Quando entrar setembro …

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     OUVINDO O CORAÇÃO

     Por mais de trezentos dias ouvi meu coração

     Por mais de trezentos dias ouvi seus suspiros e contestações

     Nada desprezei, nada sufoquei, nada neguei.

 

   Dias, tardes, noites de escutas atentas e aflitas.

   Portas abertas, portas fechadas, portas trancadas.

   Janelas abertas, janelas fechadas, janelas trancadas.

 

  Melodias, poemas, minhas estradas, lagos, cachoeiras, estrelas.

  Transfigurações de viagens idílicas em caminhos de terra vermelha e poeira.

  Moldura de telas pintadas a esmo, sem tintas ou pinceis.

Qual voo cego sem rumo nem porto, alcei espaços e tempos.

Nunca houvera antes voo de tamanha amplitude em meu coração.

 

Ah, que novo setembro inaugure beirais !

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Poesia: Odonir Oliveira

1º Vídeo: Canal baroqer2010

2º Vídeo: Canal Odonir Oliveira

3º Vídeo: Canal sérgio neves

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Isso é felicidade?

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Na fase de vida em que me encontro, não mais nos 20 ou 30 anos de meus filhos, sei que se deve aproveitar TODOS os momentos na vida. Seja sentar escrachada embaixo do pé de manga, que amo, e chupar uma porção delas, dançar de rosto colado, barriga atrelada e beijinhos e beijinhos sem ter fim, até realizar um desejo secreto ou um prazer extemporâneo qualquer: dormir dentro de uma barraca de camping, acampar como mochileira, dormir e acordar na praia, fazer uma fogueira no mato pra cozinhar o que tiver de ser, beber uma pinga que nunca se bebeu antes, namorar um rapazinho novinho daqueles de que qualquer dama das camélias se perde nele, plantar jardins de flores para si mesma ou para o amado, compor canções inspiradas e gravá-las para que o mundo saiba disso, acreditar nas palavras mentirosamente adoráveis na hora dos corpos em si. Algo assim.

Estar feliz exala no ar; quando se caminha é de um jeito diferente, quando se trabalha é com um tesão de vida, de ânima, de vontade de ser, fazer e acontecer.

Animais são perceptivos e cantam nas primaveras das vidas deles e das nossas.

Felicidade é uma questão de enfoque ou de desenfoque, é questão de querer e fazer.

E é fugaz também. Mas isso não invalida nada. Ao contrário, a meu ver, faz com que se aproveite mais dela ainda.

A vida dói e isso é bom. De dores também se vive, fazem crescer, fazem melhorar, fazem querer viver outras dores e de outras maneiras depois.

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Canal: M3mnon

Canal: Human o filme

(Maria é uma “sem-terra”. Quando ela chegou ao acampamento de Frei Umberto, no Brasil, ela não tinha nada, ela estava com fome, mas eles a ajudaram. Ela começou a trabalhar, a colher feijão, milho… Atualmente ela tem seu pedaço de terra, sua casinha, sua alma. Ela até mesmo faz curso para aprender a ler e escrever. Ela é simplesmente feliz).

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 ESTAR FELIZ

 

Feliz, assim

Feliz assado

 

Feliz instante

Feliz momento

 

Feliz comendo

Feliz bebendo

 

Feliz cantando

Feliz chorando

 

Feliz dando

Feliz recebendo

 

Feliz sendo

Feliz estando

 

Feliz com

Feliz sem

 

Feliz dentro

Feliz fora

 

Feliz de pé

Feliz deitado

 

Feliz junto

Feliz separado

 

Feliz instante

Feliz momento.

 

Canal: Jukebox4all

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Canal: Odonir Oliveira

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O MENINO QUE LEVITAVA

Ao clarear do dia o menino abria olhos arregalados
De beber o mundo.
Mas era pouco.
Montava seu cavalo alado
Como se dançasse com ele.
Era doce o menino.
E partia ao encontro de seus marimbondos
de suas rãs e lagartixas.
Morcegos eram como flores do campo.

