(N)A terceira margem do rio: a de dentro

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– Pai, cadê o rio que tinha aqui, pai?!

– A lama varreu, filho, o ferro lambeu.

– Mas como foi isso, meu pai?!

– Filho, isso começou quando …. 

 

A TERCEIRA MARGEM DO RIO , Guimarães Rosa

” Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

 Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s’embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

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No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a ideia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o ‘dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele aguentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pelos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

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Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — “Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim…”; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

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Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando ideia.

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Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — “Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto… Agora, o senhor vem, não carece mais… O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!…” E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

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Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n’água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia… Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

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Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.”

Esse post pretende homenagear a atores como Renato TouzPin, que ainda acreditam no Brasil, na literatura brasileira e em seus artistas.

Nele há vídeos que denunciam a morte do rio Doce, em MG e no ES.

G. Rosa choraria, como o fizemos nós nos últimos anos.

 

Texto extraído do livro “Primeiras Estórias”, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1988, pág. 32

1º Vídeo: Canal LUBOR

Demais vídeos: Canal jnscam

Fotos de Renato TouzPin, do brilhante espetáculo “A terceira margem do rio: a de dentro”

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Serviço e contatos:

Cia. Teatral Letras de Rosa

http://touzpin.wixsite.com/aterceiramargemdorio 

Leia também: https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/12/29/a-colheita-e-comum-mas-o-capinar-e-sozinho-g-rosa/

 

“A criança é pai do homem”

Το παιδί είναι ο πατέρας του ανθρώπου. (William Wordsworth)

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” My heart leaps up when I behold
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety.

(“My Heart Leaps Up”, também conhecido como “the Rainbow”, 1802)

William Wordsworth (1770 – 1850)

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Fotos de arquivo pessoal – julho de 2017

1º Vídeo: Canal United Tribes

2º Vídeo: Canal TMusicaCanal

 

Porque amo teatro

O florescimento da tragédia no século V a.C. na Grécia, acompanhou o desenvolvimento do logos, do pensamento grego. Ésquilo, Sófocles e Eurípedes nos legaram os grandes mitos, as representações do humano em suas misérias e sua catarse, fomentando naturalmente a representação teatral. Depois a comédia  de Aristófanes veio para suavizar, porém acidamente, as encenações. O coro  era um personagem e não apenas um backing vocal, como nas bandas de música. Apenas homens eram atores, por isso usavam as máscaras, personasque não deixavam dúvidas sobre quem estava se expressando. Ler as tragédias gregas, diferentemente de se ler quaisquer outras peças teatrais, é ENCANTAR-SE. É ENCANTAR-SE por revolverem nossas mais profundas camadas do existir; estão centradas nas palavras, mais do que nas atuações – o que não ocorre com os demais textos teatrais. Shakespeare aproxima-se nisso dos gregos também.

A plateia lotava os festivais de verão, celebrando a colheita e, quase sempre, sabiam de cor os textos encenados, declamando junto com os atores. A catarse  coletiva purgava dores e sentires e revelava a função do teatro. Antonin Artaud, em seu O teatro e seu duplo, explora bem tais aspectos.

AS MÁSCARAS NO TEATRO GREGO

Ir ao teatro faz bem… tão bem quanto uma boa sessão de terapia, até porque é ARTE e ARTE exerce poder de magia sobre nós.

O Festival Nacional de Teatro de Barbacena vai fascinar plateias mineiras durante o período de 22 a 30 de julho.

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Contaremos aqui com grupos de outras cidades mineiras, como também com os de algumas cidades do Rio de Janeiro.

Acredito na formação de público como fundamental para qualquer apreciação cultural e artística. Havemos de ensinar a gostar, a saborear a arte, caso tenhamos como intenção verdadeira a valorização de nosso patrimônio e, consequentemente, de sua preservação.

Desenvolvi na cidade de São Paulo, com crianças e jovens, alguns projetos de formação de público para o teatro, para espetáculos de música popular e erudita, e obtivemos muitos bons resultados, saibam todos.

É preciso OFERECER CULTURA. A escolha de qual delas a  plateia preferirá é com ela. Mas é preciso ofertar CULTURA, e gratuitamente, inclusive.

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Ver aqui:

https://www.facebook.com/events/275607489569656/permalink/297782030685535/

Programação completa aqui: http://www.barbacenaonline.com.br/noticia/cultura/programacao-do-festival-nacional-de-teatro-em-barbacena

Vídeo Canal Felipe Ramos (Basta um dia, de Chico Buarque para o espetáculo Gota D’água, de 1977, baseado na tragédia grega Medeia, de Eurípedes).

Nada sei de amor …

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Queridos,

Nada sei desse sentimento, me dizia Roberto Freire, terapeuta e amigo. Nada sei também.

Surpreendida pela manhã por uma dessas animações abaixo,  trazida por uma ex-aluna, hoje mulher ardida como pimenta – como gosto – voltei a querer escrever sobre isso.

