Lição número um: cidadania

Recado ao Poeta
Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Vai, porque a tua missão é de paz
Ser poeta é difícil demais
Pra que querer um coração normal?
Um dia vai te compreender
Olha só, como a rua parece chamar

E essa lua, esse amigo, esse bar
E peço a Deus que nada mude mais
Não faz dos teus os meus rivais
E se couber explicação real
É que o poeta é o coração geral
Por isso fique aqui onde teu samba está
Que toda cidade quer cantar.

VOCÊ JÁ FEZ CIDADANIA HOJE ?

Tenho certo desprezo por discursos sem ação. De qualquer um, seja do político, do engajado de rede social ou do cidadão – que não é cidadão –  faz pose de cidadão. Mas não age no cotidiano, em sua área de atuação, na rua em que vive ou em qualquer segmento social. Tem apenas discurso, é cidadão até a página 2. Na verdade, vive desacreditando do ser humano, dizendo que a espécie deveria ser extinta porque não tem mais solução etc. Depois desse discurso, retorna à sua diversão, aos seus passeios e distrações. Desprezo isso. A hipocrisia social é ainda pior que a pessoal. Pior porque disfarça, ilude, mas na hora do fazer é pífia, quando não é nula mesmo.

Aprendi, em família e depois estudando, a agir. Tenho – como muitos companheiros de luta que conheci, e me ensinaram – uma prática cidadã cotidianamente. Sem gracinhas em redes sociais, piadinhas, deboches. Isso é imaturidade e já passei da idade (e do peso) de ficar nisso. Ajo, enquanto posso, e assim me sinto menos conivente, sem cabotinismos ou hipocrisias. Cada um deve AGIR.

Não pretendo “dar bengala a cego” também. Nem recitar regras. São declarações de ação, todavia. Por quê? Porque ando saturada pelas palavras vazias que ouço diariamente pelas ruas.

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Em 1997, conheci o “Projeto Reciclázaro”, na V. Romana, Lapa, SP. O padre Celso tirava, então, da Praça Cornélia, bêbados, alcoólicos, dependentes químicos em geral, moradores de rua e os integrava ao trabalho de reciclagem, recolhimento, separação, e com isso obteve junto a todo o bairro – e aos vizinhos – grande receptividade, inclusive mantendo um consultório dentário, com dentistas voluntários, e a casa que acolhia mães com Aids, “dependentes” e seus filhos. Para lá levávamos roupas de cama, utensílios, brinquedos e tudo o mais. O Projeto cresceu bastante, motivou outros tantos. Nós, moradores, não esperávamos os “catadores” em casa não. Levávamos em nossos carros o que pretendíamos doar, inclusive roupas, sapatos, cobertores, livros e cadernos, porque alguns voltaram a estudar. Não era fácil porque sempre se exigiu endereço para matriculas. Mas agora o tinham, no centro da cidade, lá dormiam etc. na Rua do Gasômetro. Nesses muitos anos, o Projeto diversificou-se e cresceu bastante.

Sede

Praça Alfredo Weiszflog, 37 – Vila Romana

CEP 05045-050 – São Paulo/SP

Fone: (11) 3871-5972

A sede da Associação Reciclázaro funciona em uma casa no bairro da Vila Romana, onde abriga os setores de comunicação, administrativo, nota fiscal paulista, recursos humanos e coordenação geral.

http://www.reciclazaro.org.br

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PROJETO FOME ZERO

Início da década de 2000, março, os alunos receberam o material escolar distribuído pela Prefeitura de São Paulo. Pela primeira vez vinha numa bela sacola, como aquelas das papelarias famosas ou das lojas de shopping. Ali dentro havia cadernos universitários, lápis de cores, giz de cera, dicionário, canetas, lápis pretos, borrachas, régua, transferidor. Ah, uma beleza! Eles recebiam aquilo e se encantavam. Nas sacolas dos menores, das séries iniciais ainda havia outros materiais pertinentes ao seu trabalho cotidiano nas aulas. Era um encantamento receber aquilo tudo e cheirar cada caderno novo, abrir as caixas de lápis de cores, folhear o dicionário. Parecia que uma fada madrinha havia deixado ali o material de cada um. Os olhos embevecidos, comoção total. Pura poesia.

