Meninos, vamos à luta?

À  LUTA

Odonir Oliveira

 

Ei você aí que tem

Ei você aí que viu

Ei você aí que recebeu

Ouve um lamento

Ouve um pedido

Ouve um direito.

 

Ei você aí que sabe

Ei você aí que usufruiu

Ei você aí que possui

Ouve um desejo

Ouve um sonho

Ouve uma vontade.

 

As paredes e os muros

deveriam ser etéreos apenas.

IGUALDADES SEMEADAS

Em todos os anos em que lecionei em São Paulo, estive entre os meninos das escolas  estaduais de Carapicuíba e as particulares da Granja Viana e depois na Vila Romana. Estive nas escolas municipais entre os jovens do Jardim Santo Elias, em Pirituba, e os do Morumbi. Sempre rompendo muros de um lado e de outro com a mesma força. Integrando alunos dos bairros ricos aos dos bairros pobres, com campanhas de doações de livros, de socialização das conquistas de uns a outros, com visitas aos mesmos equipamentos culturais ao lado de uns e de outros. E comigo outros tantos colegas de ofício.

Sentia que não eram uns e outros, mas apenas eles e eu, eles e o mundo, eles e a vida em São Paulo e no mundo.

Aprendia com eles, enquanto lhes ensinava as coisas mais elaboradas do conhecimento formal e ao mesmo também aprendia quando me ensinavam como eram, aquilo que queriam, como se sentiam.

Em 40 anos de ensino, pude, como poucos, medir e sentir as diferenças entre o tratamento dado a pobres e ricos, os valores ensinados em suas famílias, as dificuldades de relacionamento entre “os mais iguais e entre os mais diferentes”. Antes dos rolezinhos concretos, constatei rolezinhos emocionais, religiosos, funcionais e suas diversas formas de repressão.

Certa vez, jovens adultos alunos de escolas da periferia de SP foram convidados a se sentar no chão do Theatro Municipal para não sujarem as cadeiras do salão nobre. Aconteceu quando estava na Secretaria de Cultura, desenvolvendo “Educação é cultura”, em que eu elaborava projetos pedagógicos a serem desenvolvidos por professores em suas escolas, envolvendo todas as disciplinas – preparando os alunos , recheando-os- para o saboreio de um espetáculo teatral, de uma apresentação de coral lírico ou de música de câmara. Para que tivessem acesso a tudo o que é de todos. Um teatro municipal, literalmente, pertence aos munícipes, portanto há que se frequentá-los.

Occupy, occupy!!!

Quando receberam material escolar “de graça” e também uniformes nas escolas municipais, procurei elaborar projetos pedagógicos globais – com todas as disciplinas – para que calculassem quanto havia custado tudo aquilo aos cofres públicos, como deveriam ser conservados etc.o mesmo com a merenda escolar, lembrando aos meninos sempre que tudo aquilo estava sendo pago pelos impostos de todos os cidadãos, por aqueles que mantinham seus filhos nas escolas públicas ou não. Trabalhando sempre o conceito de cidadania, de igualdade cidadã . E isso eu levava para a parte pedagógica também. Aulas bem preparadas e bem executadas para os mais pobres e para os mais ricos também. Retornos sempre melhores entre os mais pobres, é claro. Muito mais valorizada como professora, me sentia poderosa e “vitaminada” por seus abraços e afagos cotidianos. Aprendi a gostar de ser autora de meus projetos, de minhas aulas diferenciadas, de estudar mais em momentos em que poderia estar me divertindo apenas, e com merecimento. Mas lecionar SEMPRE FOI PRAZER MAIÚSCULO!

Então, durante todos esses anos aprendi com meus companheiros de ofício a fazer aulas mais dignas de nossos alunos, fosse nas periferias com meninos  fora da faixa etária adequada,  com jovens carentes de afeto e em situação de abandono ou de semi-abandono, quer por pais nas favelas quer por pais em Miami e Paris…

Cresci vendo, e digo cresci porque cresci mesmo, no sentido mais alto, ao me misturar com gente. Ao compreender gente. Ao quebrar a cabeça pra romper muros e ensinar a nós mesmos a aprender a ser GENTE, assim maiúscula mesmo.

Creio que a educação tenha muita força. As escolas podem mudar  esse estado trágico de coisas que se vê, principalmente em SP, por falta de informação, formação ou até mesmo de simples esclarecimentos. Não sozinha, professor sozinho faz pouco para poucos, mas juntos… fazem muito para muitos. Testado e comprovado!

Não podemos perder pra uma rede de televisão ou duas, pra um, dois, três jornais, pra uma, duas, três revistas. SOMOS MAIS E MELHORES QUE ELES NO SENTIDO CIDADÃO E COLETIVO DO SER!!!

“Então, levanta e anda, levanta e anda, vai!”

VÊM APRENDER, MENINOS

Odonir Oliveira

 

chega, conhece

aprende

pergunta

dialoga

pergunta

responde

confronta

explica

reflete

pergunta

discute

argumenta

ouve

aprende.

Faz!

COMUNHÃO

Odonir Oliveira

 

bebe verso

come letra

sorve número

mastiga a história

namora a ciência

acorda com a geografia

aprecia a letra e a música

desenha a geometria dos sons e dos signos

encanta-te com as descobertas todas os dias

porque todo dia tem um futuro novo pra você.

Post dedicado a TODOS OS PROFESSORES BRASILEIROS.

Imagens da internet.

Chico Buarque, as mulheres de si

CHICO, EU TE AMO !
Chico é um homem totalmente explícito.
Explico: entorna lirismo que nasce de um sujeito masculino, feminino, heterossexual, homossexual, marginal…
Derrama o escondido, o camuflado, o cabotino, em torrentes caudalosas sobre nós.
Chico explicita os eus de nós da forma mais bela. Liricamente.
“Passas sem ter teu vigia/ Catando a poesia / Que entornas no chão”

Outro dia me recomendaram não adicionar músicas de Chico aqui junto às minhas poesias, as ofuscariam, talvez. Refuto isso. AMO CHICO. Ele foi, é e será sempre meu inspirador. Desobedeço, portanto.

ESTAS ELAS

Odonir Oliveira

 

“Ele sabe dos segredos que ninguém ensina”

“Cala a boca, Bárbara”

Mastigue suas dores

Degluta seu sofrimento

Engula sua revolta.

 

“A vida é luta renhida

Viver é lutar”

Tropece em seus céus

Rasgue suas estrelas

Jogue fora suas bandeiras

Enrole seus tapetes de justiça

Encare seus tormentos

Por esses mares nunca dantes navegados

De novo.

MADRUGADAS

Odonir Oliveira

 

Quem está aí?

Ah, é você.

Entre. Fique imóvel.

Mantenha as mãos para trás.

Ouça.

Sinta.

Veja.

 

Quem é essa mulher?

pimenta rícino fel sangue

Quem é essa mulher?

pedra pau cuspe veneno

Quem é essa mulher?

tango rima ritmo gozo

Quem é essa mulher?

fogo ventre peito bunda

Quem é essa mulher?

vômito catarro urina suor

Quem é essa mulher?

céu-inferno manto sangrento

Quem é essa mulher?

ódio inveja rancor estupor

Quem é essa mulher?

 

Quem está aí?

Ah, é você.

Entre.

Ouça.

Sinta.

Veja.

 

UM POEMA DE AMOR

Odonir Oliveira

 

Ah, que demorem essas noites a chegar,

que fiquem as tardes, congeladas, com o ardor de seus beijos,

que permaneçam em meu dorso seus toques firmes

que em meus ouvidos cristalizem-se suas palavras todas

que seu rosto, como um som, repercuta em meu colo

que  suas mãos cálidas entorpeçam minha voz incapaz

que seus pés se sobreponham aos meus como se me sustentassem a alma

que seus braços me envolvam com ternura e firmeza como um laço

que sua boca nada mais diga a não ser sussurros e apelos de ais

que seus olhos se fechem a apenas enxergar sabor em mim

que seus encantos estrangeiros e únicos não se percam com o escurecer

que sua língua armazene senhas de contato insubstituíveis

que seus dedos deslizem como seda no percurso de mim

que suas delicadas e sensíveis marcas se descubram por mim

que eu possa escurecer, com você, à chegada da primeira estrela.

