Nos beijos que ainda não dei

Versos de eu-lírico corajoso (a), intenso (a), explícito(a), por isso mesmo faiscantes.

Entre Pontos e Vírgulas, Poesia!

Nos beijos que ainda não dei

Esperas-me, calmamente
Nos beijos que ainda não dei
No corpo que ainda hoje não toquei
Esperas-me, sedutoramente
Mais uma noite, apenas mais uma…
No calor que te inunda a alma
O corpo que de arde em delírio
A distância do toque
O sabor que se prende
A languidez da espera…

Nos beijos que ainda não dei
Não mora somente o desejo
Mas toda a promessa de sonho
Que já sem qualquer pejo
Confirmam tudo o que proponho
Num hoje prometido pela eternidade
Sem a permanente dor da saudade!
Nos beijos que ainda não dei
Que me incendeiam o corpo
Esperas-me …
Como ainda se espera o amor
Numa qualquer noite de prazer!

Tiago Paixão
16/07/2017
2:16

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Aquarius, a era

NAQUELE TEMPO

As saias longas, as roupas coloridas
os tamancos em couro cru
as alegrias primeiras
a serem inauguradas
por dentro e por fora
sol aquarius
mudanças, expectativas
projetos, rumos e ramos
beijos na boca
abraços fraternos
dança, muita dança
rosto pintado, desenhado
paz e amor
sem dor
muita cor
espelhos da alma
flores e sinfonias
desafios, entregas, chances
um mundo de aquarius
SONIA BRAGA, ESSA MULHER
Conheci Sonia Braga em janeiro de 1977 nas filmagens de A Dama do Lotação, por motivos muito particulares. Acompanhei algumas delas em locações. Achei-a exigente com o diretor Neville de Almeida, solicitando laboratório para cenas densas etc. chegando a dizer-lhe que estava acostumada a elaborações, requisitando dele interrupção da filmagem para concentração, conversas em particular com o diretor e com quem iria contracenar com ela. Tinha vindo da novela Gabriela na TV, do filme Dona Flor e seus Dois Maridos, feito teatroera novinha, 3 anos a mais que eu. Achei-a uma atriz já muito comprometida com seu trabalho. Era linda e sensual, ao ponto, como as brasileiras e os valores considerados de beleza naquele momento. Nada artificial. Ela era ela.
Sempre admirei a beleza feminina. (A masculina, não. Nunca foi valor pra mim o visual masculino). E a beleza sem retoques, no falar, no andar, no sorrir, tudo encanta. Gosto de mulheres bonitas assim. Sonia Braga era assim. E sem excessos de gostosuras, manipulação de machos ao redor …  franca, verdadeira. Gostei muito dela.
Acompanhei a carreira da atriz no cinema internacional e mais do que isso, seu amadurecimento feminino e seu envelhecimento. Assim foi que quando assisti, no cinema, pela primeira vez,  ao filme Aquarius, me encantei.( Já o assisti mais 4 vezes). A temática do filme é bastante abrangente, a protagonista é uma mulher com a idade da própria Sonia Braga. Os valores questionados – e descartados – pelo mercado imobiliário, por seus filhos adultos, pela urgência quase absoluta de se aderir a tudo o que for tecnológico, descartável, vendável e fugaz é atroz.
Sonia Braga está linda, em sua plenitude feminina, no filme e na vida. Olhando-a, comparando-a com a ”outra ela” que conheci, me vejo bastante representada, como outras mulheres da era de aquarius também. E o filme parece ter um roteiro escrito por minhas mãos. Por mãos que sentem.
Não perca.
AQUARIUS
direção: Kleber Mendonça Filho
Sinopse: Clara (Sonia Braga) mora de frente para o mar no Aquarius, último prédio de estilo antigo da Av. Boa Viagem, no Recife. Jornalista aposentada e escritora, viúva com três filhos adultos e dona de um aconchegante apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento.
Poesia e texto: Odonir Oliveira
Vídeos:
1. Canal Isabella D
2. Canal Danilo Rodrigues
3. Canal Movieclips Indie

Ressignificar, reciclar, re-ver

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INTOLERÂNCIAS

 