Ao término das aulas, enquanto caminhavam pelas ruas, dando mãos aos irmãos menores, carregando suas sacolas e as deles, pulavam, cantavam, riam, pareciam ter vindo das compras, pareciam ser como os outros meninos que estavam acostumados a sair das papelarias com os pais, depois de terem escolhido os materiais escolares que desejavam, os mais caros , os mais bonitos. Mas eles sempre foram iguais a quaisquer outros meninos ! Não seria o poder de compra que os diferenciaria. Não no que dependesse de mim.

No dia seguinte conclamei meus colegas professores a desenvolvermos um projeto para ressignificar aquelas mudanças que vinham ocorrendo na escola municipal: a distribuição do material escolar, as peruas que levavam e traziam os alunos de lugares um pouco mais distantes, as refeições oferecidas nos 3 períodos com arroz, feijão, carne, salada e frutas de sobremesa. ( Já recebiam a lata de leite em pó antes, e livros do governo federal – agora também ofertados ao nível médio e à EJA ( educação de jovens e adultos). Elaboramos e demos encaminhamento a um projeto que esclarecia o custo daquilo tudo, de onde vinham os recursos para aquelas aquisições, de como cuidar do material recebido, como encapá-lo, cuidar dele etc. Para isso foi necessário ensinar, sentar com eles, encapar com eles, criar etiquetas, capas personalizadas, talvez o rosto de um ídolo, talvez um poema, talvez o símbolo da disciplina, da matéria que o caderno abrigaria …

Os cálculos de quanto custavam os 2 uniformes de inverno e os de verão – que receberam também. Logo depois o custo do passe estudantil a que tinham direito e assim por diante. Projeto envolvendo muitas disciplinas escolares e a valorização do que recebiam. Conscientização de todo investimento em EDUCAÇÃO. Assim, quando mais tarde quisessem lhes arrancar aquilo a que tinham direito – direito adquirido – soubessem eles reivindicar, lutar mesmo pelo que buscavam.

DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS AOS NECESSITADOS

Depois da leitura da coleção de livros sobre Cidadania, de Edson Gabriel Garcia, algumas ações foram propostas: montar caixas com alimentos em cestas básicas para a população necessitada. Integravam-se assim à Campanha FOME ZERO, idealizada pelo grande Betinho. Integramos nossas ações a ações mais amplas e cidadãs, portanto. Encaminhamos à Sub-prefeitura Regional da Lapa, ao sub-prefeito, na presença do autor Edson G. Garcia e com cobertura do Jornal da Lapa.

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PROJETO “Da boca pra dentro & da boca pra fora”
Relatando a prática:

Histórico

Naqueles dias de 2003, soubemos que havia meninas nossas alunas começando a fumar para permanecerem magras porque se achavam gordinhas e não queriam ser assim; os padrões estéticos vigentes as conduziam a essa postura. Bullying. O que fazer ? Discursos apenas não adiantariam. Então foi necessária ação pedagógica e social.

Esse trabalho, realizado com as duas sextas séries da Escola Municipal Desembargador Euclides Custódio da Silveira, no Parque São Domingos, SP,

veio em continuidade ao desenvolvido no ano anterior, pois haviam sido também meus alunos em 2002. O planejamento por ciclo é bom porque permite a continuidade de objetivos, de sequências didáticas e o acompanhamento de competências e habilidades a serem desenvolvidas.

Intenções gerais

A preocupação com a proficiência da leitura sempre demarcou nosso trabalho, pois acredito que a leitura é capaz de inserir ou resgatar os indivíduos em sua cidadania, assim, foram priorizadas todas as ações que visassem ao desenvolvimento dessa competência.

Outro demarcador foi sempre a produção de textos (tanto orais quanto escritos) a partir das leituras.

