Sinfonias dos espíritos das matas

A hora do barqueiro

Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,

Que em minha fronte renovadas ponho.

Para mim tece as tuas,

Que as minhas eu não vejo.

Se não pesar na vida melhor gozo

Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo,

Surdos conciliemos

O insubsistente surdo.

Coroemo-nos pois uns para os outros,

E brindemos uníssonos à sorte

Que houver, até que chegue

A hora do barqueiro. Ricardo Reis, in ‘Odes’ (Heterônimo de Fernando Pessoa) 

Vídeo: Canal jnscam

ESPÍRITOS DA FLORESTA
Odonir Oliveira

Espíritos domesticam
olhares, sentires e ficares,
pelo cheiro, pelo vento,
pelo sons do mato do sertão.
Espíritos atraem por rochas, por águas, por céus.
Espíritos nas florestas
polinizam almas inquietas
Para sempre.
 

Vídeo: Canal jnscam

 

O MENINO QUE HÁ EM MIM
Odonir Oliveira

Se me sei livre,

me vejo aprisionada

em um corpo

que não mais é o meu de nascimento.

Este que me carrega as forças

não tem o viço do outro

o peito cheio de sonhos

a cabeça enfeitada por desejos

as mãos de perseguir bolinhas de mercúrio dos termômetros.

 

O que sei é que o menino que havia em mim

já há muito deixou este corpo

e vive em outro

fresco de memórias

doce de afagos

encantado com um trem.

Vídeo: Canal jnscam

 

AQUELA FIGUEIRA
Odonir Oliveira

Na vereda
encontrei aquela figueira.
Fiquei ali.
Copa magnífica.
Dos verdes, todos.
De denso, o tronco.
De lastro, histórias
De expressão, singular.
Estáticas, ambas.
Incomum.
Raízes para sempre em mim.

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LADO A LADO
Odonir Oliveira

 gramínea nativa

purificando

enfeitando

 decorando

alimentando

 

o ar que respiro

as matas em que piso

as casas que me acolhem

as estradas que me recebem

 

Não se dobra sozinha

Menos ainda em feixes

 

ar

terra

força

berço

união

 

Beleza !

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O GRITO DAS CIGARRAS
Odonir Oliveira

Aquela vontade

Insuportável

Insustentável

Insuperável

De gritar

De fazer chegar

De mandar dizer

De pedir para contarem

Ah, gritar pelas ruas

Nas madrugadas peregrinas,

Um assobio ensurdecedor de cigarra.

Canal: Odonir Oliveira

 

RAÍZES DE HOMENS
Odonir Oliveira

Há certos homens que têm caules vigorosos.

São eles que semeiam a terra

afagam sementes

exalam perfumes de flores

recolhem os frutos doces.

 

 Há certos homens que encostam as mãos na terra

a fortificam com seus dedos ásperos

a revolvem com palmas ardentes

a fertilizam com braços seguros.

 

Há certos homens que têm raízes em lugar de pés,

fincam-se inexoravelmente.

Vídeo: Canal jnscam

 

ORQUÍDEAS NATIVAS
Odonir Oliveira

flores

poemas seminais

imagens naturais

espalhadas aos ventos

 

crianças

sem pecado original

belas

puras

verdadeiras

brejeiras

parceiras

 

imagens

versos

crianças

espalhadas pelos ares, pelos mares,

pelos rios, pelos lagos

 

flores coloridas

almas coloridas

paisagens inesquecíveis.

 

Canal: Odonir Oliveira

 

TRILHAS
Odonir Oliveira

Obstáculo à frente.

Transpor.

Pedregulho.

 

– Vem, vem, me segue , me dá a mão. Vem.

– Estou com medo. Não.

– Não, vem; me segue aqui, cuidado.

trilha, chão, folha, pedra

Cansaço.

– Não vou conseguir.

– Vai sim, só mais um pouco. Eu ajudo, vem.

trilha, chão, folha, pedra

 

Viagem de dentro pra fora.

Dorso de almas

Canto de terra, água e pedra.

Promessa do prazer ao final.

 

Vem, mais um pouco, me segue.

– Sigo, me dá a mão.

Viagem de fora pra dentro

Conquistas, dificuldades, tropeços.

 

Encantamento.

Maravilhamento estético.

 

Natureza, artista de pincéis finos

Natureza, artista de melodias doces

Natureza, artista de lírica celestial.

Contemplação.

Entrega.

Silêncios internos.