Não tolero mais
hipocrisias, cabotinismos
Não tolero mais
injustiças, descartes, desmontes
Não tolero mais
rapapés, tapinhas nas costas
Não tolero mais
escapismos, fugas, realinhamentos
Não tolero mais
nenhum tipo de disfarce no jogo social
Não tolero mais
o discurso do falso desconhecimento
Não tolero mais
o efeito manada
a manipulação generalizada
Não tolero mais
o que tolerava
quando mais jovem
quando mais ingênua
quando mais crédula.
Helô
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RECICLAR, RE-VIVER
Sempre tive poucos AMIGOS
nas mãos, conto menos de dez
Sou difícil de ter
Gosto de compartilhar
gosto de celebrar encontros
gosto de reciclar a mim
gosto de reciclar
objetos
gosto de ressignificar objetos
gosto de ressignificar amores e dores
gosto de gente dolorida, colorida, retorcida, colorida
gosto de cozinhar para amigos
gosto de dar de mim aos amigos
presenteio com artesanato
presenteio com minha presença
presenteio com meus ouvidos
presenteio com meus versos
Sou difícil de ter
Gosto de compartilhar
ENCONTROS INESQUECÍVEIS
Sempre fui uma menina muito sensível. Entretanto, nunca soube disso. Lá pelos 20 anos foi que – lendo psicologia, pois lidava com crianças especiais,  pra mim, muito especiais – me percebi bastante sensível. Gostava pouco de ”coisas” novas, de gente nova, de músicas de gente nova. Enfim, achava-me mais velha que eles. Hoje sei que isso tem a ver com uma certa percepção diferenciada dos momentos vividos, com a ressignificação das coisas que se tem, com olhar incomum para a natureza etc.
Depois dos 50 anos, passei a buscar outros prazeres na vida. Acho que até antes, mas eles dormitavam em mim, talvez pela rotina elétrica do cotidiano. Mas já gostava do que era mais antigo: moedas, panelas, gamelas, ruínas, restos de passado, e claro, de música antiga, a medieval, os clássicos, mesmo os fados que me estruturam o sangue português.
Depois dos 50, aprendi o que sempre quis, fiz o que sempre quis. Costuro e me dá um prazer enorme em costurar, olhar para uma cortina, uma roupa simples e dizer- porque falo mesmo, para os meus ouvidos – fui eu que fiz.
Cozinho e gosto de fazê-lo para os amigos – aqueles menos que 10 – nem sei cozinhar pra muita gente, gosto de ficar horas à mesa ouvindo, falando, ouvindo, rindo, bebendo, rindo e vivendo. Tenho grande prazer em inventar receitas e ressignificar receitas, em enfeitá-las e depois, ah, depois, ver as pessoas se deliciarem. Sinto-me uma rainha, até porque nunca pensei chegar a cozinhar o que cozinho hoje. E digo pra mim  fui eu que fiz. Gosto de re-aproveitamentos, de substituições de ingredientes, se não tem isso, uso aquilo. Meus amigos sabem o quanto isso me traz alegrias. Sinto falta deles aqui tão distante. Tenho postado fotos no Facebook, com as minhas receitas, assim incentivando-os a cozinhar também e compartilhando como se estivessem por aqui. E, principalmente, para amigos com quem nunca compartilhei a mesa. Trata-se de uma celebração, assim é que vejo comer junto.
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O meu artesanato, quando apreciado, logo me perguntam faz por encomenda, quero comprar. Não, faço com afetividade. Não vendo nada, nunca. Nem versos, nem artesanato, nem comidas, nem costuras (Tenho certo desprezo pelas moedas. Não sei ”me vender”, ”botar preço” no que crio. Sei doar, sei até trocar). Vender, nunca. Mas me encanta olhar algo que alguém descartou, jogou fora nas caçambas das ruas, no terreno baldio, até para coleta do lixo, e eu atribuir àquilo uma nova função ou significado. É o olhar de GARIMPEIRA, GARIMPADORA. O que para alguns NÃO SERVE, para mim É O MÁXIMO. E reformo, lixo, pinto, corto, recorto e acho lindo o que resultou daquilo. Olho e digo  fui eu que fiz. Jamais acreditei que tivesse a habilidade, a capacidade até, de recriar o que ninguém quis mais.
Não tenho nenhuma preocupação com perfeição, alinhamentos; tenho, com capricho. Assim também ao fazer meus mosaicos, meus trabalhos com retalhos e na VIDA REAL. Tudo se alinha, tudo se complementa, mantendo certa coerência.
Vivi algum tempo, numa comunidade na Bahia, com artistas plásticos e acompanhava diariamente a criação de suas telas, de suas molduras. Eles bem mais velhos que eu. (Jamais acreditei em poder fazer algo ligado a artes. Desenho muito mal, fui completamente amputada dessa habilidade desde criança. Criou-se em mim um bloqueio para desenhar). Admiro quem desenha, quem recria, faz caricaturas. O olhar, sempre o olhar.
Meus amigos pintores vendiam suas telas em exposições pelo país inteiro. Eu, sensibilizada com suas vendas, perguntava reiteradamente, mas vocês não sentem nada vendo seus quadros irem embora assim, depois de semanas em suas mãos, não sentem tristeza nisso? Eles, como profissionais, diziam que as telas tinham que seguir seus rumos, a comunicação é assim, no máximo iam à casa de quem as adquirira pra ver o melhor espaço para cada tela, a iluminação e depois adeus a elas. Não me conformava porque eu já era uma de suas apreciadoras, durante toda sua criação. Talvez estivesse ali a distinção entre nós.
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(tela de Ricardo Martins, arquiteto, pintor e meu amigo de Brasília)
Às vezes me perguntam se eu não sofro de solidão, porque estando assim tão distante, sem um companheiro ao meu lado etc. Reflito e costumo responder que não. Amores humanos, do tipo romântico por exemplo, são importantes, mas não imprescindíveis. A menos que carreguem em sua bagagem viagens doloridas, contorcidas, coloridas para serem repartidas. Depois, com tantas atividades a me darem prazer, além das flores e das minhas árvores … só bate solidão quando enxergo meu país aos farrapos. Aí é hora de pegar estradas. Afinal, sou caminhoneira, né.
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Observação: Posteriormente farei uma postagem sobre mosaicos e o que de significativo representam para mim. Atualmente os tenho  feito menos detalhados e maiores por conta dos dedos, que já registram uma artrose ou outra. Mas ainda são de MÃOS QUE SENTEM.
Dedicado ao meu querido amigo paulistano Luiz Jacob.
Poesias e texto: Odonir Oliveira
Fotos de arquivo pessoal
Vídeo: Canal Steven Kelly