Temos observado, nos últimos tempos, o aumento das exigências sociais quanto à participação ativa do indivíduo na sociedade comunicando-se, informando-se, posicionando-se com clareza, com criticidade e de maneira construtiva nas mais variadas situações do cotidiano.  Era preciso, então, fazer com que meus alunos se tornassem agentes de seu conhecimento e sentir que estavam aprendendo e compreendendo “as coisas do mundo”: as de dentro e as de fora da escola. Ler precisava ser muito mais do que apenas decodificar sílabas, palavras, frases e orações. Era preciso reconhecer as intenções de quem escreve, reconhecer-se nas leituras realizadas, selecionar, escolher, utilizar-se de todas para aprender mais, para se informar, para se divertir. Dessa forma, percorremos um caminho repleto de situações de aprendizagem que nos conduzissem efetivamente a esses objetivos. Usamos para isso três das cinco aulas semanais.

Iniciando o caminho

O trabalho começou com a ida à Mostra “Os Guerreiros de Xi’an e os Tesouros da Cidade Proibida”. Preparamos leituras de obras e enciclopédias que tratavam do tema, bem como a de jornais sobre a Exposição. Ao chegarem ao Prédio da Oca, no Parque do Ibirapuera, sentiram a importância de já possuírem informações sobre o tema. No retorno, demonstraram isso preparando murais para o coletivo da Escola, acrescentando outras informações que haviam adquirido lendo e vendo a Mostra.

Leituras com diferentes objetivos

O passo seguinte foi a retirada de livros da sala de leitura e da biblioteca circulante de classe. Essa seleção deu-se a critério dos alunos – leitura por prazer – prosa: (crônicas, contos, novelas, romances, diário), poesia (de todos os níveis e épocas), teatro. A justificativa de cada um para a escolha das leituras deu-se de forma oral e os motivos variavam desde uma sinopse interessante, a uma capa ou título curiosos e até mesmo pelo simples número de páginas. Nas devoluções das leituras, os alunos iam relatando se estavam gostando ou não daquilo que liam e também aprenderam a justificar por que a seus colegas. Vez por outra eu interferia acrescentando alguma pergunta, suscitando alguma comparação entre personagens, obras, gêneros etc. ensinando a pensar sobre o que haviam lido, porque é preciso ensinar, é preciso trabalhar estratégias e motivá-los à leitura.

Fizeram várias atividades relacionadas às obras lidas: desenho de personagens, (da forma que as concebiam), modificações de capítulos e, por fim, uma ficha para montagem de um painel, onde escreviam os nomes das obras, o de seus autores, das editoras, criavam uma ilustração sugestiva e registravam opinião crítica sobre elas. O objetivo era socializar para toda a Escola tais opiniões, com o propósito, inclusive,

de sugerir possíveis leituras. (Estavam acostumados a essas práticas, pois em 2002 havíamos realizado grandes projetos de leitura: no primeiro semestre a partir de uma obra completa “A menina que descobriu o Brasil”, de Ilka B. Laurito; no segundo, havíamos trabalhado com as Coleções do Programa) “Literatura em minha casa”,

de forma bastante interessante e criativa – e explorado os diversos gêneros que a Coleção apresentava. Tínhamos também a premiação do “Leitor do mês”, com três livros e um diploma ao(s) maior(es) leitor(es), além de placa na classe com seu nome e foto.

Integrando outros projetos

No mês de abril, iniciamos na Escola uma campanha sobre meio ambiente e passei a enfocar, nas aulas de Português, o ambiente em que vivemos na Escola, em casa, o micro que conduz ao macro ambiente. A “mascação” de chicletes durante as aulas, a forma inadequada de tratar os colegas, com apelidos e comentários preconceituosos e debochados já incomodavam a todos, meninas mais gordinhas, enfim, conviver estava se tornando muito difícil e conceitos como justiça, respeito e solidariedade se apresentavam quase ausentes. Mas para trabalhar valores eu necessitava de ações didáticas, gerar reflexão para depois transformá-la de novo em ação, com mudança de comportamento. Teria que ser muito mais do que discurso.

Assim, iniciamos uma pesquisa de identidade: confecção de fichas onde escreviam seus dados pessoais, gostos e preferências, anexando fotos etc. Depois “brincávamos” de adivinhar de quem seriam aqueles dados lidos por mim, para sentirem até que ponto já conheciam seus colegas. Acertaram bastante. Fizemos com as fichas um “Fichário da Amizade“.

