”Barbacena, cidade dos loucos”?

ESPECTRO SOCIAL
São loucos os que querem igualdade
São loucos os que pedem justiça
São loucos os que exigem direitos cristalizados
São loucos os que empunham votos expostos
São loucos os que abrem as janelas do novo
São loucos os que aspergem contradições
São loucos os que gritam nas ruas
São loucos os que seduzem olhares, sentires
São loucos os que habitam praças declamando sonhos
São loucos os que assumem vergonhas próprias alhures
São loucos os que percorrem entranhas estranhas e vis
São loucos os que acreditam no todo social justo
São loucos os que expõem suas mazelas em nuvens
São loucos os que sustentam suas teses de paz
São loucos os que recusam moedas e guardam prazeres …

TERRA DE MINAS
Que bondade tem o garoto mineiro que ajuda a carregar embrulhos, mesmo sem precisão…
Que prosaico é aquele “cê bobo” ao final das frases coloquiais …
Que vontade é essa de ficar sentado na praça a tocar causos e prosas até o entardecer…
Que permissivo é esse tom de confidência de quem jamais nos viu antes …
Que adocicado é esse olhar de matutagem espalhado pelas calçadas …
Que coisa caseira é essa que me enternece de água os olhos …
Talvez seja encontro de sangue mineiro com sangue mineiro.
Talvez seja um ponto de vista repleto de montanhas .
Talvez seja essa vontade de encontrar o que uma vez se perdeu em mim.

Sobre Barbacena, leia aqui no blog:

Território de loucos

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2019/11/21/territorio-de-loucos/

Essa Barbacena, cidade mineira

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/04/16/essa-barbacena-cidade-mineira/

Tecendo o amanhã

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/02/15/tecendo-o-amanha/

De perto ninguém é normal

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/01/03/de-perto-ninguem-e-normal/

Tecendo sedas

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2020/05/05/tecendo-sedas/

Barbacena, ela viveu ali

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/01/08/barbacena-ela-viveu-ali/

Dona Augustinha, leve como passarinha

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/04/06/dona-augustinha-leve-como-passarinha/

Feiras livres e belas

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/01/04/feiras-livres-e-belas/

Poesias: Odonir Oliveira

Vídeos: Facebook Prefeitura de Barbacena (série Giro Barbacena)

Loucos por viver

O Louco
Khalil Gibran

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:

Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou:

“É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

“Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


(Do blog do amigo Fabio Ottolini)

Quisera ser um tocador de oboé e despertar isso, que nessa cena assistimos em ”A Missão”

DEDICATÓRIA: Ao amigo blogueiro Fabio Ottolini – que publicou esse lindo texto de Khalil Gibran , em seu blog. (Já havia programado outros versos meus, mas esse profeta me seduz há décadas e esse texto eu nem conhecia). Postei no Facebook, muitos se encantaram e me agradeceram. Ao outro amigo blogueiro Sandro Ernesto que postou seu texto ”Deus Salve os Blogueiros”. https://panografias.com.br/deus-salve-os-blogueiros/. Ao ler, senti como fosse uma bênção a quem escreve, assim como nós, que escrevemos e entregamos tudo de mãos estendidas a quem nos lê. Fiquei muito agradecida a ambos. Abração.

Vídeo: Canal invreview

Mercado livre: negócios de ocasião

VENDE-SE
Carretinha de reboque e engate, novíssimos, com única viagem a Porto Seguro, em dezembro do ano passado, por motivos relativos à pandemia e impossibilidade de se pegar estradas. Muito útil para trabalhos na cidade. Possibilidade de ganhos em tempos de crise.
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1 par de sapatos salto agulha, novíssimo, na cor grená, ainda na caixa de desenganos, de decepções, de desilusões. Atendo no zap 11-9999-9999

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PASSA-SE O PONTO
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VENDE-SE
Coleção de cartas de amor, em envelopes fechados, jamais lidas, jamais enviadas, jamais devolvidas, em estado de novas. Sujeitas à verificação de autenticidade. Muito úteis para quem não possuir facilidade com a escrita. Resolve seu problema de Ctrl C+ Ctrl V. Não perca mais tempo. Sua solução está no zap: 32-9999-9999

DOA-SE
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Textos: Odonir Oliveira

Vídeos:

1-3- 4: Canal Blitz Oficial

2- Canal Herva Doce – Tema

Planeta Sonho

‘Você é saudosista como seu irmão” – diz-me tu. Não, pelo menos não no sentido clichê que costumam usar para depreciação dos que valorizam fatos e momentos já vividos. Reflito, comparo, aprecio, valorizo e sinto os mesmos prazeres daqueles instantes em mim, em meu corpo, em meu espírito. E sigo. Vivo, produzo, semeio, aguardo, vejo as folhas, depois as flores … e me enterneço com os dias. ”Você é tão lúdica, né”. Sou lírica, vivo a vida em poesia – os bem-te-vis que me encontram pelas manhãs, quase pontualmente, não me deixam ser diferente. As maritacas dos fins de tarde, também. As orquídeas que se abrem, não todas de uma vez, como a economizar suas belezas, para nunca me deixarem sem perfumes e cores, idem. Aquela azaleia branca, que transportada de um terreno para outro, ”sentiu”, agora se abre em botões e flores novamente, me ensinando que tudo é cíclico, tudo muda e que há que se saber esperar também. Aprendo com o que vivo, reflito, não me responsabilizo demais, como antes, pelos acontecimentos – ”Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, diz Caetano Veloso. E quando não quero escrever, faço meus mosaicos, meu artesanato, ajardino com terra nova meus canteiros. Os de dentro e os de fora de mim. Desculpe a decepção, mas eu sou assim. Não ”compro nada por menos que isso”.