Orquestra sob a batuta

De um regente maior.

Contemplação.

 

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GRITO DE PAVOR
Odonir Oliveira

Minha pele em chagas

Meu tronco em dor

 

Quem me socorre?

Quem me vivifica?

Quem me reanima?

 

Minha casca em chagas

Meu dorso lancetado

Meu colo esvaziado

 

Quem me socorre?

 

Meu útero semimorto

Minhas folhas sobreviventes

Meu de dentro se esvaindo

Meu de fora resistindo.

 

Quem me socorre?

 

Um fogo de fora

apagando

um fogo de dentro.

 

Quem me socorre?

Quem me vivifica?

Quem me reanima?

 

Um broto.

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NINHOS
Odonir Oliveira

 garim

pan

do

 

grave

tos

PE-SA-DOS

 

l

e

v

e

s

 

pl

…  umas

 p… e …n…a…s !

 

 oikós

domus

toca

covil

refúgio

 

ruivo

rubro

cordis

core

 

pro

criação

ninhada. 

Vídeo: Canal jnscam

 

A SAGA DOS BARCOS
Odonir Oliveira

 Não apague as marcas, deixe-as pelas águas, com os remos
abandone-as a esmo
entregue-as ao porvir
dos rios serão as almas dos que chegarem de outras vezes.

Os silêncios e os murmúrios
o que importarão,
se o que sempre valerá serão os sonhos das águas
e seu próprio silêncio.

Que restem as pegadas
as súplicas
os seixos
as ramas
que restem !

Vídeo: Canal jnscam

 

UNS BARCOS
Odonir Oliveira

Nessas ilhas de águas doces
barcos à deriva
ainda que juntos
esperam
anseiam
dançam

o vento é forte
dançam
o vento é doce
aguardam
o vento é visgo
acolhem

o vento não para de ventar
o vento ajuda a navegar
o vento, ainda que fraco,
segura-os nessas águas
doces
líricas
a não naufragar

doces ventos
ventos doces
águas doces
palavras doces

Canal: Odonir Oliveira

 

FLORES DO CAMPO
Odonir Oliveira

Caminho,

encontro flores do campo,

que lindas,

amarelas selvagens,

róseas-vermelho-alaranjadas,

germinadas vadias, florescidas ao léu,

alheias a cimento, areia, pedras.

 

De pouca água de sarjeta,

De muito sol avassalador,

alimentam-se,

robustas coloridas selvagens.

 

Livres, esparramam-se por aqui, ali, acolá.

 

Sem perfume.

 

Colho-as, que lindas,

Quero-as minhas.

Carrego-as em meu regaço

Mãos quentes

Olhos vigilantes

Caminho

Tropeço

Caminho

Apressadamente

Sofregamente

adonadamente.

 

Minhas,

sem perfume.

Minhas.

 

Aperto-as,

Que minhas.

 

Ao final do caminho,

sem vida,

sem viço,

sem beleza.

Sem perfume.

 

Mortas.

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O HOMEM CHORA
Odonir Oliveira

Esse homem chora de dor pelas águas

chora de dor pelos peixes

chora de dor pelo hoje

que não é mais o ontem

nem será mais o amanhã.

 

Esse homem chora

porque tem a pele das águas

a alma de lagoa e os olhos de ver.

Tem flores do campo,

orquídeas selvagens no dorso,

conversa com deuses da aquarela.

 

Esse homem chora

porque é menino que levita.

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O RAPAZ QUE PLANTAVA
Odonir Oliveira

Nos longes de um século outro,

uma rapaz aprendia

geometria

astronomia

zoologia

zootecnia

botânica

agronomia.

 

Sonhava com as estrelas

olhando a terra molhada

nas manhãs geladas

semeadas

pelos ventos gelados

de sua Barbacena.

 

O rapaz plantava no chão

os frutos que a terra lhe daria

por toda a vida.

Depois, pela eternidade também. 

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PEGADAS
Odonir Oliveira

São pegadas essas que deixo aqui

São pegadas as que deixas aí

São incursões de ti em mim

São passos molhados

pelas águas

pelas lágrimas

pela paixão.

Pegadas é só o que se deixa

na natureza, então.

 

Este post é uma homenagem a meu pai que sempre amou as árvores e os rios como ninguém.

 Fotos de arquivo pessoal

Clubinho da Leitura de Barbacena

CLUBINHO DA LEITURA DE BARBACENA “Plácido José de Oliveira”- MG

Trata-se de um trabalho voluntário que realizo com crianças e adolescentes, no bairro do Carmo, em Barbacena, desde 2014.