INGENUIDADE

Odonir Oliveira

 

Flores do campo

Lagos e lagoas

Rios e versos

Cilada no tempo

Cilada de outono

Cilada em pontes queimadas

Cilada em árvores floridas

Cilada em palavras cofre

Cabotinismo semeado

Ingenuidade aflorada

Sedução

Jogo

Ludismos de estações em estações

Mediocridades contumazes.

Pobreza de sentimentos

Ciladas em vielas, em becos de estio.

QUANDO MEU AMOR VIER

Odonir Oliveira

 

Olharei em seus olhos

e lhe entregarei minha fala

em poucas palavras porque já conhece quase todas.

 

Tocarei em seu dorso

alisarei seus braços seu rosto e seus ombros

e sentirei que é de verdade um homem.

 

Subirei com ele

vagarosamente

meus degraus,

um a um,

para que sinta meu andar

meu jeito de ser uma mulher.

 

Oferecerei a ele meu vinho,

sem mesmo saber se de vinho ele gosta.

Sentarei com ele sobre o sofá,

colarei meu corpo ao seu,

entregarei a ele minha boca

porque dela sei que gostará.

 

Quando meu amor vier,

poderei dizer a ele,

e exclusivamente a ele,

– Estou perdidamente apaixonada por você !

PREDICATIVOS DO SUJEITO

Odonir Oliveira

 

 Meu pensar é um desafio

Meus caminhar é uma manhã

Meu joelho é uma maratona

Minhas pernas são um ímpeto

Meus braços são um berço

Minhas costas são um tronco

Meus pés são uma rota

Meus falares são cantares

Minhas mãos são meu refúgio

Meus seios são um cais.

Meu deitar é um encantamento

Meu colo é um desejo

Minha pele é uma fogueira

Meu umbigo é um aconselhamento

 

Meu coração

é um verso.

BLUES DE ESTAÇÃO

Odonir Oliveira

 

pequeninas grandes

novinhas tenras

rijas macias

leves suaves

perfumadas aromatizadas

sagradas profanas

atrativas novidades

saborosas leviandades

prazeres ácidos

prazeres doces

prazeres uns

prazeres outros

prazeres

EXÍLIOS

Odonir Oliveira

 

exílios voluntários

exílio de coxas quentes

exílio de costas largas

exílio de pés enormes

exílio de mãos atrevidas

exílio de ventre berço

exílio de braços laços

exílio de membro aderente

exílio de pescoço salgado

exílio de orelhas atraentes

exílio de olhos mudos

exílio de cabelos outros

exílio de língua sonora

exílio de lábios profanos

exílio de boca sagrada

exílio de corpos nus

exílio de corpos nós

exílio de medos

exílio de gozo

exílio de tantos.

Canal: Odonir Oliveira

TARDE

Odonir Oliveira

 

A vidente avisara,

há décadas,

chegaria tarde.

 

Viria sem avisar

Absorveria dias, tardes e noites

Nada simples

Nada fácil

Nada certo.

 

A vidente advertira.

Viria sem botas nem botes

Viria sem rosto, mãos, nem pés.

Viria sem planos nem rastros

Viria sem aroma nem cor

Viria sem quentes nem frios

Viria inconcebível, insuspeitável, impossível.

 

A vidente vaticinara

Era tarde.

TRAVESSIAS

Odonir Oliveira

 

Vivo assim, sempre em travessias.

São rios, lagos e pontes.

São ruas, avenidas e estradas.

Vivo transpondo, atravessando, indo, seguindo.

Não há paradeiros

Não há desembarques

Não há estações nem portos.

Estou sempre em trânsito.

 

Meu trem não é de pouso.

Meu trem é de carga.

CABRA

Odonir Oliveira

 

Cabras machos

Mulheres de grelo duro

Jovens de peito estufado

Crianças esperançosas

 

Cabra macho

Resiste à faca

Resiste a cassetete

Resiste à Injusta

Resiste à máquina de ilusão

 

Cabra macho brasileiro

Tem sangue nas veias e nos olhos

Quer a Justa.

 

Resiste.

Resistimos.

Resistamos.

MARIA

Odonir Oliveira

 

Bebe veneno no frio

come veneno no calor

cheira veneno no quintal

olha a lua

fala com as estrelas.

 

Chora com as ondas

soluça com as serras

engasga com o sol.

descama com a fumaça.

 

Sofre com incertezas

emagrece com torpezas

engorda com durezas

desfaz-se em friezas.

 

Maria

faz travessias na garupa do cavalo torpe

que lhe encilha a alma.

NEGATIVAS

Odonir Oliveira

 

Não recebe

Não entrega

Não sabe

Não revela

Não conta

Não constrói

Não declara

Não aceita.

 

Devolve

Regurgita

Expele

Expurga

Expatria.

 

Perfura o peito

Perfura o seio

Perfura a existência.

 

Quão dessemelhado!

AMOR QUE HAVERIA

Odonir Oliveira

 

“É um filme kafkaniano”,

entrega o Ele.

“Eu diria que é uma comédia romântica”,

complementa a Ela.

 

Ela que caminhou por espaços íngremes

entende que os amores são múltiplos, concomitantes, diversos entre si.

O amor é um poliamor.

 

Ele acredita que cada tem sua história anterior que interfere.

Ela acredita que é amor aquilo entre os dois.

Ele pensa que o amor é simples, não é necessário ser complexo.

Ela duvida disso e pensa que o que Ele diz não é exatamente o que sente.

 

Ela carece dEle.

Ele bebe outros lábios e não carece dEla.

Ela se ressente de não ter podido tocar nEle e mostrar-se Ela, como é.

Ele nunca mostrou interesse em que Ela mostrasse  como é.

Apesar disso, há sons e imagens sensíveis que povoam um universo inteiro

entre Ele e Ela.

 

Negar o óbvio é fuga.

Negar o óbvio é medo.

Negar o óbvio é preferir o simples.

“Nada vai mudar meu mundo”- sentencia Ele.

“Tudo já mudou o meu” – declara Ela.

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SIM

Odonir Oliveira

 

Sim, porque “eu te amo”

Sim, porque eu te amo, dei pra gostar de músicas de amor, outra vez;

Sim, porque eu te amo, dei pra gostar de cartas de amor, ora em nuvem;

Sim, porque eu te amo, dei pra conversar com as flores, os pássaros, os bichos que percorrem os caminhos;

Sim, porque eu te amo, dei pra recordar sorrisos e alegrias e piadas tolinhas outrora ouvidas;

Sim, porque eu te amo, dei pra adorar vegetais, verduras, pratos coloridos em geral;

Sim, porque eu te amo, voltei a ver os filmes que já vi, os que nunca vi e desejar fazer outros tantos;

Sim, porque eu te amo, encontro gente que me sorri adivinhando meu estado de constante prenhes amorosa;

Sim, porque eu te amo, fico a namorar a chuva pela janela, a ver escorrer enxurradas de barquinhos invisíveis …

Sim, porque eu te amo, abro sorrisos largos, antes desconhecidos;

Sim, porque eu te amo, dei pra dormir menos e viver mais;

Sim, porque eu te amo, passei a fertilizar a terra, a polvilhar nela sementes de abacateiros, ameixeiras, limoeiros, passiflora ardente;

Sim, porque eu te amo, espero o entardecer, o sol se por e o dia raiar de novo a suspirar;

Sim, porque eu te amo, dei pra aceitar mais as diferenças entre as pessoas, o percurso de cada uma, a beleza das animas;

Sim, porque eu te amo, encontro nas montanhas companhia solene para a reflexão, o assobiar dos bem-te-vis e a oratória das maritacas;

Sim, porque eu te amo, abro mão da cotidiana cobrança do ser e estar, do compulsório e eterno ressarcimento de tempo e espaço;

Sim, porque eu te amo entrego, em pacotes, manifestações de afeto e alegria como mínima  retribuição pelos sonhos sonhados;

Sim, porque eu te amo, entorno rios de lágrimas pela insegurança do meu amor e não do teu;

Sim, porque eu te amo, não me permito ser mais frágil como antes o fui e não polir esse último e único brilhante;

Sim, porque eu te amo, contraio vontades inusitadas de dirigir por estradas a esmo, easyridermente;

Sim, porque eu te amo, aguardo o sono e os sonhos em que símbolos e sons compartilharão sensações indefinidas, irracionais, incompreensivelmente deleitáveis;

Sim, porque eu te amo, conheço espaços nunca antes percorridos,  sabores nunca antes encontrados, sensações nunca antes experimentadas;

Sim, porque eu te amo, sei que estás no todo do meu caminhar e descubro que és a outra parte de mim em mim.