A tarde tinha a estrela vésper sempre a sua espera
E nela menino, cavalo e aventuras seguiam,
bebendo cada folha, cada árvore, cada trilha.
Mas era pouco.

Depois, pisar na água era um barulho celestial
Era cócega
Era música
Era verso
Era poesia.

Desmanchar rotas citadinas
Mergulhar no escuro de grutas cavernas, barcos e estradas.
Era pouco
Porque o menino ria, ria, mas ria tanto,
que de prazer levitava.

E de baixo, em terra firme,
ninguém o alcançava
E não era pouco !

Canal Odonir Oliveira

Canal: George Kaplan

 

Texto e poemas: Odonir Oliveira

 Fotos de meu aquivo pessoal

“Deixa-me ser poesia”

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Canal: Odonir Oliveira

 

POETAÇÃO

Não, não sou poeta de revoluções estéticas

porque não sou uma revolucionária mais.

Os anos vieram,

brinquei com eles,

brindei-os todos.

Hoje sou uma jardineira de rosas,

nos intervalos bebo versos,

mastigo pétalas,

danço com prazeres.

Não, não esperem de mim arroubos mais.

Escrevo o que escorre por meus dedos

o que sentem minhas mãos.

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Canal: ClassicalMusicTVHD

 

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Ah, pudesse eu, imitando deuses,

ser palavra criadora

ser a que produz, a que fabrica e confecciona.

Sou uma operária na poesia.

Já avisei a Safo que não serei ela.

Já me expliquei com Teógnis, aristocrata,

sou  plebeia, filha de fresador ferramenteiro,

não sei de lutas políticas o suficiente.

Já me entendi com Anacreonte, que pouco sei ser satírica

em versos de vinho e de amor.

Sou o que me fizeram.

Sou daqueles que me influenciaram.

Sou sombra deles, irremediavelmente.

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VERSOS ÍNTIMOS

Nem tudo que escrevo entrego.

Há versos que guardo.

Há versos que são presentes únicos a cofres únicos.

Há versos que me aturdem sem trégua.

Há versos que andam comigo por passeios matinais.

Há versos intrusos que engasgam meu sentir como pedras nas picadas estreitas.

Há versos que colidem com meu ir e vir de chicote e rédeas.

Há versos que não serão escritos.

Há versos que não serão lidos.

Há versos impublicáveis.

De minha intimidade gozam poucos.

Bem poucos.

Talvez apenas os versos.

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René Magritte

AOS OUVIDOS DE FERNANDO PESSOA

Falo baixo, Pessoa, que não é preciso gritar.

Não sei fingir a dor que deveras sinto.

Sou de ânima feminina, meu poeta.

Trago doses de dor, sem possibilidade de medições.

Visto um traje próprio para danças em par.

Gosto de ouvir sentimentalidades.

Não aguento palavras rudes, grosserias masculinas.

Sou mãos abertas ao aconchego.

Sou seios e ventre férteis às paixões.

Sou cabelos que exalam tato.

Sou pernas que enroscam suores.

Sou boca que lambe perfumes.

Pessoa: tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Como medir almas, se a métrica é fluida?

Como sentir que valeu a pena passar além da dor?

Sou fêmea, Pessoa.

Fêmeas têm outros jeitos de ser e de estar, saiba você.

Seus heterônimos são poucos.

Fêmeas são desdobráveis, flexíveis, sensíveis.

E todas em uma só.

Canal: Pablo De Giusto

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AVARANDADO

A taça de Dioniso me impele.

Não estou aqui.

Vou. Vou. Vou.

Olho, olho, olho.

Sinto, sinto, sinto.

Não tiro poesias das coisas.

Amo as coisas e elas tornam-se poesia.

Amo formigas e formigueiros, imagine.

Amo casas e telhados coloniais.