Os encontros acontecem duas vezes por semana pela manhã com um grupo de pequeninos e à tarde com os maiores.

Temos parceiros afetivos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ipatinga, Diamantina que doam livros e produzem materiais primorosos para o Clubinho.

Aqui lemos, desenhamos, interpretamos, jogamos, dançamos e bebemos o mundo juntos. Ler tem que ser muito bom!

 

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LER O MUNDO
Odonir Oliveira

 

bebo palavras

lambo ilustrações

sorvo metáforas, alegorias, hipérboles

de mim

de nós

de todos.

 

mastigo estrofes

degluto versos

sugo frases

chupo páginas

 

amo capas lombadas

devoro prefácios, sumários, epígrafes

 

Sou uma devoradora de livros

quase autofagia de meus mitos gregos

quase antropofagia de meus mestres poetas

quase dependência física de papéis escritos.

 

Essa sou eu.

Sei que é você.

Também.

Canal: jnscam

ACEITANDO UM DESAFIO

DEDICATÓRIA

Este vídeo foi editado, especialmente, para dar um salve bem humorado para a brilhante galerinha do Clubinho da Leitura de Barbacena, em Minas Gerais, que viaja na nave estelar comandada pela poetisa Odonir Oliveira.

Quem vai imitar melhor o som emitido pelo invocado Dino?
Será o Gustavo, o Rafael , a Aninha ou mais alguém?
Todos juntos?

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Assistindo ao clipe desafio, lendo imagens e dramatizando.

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PALAVRAS DE TUDO
Odonir Oliveira

 

Minha vida é feita de páginas.

Sem ler não concretizo voos

Sem ler não amanheço nem anoiteço,

e se entardeço

é porque sou em mim mesma um feixe de páginas

qual bambu

em touceiras

de difícil esfacelamento, destruição ou perda .

 

Quando de palavras me guarneço,

é com elas que me acasamato do mundo,

me resguardo das dores simples,

me afogo nas mais complexas,

irremediáveis e etéreas.

 

Palavras alimentam meu corpo,

atiçam meus desejos mais incompreensíveis,

sensorializam meu cotidiano mínimo,

transformando-o em rasantes sobre oceanos.

Canal: Odonir Oliveira

 

O MENINO QUE LEVITAVA

Odonir Oliveira

Ao clarear do dia o menino abria olhos arregalados
De beber o mundo.
Mas era pouco.

Montava seu cavalo alado
Como se dançasse com ele.
Era doce o menino.
E partia ao encontro de seus marimbondos
de suas rãs
e lagartixas.
Morcegos eram como flores do campo.

A tarde tinha a estrela vésper sempre a sua espera
E nela menino, cavalo e aventuras seguiam,
bebendo cada folha, cada árvore, cada trilha.
Mas era pouco.

Depois, pisar na água era um barulho celestial
Era cócega
Era música
Era verso
Era poesia.

Desmanchar rotas citadinas
Mergulhar no escuro de grutas cavernas, barcos e estradas.
Era pouco
Porque o menino ria, ria, mas ria tanto,
que de prazer
levitava.

E de baixo, em terra firme,
Ninguém o alcançava
E não era pouco!

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Canal: Edson Nogueira

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Tenho enormes preocupações com educação, em especial nesse momento aqui na cidade.

Meninos menores de 6 anos são praticamente forçados a escrever e, algumas escolinhas vivem mandando quantidades de tarefas para casa, que os meninos não dão conta ainda, nem querem fazer. Sobra aos pais, jovens, a tarefa de resolver os problemas.

Já os maiores tendem a detestar escola. Explico: na semana passada um professor de português “passou” para eles o filme Macunaíma, sem nenhum preparo ou desafio anterior. O rapazinho chegou aqui com um roteiro clichê para responder (com elementos que nada tinham a ver com a obra projetada, nada). Chegou falando mal do cinema brasileiro, de Macunaíma, dizendo que não tinha entendido nada etc.

Deu trabalho falar de cultura nacional com ele. Peguei a obra de M. de Andrade, lemos trechos, saboreamos a linguagem, contextualizamos os temas, desfecho, falamos das lendas amazônicas  etc. etc.

Ao final, entendeu que cinema (novo) usa uma linguagem; literatura, outra.