Sim porque eu te amo.

AMAR É O QUÊ ?

Odonir Oliveira

 

Ah, meu amor

eu não esperava mais amar.

 

Amar é difícil:

ficamos frágeis, inseguros, duvidosos.

Amar faz-nos ciumentos do que antes não éramos

Amar deixa marcas jamais cicatrizáveis

Amar faz entregar aos outros nossas incapacidades.

 

Amar nos torna

compulsórios demais,

cotidianos demais,

corriqueiros demais.

 

Amar nos faz beber lirismo

em um copo

em um livro

em uma flor

em uma risada tola.

 

Amar é um sentimento,

é uma parte,

é uma fase,

é uma tormentosa viagem

em um oceano a esmo,

é um deleite de senhas descobertas,

é um sentar-se ao lado, nos silêncios compartilhados?

 

Amar se parece com o quê?

 

Com um corpo dentro do outro

como encaixe de engrenagens que se integram

oferecendo trabalho?

Com um tempero harmonioso de manjericão, alecrim e salsa?

Com água de cachoeira pesando nos ombros

qual chicotadas de ânimo?

Com perfume de mãos deslizantes sobre flores delicadas?

 

Amar se parece com o quê?

Ah, meu amor

eu não esperava mais amar.

NÃO SEI ESCREVER SEM SENTIR

Odonir Oliveira

 

Não sou um fingidor

Não finjo sinceramente

Não furto lágrimas e risos de outros

Não absorvo dores alheias apenas

Sorvo as minhas nas deles e as deles passando pelas minhas.

Não sou um fingidor

Não sei fingir completamente

A dor que deverás sentem.

 

Dedicado ao maior amor da minha vida inteirinha, CHICO BUARQUE. (Bethânia que me desculpe).

Eta mundo velho sem porteira …

MUNDO VELHO SEM PORTEIRA

Sérgio Ricardo

Chora o apito
Recordação
De coisa viva
No coração

Ê mundo velho
Êta mundo sem porteira
Vou me levando
No retão da lembranceira
Minha dor é como a lenha
Numa caldeira
E a saudade um trem de carga
Sem passageira.

CALADA

Odonir Oliveira

fique calada

escreva pouco

sem rima

sem ritmo

sem cor

sem dor

sem vento nem sol

calada sufocada amordaçada.

MIGALHAS

Odonir Oliveira

Recolhe migalhas cheirosas

Segue as pistas

Apanha as sobras

Contenta-te com isso

Amanhã terás mais

Espera

Anseia

Angustia-te

Chora

Enlouquece

Sangra

Alhures o pote de mel!

CORPO

Odonir Oliveira

 

Disse que vinha

Avisou que vinha

Mostrou o mapa.

Riscou o céu estrela cadente

Semeou palavras e sinfonias

Tereza acreditou.

Tereza bebeu grandes goles

Tereza comeu fatias adocicadas.

Tereza foi a caminho

Tereza perseguiu o apito do trem

Tereza acatou o sinal do trem.

Tereza entregou-se aos trilhos.

INGENUIDADE

Odonir Oliveira

 

Flores do campo

Lagos e lagoas

Rios e versos

Cilada no tempo

Cilada de outono

Cilada em pontes queimadas

Cilada em árvores floridas

Cilada em palavras cofre

Cabotinismo semeado

Ingenuidade aflorada

Sedução

Jogo

Ludismos de estações em estações

Mediocridades contumazes.

Pobreza de sentimentos

Ciladas em vielas, em becos de estio.

CAROLINA

Odonir Oliveira

 

É ferina.

É bambina.

É fina

É cortina

É felina

Grã-fina

Bambina

De prima

Matreira

Ofídica,

Traiçoeira

Capitu de si

Bentinho de si.

Holofotes em si.

Carolina é sabida e não sábia.

Carolina é golpista, arrivista

Fêmina em vista

Carolina é fatal

Carolina é sinistra

Carolina dispensa rótulos

Carolina tem fel em embalagem de mel

Carolina é uma delícia!

DUAS

Odonir Oliveira

Bárbara, pragmática

Cora, fanática.

Bárbara, feromônios

Cora, heterônimos

Bárbara, números códigos fórmulas

Cora, dedos asas ondas

Bárbara, a marcha, o grito, o assomo

Cora, o passo, o sussurro, o recuo.

Bárbara é falo, língua, suor

Cora é fato, pele e torpor.

Bárbara laça, seduz, sequestra.

Cora enlaça, seduz, acalanta.

APITO DE TREM

Odonir Oliveira

Soou.

Elucidou

Sinistra seita essa dos trens

Sinistra seita essa dos trilhos

Sinistra seita essa dos escombros de imagens

Sinistra senha essa dos incêndios de barracos.

Sinistra senha essa de cinzas de sentimentos.

Sinistra senha essa de pactos com bruxos e anjos.

Sinistra seita essa de senhas disfarces de canhestros seres

Sinistra seita essa de máscaras de ocasião em teatros da vida.

Sinistra seita essa de ocultação de cadáveres vivos em almas mortas.

FEBRE

Odonir Oliveira

 

quarenta graus

feridas purulentas

dor aguda

fisgadas no peito

pus em escarro

fétidos pés

doloridos olhos

sangrentos joelhos

crucificação diária

tortura matutina

covardia de gestos

suicídios vespertinos

anseios de mastros

cadafalsos de projetos

aviltamentos noturnos

compassos abertos

feridas expostas.

Dor de parto.

Dor de rim.

Dor de coronárias.

Dor de viver

Esmagada nos trilhos.

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Dedicado a TODOS os ex-sentimentos de mulheres de carne e osso..

A PAZ ! Eu fico com a resposta das crianças …”

Canal: renatinhaalbino

Esperando a PAZ nas ruas, no campo, nas estradas, entre irmãos que falam o mesmo idioma, que nasceram e vivem no mesmo espaço territorial, que têm a mesma origem -negra, branca, indígena – esperando pela DEMOCRACIA sendo exercida como prerrogativa plena, esperando exemplos de justiça, fraternidade e amorosidade entre os que se consideram BRASILEIROS, sigo acreditando na resposta das crianças e, para elas, construindo um país cada dia melhor.

Por quê?

Porque o FUTURO É HOJE !

 

O DIA DA REVOLUÇÃO

( criação coletiva das crianças do Clubinho da Leitura “Plácido José de Oliveira”)

Os ovos de vários pássaros andavam sendo roubados dos ninhos na época da Páscoa. Isso acontecia há muitos e muitos anos.

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Aí o coelhinho Pascoalino, que era do bem, resolveu tomar uma atitude e não fazer mais aquilo. Os seus irmãos não gostaram nada nada e foram contar pro seu Pascoal e dona Pascoalina.

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Enquanto isso, começava uma reunião entre as galinhas, os galinhos, os galos, as patas e até a dona Pombalina que também reclamou que roubavam seus ovinhos pequenininhos pra distribuir na Páscoa.

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Cada um deu uma ideia. Uns queriam que colocassem os coelhos na briga, fossem pra luta. Chegaram a chamar todos os bichos de asas do país pra isso. Começou uma verdadeira guerra.

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O coelhinho Pascoalino conversou com os animais de penas e os de pelos e chegaram a uma solução porque todo mundo queria a PAZ ali. Chega de tanto ódio, de tanta briga.