No mês de maio trabalhamos com algumas letras do CD “Tribalistas”. Foram feitas discussões orais, ilustrações sobre o conteúdo das letras e, por fim, apresentamos, com performance, a música “Velha Infância”, no sábado, em evento comemorativo ao Dia das Mães.

O acontecimento 

No final do mês de maio, fui ao lançamento do livro “De cara com o espelho”, de Leonor Corrêa e me propus, já na noite de autógrafos, a elaborar um projeto de leitura a partir da obra – percebi que atenderia a nossos objetivos, tanto em relação ao tema (crônicas que tratam de problemas decorrentes de atitudes preconceituosas, de forma bem-humorada) quanto aos propósitos de leitura. A partir daquele momento “vendi a ideia” a meus alunos, que já tinham ouvido falar da obra na tevê, e o trabalho se iniciou.

Atividades desenvolvidas

Leitura compartilhada das crônicas, recriação de algumas, leituras de textos informativos complementares de artigos do Folhateen, da Revista da Folha de São Paulo, pesquisas em sites da internet, provas escritas, criação de folhetos de divulgação de hábitos saudáveis de alimentação, criação de bonecos (personagens), contação de histórias para alunos de terceiras e quartas séries (gravadas em vídeo), auto-avaliações, gravação em fita cassete de um rap sobre o tema e leitura com os pais foram algumas das atividades desenvolvidas e saboreadas por nós.  E todas leituras proficientes!

Justificativas

Nossa Escola fica em um bairro de classe média e a população que frequenta as

aulas inclui, já faz uns dez anos, grande parte das crianças e adolescentes  que viviam em sub-moradias, embaixo do Viaduto Anhanguera, em barracas de lona , agora  substituídas, em mutirão, por casas de blocos ou madeira, mas no mesmo lugar. No início do ano letivo percebi que grande parte dos alunos se “mostrava invisível”, não eram agentes de seu conhecimento, eram apenas receptores. Nada propunham, nada discutiam, nada influenciavam. Ir à escola fazia parte. E só. Não possuem livros, nem tampouco pais ou vizinhos que leiam para eles, pois muitos são semi – analfabetos ou analfabetos funcionais. Às vezes está na Escola sua única oportunidade. Qualquer uma. Também frequentam as aulas alunos recém-chegados de escolas particulares. Valores e culturas muito diferentes. Às vezes ausência de valores. A Escola surge como possibilidade de construção, de reconstrução da cidadania. Precisavam ser desafiados.

Nas duas sextas séries temos 70 alunos. Destes, seis ainda soletravam as palavras, compreendiam parcialmente o que liam e apresentavam bloqueio para iniciar leituras. Outros tantos ainda não pontuavam e perdiam o sentido global do trecho lido. Havia um grupo que lia sem essas imperfeições, mas não fazia ligações com o contexto ou interpretava o que lia. Alguns poucos já liam com proficiência.  Para atender a todos os alunos, e àqueles em especial, vem sendo desenvolvido um trabalho em Oficinas de ortografia e produção de texto em sala de aula. A Escola tem apresentado como meta pedagógica nos últimos anos a alfabetização em todas as áreas e séries e é nesse contexto que os Projetos de Leitura que desenvolvo se inserem. (Como também o projeto de “Leitura de Revistas Recreio por uma semana”, desenvolvida com eles em 2002).

Gostam muito que se leia para eles. Agora, gostam de ler também. Torna-se necessário, entretanto, continuar a ensiná-los a ler com proficiência.

Objetivos do trabalho

– Ressignificar a participação dos alunos nos eventos da Escola.

-Ter respeito pelos trabalhos apresentados pelos colegas;

-Reconhecer e respeitar as formas de expressão e os valores dos outros e defender os próprios;

-Saber distinguir os diferentes níveis e tipos de meios de comunicação;

-Ter interesse pelo ato de aprender.