Meu jovem Matheus é garoto brilhante. Já leu Machado de Assis e autores clássicos estrangeiros também. Não permitirei que matem o prazer de ler de meus meninos e os impeçam de valorizar e gostar da cultura nacional.

Vídeo: Canal jnscam

 

TRANS-CRIANDO  o “Monstro” menino Manoel de Barros, as crianças do Clubinho brincam com letras, imagens, sons, pulos, gritos e sorriem. Talvez por isso mesmo sejam “leves, leves” e me ensinem aos poucos, aos pouquinhos, esta mesma leveza.

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Mariana, o Rio Doce e a dor de todos os brasileiros

Vídeo: Canal jnscam

 

RODA DE CONVERSA

Problematização dos fatos

– Quem saiu prejudicado com a lama? Quem é o responsável por isso? O que devemos fazer para punir quem fez isso e não deixar que aconteça de novo? De quem é o Rio Doce? E o mar, de quem é?

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FANTASIAS- “Agora eu era o herói….”

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TEM CLUBINHO FAÇA CHUVA FAÇA SOL OU SE MACHUQUE UM JOELHO

Assim foi quando subiram para minha casa porque eu não poderia descer escadas.

Ao chegar, maravilhados, que tenho tantas mineirices pela casa, já em São Paulo chamavam minha casa de Consulado Mineiro. Os olhinhos percorrendo tudo. Muitos dos componentes da sala como pássaros, coleção de conchas, de Santíssimos eles já conheciam que já os levara ao Clubinho. Mas os olhinhos de João Víctor, um rapagão de…. 5 anos, bateram na minha Olivetti Bambina vermelhinha.

– Quer pegar? Eu trago pra você- ofereci.

Poucos minutos foram suficientes para ele aprender tudo daquela máquina, até que as cores da fita ficavam ora preta, ora vermelha.

Olha, Odonir, a gente ‘digita’ e já imprime,. Que legal !

As descobertas deles são encantadoras porque sem amarras, sem muitas explicações, vou escutando, vou dividindo tarefas entre os maiores e os menores. Os primeiros já são contadores de histórias para os menores. Ouço e aplaudo.

Já pensaram o que é pegar conchas bem grandonas, de diversos tamanhos, procedências e cores, colocar no ouvido e descobrir coisas ali. Rubem Alves tem um texto lindo sobre conchas, que já li para eles. Uns entendem mais e explicam e eu, como Sócrates, tenho quase perguntas apenas.

Cada um oferece o que tem para oferecer. E formar pessoas mais críticas, observadoras e… risonhas faz bem pra caramba.

Cada um “lega” algo e de espécies diferentes. Valem mesmo são as nossas tentativas de ensinar crianças a gostarem de ler, a valorizarem a natureza salvando rios, árvores e consequentemente respeitando as pessoas. TODAS AS PESSOAS, sem tiranias, sem vilanias de quaisquer tipos.

Canal: internetcultura

Canal: Fabio Amadeus

 

Fotos de arquivo particular

Publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/o-clubinho-da-leitura-placido-jose-de-oliveira-em-barbacena

Publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/um-dia-de-furia-ataque-dos-dinossauros-no-clubinho-da-leitura

 

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Trens

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Lindas imagens de espaços e tempos que viajam na gente para sempre

Era assim sempre que acontecia nos verões da minha vida.

Na estrada já namorava as casinhas ao longe – quem moraria ali, como as crianças iriam à escola, como voltariam, não conseguindo adivinhar esses mistérios; assim, me fixava na paisagem como se fosse uma moldura dos meus sonhos de chegar e de partir.

Estradas sempre me percorreram fundo a alma.

Trem de carga, sem gente, que triste.

O país perdeu suas estações lotadas de pessoas de irem e virem.

Mas o bucolismo das estações ainda está tatuado em mim

Ainda que os vagões insistam em ser de carga apenas.

TREM DE CARGA

Odonir Oliveira

Nos dormentes,
vagões vazios
dormem
solitários
de vozes
risos abraços beijos.
Despedidas ausentes
chegadas ausentes
encontros e reencontros
ausentes.

Carga pesada
fantasma
que apita
chegadas
partidas
sem paradas
sem estações sentimentais
sem coloridos de saias e calças roçantes nos corpos
sem cheiro de corpos roçando os sentidos
sem massa de almas
desejos súplicas.
Vagões de carga apenas
suportando o peso das remessas diárias,
eternamente. 

Canal: Odonir Oliveira

VAGÕES
Odonir Oliveira


Há como um compasso aberto

no traçado de certas rotas.