 

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Resolveram distribuir cenouras e coelhinhos de chocolate. Ah, resolveram fazer umas galinhas e pintinhos de chocolate também.

Todos foram ouvidos e o Pascoalino disse assim,  que aquele era o DIA DA REVOLUÇÃO!

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FIM

 

 

Desenhando as possíveis soluções para o problema enfrentado pelos animais

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Post dedicado a todos aqueles que RESPEITAM CRIANÇAS, A NATUREZA e seu AMANHÃ. Por isso são VERDADEIROS, HONESTOS e acima de tudo HUMANOS.

Esse post é dedicado a meu pai, o mineiro PLÁCIDO JOSÉ DE OLIVEIRA, então.

Travessias: hoje, ontem, amanhã

Atravessando mais uma vez …

A vez de Maria, René Magritte

Hoje, ontem, amanhã não são apenas advérbios de tempo. São mais que isso.
Só tem memórias quem viveu.
Seja individualmente, socialmente, afetivamente…
Critica-se muito quem vive lembrando o passado. Desprezam-se os saudosistas. Mas e a famosa lei do eterno retorno?
Li há muitos e muitos anos, que quando a gente fica mais velho, a gente volta pra casa, atribuía-se a Jung – não sei se a fonte está correta. Mas sei que a frase é correta.

Tenho percebido em gerações diferentes esse resgate. Filhos que voltam à casa dos pais, netos que voltam a casa destes que são os seus pais e assim vamos metaforizando nossas voltas, reencontrando nossas raízes, resgatando nossa infância, nossa juventude, nossa casa de dentro, digamos assim.

Creio que isso só pode acontecer quando já queimamos nossas arrogâncias de juventude, nossa sabedoria maior que a de todo mundo, nossa onipotência adolescente de querer inaugurar tudo do nosso jeito, como se fosse o melhor dos jeitos: o mais saudável, o mais sensato, o menos hipócrita.
A vivência vai-nos fazendo enxergar por dentro os seres humanos e, por conseguinte, o todo, o planeta também.
Viver é uma estrada longa. 
É como escalar, escalar, respirar com dificuldade e ir, ir, continuar indo… E encontrar depois, orquídeas no mato pelo caminho, céu de estrelas que se pode pegar com as mãos, e, ao descer, rios cheios de peixes em que se pode molhar os pés: vida, quase eterna!
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 René Magritte

 

TRAVESSIAS

Vivo assim, sempre em travessias.

São rios, lagos e pontes.

São ruas, avenidas e estradas.

Vivo transpondo, atravessando, indo, seguindo.

Não há paradeiros

Não há desembarques

Não há estações nem portos.

Estou sempre em trânsito.

 

Meu trem não é de pouso.

Meu trem é de carga.

TESOURO DA JUVENTUDE

Uma das maiores frustrações da minha infância foi não ter em casa muitos livros, inclusive a maravilhosa coleção Tesouro da Juventude.

Minha professora da primeira série lia O livro dos Contos para nós e pedia que recontássemos suas histórias tal qual uma paráfrase. A beleza das personagens das ações maravilhosas e da magia das palavras para mim eram insuperáveis. Foi por isso, que certa vez, após a mestra ter lido uma dessas histórias, talvez a que mais tenha me encantado, fui reescrevê-la em casa como tarefa. E as palavras eram frágeis, os verbos não conferiam as mesmas ações às personagens, meus adjetivos não faiscavam como aqueles que ela salpicara sobre nós em sua leitura na classe. Foi por isso, que corri à casa da Edna, minha amiga, vizinha da casa ao lado, e pedi emprestado O Livro dos Contos, do T. da Juventude.

Li muitas vezes ali mesmo, que ela não me emprestaria para levar para casa. Quase decoradas as estruturas, eu, aos sete anos, consegui escrever quase tão bela história quanto a original.

No dia seguinte, na frente de todos, li a história com todos aqueles símbolos para mim inesquecíveis. A mestra repreendeu-me estimando que tivesse copiado; colado, portanto. Não considerou minha tarefa como feita.

Não compreendi por anos aquilo tudo. Hoje não me lembra mais o nome da referida história. Mas Sartre, em seu livro As palavras, me explicou direitinho como compreender esse meu gosto por saborear literatura.

 

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René Magritte

Canal: Odonir Oliveira

 

TARDE

A vidente avisara,

há décadas,

chegaria tarde.

 

Viria sem avisar

Absorveria dias, tardes e noites

Nada simples

Nada fácil

Nada certo.

 

A vidente advertira.

Viria sem botas nem botes

Viria sem rosto, mãos, nem pés.

Viria sem planos nem rastros

Viria sem aroma nem cor

Viria sem quentes nem frios

Viria inconcebível, insuspeitável, impossível.

 

A vidente vaticinara

Era tarde.

 

 

NEGATIVAS

Não recebe

Não entrega

Não sabe

Não revela

Não conta

Não constrói

Não declara

Não aceita.

 

Devolve

Regurgita

Expele

Expurga

Expatria.

 

Perfura o peito

Perfura o seio

Perfura a existência.

 

Quão dessemelhante!

René Magritte

 

 

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René Magritte

 

MARIA

 

Bebe veneno no frio

come veneno no calor

cheira veneno no quintal

olha a lua

fala com as estrelas.

 

Chora com as ondas

soluça com as serras

engasga com o sol.

descama com a fumaça.

 

Sofre com incertezas

emagrece com torpezas

engorda com durezas

desfaz-se em friezas.

 

Maria

faz travessias na garupa do cavalo torpe

que lhe encilha a alma.

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René Magritte

Texto e poemas: Odonir Oliveira

Imagens da internet

 

 

 

A onça lograda e outras onças no Clubinho da Leitura, em Barbacena

Roseana Murray

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A partir de um fonograma A onça lograda”, do youtube, editado como presente para as crianças do Clubinho da Leitura, desenvolvemos um projeto de criação de uma história coletiva e de sua encenação.

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ISSO É UM DESAFIO PRA MIM

Vamos criar então.

No dia seguinte, ouvimos o fonograma no tablet (adoram quando usamos tecnologias), recriaram a história, deram seus pitacos etc. etc.

No Clubinho é assim: nem sempre vêm todas as crianças – AQUI NÃO É ESCOLA É UM CLUBINHO- portanto vem quem quer, quando puder PRA SER FELIZ.

Autoria de Sílvia Autuori, musicada por Cláudio Santoro. A interpretação é de Tia Chiquinha, que é a própria Silvia Autuori. A gravação é de 1950 e o lançamento de dezembro de 1951, a gravadora é a Odeon, disco 13.197-B-  Canal: Luciano Hortencio.

É claro que muitos vêm sempre, porque a felicidade aqui não mora ao lado; mora aqui, naqueles 90 minutos, duas vezes por semana,  em que estamos nós … e alegres. Podem crer que eu sou a que mais sente PRAZER com eles. São quase uns netos postiços …

O violão e a flautinha agora foram incorporados ao Clubinho. Não podem imaginar o que nasceu disso, então.

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“Pode chamar de Onça Enganada, Odonir,  é mais fácil”

Claro que pode.

Desenharam as personagens, recortaram umas e fizemos máscaras com suporte de mão; outras foram pintadas e inseridas em cenários.

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Achando uma flauta, Ana Clara, 6 anos, resolveu subverter a história e com seu capuzinho de coruja, que estava frio aqui, assoprou encantando a onça. Há, há, há.

Como se não bastasse, depois de assistirem outos clipes, do canal  jnscam, com animais, propuseram “Vamos fazer uma história?!”

Ora se eu não acato na horinha!

Então escrevi o que falamos:

OUTRAS ONÇAS

ERA UMA VEZ UMA ONÇA QUE FICOU COM MEDO E FOI PRESA PORQUE FICOU COM MEDO.

ELA NÃO QUERIA FICAR SOZINHA E MANDOU CHAMAR TODO MUNDO, DO REINO DOS ANIMAIS PRA FICAR COM ELA.

OS  PRIMEIROS FORAM OS CÁGADOS. ELES CONVERSARAM  BASTANTE E CHEGARAM A UMA CONCLUSÃO.

