Sinfonias dos espíritos das matas

A hora do barqueiro

Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,
Que em minha fronte renovadas ponho.
Para mim tece as tuas,
Que as minhas eu não vejo.
Se não pesar na vida melhor gozo
Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo,
Surdos conciliemos
O insubsistente surdo.
Coroemo-nos pois uns para os outros,
E brindemos uníssonos à sorte
Que houver, até que chegue

 

A hora do barqueiro. Ricardo Reis, in ‘Odes’ (Heterônimo de Fernando Pessoa) 

ESPÍRITOS DA FLORESTA

Espíritos domesticam
olhares, sentires e ficares,
pelo cheiro, pelo vento,
pelo sons do mato do sertão.
Espíritos atraem por rochas, por águas, por céus.
Espíritos nas florestas
polinizam almas inquietas
Para sempre.
 

O MENINO QUE HÁ EM MIM

Se me sei livre,
me vejo aprisionada
em um corpo
que não mais é o meu de nascimento.
Este que me carrega as forças
não tem o viço do outro
o peito cheio de sonhos
a cabeça enfeitada por desejos
as mãos de perseguir bolinhas de mercúrio dos termômetros.
 
O que sei é que o menino que havia em mim
já há muito deixou este corpo
e vive em outro
fresco de memórias
doce de afagos
encantado com um trem.

 

AQUELA FIGUEIRA

Na vereda
encontrei aquela figueira.
Fiquei ali.
Copa magnífica.
Dos verdes, todos.
De denso, o tronco.
De lastro, histórias
De expressão, singular.
Estáticas, ambas.
Incomum.
Raízes para sempre em mim.

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LADO A LADO

gramínea nativa
purificando
enfeitando
 decorando
alimentando
o ar que respiro
as matas em que piso
as casas que me acolhem
as estradas que me recebem
 
Não se dobra sozinha
Menos ainda em feixes
 
ar
terra
força
berço
união
 
Beleza !

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O GRITO DAS CIGARRAS

Aquela vontade
Insuportável
Insustentável
Insuperável
De gritar
De fazer chegar
De mandar dizer
De pedir para contarem
 
Ah, gritar pelas ruas
Nas madrugadas peregrinas,
Um assobio ensurdecedor de cigarra.

 

RAÍZES DE HOMENS

Há certos homens que têm caules vigorosos.
São eles que semeiam a terra
afagam sementes
exalam perfumes de flores
recolhem os frutos doces.
 
 Há certos homens que encostam as mãos na terra
a fortificam com seus dedos ásperos
a revolvem com palmas ardentes
a fertilizam com braços seguros.
 
Há certos homens que têm raízes em lugar de pés,
fincam-se inexoravelmente.

 

ORQUÍDEAS NATIVAS

flores
poemas seminais
imagens naturais
espalhadas aos ventos
 
crianças
sem pecado original
belas
puras
verdadeiras
brejeiras
parceiras
 
imagens
versos
crianças
espalhadas pelos ares, pelos mares,
pelos rios, pelos lagos
 
flores coloridas
almas coloridas
paisagens inesquecíveis.

TRILHAS

Obstáculo à frente.
Transpor.
Pedregulho.
 
– Vem, vem, me segue , me dá a mão. Vem.
– Estou com medo. Não.
– Não, vem; me segue aqui, cuidado.
 
trilha, chão, folha, pedra
Cansaço.
– Não vou conseguir.
– Vai sim, só mais um pouco. Eu ajudo, vem.
trilha, chão, folha, pedra
 
Viagem de dentro pra fora.
Dorso de almas
Canto de terra, água e pedra.
Promessa do prazer ao final.
 
Vem, mais um pouco, me segue.
– Sigo, me dá a mão.
 
Viagem de fora pra dentro
Conquistas, dificuldades, tropeços.
 
Encantamento.
Maravilhamento estético.
 
Natureza, artista de pincéis finos
Natureza, artista de melodias doces
Natureza, artista de lírica celestial.
 
Contemplação.
Entrega.
Silêncios internos.
Orquestra sob a batuta
De um regente maior.
 
Contemplação.