Toca-se ao extremo a superfície

apoia-se a ponta seca nos dormentes

eriçam-se os cordeiros

empina-se a fornalha

queima-se um fogo eterno

por bancos, poltronas , estribos, trilhos. 

Vagões vagueiam por espaços etéreos

de estradas verticais qual pássaros audazes.

Há como uma geometria desconexa de espelho,

imagens se opõem ainda que as mesmas.

Há um mistério no sussurro lamento

do apito de um trem.

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VARANDAS
Odonir Oliveira

passa boi passa boiada

um monte

uma cerca

uma invernada.

passa boi passa boiada

um açude, um aceno

um olhar até onde pude.

apito aviso

apito grito

apito choro

apito lembranças

apito conversas

apito promessas

apito chegadas

apito despedidas.

um túnel esgarçando em mim

uma luz no fim começo

no fim travessia

no fim revelação.

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JANELA
Odonir Oliveira

Era sol

Era água

Era lago, lagoa, rio.

Era amanhecer

Era entardecer

Era anoitecer

Era madrugada em sintonia

Era madrugada em sinfonias.

Era gelosia centenária

Era veneziana secular

Era peitoral histórico.

Era janela dos olhos.

Era explosão do sentir.

Canal: Carlos Cunha

ALMA DE LAGOA
Odonir Oliveira

Olhos perscrutam

sinuosamente

terra pedra árvore

água estática

luz morrente

lagoa nuvem céu espelho.

Mergulho no tudo

mergulho no nada

Cores

seres vivos distantes

seres distantes vivos.

Metamorfose

água – céu

nuvem água

Formas

reformas

signos.

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OLHOS DE VER
Odonir Oliveira 


Ainda não
Agora sim ?
Ainda não.

Pés na água
Pés na terra
Pés no chão
Passos.
Agora sim ?
Ainda não.

Aguardo o instante
Aguardo a luz certa
O brilho certo
Aquela nuvem
Aquele movimento
Aquele tom

Giro o olho
Paro o olho
Encaro
Emolduro

Agora sim
Ainda, sim !

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UM  SÁBADO E UM RIO
Odonir Oliveira

“Clareia a manhã, é o dia marcado na margem do rio. Um trem ruma ao largo do rio. Um céu se abre em plumas e faíscas ao curso do rio. Umas ilhas de areia no curso, uma ponte, uma estação, outra estação. O sol se abre maior, a tepidez das águas de longe escorre pelos vidros do vagão. Imagens conhecidas desconhecidas congeladas nas telas das retinas eclipsadas por marchas de trilhos. O rio gêmeo ao trem segue em pedras, seixos, plumas e, no céu, nuvens quentes perseguem os vagões, qual anjos de guarda a encaminhar fadas e tapetes voadores em naus de velas e ventos eclipsados de dor. Que cheguem rios, lagos, lagoas perpassando ramais secos e caminhos férteis por águas mínimas de flores campestres e árvores nativas. Não há tempos tardios, sempre é cedo que o dia começa e estará ao meio. Nenhum traço de chuva, tempestade, raio, trovão. O rio corre. O trem corre. A manhã corre. O dia ao meio chegando. A hora seguinte no rumo, no sumo, no prumo, na água corrente, na vida corrente, no cavalo encilhado, galopando serras de viúvas, de moças solteiras, de virgens em transe. O rio costeiro, a tralha na garupa do cavalo baio acompanhando o tropeiro de olhar incomum serranamente contemplativo. Rio que vive, que segue, que escorre, rio que vai, rio que encontra o mar ainda que tarde.”

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CINEMA MONUMENTAL
Odonir Oliveira

Um filme circulava-lhe os pensares,

era longa-metragem sem intervalos

era cinemascope por vidros embaçados

era olhos fechados sem lanterninha

era roteiro de lembranças

ora sequência em plano aberto

ora close de rosto, dorso,  pernas.

 

Num sacudir de trem moderno,

a memória da fumaça de fuligens dos seus antes.

Tudo era análise, avaliação.

Partes esparsas, excertos, segmentos de poemas,

trechos de melodias, frases sem contexto,

fragmentos de situações em versos,

inversos, postos, opostos, repostos, dispostos.

 

Numa estação insone,

um caminhar ansioso

um encontro de asas

um flutuar de prazer.