SÓ QUE ELES FALARAM EM INGLÊS CANTANDO, E NINGUÉM DESCOBRIU NADA, NADA. FOI UM MISTÉRIO.

DEPOIS A NOTÍCIA FOI PARAR LÁ NAS RÃZINHAS QUE SÃO MUITO UNIDAS E DISCUTEM TUDO, TUDO JUNTAS.

A CHEFE DELAS BEM QUE CHAMOU AS LÍDERES, MAS OS FILHOTINHOS DELAS NÃO DAVAM SOSSEGO. VOCÊS SABIAM QUE CHAMAM GIRINOS. É, FOI O GUSTAVO QUE CONTOU PRA GENTE AQUI.

MAS NADA DA GENTE DESCOBRIR A RESOLUÇÃO NA CONVERSA. PARECIA QUE SÓ QUERIAM MESMO ERA DANÇAR E PULAR. ” QUE ENGRAÇADO, NÉ, ODONIR!”

ALGUÉM DEU A IDEIA DE PROCURAREM O TUCANO, QUE PARECIA MAIS SÁBIO QUE A CORUJA, APESAR DE AS HISTORINHAS DAREM A FAMA SÓ PARA ELA.

O TUCANO OUVIU TUDO, ANDOU DE UM LADO PARA O OUTRO, FEZ A REFEIÇÃO… E PROMETEU SÓ DEPOIS SE MANIFESTAR SOBRE AQUELA IDA À CASA DA ONÇA. SERIA VIÁVEL? PENSOU, PENSOU.

SEU TUCANO COMPREENDEU QUE SERIA MELHOR UM RESPALDO, DIGAMOS ASSIM, DE OUTRAS AVES, BATEU TAMBOR E CHAMOU AS ARARINHAS, QUE MUITO FALADEIRAS, NEM QUISERAM SE METER. “POR FORÇA DE NOSSA PROFISSÃO, NÃO NOS METEMOS NA VIDA ALHEIA. CADA UM VÁ AONDE QUISER. QUANTO A NÓS… RESOLVEREMOS OPORTUNAMENTE”

ASSIM FOI.

NA SEQUÊNCIA RESTOU AO PAVÃO, QUE TODO ENFEITIÇADO POR SUA PRÓPRIA BELEZA E PELO APEGO SEMPRE VELADO À ONÇA, INFORMOU A TODOS SEU CÓDIGO “SE EU ABRIR MINHA LINDA PLUMADA É QUE NÃO HAVERÁ PERIGO NA IDA DE TODOS LÁ. SE, POR OUTRO LADO, NÃO A ABRIR, SAIBAM QUE NÃO DEVERÃO IR.”

“NÃO DEU CERTO, ODONIR.”

Por que, Aninha?

“PORQUE ELE FICOU EM CIMA DO MURO. JÁ SEI, JÁ SEI. SÓ SE FOR PRA IR MAIS OU MENOS.”

“QUE NEGÓCIO É ESSE DE MAIS OU MENOS… OU ELE DIZ QUE É PRA IR OU QUE NÃO É, NÉ, ODONIR”- desafiou o irmão Gustavo. 

ENTÃO FORAM VISITAR A GARÇA ELEGANTE. PENSATIVA, PENSATIVA, NADA INFORMOU AO CERTO, SE SIM OU SE NÃO. COMO AS OUTRAS AVES CONSULTADAS, NÃO QUIS SE COMPROMETER. SÁBIA A GARÇA ELEGANTE!

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“JÁ SEI, JÁ SEI, ODONIR. A ONÇA VAI CHAMAR UM MONTÃO DE ONÇAS PRA AJUDAR ELA, LÁ NA CASA DELA. ASSIM SE ESSES BICHOS CHEGAREM… !”- concluiu Gustavo.

“VAI DAR B.O ! “- exclamou Aninha.

E o que é B.O. Aninha? – pergunto eu.

 “É BRIGA DE ONÇAS, NÃO SABIA?”

NO FINAL TUDO ACABOU EM ARAÇÁS E EM … BANANAS!

NINGUÉM DISSE SE IA VER A ONÇA OU NÃO.

Ah, o título … como sempre, votamos ao final das historinhas- escolheram entre vários: “OUTRAS ONÇAS”.

Gustavo foi vencedor por causa da ideia que teve de chamar outras onças para o final.

ESSAS CRIANÇAS SÃO SURPREENDENTES!

– VAMOS TOCAR FLAUTA E VIOLÃO, ODONIR?

VAMOS!

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ESSA MINHA ONÇA PINTADA É O MÁXIMO!

MANDA E DESMANDA NOS MENINOS. TEM 6 ANOS.

É MOLE?  PROMETE!

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Eu também me vesti de onça pintada, viu.

Aninha não deixou por menos. Colocou em mim uma peruca de onça, óculos de onça, pulseira de onça, capa de onça.

Gustavo me fotografou.

Mas vou poupá-los desse MICÃO.

Aqui eles sim são as estrelas. Eu, coadjuvante apenas.

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Ao final, ainda receberam de presente esse clipe com um  T-REX  vegetal.                           Olha que bacana!

'Field Station Dinosaurs' park in Secaucus

'Field Station Dinosaurs' park in Secaucus

http://photos.nj.com/jersey-journal/2012/05/field_station_dinosaurs_park…

Vídeos: Canal jnscam

Post (editado) publicado em set.  de 2015 em:  http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/a-onca-lograda-e-outras-oncas-no-clubinho-da-leitura-em-barbacena

“Encontra-me em Vila Rica”, por favor …

POESIA EM MINHA VIDA

Encontros nas redes sociais me fazem relembrar trabalhos que realizei com meus alunos, hoje homens e mulheres íntegros e cidadãos da melhor qualidade. Acredito que são estrelas que espalhamos nos céus e, de repente, nos aparecem em ramalhetes. E como é belo vê-los assim brilhando, cada um em sua esfera ou no cosmos, em suas atuações.

Sempre lutei para que seus trabalhos fossem vistos, reconhecidos e que autores de livros fossem conhecê-los, dessacralizando a visão fossilizada de que escritores são seres inatingíveis.

Tudo que produziam sempre divulguei para que servisse de estímulo à sua vontade de criar, de continuar criando vida à fora.

Este post é uma merecida homenagem a meus garotos e garotas que estão por aí hoje, sendo HOMENS e MULHERES com letra maiúscula.

Obrigada por me engrandecerem toda uma existência, viu.

PROJETO “CIDADANIA”

UM POUCO DE CONVERSA

Havia, em um ano que passou, alunos, em classes diferentes, todos tão diferentes e ainda assim tão parecidos.

Havia uma professora que desejava trabalhar os conceitos da vida, os procedimentos da vida, os valores da vida.

Havia meninos e meninas querendo conhecer cada dia mais sobre a vida.

Encontraram-se e durante aquele ano de 1998 fizeram tanto, mas tanto, que não se contentavam mais com pouco. Queriam cada vez mais e melhor.

Já sabiam a música, agora queriam a letra. Já sabiam o compasso, agora queriam os acordes e o tom. Já sabiam os versos, agora queriam a prosa.   

Já sabiam os valores, agora queriam vivê-los. Já sabiam do tempo, agora queriam o espaço. Já sabiam da massa, agora queriam o volume. Já sabiam das paisagens, agora queriam habitá-las, percorrê-las, vivê-las. Já sabiam da escrita, agora queriam escrever. Já sabiam das cores, agora queriam colorir o mundo. Já sabiam da História, agora queriam fazer História. Já sabiam das letras, agora queriam autoria.

 Assim, caminharam, crescendo muito.

Em 1999, juntaram-se a eles outros professores. Estudaram, aprenderam. Fizeram com que muitos dos quereres acontecessem e, fazendo isso, fizeram Luz.

Agora? Há clarões e luzes por todos os lados!