”Minha namorada”, uma geração

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Assisti no Canal Brasil Minha Namorada, de 1970, 1º filme do diretor Zelito Viana.

MOLDURA

Atuações fracas, atores muito jovens, sem aulas de interpretação – poderiam ser esses os obstáculos para o sucesso do filme. Entretanto, por retratar hábitos e costumes da sociedade carioca dos anos 70, talvez por isso mesmo a atuação amadoríssima e naturalista dos jovens atores soe como um retrato daquele momento. Um registro de costumes e dilemas da juventude. Quase não nos damos conta de que se trata de uma película, e sim de pessoas comuns percorrendo seus caminhos, existindo e como que, por acaso, alguém tenha feito uns instantâneos deles, das aulas de francês – idioma que se valorizava como cultura real – e tantos outros flashes da vida real ali.

Tem, ainda, as atuações corretas de Fernanda Montenegro e de João Dória como os pais da mocinha. Enfim, o filme serve de moldura para uma cena carioca dos anos 70, quando libertação, uso de pílulas, amor vivo e a reinvenção de uma sociedade que, estamentalmente reconhecida, não agradava à nova geração. Geração que não concordava com os valores da hipocrisia social vigentes.

Vale assistir na íntegra. Principalmente os mais jovens que não conheceram, nem viveram num mundo muito diferente desse que hoje existe.

Veja trechos do filme.

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Minha Namorada

Gênero: Filme/ Drama

Sinopse: Adolescente de classe média tem um namorado sério que os pais aprovam. De repente, ela conhece outro rapaz, com quem descobre ter maior identificação.

Elenco: Fernanda Montenegro, Jorge Dória, Arduíno Colassanti, Laura Maria, Ana Maria Magalhães, Pedro Aguinaga, Vera Maria de Paula, Antônio Cristiano

http://www.tvmap.com.br/c516880/Zelito-Viana-80-Anos-Minha-Namorada

FILMOGRAFIA DE ZELITO VIANA

1971 – MINHA NAMORADA

1973 – OS CONDENADOS

1977 – MORTE VIDA SEVERINA

1979 – TERRA DOS ÍNDIOS

1985 – AVAETÉ- SEMENTE DA VINGANÇA

2000 – VILLA-LOBOS-UMA VIDA DE PAIXÃO

2008 – BELA NOITE PARA VOAR

2011 – AUGUSTO BOAL E O TEATRO DO OPRIMIDO

2012 – SONS DA ESPERANÇA

Zelito Viana é irmão de Chico Anísio e pai de Marcos Palmeira

Fonte: http://www.adorocinema.com

1º e 3º Vídeos: Canal luciano hortencio

2º Vídeo: Canal Camila FJ

Às mães tudo se perdoa?