 

Fotos de arquivo pessoal: cidades mineiras

O rio e eu

O Rio da minha Aldeia

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Fernando Pessoa

CURSOS
Odonir Oliveira

Corro

socorro

morro

recorro

entorno

torno

sorvo

movo

retorno

novo

provo

renovo

curso

recurso

impulso

pulso …

DISCURSOS 
Odonir Oliveira

 Falo

calo reparo ensaio falo

Penso

sinto penso sinto penso sinto

 

Morro

entrego nego renego corro

 

Escorro sangue

por margens

ribeiras

mangues

 

Encharco peles

ensaboo mãos

enxáguo braços

pélvis e dorsos

 

Renasço verde

repleto de seixos

ardendo em chamas

colhendo raízes

em mim.

 

LEITOS 
Odonir Oliveira

 Onde me deito,

leito sagrado,

corre espuma

desce torpor

exala ardor

concebo imagens

imagino paisagens

coloro personagens.

Estou vivo em margens,

passagens de um rio

passagens de um corpo

passagens de um afluente

entornando vida em mim.

VERMELHO
Odonir Oliveira

é sangue
é sangue de árvore
é sangue de ave
é sangue- veia
é sangue de ovas
é sangue de flor
é sangue torpor
é sangue pavor
é sangue grito- terror
vermelho sangue
doce rio vermelho exangue
em sua dor
em nossa dor.

LEGADO 
Odonir Oliveira

 

De meu pai mineiro,

nascido em Alto Rio Doce,

recebi um rio.

 

Guardei de suas palavras

o doce do nome,

a vida das águas,

o sublime barulho de seu correr

em meus ouvidos.

 

De meu pai mineiro,

herdei suas margens verdes

seus passarinhos cantores

suas pedras limadas nas águas

suas nascentes e foz.

 

De meu pai mineiro,

aprendi a beber água limpa de mãos em concha

ao dedilhar seu nome, doce rio Doce.

 

De meu pai mineiro,

guardo um grito

uma revolta

uma revolução.

 

– Filha, não deixe.

Não aceite.

Lute, busque, altere

Interfira.

 

Ah, doce rio Doce,

legado de meu pai!

 

O MENINO QUE LEVITAVA
Odonir Oliveira

Ao clarear do dia o menino abria olhos arregalados
De beber o mundo.
Mas era pouco.
Montava seu cavalo alado
Como se dançasse com ele.
Era doce o menino.
E partia ao encontro de seus marimbondos
de suas rãs e lagartixas.
Morcegos eram como flores do campo.

A tarde tinha a estrela vésper sempre a sua espera
E nela menino, cavalo e aventuras seguiam,
bebendo cada folha, cada árvore, cada trilha.
Mas era pouco.

Depois, pisar na água era um barulho celestial
Era cócega
Era música
Era verso
Era poesia.

Desmanchar rotas citadinas
Mergulhar no escuro de grutas cavernas, barcos e estradas.
Era pouco
Porque o menino ria, ria, mas ria tanto,
que de prazer levitava.

E de baixo, em terra firme,
ninguém o alcançava
E não era pouco !

 

Canal Odonir Oliveira

Imagens da Internet

Nua, na minha natureza

Canal: Marcio Antonio

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NUA E CRUA

Odonir Oliveira

Olho

sou galho seco

escorro de dentro um resto refugo de força

Sinto

sou pedra moldura cenário-parede separação

Reouço

marcas metros mudos surdos ecos absorção

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PURIFICAÇÃO DE SER

Odonir Oliveira

 

É quando abro meus entres

a ti

é que inundas com teus líquidos

a mim,

lavando-me entranhas

apagando monstros de filamentos doloridos

encharcando-me de perfumes de mato água e chão

exorcizando fantasmas de meus músculos sangrentos

encachoeirando minhas carnes nas espumas de tuas águas.

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Canal: Cleide Brito

Canal: Odonir Oliveira

 

NARCISO

Odonir Oliveira

 

Quem é você Narciso

que encontro na vereda da minha salvação

atropeladamente

bruscamente

impactantemente?

 

Quem é você Narciso

que abraço nas águas como se fora um sertão

embriagadamente

ingenuamente

instantaneamente?

Quem é você Narciso

que me entontece de intrigas

em um torvelinho de dores flores amores

tropegamente

bastardamente

inominadamente?

 

Quem é você Narciso

que me acaricia e me chicoteia com o mesmo rigor

nas manhãs  tardes noites e madrugadas

em meus lagos rios e cachoeiras?

 

Revele-se

Quem é você Narciso?