Professora Odonir Araújo de Oliveira- 1999

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PROJETO CIDADANIA

“ENCONTRA-ME EM VILA RICA”

(7ªs séries ou 8ºs anos)

HISTÓRICO

Iniciamos o trabalho nas 3ªs séries em fevereiro e retomamos, no coletivo dos professores, questões que haviam ficado pendentes no ano anterior quanto a conceitos, valores e atitudes. Ao fazermos essa retomada, elencamos com destaque o tema CIDADANIA – seria o centro de todas as nossas atividades em 1999, ano que se iniciava. Cada componente curricular foi repensado em seus processos para atingir o que estávamos buscando.

Havia problemas intra-escolares e extra-escolares relativos à comunidade em que se inseria a maior parte de nossos alunos – agrupamento de moradias de autoconstrução nos fundos da escola, que ano a ano vinha crescendo e modificando nossa clientela – reflexo da crise social e econômica em que vivemos. Isso nos obrigou a reconhecer a necessidade de mudança de enfoque dado aos componentes curriculares e nos embrenhamos pelos temas transversais, que já eram tão urgentes e não percebíamos.

JUSTIFICATIVA

Optamos pelo trabalho com projetos globais e muito tivemos que estudar e nos reunir para desenvolvê-lo. Sabíamos, então, que a concepção de globalização vinculada ao tratamento interdisciplinar tinha a intenção de promover o trabalho dos professores de diversas matérias em equipe e de levar os alunos a descobrir que os temas estão relacionados entre si – a unidade do saber. Os alunos, após terem decidido, teriam que se engajar, assumir responsabilidades e serem agentes de suas aprendizagens.

OBJETIVOS:

1-Conhecer o país em que nasceram e vivem os brasileiros.

2-Tomar consciência dos problemas do Brasil.

3-Estudar as características físicas, históricas, antropológicas e culturais desse país.

4-Pesquisar possíveis encaminhamentos para soluções desses problemas.

5-Comparar valores sócio-culturais do século XVIII com os do século XX.

6-Conhecer os movimentos revolucionários acontecidos no país.

7- Estudar as diferenças de solo, população, vegetação e os recursos naturais existentes em

M. Gerais no século XVIII e no século XX.

8-Pesquisar vida e obras de autores e artistas mineiros em geral.

9-Conhecer o barroco mineiro.

10-Reconhecer as obras de Guignard e de Aleijadinho.

11-Leitura de versos dos poetas árcades brasileiros.

12- Leitura da obra “Encontra-me em Vila Rica”, de Paulo Condini, Editora Santuário.

13-Estabelecer o hábito da pesquisa como fonte de aprendizagem.

14-Valorizar o patrimônio histórico e cultural brasileiro.

15-Criação de identidade entre os cidadãos e o país visando ao cumprimento de deveres e à conscientização de direitos.

DESENVOLVIMENTO

CRONOLOGIA:

fevereiro a novembro/1999

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS:

Profª Odonir Araújo de Oliveira (Português)

Profª Maria Marilene Muradi (História)

ÁREAS – COMPONENTES CURRICULARES

-Português

-História

-Geografia

-Inglês

-Educação Artística

-Ciências

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1-ESCOLHA DE TEMAS: (ESTÍMULOS INICIAIS)

Projeção do filme CENTRAL DO BRASIL.

Projeção de vídeos turísticos sobre a REGIÂO SUDESTE – Revista Caras

-Leitura do poema CARTAS CHILENAS de Tomás Antonio Gonzaga.

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2-LEVANTAMENTO DE PERGUNTAS: (avaliação inicial/ponto de partida)

-individualmente

-reunião em índice coletivo – por classe

Índice de uma das turmas

O que queremos saber?

  1. Em Mariana e Ouro Preto há favelas? (Renata)
  2. Com que idade Aleijadinho fez sua primeira escultura? (Carla)
  3. Quais os doze profetas de Aleijadinho? (Bruno)
  4. Por que Vila Rica passou a se chamar Ouro Preto? (Renan/Camila)
  5. Por que Tiradentes está com barba e cabelo comprido nas fotos em que está com a corda no pescoço? (Clélio e Joseph)
  6. As pessoas tinham racismo com o Aleijadinho? (Selma)
  7. A taxa de desemprego em Minas é igual a de S. Paulo? (Bruna e Letícia)
  8. Pedra-sabão tem sabão na sua composição? (Paulo)
  9. Onde estão os restos mortais de Tiradentes? (Paulo)
  10. Como a Prefeitura deu início às visitas à mina de Mariana? (Emanuela)
  11. Existem esculturas de Aleijadinho em outros Estados? (Juliana)
  12. Por que em Ouro Preto há tantas igrejas e esculturas barrocas? (Simony)
  13. Onde ficavam os escravos que não trabalhavam nas minas? (Amanda)
  14. O que é Barroco? (Milene/Émerson)
  15. Por que tem tantas igrejas em Ouro Preto? (Bruna/Selma)
  16. Há favelas nas cidades históricas de Minas? (Bruna/ Letícia)
  17.  As pessoas dessas regiões gostam de viver lá? (Bruna Gonçalves)
  18. Com quantos anos morreu Aleijadinho? (Karina/Camila)
  19. Aleijadinho vendia as suas esculturas? (Bruna/Bruno/Karina)
  20. Quantas pessoas ajudavam Aleijadinho a esculpir? (Simony)
  21. Que medidas as administrações de Minas Gerais tomam para preservar o patrimônio histórico? (Murilo)
  22. Quem descobriu o dom de Aleijadinho? (Rodrigo)
  23. Quantas igrejas Aleijadinho esculpiu? (Glauco)
  24. Existem indústrias em Ouro Preto? (Bruno/Rodrigo)
  25. Ainda existe ouro em Mariana e Ouro Preto? (Margareth)
  26. Qual a maior igreja de Ouro Preto? (Diego)
  27. Existem muitos roubos nas cidades históricas mineiras?(Camila)
  28. Há tanta poluição nessas cidades como tem aqui em S. Paulo? (Rafael)
  29. Aleijadinho só esculpia imagens religiosas? (Juliana)
  30. Que tipo de música os mineiros mais gostam? (Isabelle)
  31. As comidas mineiras são as mesmas dos paulistas? (Beatriz)
  32. Por que teve tantos Presidentes mineiros? (Estefânia)
  33. Por que querem privatizar a USIMINAS? (Roberto)
  34. Quanto tempo se leva de S. Paulo até Ouro Preto de bicicleta? (Gracilda)
  35. O que é pepita de ouro? (Michelle)
  36. Quais as palavras típicas dos mineiros? (Leandro/Diogo)
  37. Quem participou da Inconfidência Mineira? (Itamar)

3-SEPARAÇÃO DAS PERGUNTAS:

  • por campos: áreas/disciplinas/fontes de pesquisa

4-INÍCIO DAS PESQUISAS:

  • em classe (individualmente/em grupo)
  • em casa

Professores acompanham as pesquisas oferecendo material e socializando descobertas, a fim de que os alunos enriqueçam seus índices com novas indagações, ampliando seus estudos. Propõem atividades de busca para solução de questões.

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5-ATIVIDADES:

-Leitura compartilhada, e por capítulos, da obra ENCONTRA-ME EM VILA RICA.

-Estudo do momento histórico de que fala a narrativa da obra lida.

-Estudo do BARROCO no BRASIL e do BARROCO MINEIRO.

-Estudo da região histórica mineira: área, vegetação, população, produção agrícola e industrial, entre outros aspectos.

-Estudo das variantes lingüísticas (regionalismos mineiros)

-Pesquisa da vida de autores mineiros.

-Leitura de textos avulsos e obras completas de autores mineiros, em verso e prosa.

-Caracterização do texto instrucional (estudo e criação de receitas/cardápios/ guias turísticos)

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-Pesquisa e audição de músicas de grupos mineiros de música popular e erudita.

-Estudo das obras de ALEIJADINHO.

-Estudo e releituras de pinturas de GUIGNARD.