 

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MÃE É MÃE

Carmem. Meu nome é Maria Del Carmo, mas todo mundo me chama de Carmem, eu prefiro.
Quero contar uma história que carrego há algumas décadas comigo. Poucos sabem. Eu quero contar. Posso?
Pode. Fale como desejar, o que desejar, estou te ouvindo.

 

Naquela época lá, eu morava sozinha e me apaixonei por um rapaz lindo, carinhoso, meio frágil, mas ele era tudo que eu sonhei. Começamos a nos encontrar, a relação foi crescendo, fomos nos entendendo. Eu era pouco experiente nesse assunto de sexo. Ele, por ser homem, poderia ser mais. Mas era pouco também. Namorávamos muito, dançávamos, passeávamos, era uma vida muito boa, sabe.

Os meses foram passando. Eu dei a ele, numa caixinha de anel, a chave do meu apartamento numa data especial pra nós. Ele ficou todo vaidoso com aquilo. Parecíamos muito juntos mesmo. Pensei, é esse que eu quero pra ser pai de um filho meu. Não pensei em casamento, nada disso. Confesso, gostava de cozinhar pra ele, de dormirmos e acordarmos juntos, tomarmos nossos longos banhos juntos. Era uma vida boa demais. Aí falei pra ele a coisa de ser pai de um filho meu. Tínhamos a mesma idade, trabalhávamos, éramos adultos. Por que não? Ele gostou muito.

Contei nosso desejo pra uma amiga, que eu tinha feito há pouco mais de um ano e que era vizinha de prédio dele, da mãe, da família. Ela demonstrou alegria. Perguntou se ele também queria, como eu iria criar, sobre pensão e essas coisas mais práticas. Fiquei danada. Eu falando de amor, de procriação, fruto do amor, e ela veio com dinheiro e essas coisas mais. Ora, eu iria criar meu filho, não precisava de homem pra pagar contas não. Precisava era de amor, carinho, atenção. Mas ela tinha uns 15 anos a mais que eu, e já viu né, muito ligada em dinheiro etc.

Você não teve receio da fofoca, quer dizer, de ela ir contar isso pra mãe dele, pra família dele, antes mesmo de vocês dois contarem?

Não. Começamos a nos preparar pra concretizar a ideia. Era um momento muito bom em nossas vidas. Tínhamos amigos que dividiam os mesmos ideais que nós, tínhamos tudo pra ser muito felizes ali. Teve um dia até que cheguei em casa, encontrei um bilhetinho dele, tinha estado lá, tomado uma dose de sua bebida predileta, ouvido Chico, Gonzaguinha, assistido um capítulo da novela. Eu não chegava. Foi embora, e escreveu tudo isso com uma frase amorosa ao final. O encantamento foi enorme. Foi até melhor que encontrá-lo lá. O sabor do amor foi maior, eu acho.

Então, resolveu que iria morar comigo. Como assim? Cama de solteira, casa de solteira, vida de solteira. Arriscamos viver aquilo. Em mês de aniversário, já estávamos juntos. Tudo pronto pra gestar nosso rebento. Na entrada do apartamento, como uma oferenda,  duas botinhas brancas de couro penduradas, tamanho bebê, anunciavam que aguardávamos a vinda do nosso.

Certa noite, ao entrar em casa, achei embaixo da porta um bilhete e um disco, um compacto simples. O bilhete era da mãe dele, ”muito terna”, me pedindo que não engravidasse e, se já estivesse grávida que interrompesse a gravidez, enquanto era tempo. Não seria ”uma boa pro filho dela”, pra vida dele, ainda em início de carreira etc. Deixou o disco do Roberto Carlos de presente, alegando que havia sido dado a ela pelo filho, em um momento de tristeza dela. E que agora seria meu.

Recebi e chorei muito, sabe. Como ela se achava no direito de se meter assim na minha vida? Ela parecia namorada dele, esposa, sei lá, e não mãe. Vivia chamando ele de lindinho, cumprimentava ele com bitoquinhas na boca. Passei a reparar naquilo, coisa que nunca tinha me chamado a atenção antes. Sei lá, mas aquilo era muito louco mesmo. Será que ela estava fazendo aquilo pro bem, que achava que era pro bem?