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HOMEM NU

Odonir Oliveira

Há em ti um medo insofismável de ser

Há em ti um esconderijo de tempos espaços externos e iluminados

Há em ti um entranhar-se em ti, como caverna de um Platão inédito

Há em ti espaços impenetráveis até por ti mesmo.

Há em ti um tom fúnebre de vazio existencial

Há em ti um carpe diem funesto e não libertador

Há em ti enigmas segredos secularmente indecifráveis

Há em ti um fugere urbem que se pretende equacionador

Há em ti uma rebelião dos valores estamentais sociais religiosos

Há em ti um sagrado íntimo trancado em celas-cárceres-degredos

Há em ti um código de valores herdado e mantido a ferrolhos

Há em ti um reflexo que não é o de ti

mas o de um outro que a ti intentas impor.

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Canal: Odonir Oliveira

EMOÇÃO ESTÉTICA

Odonir Oliveira

Pré- lúdio
procura … encontro
tronco firme
beleza cor forma impacto
reentrâncias imperfeições
perfeição
olhos verticalmente embevecidos.

tato majestosamente ativo
surpresa estética
ambição de posse
prazer repartido
êxtase parcial.

tronco árvore
posição de cruz
tronco galhos folhas atados
firmes eretos vibrantes
tocam-se
tocam-nos,
orgonicamente,
prazer estético.

folhas galhos dançam
levemente
suavemente
ritmadamente
freneticamente

natural- mente
êxtase total !

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AQUELA FIGUEIRA

Odonir Oliveira

Na vereda
encontrei aquela figueira.
Fiquei ali.
Copa magnífica.
Dos verdes, todos.
De denso, o tronco.
De lastro, histórias
De expressão, singular.
Estáticas, ambas.
Incomum.
Raízes para sempre em mim.

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Canal: Odonir Oliveira

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NUA , SEMPRE NUA

Odonir Oliveira

 

Meu corpo catedral

de vitrais simples

sem retoques de coloridos resplandecentes

recebe luz e vibra quando tocado.

 

Meu corpo barco

carrega meu navegante espírito,

marujos de braços firmes de olhares incomuns

marujos de peles ágeis de mãos quentes e rostos invulgares.

 

Meu corpo cofre

instala sementes de flores selvagens de frutos da paixão,

recebe mel de frutas silvestres de sabor estrangeiro.

 

Meu corpo

é um pouso

Meu corpo

é um porto.

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Canal: Odonir Oliveira

 

TODA NUDEZ SERÁ PERDOADA

Odonir Oliveira

 

Despe-se o corpo

da mulher metáfora

da mulher antítese

da mulher metonímia

da mulher eufemismo

da mulher onomatopeia

 

Despe-se o corpo

da mulher signo do sexo do medo do amargor

Despe-se o corpo

da mulher frasco embalagem colírio  motivo

 

Despe-se o corpo

da mulher fresca tenra rija excitante

Despe-se o corpo

da mulher frágil entregue carente

 

Despe-se o corpo

da mulher estrada barro lodo chão

Despe-se o corpo

da mulher marcas suspiros chegadas e partidas

 

Despe-se um corpo de carne e osso.

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Canal: Simone Grupo Cigarra Fã Clube

Fotos:

Mel Melissa Maurer – Instantes  fotos ao álbum “NUde

NUde por Mel Melissa Maurer ( … ) instantes

facebook/melmelissamaurer
instagram/melmelissamaurer

‪#‎melmelissamaurer‬ ‪#‎nude‬ ‪#‎apenasporuminstante‬ ‪#‎instantes‬
‪#‎ensaiofotografico‬ ‪#‎fotografiaartistica‬ ‪#‎photographer‬ ‪#‎photoart‬‪#‎chapadadosveadeiros‬ ‪#‎nuartistico‬ ‪#‎poesia‬ ‪#‎artisticnu‬ ‪#‎artisticnude‬‪#‎nudephotography‬

Mãos que tocam em mim

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“Dá-me as mãos por brincadeira

Na dança que não dançamos,

Porque isso é uma maneira

De dizer o que pensamos.”

Fernando Pessoa

AFAGOS

Odonir Oliveira

 

Abriu-te as mãos como cofres

a depositares teus beijos carícias afetos

Abriu-te as mãos como um mato

a penetrares com teus passos surdos

Abriu-te as mãos como rios

a navegares em descobertas.

Abriu-te as mãos como um túnel

a carregares teus vagões apitando por trilhos.