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RETRATO DE UMA FAMÍLIA, de Alberto Guignard, 1930sam_2438

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(Releituras do aluno Clélio Gonçalves de Souza e de Isabelle Dourado  das obras de Guignard)

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-Estudo do texto dramático -criação de  RADIONOVELAS

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LIBERDADE MINEIRA CENA III – CAPÍTULO XV

(A cena passa-se em 1774, em Vila Rica, Minas Gerais, na casa de Cláudio Manuel da Costa. São oito da noite)

Cláudio: Querida, mande as escravas aprontarem logo o jantar que nossos convidados já estão para chegar.

Juliana: Mas quem você chamou, afinal, Cláudio?

Cláudio: Ora, nossos grandes amigos: Marilia, Dirceu, Maria Dorotéia e Tomás Antonio Gonzaga.

Escrava: Senhora, os convidados chegaram.

Cláudio: (apressado) Depressa, Juliana, vá receber os convidados e diga que estou esperando na sala de visitas.

Juliana: (sorridente) Amigos, há quanto tempo! Boa noite, Tomás. Como é que vai? Oi, Marília. Cláudio os está esperando na sala de visitas.

Cláudio: (contente) Amigos, como vão? Por favor, vamos jantar?

Marilia: Eu e Juliana temos muito que conversar.

Maria Dorotéia: É temos que colocar a conversa em dia.

Cláudio: E como estão indo as coisas para você, Tomás?

Tomás: Como sempre, dando duro e os portugueses roubando mais que podem.

Maria Dorotéia: É mesmo, estão cobrando impostos demais. E altíssimos.

Marília: Só falta eles cobrarem impostos de nossas roupas íntimas!

Cláudio: Eu não duvido nada. Do jeito que esses portugueses são, eles seriam bem capazes disso.

Tomás: Se algum dia alguém se rebelasse contra o Governo de Portugal, eu certamente estaria do seu lado.

 Cláudio: Eu seria capaz de arriscar a minha vida pela liberdade.

Juliana: (irritada) Pare com isso, Cláudio, e vamos jantar em paz.

Acabado o jantar…

Maria Dorotéia: O jantar estava ótimo, Juliana.

Marília: Precisamos nos reunir mais vezes.

Cláudio: Até mais, amigos.

Tomás: Foi um prazer.

Juliana: (cansada) Eles já se foram embora. Vamos dormir, Cláudio.

Cláudio: (sério) Mas sinceramente, Juliana, daria a minha vida pela nossa liberdade.

Juliana: (sonolenta) Vamos dormir, por favor, Cláudio.

 

AUTOR: Antonio Bastos do Vale – 7ª C

 

 

CULINÁRIA MINEIRA

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VÁRIOS CARDÁPIOS DE RESTAURANTES

 

Estudo da linguagem televisiva: criação de programas de culinária para TV – com gravações em criação de vídeos

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SISTEMA MINEIRO DE TELEVISÃO – “TREM -BÃO” – PROGRAMA DE CULINÁRIA

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-Leituras de capítulos de ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA, de CECÍLIA MEIRELES.

-Apresentação de FESTIVAL DE POESIAS. (declamação de poemas e concurso com premiação dos 20 melhores: POETAS BRASILEIROS PEDEM PASSAGEM).

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VOTAÇÃO

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-Criação do JORNAL DA HISTÓRIA (manchetes e notícias do passado e do presente mineiro).

-Simulação do julgamento de TIRADENTES. (criação da argumentação oral e escrita).

Criação de texto publicitário bilíngue (inglês/português) para divulgação das cidades mineiras.

-Utilização da ENCICLOPÉDIA ELETRÔNICA ENCARTA, em inglês, nas aulas na SALA DE INFORMÁTICA, para ler e traduzir informações para o português, sobre o conteúdo pesquisado.

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-Estudo de outros MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS brasileiros e sua comparação com a CONJURAÇÃO MINEIRA.

-Leitura de textos jornalísticos sobre a questão do HERÓI. (entre outros “As barbas de TIRADENTES”, em AS ARMADILHAS DO PODER, de GILBERTO DIMENSTEIN).

Comparação das cidades históricas mineiras com outras cidades históricas brasileiras.

-Recriação de capítulos do livro ENCONTRA-ME EM VILA RICA.

-Criação de poemas ilustrados sobre MINAS GERAIS.

Apresentação dos trabalhos para o autor da obra, PAULO CONDINI, em visita à ESCOLA.

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(Escritor Paulo Condini autografa livros de alunos)

 

TEXTOS NARRATIVOS

-Produção de textos narrativos escritos pelos alunos ENCONTROS COM MINEIROS FAMOSOS encadernados em livro de capa dura.

MEU ENCONTRO COM JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS

Vou contar uma conversa, uma simples conversa, mas que mudou todo um movimento.

Lá estava eu andando pela CASA DOS CONTOS, quando avistei, ao fundo de uma sala escura, um homem. Me aproximei para ver e lá estava Joaquim Silvério dos Reis, um militar de nosso movimento. Lá estava ele, cabisbaixo. N mão, um copo e na mesa uma garrafa de vinho quase vazia.

–          Posso me sentar? – perguntei, já puxando uma cadeira.

–          Claro!

–          Então, Joaquim, todos já se foram e o que você está fazendo aqui?

–          Bebendo, bebendo, para esquecer os problemas.

–          Mas que problemas, a Conjuração vem seguindo tão bem?

–          Ah, a Conjuração, a maldita CONJURAÇÃO. Mas quer saber, eu sou humano e como qualquer ser humano, tenho problemas! Todos vocês só se preocupam com esse movimento e se esquecem de que têm famílias e vidas para cuidar!

Percebi que Joaquim estava tenso. Pensei que talvez a bebida o tivesse deixado tão nervoso. Alguns minutos de silêncio e resolvi tentar descobrir o que estava havendo com ele.

–          Me desculpe, talvez tenha sido inconveniente. Vou me retirar, com licença.

–          Não, fique. Sinto que se eu ficar sozinho, vou acabar fazendo uma besteira.

–          Então me conte o que está acontecendo, Joaquim, só assim poderei ajudá-lo.

–          Ninguém nesse mundo além de mim pode me ajudar.

–          Mas, talvez, desabafar, ajude.

–          Pois bem, afinal não tenho nada a perder. É o seguinte: eu estava em um dilema entre a lealdade e a paz definitiva.

–          Não entendo.

–          Bem, tudo se concretiza assim: eu estou falido, endividado na Corte e não são dívidas pequenas, mas se por acaso eu acabasse com toda essa CONJURAÇÃO, a delatando ao Visconde de Barbacena, tenho certeza de que minhas dívidas estariam completamente quitadas.

–          Joaquim, você tem consciência do que está dizendo? Se fizer isso, além do movimento, a vida de todos nós estará acabada.

–          E você acha que não estou pensando nisso também?!

–          Chega, não vou ficar aqui ouvindo isso. Faça o que vier em sua cabeça e o que você achar melhor. Só que se eu tiver que lutar por meus companheiros, vou lutar, mesmo que tenha de lutar contra você.

Depois de me retirar da sala, pensei que talvez tivesse sido rude demais com Joaquim, mas decidi deixar que o destino levasse tudo aquilo à diante.

AUTOR: Murillo Soares Barreto – 7ª A

-Estudo dos MINERAIS extrativos das regiões mineiras no século XVIII e no século XX.

6-REGISTRO DO 3º ÍNDICE:

Recapitulação do trabalho realizado:

1-Índice individual

2-Índice coletivo

3-Sub – temas pesquisados e organizados.

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7-CONFECÇÃO DE UM DOSSIÊ DE SÍNTESE:

-O aluno reúne em um DOSSIÊ de síntese todos os aspectos tratados, pesquisados e todas as suas produções durante o PROJETO.O aluno cuida da apresentação de seus trabalhos de forma artística e criativa, como um PORTFÓLIO.(que é de sua propriedade) – elemento de auto-reflexão e avaliação.

-Relação de QUESTÕES PENDENTES, que tenham ficado sem respostas, ao final do DOSSIÊ.

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(Capas do dossiês das alunas Isabelle Dourado e Estefânia de Lima, respectivamente)

 

8-AUTO-AVALIAÇÃO E AVALIAÇÃO:

-AVALIAÇÃO CONTÍNUA da evolução na solução dos problemas (perguntas a que se propôs a responder)

-AUTO-AVALIAÇÃO (escrita) – sobre o percurso desenvolvido e o produto do seu processo de pesquisa. (constando no DOSSIÊ DE SÍNTESE- “O que eu aprendi com todo esse Projeto, hem?”