-Saber utilizar e valorizar as diferentes fontes de informação (livros, textos, fotocópias, visitas, entrevistas, estudos de meio);

-Conscientizar-se de suas necessidades de aprendizagem;

-Saber realizar uma análise, em diferentes meios (oral: recado, aviso, mensagem publicitária, letra de música – escrita: jornal, revista, livro, folheto, receita, internet) dos usos e das formas de tratar a informação;

-Assumir o sentido funcional das diferentes linguagens de acordo com o seu contexto;

-Saber realizar a leitura de uma mensagem publicitária;

-Saber realizar a leitura de uma crônica e identificar as “possíveis intenções”

(o viés) de quem as escreveu;

– Ler em público, com clareza, pontuação e intencionalidade;

-Saber detectar a estrutura de uma informação e realizar sua síntese;

-Reforçar, frente ao tratamento da informação, o ponto de vista de quem a elaborou;

-Proceder mediante o que se aprendeu com as informações;

-Ter interesse pela boa redação e pela apresentação dos trabalhos escritos;

– Empenhar-se em escrever sem erros de ortografia;

-Ter consigo o material necessário para pesquisa, estudo ou registro dos trabalhos;

-Aprender a se organizar em casa, quanto às tarefas e trabalhos que se proponha a realizar;

-Apresentar comportamento integrado na realização de trabalhos em grupo;

-Assumir um senso reflexivo (os erros conduzem a acertos) que permita avaliar a qualidade de sua leitura oral e silenciosa;

-Assumir um senso reflexivo também no que se refere à qualidade de sua linguagem escrita.

Conteúdos curriculares trabalhados

Elementos da crônica (tempo, espaço, foco narrativo, personagens, tema, estrutura);

Elementos de um folheto de publicidade, linguagem, apresentação;

Elementos de um cartaz;

Elementos de um artigo de jornal ou revista; ponto de vista; público-alvo;

Pontuação do diálogo;

Conceito de pesquisa: coleta de informações, seleção e síntese;

Análise de personagens; adequação dos bonecos às características das personagens da obra lida;

Metodologias e procedimentos

(Anteriores à leitura do livro de Leonor Corrêa)

  • 1- Conversa em semicírculo sobre episódio de desrespeito a colegas ocorrido no corredor. Levantamento de idéias. Proposta de situações com mudança de papel (quem acusou agora defende, quem defendeu, acusa etc.). Fechamento da atividade com proposta de reflexão.

2-Proposta de conhecer uma outra civilização e cultura diferentes da Ocidental (a propósito das “chamadas” do Fantástico, da Rede Globo, sobre a Cidade Proibida dos chineses. Intenção: alunos com atitude reflexiva e questionadora do mundo (valorização de todos os pontos de partida, a análise da relação entre eles e o possível confronto de idéias distintas).

  • 3 – Início das leituras : Pesquisa. Orientações: Observar os seguintes passos:

– coletar dados (informações), fazer o tratamento dos dados, apresentar os dados, analisar os dados, fazer a discussão dos dados e interpretar esses dados (com a ajuda de algum referencial teórico).

3- Leitura dos textos informativos xerocopiados:”Os soldados de terracota” e

Moedas de formas surpreendentes”, (in Os Reinos Soterrados da China,     Coleção Civilizações Perdidas, Abril Coleções). Discussão de fonte, tipo de informação, descrição de processo, adjetivação. Registro de síntese das idéias. Ilustração do texto.

4- Ida à Mostra “Guerreiros de Xi’ an e Os Tesouros da Cidade Proibida”.

Orientação: registrar apenas o que entender, dar destaque ao que lhe parecer mais curioso, estranho, diferente etc.

      5- Atividade de discussão em classe: Em círculo, manifestar para a classe o que mais o marcou durante a Mostra.

Orientação: diferenciar fatos de opinião pessoal, socializar as informações.

6- Produção do painel: “Os Guerreiros de Xi’ an e Os Tesouros da Cidade Proibida”.

Orientação: Esclarecimento dos objetivos: montar um painel para socializar as informações, sob a forma de fatos e opiniões pessoais, em pequenos grupos. Comparar a forma de viver dos chineses com a nossa. Fazer ilustrações. Avaliar a validade de terem ido à Mostra; informar sobre fontes, coleta e seleção de informações; discutir e elaborar o roteiro de trabalho junto com os colegas; organizar a apresentação. Reescrever textos que apresentarem erros, após revisão.