AFINAL, POESIA É O QUÊ ?
Poesia é um estado de espírito. O poema é algo concreto.
A meu ver, poesia é aquilo a quem o poeta chamou de poesia.
É claro que há procedimentos poéticos como metáforas, que só quem viveu aquilo pode beber delas. Há sonoridades que buscam aproximar o significante: a palavra – de seu significado: o sentido.
Há as repetições de versos, de estruturas iguais ou semelhantes, os desenhos traçados pelas palavras, pelos versos.
Há um colorido particular ou uma certa aridez também.
Reclamam os críticos de que não se faz poesia na maioria das vezes; e sim, prosa. Se as frases fossem colocadas em linhas corridas, ficaria claro não se tratar de poesia e sim de prosa. ”Ora direis …” Quem acham que são tais críticos? Os donos da poética? Ou apenas seguem cânones de clássicos – que têm enorme valor – por suas estruturas poéticas, mas as que conheciam em seu tempo?
Poesia transcende, faz conhecer a quem escreve, ainda que Pessoa se intitulasse um fingidor, estava fingindo que era um fingidor. Para isso, dentro de todas as suas dores e angústias, se multi-facetou em outros. Fingiu ser o que realmente o era – penso eu.
Pode-se preferir ler um jeito de poetar, rejeitar outros. Pode-se ter prazer em escrever por escrever, para estabelecer contato com um leitor, para desaguar sentires, para buscar um editor, para vender livros de poesias, para receber likes. Tudo é possível. Mas não se diminua o que outros escrevem
Como professora de redação, por 4 décadas, jamais menosprezei o que meus alunos escreviam. Jamais fui apenas uma corretora de textos, ou agora um ”editor de texto” em teclas. Respeito o ser que escreve ali. Todos têm seus estágios, de vida, de vivências, e até, de idade.
Gosto de ler os outros. Sempre gostei.

PERTINÊNCIA: Escrevo enquanto lembro. O tempo vai fazendo a gente esquecer. Escrevo enquanto lembro, enquanto sinto …

Textos: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal (de ontem no meu quintal)

Vídeos: Canal 14 Bis – Tema

Teatro em casa: Júlia Medeiros

Atriz e escritora do Grupo de Teatro PONTO DE PARTIDA, de Barbacena, conta a história do livro. Prêmio Jabuti de Literatura Infantil entre outros internacionais também,

A avó amarela em dezembro de 2018

Leia aqui o post que escrevi quando fui ao lançamento do seu livro e conheci a vovó amarela real.

”A personagem que virou gente”

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2019/01/16/a-personagem-que-virou-gente/

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal Sesc São Paulo

Teatro e literatura: Murilo Rubião

A obra do escritor Murilo Rubião permaneceu praticamente desconhecida para o grande público durante mais de três décadas. A reedição do seu livro de contos “O pirotécnico Zacarias”, em 1974, o tiraria do esquecimento, transformando-o praticamente em um best-seller nacional. Entre seus admiradores está o escritor Mário de Andrade (1893-1945) que, em 1943, escreveu que “o mais estranho é o seu dom forte de impor o caso irreal. O mesmo dom de um Kafka: a gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação mais”.

“Memórias do contabilista Pedro Inácio” parte de um fragmento do espetáculo “O amor e outros estranhos rumores” (2011), a terceira montagem do Grupo 3 de Teatro. O espetáculo adaptou três contos do principal escritor brasileiro dedicado exclusivamente ao gênero realismo mágico, Murilo Rubião (1916-91). Nesta adaptação da montagem para o Teatro #EmCasaComSesc, a atriz Débora Falabella vive o contabilista Pedro Inácio, que interpretou no teatro. O texto recebeu nova adaptação de Silvia Gomez e conta com participação especial de Gustavo Vaz, além da direção de Yara de Novaes e luz de Gabriel Fontes Paiva.