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GRITO DE PAVOR

Minha pele em chagas
Meu tronco em dor
Quem me socorre?
Quem me vivifica?
Quem me reanima?
Minha casca em chagas
Meu dorso lancetado
Meu colo esvaziado
Quem me socorre?
Meu útero semimorto
Minhas folhas sobreviventes
Meu de dentro se esvaindo
Meu de fora resistindo.
Quem me socorre?
Um fogo de fora
apagando
um fogo de dentro.
Quem me socorre?
Quem me vivifica?
Quem me reanima?
Um broto.

 

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NINHOS

 garim
pan
do
 
grave
tos
PE-SA-DOS
 
l
e
v
e
s
 
pl
…  umas
 p… e …n…a…s !
 
 oikós
domus
toca
covil
refúgio
 
ruivo
rubro
cordis
core
 
pro
criação
ninhada. 

 

A SAGA DOS BARCOS

 Não apague as marcas, deixe-as pelas águas, com os remos
abandone-as a esmo
entregue-as ao porvir
dos rios serão as almas dos que chegarem de outras vezes.

Os silêncios e os murmúrios
o que importarão,
se o que sempre valerá serão os sonhos das águas
e seu próprio silêncio.

Que restem as pegadas
as súplicas
os seixos
as ramas
que restem !

UNS BARCOS

Nessas ilhas de águas doces
barcos à deriva
ainda que juntos
esperam
anseiam
dançam

o vento é forte
dançam
o vento é doce
aguardam
o vento é visgo
acolhem

o vento não para de ventar
o vento ajuda a navegar
o vento, ainda que fraco,
segura-os nessas águas
doces
líricas
a não naufragar

doces ventos
ventos doces
águas doces
palavras doces

FLORES DO CAMPO

Caminho,
encontro flores do campo,
que lindas,
amarelas selvagens,
róseas-vermelho-alaranjadas,
germinadas vadias, florescidas ao léu,
alheias a cimento, areia, pedras.
 
De pouca água de sarjeta,
De muito sol avassalador,
alimentam-se,
robustas coloridas selvagens.
Livres, esparramam-se por aqui, ali, acolá.
Sem perfume.
 
Colho-as, que lindas,
Quero-as minhas.
Carrego-as em meu regaço
Mãos quentes
Olhos vigilantes
 
Caminho
Tropeço
Caminho
Apressadamente
Sofregamente
adonadamente.
 
Minhas,
sem perfume.
Minhas.
 
Aperto-as,
Que minhas.
 
Ao final do caminho,
sem vida,
sem viço,
sem beleza.
Sem perfume.
 
Mortas.

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O HOMEM CHORA

Esse homem chora de dor pelas águas
chora de dor pelos peixes
chora de dor pelo hoje
que não é mais o ontem
nem será mais o amanhã.
 
Esse homem chora
porque tem a pele das águas
a alma de lagoa e os olhos de ver.
Tem flores do campo,
orquídeas selvagens no dorso,
conversa com deuses da aquarela.
 
Esse homem chora
porque é menino que levita.

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O RAPAZ QUE PLANTAVA

Nos longes de um século outro,
uma rapaz aprendia
geometria
astronomia
zoologia
zootecnia
botânica
agronomia.
 
Sonhava com as estrelas
olhando a terra molhada
nas manhãs geladas
semeadas
pelos ventos gelados
de sua Barbacena.
 
O rapaz plantava no chão
os frutos que a terra lhe daria
por toda a vida.
 
Depois, pela eternidade também. 

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PEGADAS

São pegadas essas que deixo aqui
São pegadas as que deixas aí
São incursões de ti em mim
São passos molhados
pelas águas
pelas lágrimas
pela paixão.
 
Pegadas é só o que se deixa
na natureza, então.

 

Este post é uma homenagem a meu pai que sempre amou as árvores e os rios como ninguém.

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

1º, 2º, 3º, 5º, 7º, 8º Vídeos: Canal jnscam

4º, 6º, 9º Vídeos: Canal Odonir Oliveira

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Clubinho da Leitura de Barbacena

CLUBINHO DA LEITURA DE BARBACENA “Plácido José de Oliveira”- MG

Trata-se de um trabalho voluntário que realizo com crianças e adolescentes, no bairro do Carmo, em Barbacena, desde 2014.

Os encontros acontecem duas vezes por semana pela manhã com um grupo de pequeninos e à tarde com os maiores.