 

 

 

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DIGITAIS

Odonir Oliveira

 

cheiro forte de aventura

perfume de lirismos

aroma de desejos

fragrância de morenice

 

sabor de maracujá

gosto de cevada lúpulo álcool

língua de doces ásperos

boca de peles pélvis pelos

 

dedos singulares únicos

marcas tatuadas em documentos próprios

identidade

identificação.

 

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Tela de Pino Daeni

Canal: Odonir Oliveira

 

AÇÕES

Odonir Oliveira

 

punhos

pulsos

palmas

 

linhas de passado presente futuro

tarsos metatarsos

dedos de nós

unhas na pele

riscando linhas outras

desejos suspiros convulsões

 

começos meios e fins

infinitos fins

infindáveis fins afins

de mãos que mexem

de mãos que cobrem

de mãos que conspiram

de mãos que apalpam

de mãos que gozam

o gozo do viver.

 

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Tela de Pino Daeni

 

UM DOCE FASTIO

Odonir Oliveira

 

um toque leve

a espuma

a palma

os dedos

a tensão

a tesão

a água em bolhas

bolhas tolas

mãos tolas

mãos bêbadas

mãos cegas

mãos doces

mãos escorregadias

mãos de dedos ágeis

mãos de sons dionisíacos

água mero cenário

água mera moldura

 

competição de bolhas,

plumas líricas no ar.

COMPANHEIRAS MÃOS

Odonir Oliveira

 

Tocam-se e se reconhecem

Segurança da entrega

Apoio e rota.

 

Tocam-se e se reconhecem

Gesto hereditário no ser

Selo hereditário no haver

Tom de voz

Rigor no olhar

Maciez da voz

Ginga no caminhar.

 

Mãos que sentem.

 

Imagens da internet

 

 

 

Eu quero é botar meu bloco na rua …

BLOCO DURO

Odonir Oliveira

 

missa na catedral

corpo pendurado

corpo exilado

corpo seviciado

corpo sumido

corpo meu

corpo teu

corpo nosso

corpos nisso.

 

imagens distorcidas

vozes sufocadas

portas lacradas

estupor

angústia

fel

vinagre

dominicanos

dor.

 

bloco na rua

blocos nas ruas

vielas becos travessas

melodias amordaçadas

sonhos torturados

medos.

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BLOCO OPERÁRIO

Odonir Oliveira

 

pai metalúrgico,

líder sindical,

reuniões eternas

discussões democráticas

o coletivo primeiro

o todo primeiro

repartir repartir  repartir

necessidades menores

satisfações maiores.

 

Um bairro operário

na rota,

FNM.

Depois

um bairro Assunção,

um São Bernardo

redimindo desvãos,

o coletivo, a repartição

a entrega, o recolho

a participação

 

Bendito, o fruto do pai.

Bendito, o fruto operário.

BLOCO DOS FAMINTOS

Odonir Oliveira

 

fome

ignorância

seleção cruel

hipocrisias

benesses

ortodoxias

sociologias torpes.

Crescer o bolo

depois repartir.

Mobral, madureza,

por décadas

seca

nomadismos

exílios

marginalização

discriminação

por séculos.

Céu sem estrelas.

BLOCO “NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS !”

Odonir Oliveira

 

Um filho teu não foge à luta,

empunha bandeiras,

entoa cânticos hinos loas

distribui esperanças

vence o medo.

Vencem os medos.

carne feijão arroz ovo leite

luz água cisternas

mães assistidas

as bolsas das famílias celebradas

escola para todos

informática

inglês natação teatro

física em laboratórios

bibliotecas computadores,

moto-contínuo

universidades públicas gratuitas.

Viagens de ônibus …

Viagens de avião …

Geladeira fogão máquina de lavar

Televisão moderna

Celulares iguais aos dos patrões.

Banda larga.

Filhos nas universidades como os dos patrões.

Bloco dos sem dentes de Darcy,

bloco dos com dentes e dotes agora.

UNIDOS ESCOLA DA RESISTÊNCIA

Odonir Oliveira

 

Eles não desistem

Eles não entregam

Eles não aceitam

Eles não acatam

Atacam.

 

Vígílias nos blocos duros?

Vigília nos blocos dos famintos.

Vigília nos blocos dos solidários.

 

Vigiai.

Sempre.

Post dedicado a PLÁCIDO JOSÉ DE OLIVEIRA- meu pai, ex- metalúrgico de boa cepa.

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