Così è (se vi pare) (“Assim é, se lhe parece” ) é o título de uma peça de teatro do escritor italiano Luigi Pirandello, escrita em 1917 e definida por ele mesmo como uma “farsa filosófica”. Como ocorre na maior parte do seu teatro, o autor desenvolve a obra a partir de um relato. Neste caso, a comédia foi extraída do conto La Signora Frola e il Signor Ponza, suo genero (“A senhora Frola e o senhor Ponza, seu genro”). A obra trata o tema da verdade, o contraste entre realidade e aparência, entre verdadeiro e falso. Pirandello põe em cheque a ideia de uma realidade objetiva que possa ser interpretada de modo unívoco através dos instrumentos da racionalidade.
O contexto histórico da obra e sua ambientação estão magistralmente delineados pelo autor. Os fatos transcorrem numa pequena capital de província, o que permite ao autor refletir suas ideias sobre a sociedade pequeno-burguesa, a qual vê como uma jaula, que impõe uma vida miserável e frustrante.
Quanto aos personagens, Pirandello os coloca numa situação paradoxal para demonstrar o contraditório da existência. Para o autor, o homem, apesar de seus esforços, não consegue penetrar até o fim do labirinto das aparências, nem conhecer o que está encerrado nas formas das quais é responsável e por sua vez, prisioneiro. FONTE: Wikipédia

PERTINÊNCIA: Em 1985 em férias no Rio, assisti, no TEATRO DOS QUATRO, à montagem de ”Cosi è (se vi pare)”, ”Assim é (se lhe parece”), com direção de Paulo Betti. No decorrer da encenação, José Wilker teve um acesso de riso que contagiou os colegas, Yara Amaral e outros em cena. Não conseguiam cessar as risadas, o público todo reagiu rindo também. Como não conseguissem retornar ao estágio da encenação em que haviam parado, a plateia começou a ”chamar os deuses”, aplaudindo, incessantemente e sufocando as risadas dos atores. Deu certo. Concentraram-se, retomaram a ação e foram até o final.

Foto de arquivo pessoal

Imagens retiradas da Internet

Vídeo: Canal Sesc São Paulo

Corpos e almas

DAS DESESPERANÇAS
Ao acordar um desmotivo latente
ao acordar um desmanche de planos
Ao levantar uma desconfiança universal
ao levantar um desapego abissal
Ao caminhar um desconforto no coletivo
ao caminhar uma tristeza contínua
Ao ser, uma vontade de não estar
A espera das mãos dadas
A espera do abraço apertado
A espera do riso especial
Quem traz?
Quem revela?
Quem se entrega?
Corre, se atira
beija
abraça
está
fica

Instituto Moinho Cultural, em um vídeo especialmente gravado durante o período de distanciamento social. A música “La Muerte del Ángel”, do compositor argentino Astor Piazzolla (1921-1992), foi escolhida para fazer essa ponte entre Ouro Preto-MG e Corumbá-MS.

De casa, o Maestro Rodrigo Toffolo, os músicos da Orquestra e os bailarinos, da Cia de Dança do Pantanal gravaram suas interpretações e mostraram toda a beleza desse intercâmbio artístico como uma forma de acalentar o coração do público nesses dias de incertezas. O desafio era fazer algo inédito que trouxesse o movimento da dança para ilustrar toda a dramaticidade da música do compositor argentino. O resultado é um vídeo cheio de vida, inspiração e que abre os olhos para novas perspectivas.

“Essa troca de experiências entre as instituições é um intercâmbio rico e complementar, que trouxe traduções interpretativas diferentes e cheias de personalidade. Um encontro fértil entre partes distintas, que demonstra com clareza que a união, por meio do fomento cultural, acelera o desenvolvimento artístico, humanístico e, consequentemente, o social. E toda jornada tende a ser mais prazerosa em boa companhia”, destacou o Maestro Rodrigo Toffolo.

Com patrocínio da Vale através da Lei Federal de Incentivo a Cultura, a Orquestra Ouro Preto atua, por meio do Programa Vale Música, na formação musical de crianças e adolescentes nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará. A Cia. de Dança do Pantanal é um projeto do Instituto Moinho Cultural que atua com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco social, tendo já beneficiado mais de 20 mil pessoas.

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Poesia: Odonir Oliveira

Vídeo: Canal Orquestra Ouro Preto

Teatro grego: uma Medeia contemporânea

“Preciso que me escutem!”, diz uma Medeia tomada pela febre, em sua primeira fala na peça “Mata Teu Pai”, da dramaturga Grace Passô, que volta ao mito da feiticeira grega, trazendo-o aos dias atuais para discutir a condição da mulher na sociedade contemporânea. A Medeia interpretada por Debora Lamm no teatro e nesta adaptação para o #EmCasaComSesc vive em meio aos escombros de uma cidade por onde peregrina e encontra mulheres de diferentes localidades – síria, cubana, paulista, judia, haitiana – e vê a si na mesma condição de imigrante. Nessa jornada, Medeia percorre um caminho interior, onde decide que quem tem que morrer é Ele, fazendo uma alusão direta ao patriarcado. Com 22 anos de carreira, Debora Lamm já participou de mais de 40 espetáculos como atriz e diretora. Recebeu onze indicações aos principais prêmios de teatro e cinco prêmios no currículo. Também é integrante e fundadora da Cia OmondÉ, que completa 10 anos. Uma das principais dramaturgas da nova geração, Grace Passô, com “Mata teu pai” inaugura uma nova perspectiva e versão para o mito grego de Medeia, conhecida mundialmente a partir da tragédia clássica de Eurípides. Passô é também a autora de “Amores surdos” e “Vaga carne”.

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal Sesc São Paulo