Temos parceiros afetivos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ipatinga, Diamantina que doam livros e produzem materiais primorosos para o Clubinho.

Aqui lemos, desenhamos, interpretamos, jogamos, dançamos e bebemos o mundo juntos. Ler tem que ser muito bom!

 

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LER O MUNDO
Odonir Oliveira

 

bebo palavras

lambo ilustrações

sorvo metáforas, alegorias, hipérboles

de mim

de nós

de todos.

 

mastigo estrofes

degluto versos

sugo frases

chupo páginas

 

amo capas lombadas

devoro prefácios, sumários, epígrafes

 

Sou uma devoradora de livros

quase autofagia de meus mitos gregos

quase antropofagia de meus mestres poetas

quase dependência física de papéis escritos.

 

Essa sou eu.

Sei que é você.

Também.

Canal: jnscam

ACEITANDO UM DESAFIO

DEDICATÓRIA

Este vídeo foi editado, especialmente, para dar um salve bem humorado para a brilhante galerinha do Clubinho da Leitura de Barbacena, em Minas Gerais, que viaja na nave estelar comandada pela poetisa Odonir Oliveira.

Quem vai imitar melhor o som emitido pelo invocado Dino?
Será o Gustavo, o Rafael , a Aninha ou mais alguém?
Todos juntos?

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Assistindo ao clipe desafio, lendo imagens e dramatizando.

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PALAVRAS DE TUDO
Odonir Oliveira

 

Minha vida é feita de páginas.

Sem ler não concretizo voos

Sem ler não amanheço nem anoiteço,

e se entardeço

é porque sou em mim mesma um feixe de páginas

qual bambu

em touceiras

de difícil esfacelamento, destruição ou perda .

 

Quando de palavras me guarneço,

é com elas que me acasamato do mundo,

me resguardo das dores simples,

me afogo nas mais complexas,

irremediáveis e etéreas.

 

Palavras alimentam meu corpo,

atiçam meus desejos mais incompreensíveis,

sensorializam meu cotidiano mínimo,

transformando-o em rasantes sobre oceanos.

Canal: Odonir Oliveira

 

O MENINO QUE LEVITAVA

Odonir Oliveira

Ao clarear do dia o menino abria olhos arregalados
De beber o mundo.
Mas era pouco.

Montava seu cavalo alado
Como se dançasse com ele.
Era doce o menino.
E partia ao encontro de seus marimbondos
de suas rãs
e lagartixas.
Morcegos eram como flores do campo.

A tarde tinha a estrela vésper sempre a sua espera
E nela menino, cavalo e aventuras seguiam,
bebendo cada folha, cada árvore, cada trilha.
Mas era pouco.

Depois, pisar na água era um barulho celestial
Era cócega
Era música
Era verso
Era poesia.

Desmanchar rotas citadinas
Mergulhar no escuro de grutas cavernas, barcos e estradas.
Era pouco
Porque o menino ria, ria, mas ria tanto,
que de prazer
levitava.

E de baixo, em terra firme,
Ninguém o alcançava
E não era pouco!

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Canal: Edson Nogueira

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Tenho enormes preocupações com educação, em especial nesse momento aqui na cidade.

Meninos menores de 6 anos são praticamente forçados a escrever e, algumas escolinhas vivem mandando quantidades de tarefas para casa, que os meninos não dão conta ainda, nem querem fazer. Sobra aos pais, jovens, a tarefa de resolver os problemas.

Já os maiores tendem a detestar escola. Explico: na semana passada um professor de português “passou” para eles o filme Macunaíma, sem nenhum preparo ou desafio anterior. O rapazinho chegou aqui com um roteiro clichê para responder (com elementos que nada tinham a ver com a obra projetada, nada). Chegou falando mal do cinema brasileiro, de Macunaíma, dizendo que não tinha entendido nada etc.

Deu trabalho falar de cultura nacional com ele. Peguei a obra de M. de Andrade, lemos trechos, saboreamos a linguagem, contextualizamos os temas, desfecho, falamos das lendas amazônicas  etc. etc.

Ao final, entendeu que cinema (novo) usa uma linguagem; literatura, outra.