Amo cães e flores de todas as variedades.

Amo cachoeiras, rios, cascatas e chuva.

Amo sol, lua e estrelas.

Amo trens e estações vazias.

Amo música sem palavras e silêncio.

Amo risos de crianças e perfumes de amor.

Talvez por isso seja tão confessional e comum o que escrevo

porque as coisas sobre as quais versejo

estão prosaicamente aqui, ali, em qualquer lugar.

Não tiro poesia das coisas.

Amo as coisas e elas tornam-se poesia.

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Observação do mestre Graciliano Ramos que, ao se referir à arte de Cândido Portinari, dizia que ela morava dentro dele próprio. “Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos.”

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

DEDICATÓRIA: Esses versos são dedicados à Eurilena e ao Zé Luiz, meus amigos de infância e adolescência no RJ (único amor um do outro desde aquela época).

Mantras

Canal: Herança Divina

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TEM QUE SER JOVEM

Não envelheça

Tinja os cabelos de loiro

Faça ginástica

Faça corridas

Frequente academias

Use biquínis

use tangas

use fios dentais

use shorts

mostre as pernas

esteja bronzeada sempre

ria mostrando dentes claros

gargalhe regada a cervejas

tempere-se de pimenta sensual

siga as receitas

equivalha-se

equipare-se

brigue nas comparações.

Vença.

Canal: Pertersmusic

 

TEM QUE SER LEVE

Não traga bagagem

ria sempre

seja leve

Não traga história, dores e mágoas

Seja meu oásis, meu bálsamo, minha eterna juventude

Não me exija nada

Não me cobre nada

Não me peça nada

Não mendigue nada 

Traga o álcool

Traga os orifícios às minhas permanências

sempre quentes, sempre lisos, sempre leves.

Não me questione

não me atormente

não me penetre.

Fique por quanto eu quiser

Fique por quanto eu beber

Fique por quanto eu me embriagar

Fique por quanto eu quiser.

Não seja.

Apenas esteja.

Canal: cuidardoser

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Canal:Daniel Riley Eskiturk

EU E MEU VELHO

Quase sempre

acordamos juntos,

tomamos café, cada um do jeito que mais gosta,

vamos aos canteiros de flores,

vamos à horta,

tratamos das galinhas e dos patos 

Quase sempre

rimos de nossas imperfeições,

gargalhamos de nossos prejuízos etários,

sentamos e descansamos ouvindo nossos bolerões embaixo da mangueira.

Quando há mangas, chupamos umas tantas, mas sem facas, mordendo a fruta.

Aí, sem mais nem menos, acho meu velho tão sensual mordendo mangas !

Chego mais perto, rimos, nos tocamos, nos beijamos.

Quase sempre

lemos poesias, ficção, ouvimo-nos um ao outro como música

nem sempre suave,

nem sempre terna,

nem sempre pacífica.

Nós dois somos a música.

Canal: almorena0

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Versos escritos a partir do vídeo da pesquisadora Mírian Goldenberg sobre seus estudos e seu livro A bela velhice, e da leitura da obra Velhice, de Simone de Beauvoir.

Canal: Mudei de Vida

 

Poesias: Odonir Oliveira

Imagens: da Internet

Post dedicado ao casal Rui e Cleo Daher.

“BRASIL, minha voz enternecida”

Canal: SenhorDaVoz

O povo ao poder
Castro Alves

Quando nas praças s’eleva
Do povo a sublime voz…
Um raio ilumina a treva
O Cristo assombra o algoz…
Que o gigante da calçada
Com pé sobre a barricada
Desgrenhado, enorme, e nu,
Em Roma é Catão ou Mário,
É Jesus sobre o Calvário,
É Garibaldi ou Kossuth.

A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor.
Senhor!… pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua de seu…
Ninguém vos rouba os castelos
Tendes palácios tão belos…
Deixai a terra ao Anteu.