7- Audição do CD “Tribalistas”.

Orientação: Ouvir as letras pré-escolhidas por eles. Ilustrar os temas tratados  enquanto acompanham letra e música. Confrontar idéias, acrescentar idéias em pequenos grupos e depois no grupo maior.

Votação: qual a música mais adequada a ser cantada na comemoração do Dia das Mães. Construção de painéis onde apenas adjetivos e locuções adjetivas caracterizariam as mães. Leitura de poemas, da nossa caixa de poemas, sobre o tema “mães”. Criação de poemas concretos e cartões – forma e conteúdo (por exemplo: cartão com formato de guarda-roupa e de uma gaveta saía o poema; ou com formato de uma TV ou de um celular etc.), personalizados para as mães. Montagem dos paineis. Apresentação no sábado. Entrega dos cartões. Gravação em vídeo.

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(Introdução do livro “De cara com o espelho”)

8- Apresentação e proposta de leitura do livro “De cara com o espelho”, de Leonor Corrêa, da Editora Moderna. Proposta aceita, após audição do prefácio escrito por Fausto Silva sobre a obra.

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Orientações: Adquirir o livro que conseguira com desconto de 30% para eles.

Iniciar a leitura do livro, em casa, pela crônica que desejassem.

Proposta de leitura e discussão oral da primeira crônica “Apaixonado por você mesmo”, (caracterização e comparação de personagens, papel do narrador, linguagem do narrador e dos personagens, tempo da narração, “problema apresentado” e “solução para o problema”).Conversa com os pais – e registro no caderno – sobre um fato que tenha acontecido com eles, em sua adolescência, e que os tenha marcado, de alguma forma. Não havendo necessidade de ser lido em classe, apenas aqueles que o desejassem.

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9- Leitura compartilhada (pelos alunos e por mim) da segunda crônica, “Pneu furado”.

Orientação: Criação de texto ilustrado, do tipo charge, com o título de A revolta dos pneus, onde estes se manifestariam contra esse tipo de preconceito que leva as pessoas a afirmarem que outras têm pneuzinhos etc.  

Reescrita de textos com erros. Montagem de painel. Socialização nas paredes dos corredores da Escola.

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10- Leitura do artigo “Brincadeiras de mau gosto” (“anti-bullying”), do caderno Folhateen da Folha de São Paulo.

Orientações: Estabelecer diferenças (estrutura, intenções etc.) entre tal tipo de texto de jornal e as duas crônicas lidas no livro. Discutir em duplas e apresentar ou acrescentar opiniões.

11-Leitura da crônica “A chata-feira da semana” por mim.

Orientações: Produção de texto: Reprodução escrita da crônica. Leitura dos textos reproduzidos para os componentes de seu pequeno grupo. Reescrita, quando necessária, de trechos que não tenham ficado claros a seus ouvintes.

Recriação, sob a forma de desenhos, dos problemas que a personagem principal, Marcela, teve que enfrentar e como os resolveu. Montar um painel com os trabalhos individuais.

12- Leitura de artigo “Todas as fomes”, da Revista da Folha de São Paulo.

Discussão do tema apresentado. Reconhecimento dos órgãos que participam do processo digestivo. Registro no caderno sob a forma de colagem do artigo.

Orientações: Registrar no caderno: qual o seu tipo de fome mais constante, em que momentos ou situações você sente mais vontade de comer?

Socialização das respostas, em painel, sem identificação dos nomes dos autores.

13- Leitura em casa da crônica “Tia Insulina”.

Orientação: Proposta de levantamento de questões e perguntas para serem esclarecidas. Leitura de textos na internet, na sala de informática, sobre o tema. Leitura de verbetes, em enciclopédias, em dicionários na sala de leitura. Pesquisa em mercados de listas e preços de produtos light e diet. Leitura de receitas saudáveis e análise do porquê.

14- Leitura dramatizada em classe da crônica “Vovó beleza pura”.