Meu jovem Matheus é garoto brilhante. Já leu Machado de Assis e autores clássicos estrangeiros também. Não permitirei que matem o prazer de ler de meus meninos e os impeçam de valorizar e gostar da cultura nacional.

Vídeo: Canal jnscam

 

TRANS-CRIANDO  o “Monstro” menino Manoel de Barros, as crianças do Clubinho brincam com letras, imagens, sons, pulos, gritos e sorriem. Talvez por isso mesmo sejam “leves, leves” e me ensinem aos poucos, aos pouquinhos, esta mesma leveza.

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Mariana, o Rio Doce e a dor de todos os brasileiros

Vídeo: Canal jnscam

 

RODA DE CONVERSA

Problematização dos fatos

– Quem saiu prejudicado com a lama? Quem é o responsável por isso? O que devemos fazer para punir quem fez isso e não deixar que aconteça de novo? De quem é o Rio Doce? E o mar, de quem é?

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FANTASIAS- “Agora eu era o herói….”

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TEM CLUBINHO FAÇA CHUVA FAÇA SOL OU SE MACHUQUE UM JOELHO

Assim foi quando subiram para minha casa porque eu não poderia descer escadas.

Ao chegar, maravilhados, que tenho tantas mineirices pela casa, já em São Paulo chamavam minha casa de Consulado Mineiro. Os olhinhos percorrendo tudo. Muitos dos componentes da sala como pássaros, coleção de conchas, de Santíssimos eles já conheciam que já os levara ao Clubinho. Mas os olhinhos de João Víctor, um rapagão de…. 5 anos, bateram na minha Olivetti Bambina vermelhinha.

– Quer pegar? Eu trago pra você- ofereci.

Poucos minutos foram suficientes para ele aprender tudo daquela máquina, até que as cores da fita ficavam ora preta, ora vermelha.

Olha, Odonir, a gente ‘digita’ e já imprime,. Que legal !

As descobertas deles são encantadoras porque sem amarras, sem muitas explicações, vou escutando, vou dividindo tarefas entre os maiores e os menores. Os primeiros já são contadores de histórias para os menores. Ouço e aplaudo.

Já pensaram o que é pegar conchas bem grandonas, de diversos tamanhos, procedências e cores, colocar no ouvido e descobrir coisas ali. Rubem Alves tem um texto lindo sobre conchas, que já li para eles. Uns entendem mais e explicam e eu, como Sócrates, tenho quase perguntas apenas.

Cada um oferece o que tem para oferecer. E formar pessoas mais críticas, observadoras e… risonhas faz bem pra caramba.

Cada um “lega” algo e de espécies diferentes. Valem mesmo são as nossas tentativas de ensinar crianças a gostarem de ler, a valorizarem a natureza salvando rios, árvores e consequentemente respeitando as pessoas. TODAS AS PESSOAS, sem tiranias, sem vilanias de quaisquer tipos.

Canal: internetcultura

Canal: Fabio Amadeus

 

Fotos de arquivo particular

Publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/o-clubinho-da-leitura-placido-jose-de-oliveira-em-barbacena

Publicado em: http://jornalggn.com.br/blog/odonir-oliveira/um-dia-de-furia-ataque-dos-dinossauros-no-clubinho-da-leitura

 

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Trens

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Lindas imagens de espaços e tempos que viajam na gente para sempre

Era assim sempre que acontecia nos verões da minha vida.

Na estrada já namorava as casinhas ao longe – quem moraria ali, como as crianças iriam à escola, como voltariam, não conseguindo adivinhar esses mistérios; assim, me fixava na paisagem como se fosse uma moldura dos meus sonhos de chegar e de partir.

Estradas sempre me percorreram fundo a alma.

Trem de carga, sem gente, que triste.

O país perdeu suas estações lotadas de pessoas de irem e virem.

Mas o bucolismo das estações ainda está tatuado em mim

Ainda que os vagões insistam em ser de carga apenas.

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TREM DE CARGA

Nos dormentes,
vagões vazios
dormem
solitários
de vozes
risos abraços beijos.
Despedidas ausentes
chegadas ausentes
encontros e reencontros
ausentes.

Carga pesada
fantasma
que apita
chegadas
partidas
sem paradas
sem estações sentimentais
sem coloridos de saias e calças roçantes nos corpos
sem cheiro de corpos roçando os sentidos
sem massa de almas
desejos súplicas.
Vagões de carga apenas
suportando o peso das remessas diárias,
eternamente. 