Na tortura, na fogueira…
Nas tocas da inquisição
Chiava o ferro na carne
Porém gritava a aflição.
Pois bem… nest’hora poluta
Nós bebemos a cicuta
Sufocados no estertor;
Deíxai-nos soltar um grito
Que topando no infinito
Talvez desperte o Senhor.

A palavra! vós roubais-la
Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.
Mas qu’infâmia! Ai, velha Roma,
Ai, cidade de Vendoma,
Ai, mundos de cem heróis,
Dizei, cidades de pedra,
Onde a liberdade medra
Do porvir aos arrebóis.

Canal: bossanovaclube

Dizei, quando a voz dos Gracos
Tapou a destra da lei?
Onde a toga tribunícia
Foi calcada aos pés do rei?
Fala, soberba Inglaterra,
Do sul ao teu pobre irmão;
Dos teus tribunos que é feito?
Tu guarda-os no largo peito
Não no lodo da prisão.

No entanto em sombras tremendas
Descansa extinta a nação
Fria e treda como o morto.
E vós, que sentis-lhe o pulso
Apenas tremer convulso
Nas extremas contorções…
Não deixais que o filho louco
Grite “oh! Mãe, descansa um pouco
Sobre os nossos corações”.

Canal: GeraldoAzevedoVEVO

Mas embalde… Que o direito
Não é pasto do punhal.
Nem a patas de cavalos
Se faz um crime legal…
Ah! não há muitos setembros
Da plebe doem os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensanguentado
Diz: já não posso sofrer.

Pois bem! Nós que caminhamos
Do futuro para a luz,
Nós que o Calvário escalamos
Levando nos ombros a cruz,
Que do presente no escuro
Só temos fé no futuro,
Como alvorada do bem,
Como Laocoonte esmagado
Morreremos coroado
Erguendo os olhos além.

Irmãos da terra da América,
Filhos do solo da cruz,
Erguei as frontes altivas,
Bebei torrentes de luz…
Ai! soberba populaça,
Rebentos da velha raça
Dos nossos velhos Catões,
Lançai um protesto, é povo,
Protesto que o mundo novo
Manda aos tronos e às nações.

Canal: Annevaluri

NÃO PODE TER SIDO EM VÃO

Aboio: venham meus poetas, venham

Gosto de beijar a boca de versos

gosto de acariciar docemente os lábios dos poetas

gosto de saber que são música

aos meus ouvidos

aos meus olhos

ao meu corpo inteiro.

Canal: Odonir Oliveira

“ABOIO”
Odonir Oliveira

Falo ou calo?
espero ou me atrevo?

Venham em meu socorro,
meus deuses e semideuses,
meu Drummond, meu Pessoa, meu Manoel ,
me deem a mão Cora, Adélia e Cecília,
venham, por favor, Guimarães, Clarice e Graciliano.

Falo ou calo?
espero ou me atrevo?
Acudam, com sua lira e sua fabulação, todos os meus magos, acudam.

Calcem-me suas botas de galgar píncaros, de beber mel e fel
Emprestem-me engenho e arte de Camões e Homero.
Corram, que meu tempo expira e ainda tenho que ir.
Corram, emprestem-me suas botas.

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Momentos há – dias, semanas, meses, anos – em que as mãos que sentem ficam mudas. Mas não, surdas. Então elas bebem vinho de lírica alheia para se fortificarem e voltarem a andar com as próprias pernas. Os pais poéticos sempre socorrem aqueles que bebem de seu vinho.

