇÕES / CONCLUSÕES:

– Registro das QUESTÕES PENDENTES nesse PROJETO, delas nasceram os temas para o PROJETO-2000.

Post (editado) , mas originalmente publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/numa-toada-mineira-eh-minas-eh-minasfazendo-a-travessia