VAGÕES

Há como um compasso aberto
no traçado de certas rotas.
Toca-se ao extremo a superfície
apoia-se a ponta seca nos dormentes
eriçam-se os cordeiros
empina-se a fornalha
queima-se um fogo eterno
por bancos, poltronas , estribos, trilhos.
Vagões vagueiam por espaços etéreos
de estradas verticais qual pássaros audazes.
Há como uma geometria desconexa de espelho,
imagens se opõem ainda que as mesmas.
Há um mistério no sussurro lamento
do apito de um trem.

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VARANDAS

passa boi passa boiada
um monte
uma cerca
uma invernada.
passa boi passa boiada
um açude, um aceno
um olhar até onde pude.
apito aviso
apito grito
apito choro
apito lembranças
apito conversas
apito promessas
apito chegadas
apito despedidas.
um túnel esgarçando em mim
uma luz no fim começo
no fim travessia
no fim revelação.

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JANELA

Era sol
Era água
Era lago, lagoa, rio.
Era amanhecer
Era entardecer
Era anoitecer
Era madrugada em sintonia
Era madrugada em sinfonias.
Era gelosia centenária
Era veneziana secular
Era peitoral histórico.
Era janela dos olhos.
Era explosão do sentir.

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ALMA DE LAGOA

Olhos perscrutam
sinuosamente
terra pedra árvore
água estática
luz morrente
lagoa nuvem céu espelho.
Mergulho no tudo
mergulho no nada
Cores
seres vivos distantes
seres distantes vivos.
Metamorfose
água – céu
nuvem água
Formas
reformas
signos.

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OLHOS DE VER

Ainda não
Agora sim ?
Ainda não.

Pés na água
Pés na terra
Pés no chão
Passos.
Agora sim ?
Ainda não.

Aguardo o instante
Aguardo a luz certa
O brilho certo
Aquela nuvem
Aquele movimento
Aquele tom

Giro o olho
Paro o olho
Encaro
Emolduro

Agora sim
Ainda, sim !

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UM  SÁBADO E UM RIO

“Clareia a manhã, é o dia marcado na margem do rio. Um trem ruma ao largo do rio. Um céu se abre em plumas e faíscas ao curso do rio. Umas ilhas de areia no curso, uma ponte, uma estação, outra estação. O sol se abre maior, a tepidez das águas de longe escorre pelos vidros do vagão. Imagens conhecidas desconhecidas congeladas nas telas das retinas eclipsadas por marchas de trilhos. O rio gêmeo ao trem segue em pedras, seixos, plumas e, no céu, nuvens quentes perseguem os vagões, qual anjos de guarda a encaminhar fadas e tapetes voadores em naus de velas e ventos eclipsados de dor. Que cheguem rios, lagos, lagoas perpassando ramais secos e caminhos férteis por águas mínimas de flores campestres e árvores nativas. Não há tempos tardios, sempre é cedo que o dia começa e estará ao meio. Nenhum traço de chuva, tempestade, raio, trovão. O rio corre. O trem corre. A manhã corre. O dia ao meio chegando. A hora seguinte no rumo, no sumo, no prumo, na água corrente, na vida corrente, no cavalo encilhado, galopando serras de viúvas, de moças solteiras, de virgens em transe. O rio costeiro, a tralha na garupa do cavalo baio acompanhando o tropeiro de olhar incomum serranamente contemplativo. Rio que vive, que segue, que escorre, rio que vai, rio que encontra o mar ainda que tarde.”

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CINEMA MONUMENTAL

Um filme circulava-lhe os pensares,
era longa-metragem sem intervalos
era cinemascope por vidros embaçados
era olhos fechados sem lanterninha
era roteiro de lembranças
ora sequência em plano aberto
ora close de rosto, dorso,  pernas.
Num sacudir de trem moderno,
a memória da fumaça de fuligens dos seus antes.
Tudo era análise, avaliação.
Partes esparsas, excertos, segmentos de poemas,
trechos de melodias, frases sem contexto,
fragmentos de situações em versos,
inversos, postos, opostos, repostos, dispostos.
Numa estação insone,
um caminhar ansioso
um encontro de asas
um flutuar de prazer.
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Texto e poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal: cidades mineiras