Orientações: Comparar todas as crônicas lidas (elementos da estrutura: tempo, espaço, foco narrativo, personagens, problema/conflito, solução/desfecho), em duplas e anotar tais comparações.

15- Leitura dramatizada em classe das crônicas “Bebezão” e “Família Spa”

Orientação: Proposta de recriação dos personagens que desejarem, sob a forma de bonecos (de pano, isopor, areia, papel marche ou outros), mantendo as características expostas nas crônicas.

Escolha de crônicas a serem recontadas aos alunos menores, do período da tarde, (3ªs e 4ªs séries). Votação para escolha dos contadores.

16- Produção de textos: Criação de folhetos na sala de informática.

Orientações: Criação de folhetos publicitários com recomendações a respeito de  alimentação e vida saudáveis, para distribuir aos colegas de outras classes, no caderno e depois no computador. Revisão de texto, utilizando banco de dados do computador e correção do colega com quem forma dupla. Ilustrar (usando paint, clip- art ).

Criação de livrinho com receitas saudáveis

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17- Pesquisando na internet, na sala de informática: Pesquisa para criação de cartazes informativos sobre origem e características das festas juninas no Brasil.

Orientações: Acessar um site de busca. Ler as informações a respeito dos

subtemas propostos (origem, comidas e bebidas, os santos juninos, o mastro, a quadrilha etc.). Selecionar as informações na coleta de dados. Anotar os elementos mais importantes (o quê, quem, onde, por quê, como). Produzir texto objetivo, claro e conciso, acompanhado de ilustração para ser lido no dia da festa junina na Escola. Preparar paineis com os cartazes.

18- Proposta de criação de música para o “Rap da revanche”, inserido no livro lido.

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Orientações: Ler com vagar palavra por palavra. Os grupos deverão dividir as linhas poéticas, versos, em versos melódicos, levando em conta o ritmo, de acordo com o sentido que desejarem obter. Criar pelo menos três versões diferentes. Gravação de fita cassete com todo o grupo de alunos, na sala de leitura.

19- Contação de histórias (das crônicas escolhidas), para os alunos das terceiras e quartas séries, na sala de leitura (atividade gravada em vídeo).

Orientações: Ler as crônicas escolhidas, de forma dramatizada (narrador e personagens), com expressividade, em tom de voz adequado. Apresentar os bonecos personagens aos alunos. Distribuir os folhetos publicitários com recomendações a respeito de alimentação e vida saudáveis.

20- “Professora, e a autora?” – Foi assim que uma aluna me chamou a atenção para o fato de não havermos ainda nos comunicado com ela, pois o fizéramos no ano anterior e tínhamos recebido a visita de Edson Gabriel Garcia (para ver os trabalhos realizados pelos alunos e conversar com eles).

Orientações: Desta vez, dadas pelos alunos: Mandar e-mails para a Rede TV, onde a autora apresentava um programa diário. Escreveram os e-mails no caderno, os reescreveram, obedecendo às necessidades: adequação da linguagem, tratamento, receptor, mensagem etc. e os enviamos: uns foram direto de suas casas, e outros, por não possuírem computador, enviados por mim (A Escola não possuía ainda endereço eletrônico).

21- Atividade de reflexão e avaliação: De cara com o espelho.

Orientações: Auto-avaliação a respeito do trabalho realizado com o livro lido (o que aprenderam, no que se modificaram etc.). Desenho de auto-retrato, olhando-se no espelho, em sala de aula.

Observação:

. As estratégias e os recursos utilizados foram expostos no relato acima.

Avaliação ou da vontade de registrar isso tudo para sempre

Dos resultados esperados aos obtidos:

Os alunos envolveram-se com as atividades propostas e produziram bastante.  A leitura proficiente foi atingida por 75% dos alunos e o restante está em processo. O conceito de leitura como forma de informação, conhecimento, divertimento foi absorvido por todos. Durante as discussões e as atividades escritas, manifestaram reconhecimento e respeito às formas de expressão aos valores dos outros e defesa de seus próprios. Ampliaram o interesse pelo ato de aprender. Na utilização das fontes de informação demonstraram valorizar cada uma delas. Durante o processo, foi ampliada a conscientização de suas necessidades de aprendizagem e modificou-se ainda mais a postura dos alunos frente a seus erros, caminho para acertos. Os trabalhos encontram-se registrados em nosso “Livro do ano”, com fotos, avaliações, auto-avaliações e produções dos alunos – como em 2002. O trabalho teve suas primeiras floradas. Precisa ser retomado, no segundo semestre, por exemplo, trabalhando-se com outros tipos de textos, com outras estruturas, com a apreciação de discursos orais, regionais, poéticos e outros, com um trabalho ainda mais dedicado à formação dos grupos e dos valores de convivência. Mas já caminhamos bastante.

Continuando esse trabalho, pretendo trazer mais para perto ainda os pais, que participaram timidamente durante esse semestre (tenho relatos escritos por  alguns).

O trabalho teve suas primeiras floradas. Precisa ser retomado, no segundo semestre, por exemplo, trabalhando-se com outros tipos de textos, com outras estruturas, com a apreciação de discursos orais, regionais, poéticos e outros, com um trabalho ainda mais dedicado à formação dos grupos e à retomada dos valores de convivência. Mas já caminhamos bastante. Como diz nosso grande poeta Drummond, “tenho palavras em mim buscando canal”. Quero possibilitar canais.

Avalio como “saborosíssimo” o trabalho desenvolvido com as sextas séries nesse semestre. Pude realizar com eles alguns objetivos, procedimentos e estratégias de leitura de grande relevância para o processo de seu desenvolvimento. E foi bom, muito bom. Completei trinta anos de magistérioCostumo dizer que falo de dentro. De dentro das salas de aula das escolas particulares e públicas onde tenho vivido. Orgulho-me de minhas leituras e de minha carreira. Afinal, que profissão semeia estrelas de todos os tipos, cores e formas e depois, com o passar dos anos, vai reencontrando-as de novo, adultas, de cores ainda mais belas, e as recolhe em ramalhetes?

Recursos utilizados

. 20 computadores em rede, conectados à internet e impressora da sala de informática;

. filmadora, máquina fotográfica, gravador e aparelho de CD;

. livros da sala de leitura e da biblioteca circulante de classe;

. jornais e revistas.

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Bibliografia utilizada com os alunos

Corrêa, Leonor, De cara com o espelho, S. Paulo: Moderna, 2003

Góis, Antonio, Fernanda Mena e Guilherme Werneck, Brincadeiras de mau gosto,

     In, Folhateen, Folha de São Paulo, 09/06/2003.

Macedo, Luciana, Todas as fomes, in Revista da Folha, 09/02/2003

Enciclopédia Larousse Cultural, Nova Fronteira

         Os Reinos Soterrados da China, Col. Civilizações Perdidas, Abril Coleções.

Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa. Folha/Aurélio, Folha de São

Paulo.

sites: www. festajunina.com.br

http://www.festajunina.com.br/suafesta.htm

Bibliografia consultada

Davis, Claudia e outros, Ofício do Professor, v. 3,4, 8, São Paulo:

Fundação Victor Civita,2002.

Batista, Antonio G. Batista e Ana Maria de O . Galvão (orgs.) Leitura:

    práticas, impressos, letramentos, Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

Kleiman, Ângela.Oficina de leitura: teoria e prática, 9ª ed. Campinas:

    Pontes, 2002.

Neves, Iara B. e outros (orgs.) Ler e escrever – compromisso de todas

      as áreas,3ª edição, Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2000.

Charmeux, Eveline, Aprender a ler: vencendo o fracasso, 4ª ed.

      São Paulo:Cortez, 1998.

Kleiman, Ângela B. e Sílvia E. Moraes, Leitura e interdisciplinaridade,

   Campinas:Mercado das Letras, 1999.

Kleiman, Ângela,Texto e leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura, 4ª ed.

Campinas: Pontes, 1995.

Solé, Isabel, Estratégias de leitura, P. Alegre, ArtMed, 1998

Elaboração: Odonir Oliveira – 2003

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Texto: Odonir Oliveira

1º Vídeo: Canal Douglas Dias

2º Vídeo: Canal bruno oliveira