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Canal: andrezamcpa

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Canal: Henrique Fernandes

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Canal: flavio fernando Silva

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Canal: xilosciente

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Canal: muito além

A HISTÓRIA DO ABOIO

O aboio é um canto de origem árabe, surgiu nos campos do deserto na atual região do Oriente Médio por volta do Século XI ou X, A.C. Era um canto de adoração aos deuses das religiões politeístas. No Egito se destacou no governo do Faraó Miquerinos cantado pelos seus súditos para lhe adorarem. Os fenícios foram os verdadeiros responsáveis por levarem a cultura do aboio para os gregos e os romanos, devido a serem os primeiros navegantes da História da qual temos registro, isso por volta do ano 600 a.c. Conta – se que no ano de 753 .a.c, data da Fundação de Roma um coral entoou o canto para agradecer a Rômulo pelo empenho em fundar aquela linda cidade em homenagem a os seu antepassados as margens do Rio Tibre, próximo ao Monte Palatino. Durante séculos o aboio foi um canto de adoração e dedicação aos deuses e as grandes autoridades do Mundo Antigo. O Papa Gregório II, Gregorius Secundus que foi o 89º Papa da Igreja Católica que governou de 19 de Maio de 715 a 11 de fevereiro de 731, adotou o canto como oficial da Igreja onde mais tarde foi chamado de canto gregoriano. Mesmo na Europa o aboio foi ligado à poesia que surgiu na África por volta do Século VIII a.c, e chegou na Europa por volta do Século XVI, d.c. Na Alemanha surgiu o decassílabo e em Portugal surgiu a quadra que foi destaque no trovadorismo. O aboio chegou ao Brasil no final do século XVI, trazido pelos africanos como canto de libertação do trabalho escravo que durou quase quatro séculos; a poesia foi trazida pelo poeta Bandarra ainda no século XVI, em folhetos, onde narrava a história do Rei D. Sebastião. Com o fim da escravidão no Brasil no final do século XIX, alguns escravos continuaram a trabalhar nas fazendas como vaqueiros e o aboio foi o canto de aproximação do vaqueiro com os animais.

Aqui no Brasil aconteceram as grandes inovações dentro desta musicalidade que se tornou uma cultura do povo nordestino e temos vários nomes que se destacaram na musicalidade do Aboio tais como: Vavá Machado e Marcolino, Galego Aboiador, Léo Costa, Zé de Almeida, Paulo Nunes, Carlos Cavalcante, Heleno Higino e Ivone Leão, Cara Véia, Chico Justino e Cícero Mendes, Atonio Neto, as irmãs Soares, Delmiro Barros, Coral Aboios, Quinteto Violado, Luiz Gonzaga e muitos outros, além dos poetas compositores e repentistas espalhados pelo Brasil afora. A palavra  aboio, etimologicamente, tem vários significados: para os orientais Canto de adoração aos Deuses, Canto de adoração para a Igreja Católica, Canto de Libertação para os africanos e Canto de aproximação do Vaqueiro com o Gado, no Nordeste do Brasil.

(Texto de Cicero Mendes, poeta, professor, historiador, filósofo, ator, compositor e aboiador) com edições gramaticais minhas.

http://justinomendes.no.comunidades.net/a-historia-do-aboio

Fotos de cidades mineiras de arquivo pessoal

Res pública nacional

ACHADOS E PERDIDOS

Odonir Oliveira 

 

É sangue isso que escorre da minha boca

Não me segurem

não me acudam

não me acalmem.

Minha boca escorre catarro vermelho

visgo        

estrato de alma podre de fel

charco de ferida biliosa

amargor de pus em traqueia.

 

Não me afaguem

não me toquem acordes de violinos ou de acordeões 

esse tango é noite

essa mordaça é fina.

Grito, grito e grito.

 

A boca é minha.

A purulência é minha.

O estupor é meu.

Os dentes que marcam a pele são meus.

O contrato que reproduz a ferida é mal cheiroso e meu.

É dor, é rasgo, é contágio.

 

Não há mais tempo para rotatórias.

Não há mais espaços para benfeitorias ou rapapés.

O osso roído, a carne exposta, o tumor revelado.

Fétido.

Ludibrioso.

Panaceico

Patético.

É escárnio, é troça, é truque, é fosso, é falso.

 

(Aos corruptos e corruptores da res pública no Brasil)

Canal: Odonir Oliveira