1º Vídeo: Canal Mou Marques

2º Vídeo: Canal: Odonir Oliveira

O rio e eu

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O Rio da minha Aldeia

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Fernando Pessoa

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CURSOS

Corro
socorro
morro
recorro
entorno
torno
sorvo
movo
retorno
novo
provo
renovo
curso
recurso
impulso
pulso …

 

DISCURSOS

Falo
calo reparo ensaio falo
Penso
sinto penso sinto penso sinto
Morro
entrego nego renego corro
Escorro sangue
por margens
ribeiras
mangues
Encharco peles
ensaboo mãos
enxáguo braços
pélvis e dorsos
Renasço verde
repleto de seixos
ardendo em chamas
colhendo raízes
em mim.

LEITOS 

Onde me deito,
leito sagrado,
corre espuma
desce torpor
exala ardor
concebo imagens
imagino paisagens
coloro personagens.
Estou vivo em margens,
passagens de um rio
passagens de um corpo
passagens de um afluente
entornando vida em mim.
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VERMELHO

é sangue
é sangue de árvore
é sangue de ave
é sangue- veia
é sangue de ovas
é sangue de flor
é sangue torpor
é sangue pavor
é sangue grito- terror
vermelho sangue
doce rio vermelho exangue
em sua dor
em nossa dor.

LEGADO 

De meu pai mineiro,
nascido em Alto Rio Doce,
recebi um rio.
Guardei de suas palavras
o doce do nome,
a vida das águas,
o sublime barulho de seu correr
em meus ouvidos.
De meu pai mineiro,
herdei suas margens verdes
seus passarinhos cantores
suas pedras limadas nas águas
suas nascentes e foz.
De meu pai mineiro,
aprendi a beber água limpa de mãos em concha
ao dedilhar seu nome, doce rio Doce.
De meu pai mineiro,
guardo um grito
uma revolta
uma revolução.
– Filha, não deixe.
Não aceite.
Lute, busque, altere
Interfira.
Ah, doce rio Doce,
legado de meu pai!
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O MENINO QUE LEVITAVA

Ao clarear do dia o menino abria olhos arregalados
De beber o mundo.
Mas era pouco.
Montava seu cavalo alado
Como se dançasse com ele.
Era doce o menino.
E partia ao encontro de seus marimbondos
de suas rãs e lagartixas.
Morcegos eram como flores do campo.

A tarde tinha a estrela vésper sempre a sua espera
E nela menino, cavalo e aventuras seguiam,
bebendo cada folha, cada árvore, cada trilha.
Mas era pouco.

Depois, pisar na água era um barulho celestial
Era cócega
Era música
Era verso
Era poesia.

Desmanchar rotas citadinas
Mergulhar no escuro de grutas cavernas, barcos e estradas.
Era pouco
Porque o menino ria, ria, mas ria tanto,
que de prazer levitava.

E de baixo, em terra firme,
ninguém o alcançava
E não era pouco !

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeos: Canal jnscam e Canal Odonir Oliveira

Nua, na minha natureza

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NUA E CRUA

Olho
sou galho seco
escorro de dentro um resto refugo de força
Sinto
sou pedra moldura cenário-parede separação
Reouço
marcas metros mudos surdos ecos absorção

 

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PURIFICAÇÃO DE SER

É quando abro meus entres
a ti
é que inundas com teus líquidos
a mim,
lavando-me entranhas
apagando monstros de filamentos doloridos
encharcando-me de perfumes de mato água e chão
exorcizando fantasmas de meus músculos sangrentos
encachoeirando minhas carnes nas espumas de tuas águas.

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NARCISO

Quem é você Narciso
que encontro na vereda da minha salvação
atropeladamente
bruscamente
impactantemente?
 
Quem é você Narciso
que abraço nas águas como se fora um sertão
embriagadamente
ingenuamente
instantaneamente?
 
Quem é você Narciso
que me entontece de intrigas
em um torvelinho de dores flores amores
tropegamente
bastardamente
inominadamente? 
 
Quem é você Narciso
que me acaricia e me chicoteia com o mesmo rigor
nas manhãs  tardes noites e madrugadas
em meus lagos rios e cachoeiras?
 