Creiam que o AMOR, assim maiúsculo, deve repousar na parceria, no compartilhamento. Sabe aquela vontade que se tem de saber o que o ser amado pensa sobre algo, sobre como sente algo, como reagiria a algo, se fosse você em determinada situação? Então, outras pessoas poderão também responder com sabedoria a essas suas questões, não é? Entretanto, as respostas do ser amado têm para você valor muito maior, muito mais consideração e peso. Nessa situação, não há remédio, nem elixir depurador… já sabem, há aí respeito ao outro, confiança, admiração, ternura, perdão, compreensão e compaixão até.

Atração física tem peso enorme sim, ainda mais nessa idade em que vocês se encontram no auge de seus poderes de sedução, são ímãs deliciosos ao outro. Mais tarde entenderão que as atrações são muitas, muitas mesmo. Além das físicas e naturais. Se não for assim, nada se sustentará, acreditem. Não me refiro apenas a seus casamentos, relações estáveis etc. refiro-me ao AMOR.

No decorrer da vida conheceremos muitas pessoas que nos encantarão. Algumas levaremos conosco para sempre, estejam casadas com a gente, estejam em nossos enamoramentos eternos, estejam vivas ou até mortas. Amar transcende. Claro que é preciso tocar o outro, beijá-lo, abraçá-lo, tê-lo em si fisicamente. É claro que é assim.

Assim também é tê-lo em si de forma maior, reparem naquelas pessoas que carregam seu AMOR para sempre, mesmo após seus seres amados terem falecido …

Margareth postou, na animação, a situação de não se ter tempo para o amor, não foi? Pois é, queridos, gastem tempo com o AMOR, aninhem-se no colo alheio, toquem-no, beijem-no, acariciem-no, deliciem-se com seus entes amados. Gastem tempo nisso. Em silêncio, com música que sugira reflexão, contemplação e prazer fica ainda melhor. E sintam.

Sei que tudo isso pode ser romantismo demais, exagero demais, conversa de gente mais velha … pode ser, pode ser…

Sejam felizes, AMEM muito.

Com carinho,

Odonir

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Dedicado à querida ex-aluna, Margareth Canotilho, ardida como pimenta. Seja feliz o quanto der e puder. Te admiro, mulher.

Texto: Odonir Oliveira

Foto de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal Away Teste

2º Vídeo: Canal Carlos Netto

3º Vídeo: Canal xistruta

4º Vídeo: Canal Edgard Couto

5º Vídeo: Canal Snoopy Brasil

6º Vídeo: Canal Granuhha

Somos trovadores … urbanos

Na Idade Média trovadores eram aqueles que compunham, e jograis os que executavam as canções. Os trovadores eram nobres, e os jograis pessoas de origem plebeia – às vezes compondo também. Escrever poesias e inserir nelas música era algo belo, mágico, quase sagrado, no sentido criador.

Conheci os Trovadores Urbanos, em São Paulo, logo que formaram o grupo. Durante quase uma década passei em frente ao seu núcleo, em Perdizes, zona oeste paulistana. Era como passar na frente de um castelo medieval que agasalha a mítica e poderosa doçura das canções.

Outras vezes pude assistir a suas apresentações pela cidade fosse em aniversários, comemorações de datas significativas … como beija-flores que vão retirando o doce de cada uma, devolvendo lirismo, aspergindo sentimentalidades, colorindo a cinzenta terra da garoa de alegria.

Depois gravaram CDs, começaram a fazer seus shows …  há registros com Sílvio Caldas, Toquinho, Guilherme Arantes, entre outros.

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No mês de junho, as sessões abertas para o público, ser trovador também, homenageiam os namorados. São encontros maravilhosos onde e quando todos cantam e se encantam juntos, sem quaisquer preocupações com afinação etc. São momentos nos quais todos se esquecem de que a vida é árida e agreste, e pode ser salpicada por nossa afetividade, excluindo-se diferenças muitas vezes impostas a nós, mas sem qualquer justificativa.

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Somos todos trovadores e temos em nós essa poção trazida pelos beija-flores.

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Vídeos do Canal oficial dos Trovadores Urbanos: https://www.youtube.com/user/trovadoresoficial

Gravamos uma inserção em que agradeço a existência desse grupo fenomenal, no Facebook

 

 

 

Chico, 73 anos

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Chico Buarque, 73 anos

Chico. Bastaria escrever Chico e todos saberiam de quem estamos falando. Chico é ícone , domínio público, no sentido mais exemplar. Escreva-se Chico disse, Chico esteve presente, Chico assinou. Basta. Todos já saberão de que Chico estamos falando.

Trata-se de um HOMEM EXPLÍCITO. Explícito no seu sentir, no seu ser e estar. Quem duvidaria do HOMEM CHICO BUARQUE? Sempre claro em suas posturas e procederes, sempre de frente, enfrentando o que tem que ser enfrentado.

Na verdade, creio que Chico seja uma ameaça a muitos que sequer chegam próximo de sua conduta moral, ética, humana. É modelo de SER HUMANO. Tem imperfeições em sua perfeição e isso o torna um deus grego, daqueles cheinhos de humanidades.

Amo o artista e sobretudo o ser humano FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA, o nosso CHICO.

Parabéns, meu artista brasileiro.

Foto: Luiz de Campos Jr – amanhecer do dia 19/6/2017

1º Vídeo: Canal Tauil

2º e 3º Vídeos: Canal Biscoito Fino