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Auto-avaliação de uma aluna

Fazendo esse DOSSIÊ MINEIRO, eu me dei conta que sabia de coisas que eu nem sabia que soubesse. Eu fui escrevendo, escrevendo e quando me dei conta …Já nem sei mais de tão encantada que estou.

Eu tenho certeza de que tudo que eu aprendi ou escrevi nessa junção de conhecimentos, não foi uma “decoreba”, eu aprendi de verdade. É claro que que eu não sou um computador que armazena informações sobre Minas, mas meu conhecimento aumentou muito.

Assim que esse trabalho começou eu era leiga no assunto, tanto quanto desconhecia a existência desses lugares, quem dirá todas as informações registradas aqui.

Apesar de ter sido cansativo, porque é claro, eu busquei além do que eu já sabia, tive que pesquisar um pouquinho mais, embora eu já tivesse tudo, ou melhor, quase tudo esclarecido, além das horas de sono perdidas… nada foi em vão.

Eu fico mais contente ainda, quando lembro que tudo isso é BRASIL, o meu país, onde nasci e quero viver o resto dos meus dias, afinal, é essa a intenção: conhecer o país em que moramos, que por sinal tem histórias belíssimas para contar.

Posso falar de todo coração, são lugares como os que “conheci” agora, que me orgulham de ser brasileira. É, mas também não posso esquecer que Minas faz parte do meu conhecimento e da minha imaginação: essa é a única parte chata – quero ir a Minas Gerais!!!

Estou me orgulhando de mim, modéstia à parte.

Aproveito também esse espaço para deixar um abraço bem agradecido pra professora Odonir!!!  

Valeu muito. Ela merece! Esse não é o fim do dossiê, nem do trabalho, ainda é só o começo.

Isabelle Dourado – 7ª B

Barbacena- Acervo Bárbaras Cenas

Produção de texto individual sobre tudo o que se aprendeu durante o PROJETO (CARTA a alguém onde se enunciam as aprendizagens, constando no DOSSIÊ DE SÍNTESE INDIVIDUAL).

São Paulo, 16 de novembro de 1999

Meu amigo Ricardo:

Olá, tudo bem?

Estou lhe escrevendo essa carta para lhe contar o que estudamos na E.M.E.F. RUI BLOEM  esse ano. Não vou lhe contar tudo, mas como havia me perguntado que projeto havia estudado, vou lhe contar tim, tim, por tim, tim.

Começamos com o projeto Cidadania, assistimos a fitas de vídeo sobre uma região que lhe interessa – sudeste – destacando-se Minas Gerais. A professora Odonir nos mostrou um livro chamado “Encontra-me em Vila Rica”, todos nós compramos o livro – muito bom por sinal – nos envolvemos num trabalho mais profundo sobre Minas Gerais, estudamos tudo ou quase tudo, levantamos perguntas sobre o projeto, Aleijadinho, Tiradentes entre outros.

Como havia lhe dito, de Minas Gerais, só conhecia Teófilo Otoni. Hoje posso lhe dizer que conheço muitas outras cidades. Não que eu as tenha visitado, mas por estudar as suas características, a história da Inconfidência, a música, os grupos mineiros, entre eles “Só pra contrariar”, a culinária, eh….trem bão…, cada prato, cada doce! Devo ter engordado uns dois quilos, só por estudar esses pratos.

Mineiros, seus hábitos, suas artes…Uai ! se eu for lhe contar tudo vai dar umas cinco folhas !

Como no ano passado, a professora Odonir trouxe o autor do livro que estávamos lendo – Paulo Condini . Sabe, ele ficou muito emocionado com todo esse projeto.

No começo, quando a professora falou Minas Gerais, lembrei-me muito de você, que justamente tinha ido morar na Grande Minas Gerais!

Bem, o projeto ainda se desenvolve até o fim desse mês.

Ah, não posso me esquecer dos stands. É isso aí, o nosso trabalho foi exposto na DREM, MOSTRA A TUA CARA . Foi emocionante. Eu interpretei Carlos Drummond de Andrade, nosso maior poeta, como você sabe. Fiquei muito emocionada com todo o trabalho. Pra finalizar, fizemos um dossiê, onde havia tudo que estudamos.

Aprendi que nós, como brasileiros, temos que valorizar o nosso Brasil, pois ele, sem dúvida, é o melhor país do mundo.

Quem sabe, um dia, eu não irei a Minas Gerais e junto com você conhecerei mais sobre a arte do nosso país e degustarei as deliciosas comidas mineiras, que me dão água na boca só em pensar.

Sem mais, mando-lhe lembranças e estou com muitas saudades.

    Sua amiga,

                                                                          Bruna Cristina

(Desculpe se me esqueci de algo, é que o trabalho é muito extenso).

São Paulo, 16 de novembro de 1999

Bênção, vô Manuel:

Lembra que eu lhe disse que eu estava fazendo um projeto sobre Minas Gerais? Pois é, eu já estou quase terminando ele, mas pode continuar mandando curiosidades sobre Minas.

E as enciclopédias que o senhor me deu. No começo eu não lia, mas depois descobri que lá havia bastante assunto sobre Minas.

Na parte da música, falava de Ataulfo Alves e Ari Barroso, com as músicas “Aquarela do Brasil” e “Amélia”.

E a receita de ambrosia que o senhor tentou ensinar para minha mãe?

E ela aprendeu, mas foi com a Jú!

E a literatura? Tem o Ziraldo, de quem o senhor me contava a história do Maluquinho.E o Drummond? Eu adorei a poesia “José”.

Ah, vô, bem que o senhor podia dar uma passadinha em Ouro Preto! Pena que o senhor mora aí em Montes Claros!

Eu também aprendi a linguagem dos mineiros: “uai”, “sô”, “trem bão”…

Mas eu nunca vi o senhor falar assim!

Ah, eu não posso esquecer de Guignard, um pintor mineiro! Eu aprendi a fazer um quadro dele!

Bom, vô, acho que vou terminar por aqui.

Depois eu escrevo falando da carta para o Itamar Franco que vamos escrever!

             Peço a bênção de novo e um abraço do seu neto Clélio.

9-AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES:

-Comparação entre a avaliação e auto-avaliação.

-Discussão e registro, em assembléia, do próprio processo vivido e em relação ao grupo (aluno-aluno/aluno-professor/professor-professor).

-Estabelecimento de uma nova seqüência onde se tomam decisões sobre um NOVO PROJETO sobre um NOVO TEMA (SÃO PAULO)

10-EXPOSIÇÃO DO MATERIAL:

-Apresentação para a COMUNIDADE ESCOLAR (alunos/professores/funcionários e pais) dos PRODUTOS do trabalho.

-Apresentação dos alunos e seus trabalhos no CONGRESSO DE EDUCAÇÃO da DELEGACIA REGIONAL DE ENSINO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO –DREM, MOSTRA A TUA CARA – nov/1999.

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– Trabalho apresentado em diversos encontros de professores de ESCOLAS PÚBLICAS e de ESCOLAS PRIVADAS em S. Paulo.

– Trabalho publicado na  REVISTA DO PROFESSOR – RS. nº 66/2001

 

11-MATERIAL:

-livros de literatura brasileira, enciclopédias, INTERNET, jornais, vídeos, filmes, livros didáticos dos diversos componentes curriculares, pedra-sabão, ferro, aço, fotos, gravuras, guias de agências de turismo, dicionários, TV, vídeo, aparelho para CD, retro-projetor, filmadora, máquina fotográfica, fogão, geladeira.

12-OBSERVAÇÕES / CONCLUSÕES:

– Registro das QUESTÕES PENDENTES nesse PROJETO, delas nasceram os temas para o PROJETO-2000.

Post (editado) , mas originalmente publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/numa-toada-mineira-eh-minas-eh-minasfazendo-a-travessia