Revele-se
Quem é você Narciso?

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HOMEM NU

Há em ti um medo insofismável de ser
Há em ti um esconderijo de tempos espaços externos e iluminados
Há em ti um entranhar-se em ti, como caverna de um Platão inédito
Há em ti espaços impenetráveis até por ti mesmo.
Há em ti um tom fúnebre de vazio existencial
Há em ti um carpe diem funesto e não libertador
Há em ti enigmas segredos secularmente indecifráveis
Há em ti um fugere urbem que se pretende equacionador
Há em ti uma rebelião dos valores estamentais sociais religiosos
Há em ti um sagrado íntimo trancado em celas-cárceres-degredos
Há em ti um código de valores herdado e mantido a ferrolhos
Há em ti um reflexo que não é o de ti
mas o de um outro que a ti intentas impor.

 

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EMOÇÃO ESTÉTICA

Pré- lúdio
procura … encontro
tronco firme
beleza cor forma impacto
reentrâncias imperfeições
perfeição
olhos verticalmente embevecidos.

tato majestosamente ativo
surpresa estética
ambição de posse
prazer repartido
êxtase parcial.

tronco árvore
posição de cruz
tronco galhos folhas atados
firmes eretos vibrantes
tocam-se
tocam-nos,
orgonicamente,
prazer estético.

folhas galhos dançam
levemente
suavemente
ritmadamente
freneticamente

natural- mente
êxtase total !

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AQUELA FIGUEIRA

Na vereda
encontrei aquela figueira.
Fiquei ali.
Copa magnífica.
Dos verdes, todos.
De denso, o tronco.
De lastro, histórias
De expressão, singular.
Estáticas, ambas.
Incomum.
Raízes para sempre em mim.

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NUA , SEMPRE NUA

Meu corpo catedral
de vitrais simples
sem retoques de coloridos resplandecentes
recebe luz e vibra quando tocado.
 
Meu corpo barco
carrega meu navegante espírito,
marujos de braços firmes de olhares incomuns
marujos de peles ágeis de mãos quentes e rostos invulgares.
 
Meu corpo cofre
instala sementes de flores selvagens de frutos da paixão,
recebe mel de frutas silvestres de sabor estrangeiro.
 
Meu corpo
é um pouso
Meu corpo
é um porto.

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TODA NUDEZ SERÁ PERDOADA

Despe-se o corpo
da mulher metáfora
da mulher antítese
da mulher metonímia
da mulher eufemismo
da mulher onomatopeia
 
Despe-se o corpo
da mulher signo do sexo do medo do amargor
Despe-se o corpo
da mulher frasco embalagem colírio  motivo
 
Despe-se o corpo
da mulher fresca tenra rija excitante
Despe-se o corpo
da mulher frágil entregue carente
 
Despe-se o corpo
da mulher estrada barro lodo chão
Despe-se o corpo
da mulher marcas suspiros chegadas e partidas
 
Despe-se um corpo de carne e osso.

 

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Poesias: Odonir Oliveira

1º Vídeo: Canal Marcio Antonio

2º Vídeo: Canal Cleide Brito

3º, 4º, 6º, 7º Vídeos: Vanal Odonir Oliveira

5º Vídeo: Canal Cigarra Chan

Vídeo: Canal Simone Grupo Cigarra Fã Clube

Fotos:

Mel Melissa Maurer – Instantes  fotos ao álbum “NUde

NUde por Mel Melissa Maurer ( … ) instantes

facebook/melmelissamaurer
instagram/melmelissamaurer

‪#‎melmelissamaurer‬ ‪#‎nude‬ ‪#‎apenasporuminstante‬ ‪#‎instantes‬
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Mãos que tocam em mim

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“Dá-me as mãos por brincadeira
Na dança que não dançamos,
Porque isso é uma maneira
De dizer o que pensamos.”
Fernando Pessoa

 

AFAGOS

Abriu-te as mãos como cofres
a depositares teus beijos carícias afetos
Abriu-te as mãos como um mato
a penetrares com teus passos surdos
Abriu-te as mãos como rios
a navegares em descobertas.
Abriu-te as mãos como um túnel
a carregares teus vagões apitando por trilhos.