Eu não sabia ainda, mas já estava grávida. Logo soube. Ele, ao ver o disco, sem o bilhete, reconheceu e quis saber. Fiquei constrangida de contar do bilhete porque tinha aprendido que não se põe filhos contra seus pais. Ele insistiu. Sempre adorou a mãe. Contei. E chorei, claro. Tive medo, medo mesmo de termos de abandonar nossos sonhos etc. Mas não aconteceu isso.

Passadas algumas semanas, foi visitar a mãe. Voltou chocado. Ela havia doado sua cama, seu guarda-roupas, e colocado suas coisas numa caixa grande. Dali pra frente passou a ser minha opositora. Sempre. Até a duvidar que nosso filho fosse do filho dela. Procurou nos separar o quanto pode, buscando outras namoradas, favorecendo situações para que ele se envolvesse com outras mulheres como solteiro e não  como meu companheiro e pai do nosso filho.

Foi assim. Mãe tem direito de interferir assim na vida dos filhos? Eu ouvi uma vez na televisão um psicanalista dizer que “Mãe pode fazer mais mal do que a bomba atômica”. Concordo com ele, viu.

Como você lembra da situação, com detalhes, te marcou muito, pelo visto.

Marcou mais naquela época, quando eu ainda era muito nova e pouco sabia da vida. E de mães. Obrigada por me ouvir.

Por nada, volte quando quiser.

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Texto: Odonir Oliveira

1º Vídeo: Canal Nelson Santiago

2º Vídeo: Canal Sandro M. Silva

Chico Buarque, muito obrigada

Hoje Chico Buarque de Hollanda completa 74 anos.

Sinto que um dia Chico irá embora, mas como ele mesmo disse, no filme Chico Buarque, cidadão brasileiro, ainda tem muitos planos, músicas, livros e roteiros de peças para escrever, só não sabe se terá tempo para tudo isso. E foi rindo, daquele seu jeito, se sacudindo e fazendo as contas de quanto tempo leva para concluir um livro , uma trilha sonora … achou assim que era muita coisa para o pouco tempo que ainda tem pela frente.

Chico, meu amor, eu tive sim bastante tempo para beber você aos golinhos, gota a gota, sofregamente, deliciosamente, gozando de seu lirismo em cada fase da minha vida, desde os 13, 14 anos. Portanto, há mais de meio século. Por isso agradeço por ser brasileiro como eu, por seu posicionamento social e político, sempre coerente e crítico e, principalmente, por trazer um homem com açúcar e com afeto aos meus braços, aos meus olhos, ao meu ventre. Você me percorreu inteiramente, em prosa e verso, durante esses 50 anos.

Saúde a você. E se não criasse mais nada a partir de hoje, não teria a mínima importância, porque seu mundo já preencheu prazerosamente o nosso.

Muito obrigada, nosso Chico.

LIVROS

 

 

 

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CHICO, O BRASILEIRO

Texto: Odonir Oliveira

Tanto os livros quanto as canções expostas não obedeceram ordem cronológica porque Chico não obedece ordem cronológica. Seu texto parece ter sido escrito hoje.

Capas de obras retiradas da Internet

Vídeos do Youtube

Leia também: Chico, as mulheres de si 

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/03/20/chico-buarque-as-mulheres-de-si/

Chico, por isso te amo

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/07/28/chico-buarque-por-isso-te-amo/

Chico Buarque, um ser totalmente explícito

https://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/chico-buarque-um-ser-totalmente-explicito

Poema do dia 18/06/2018

Entre Pontos e Vírgulas, Poesia!

Poema do dia 18/06/2018

Percorri a saudade do teu corpo, em laços de cetim rubros, tudo o que tinha, sem nunca sonhar apenas o amanhã… A vida extingue-se a cada olhar que desviamos, a cada amor que deixamos de sentir nos momentos de pausa…

Mora em mim um outro mar, um rio salgado que me escorre na face, um glaciar gelado plantado no peito, escadas que descem, que sobem, fontes, palmeiras altas e amores-perfeitos! Paredes que me oprimem, espremem, nas escadas que subo na noite, carrego na mão o doce calor do perfume da tua pele, memoria dos dias? No coração apenas saudade, vagueio em mim, por estradas apinhadas de gente!
Eu plenamente cheio da ausência que deixaste e que me preenche as ausências… o Amor é fonte perfeita que me alimenta as faltas e carências, o corpo é vaga quente que me preenche a alma… num espírito que vagueia…

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