 

 

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DIGITAIS

cheiro forte de aventura
perfume de lirismos
aroma de desejos
fragrância de morenice
sabor de maracujá
gosto de cevada lúpulo álcool
língua de doces ásperos
boca de peles pélvis pelos
dedos singulares únicos
marcas tatuadas em documentos próprios
identidade
identificação.

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Tela de Pino Daeni

AÇÕES

punhos
pulsos
palmas
linhas de passado presente futuro
tarsos metatarsos
dedos de nós
unhas na pele
riscando linhas outras
desejos suspiros convulsões
começos meios e fins
infinitos fins
infindáveis fins afins
de mãos que mexem
de mãos que cobrem
de mãos que conspiram
de mãos que apalpam
de mãos que gozam
o gozo do viver.

 

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UM DOCE FASTIO

um toque leve
a espuma
a palma
os dedos
a tensão
a tesão
a água em bolhas
bolhas tolas
mãos tolas
mãos bêbadas
mãos cegas
mãos doces
mãos escorregadias
mãos de dedos ágeis
mãos de sons dionisíacos
água mero cenário
água mera moldura
competição de bolhas,
plumas líricas no ar.

COMPANHEIRAS MÃOS

Tocam-se e se reconhecem
Segurança da entrega
Apoio e rota.
Tocam-se e se reconhecem
Gesto hereditário no ser
Selo hereditário no haver
Tom de voz
Rigor no olhar
Maciez da voz
Ginga no caminhar.
 Mãos que sentem.

 

Poesias: Odonir Oliveira
Telas do pintor Pino Daeni
Imagens da internet
 
1º Vídeo: Canal Odonir Oliveira
2º Vídeo: Canal Mirtes Oliveira

 

 

 

Eu quero é botar meu bloco na rua …

BLOCO DURO

missa na catedral
corpo pendurado
corpo exilado
corpo seviciado
corpo sumido
corpo meu
corpo teu
corpo nosso
corpos nisso.
imagens distorcidas
vozes sufocadas
portas lacradas
estupor
angústia
fel
vinagre
dominicanos
dor.
bloco na rua
blocos nas ruas
vielas becos travessas
melodias amordaçadas
sonhos torturados
medos.

 

25

BLOCO OPERÁRIO

pai metalúrgico,
líder sindical,
reuniões eternas
discussões democráticas
o coletivo primeiro
o todo primeiro
repartir repartir  repartir
necessidades menores
satisfações maiores.
Um bairro operário
na rota,
FNM.
Depois
um bairro Assunção,
um São Bernardo
redimindo desvãos,
o coletivo, a repartição
a entrega, o recolho
a participação
Bendito, o fruto do pai.
Bendito, o fruto operário

 

BLOCO DOS FAMINTOS

fome
ignorância
seleção cruel
hipocrisias
benesses
ortodoxias
sociologias torpes.
Crescer o bolo
depois repartir.
Mobral, madureza,
por décadas
seca
nomadismos
exílios
marginalização
discriminação
por séculos.
Céu sem estrelas.

 

BLOCO “NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS !”

Um filho teu não foge à luta,
empunha bandeiras,
entoa cânticos hinos loas
distribui esperanças
vence o medo.
Vencem os medos.
carne feijão arroz ovo leite
luz água cisternas
mães assistidas
as bolsas das famílias celebradas
escola para todos
informática
inglês natação teatro
física em laboratórios
bibliotecas computadores,
moto-contínuo
universidades públicas gratuitas.
Viagens de ônibus …
Viagens de avião …
Geladeira fogão máquina de lavar
Televisão moderna
Celulares iguais aos dos patrões.
Banda larga.
Filhos nas universidades como os dos patrões.
Bloco dos sem dentes de Darcy,
bloco dos com dentes e dotes agora.

 

UNIDOS ESCOLA DA RESISTÊNCIA

Eles não desistem
Eles não entregam
Eles não aceitam
Eles não acatam
Atacam.
Vígílias nos blocos duros?
Vigília nos blocos dos famintos.
Vigília nos blocos dos solidários.
Vigiai.
Sempre.

Poesias: Odonir Oliveira

Imagens retiradas da Internet

 

Post dedicado a PLÁCIDO JOSÉ DE OLIVEIRA- meu pai, ex- metalúrgico de boa cepa.

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