Já faz tantos anos. Nem percebi

 toquinho

A MÃE DOS ANOS 80

Revendo minhas fotos e recebendo outras, vou me lembrando da rotina de ter sido, tão nova ainda, tão cheia de responsabilidades. Ser mãe da minha ”cabritinha” era bom, viu. Chegando o mês do seu aniversário, eram dias e noites escolhendo o desenho do bolo, anotando as receitas dos docinhos e salgadinhos, testando antes, tudo com um PRAZER grandão mesmo. Ela, junto. Chegamos a enrolar mais de 400 brigadeiros, mais não sei quantos cajuzinhos, beijinhos, docinhos de abacaxi, a fazer as gelatinas coloridas, em formatos diferentes; depois embrulhar lembrancinhas, escolhidas por ela para os amigos, preparar os convites. Semanas de providências, a cada ano, com papeis crepom diferentes, nossa, tantas coisas lindas. Nós duas, apenas nós duas.

Mas minha filha gostava mesmo era de correr, ninguém a alcançava. Fazia teatrinho de fantoches, com palco, criava histórias, mas agradava a ela era correr, andar de balanço, na gangorra.  E riam muito, ela e seus amiguinhos. Fazíamos festa única, com os amigos do prédio, da escola e os poucos parentes que tinha seu pai em Santos.

Em 1986 foi diferente. Minha mãe foi do Rio para o seu aniversário. Sua avó santista, também. E muitos amiguinhos dela e meus enfeitaram a festinha. E enchemos mais de 100 bolas de assoprar – que em São Paulo são chamadas de bexigas. Além das músicas. Em 1986, fazia enorme sucesso entre as crianças, o disco de vinil Casa de Brinquedos, com músicas de muitos compositores e de Toquinho e Vinícius. Foi dança das 3 da tarde às 10 da noite.

Na parede fiz uma mostra de fotos de minha filha e lhe escrevi um poema. Não me lembrava disso, mas ao rever as fotos, fui lendo, agora com uma lupa, e transcrevendo o que lhe escrevera naquele dia.

Tenho grande prazer em ver fotografias, como vídeos também. Sou capaz de ficar muitos minutos resgatando o instante em que determinada foto foi capturada, quem a tirou, onde … fotos, na verdade, alguém já disse, capturam a alma das pessoas.

Creio que seja isso o que procuro quando me perco em fotos. Desejo capturar, captar a alma daquela pessoa ali.

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‘VOCÊ”
 
Choro suave
olhar indefeso
Você viva
Você vida
 
Era tarde
quase noite
Dedo na boca
Boca no seio
Dedo na boca
Você rindo
dormindo
qual anjo
acordada.
 
Você, menina nossa!
Olhos como o céu
Olhos da alma
Pureza! Paz! Alegria!
 
Meses correndo
Você resfriada
Doendo a barriga
Você tossindo
Você caindo
e sorrindo
 
Você com dentes
Você sem dentes
Comendo devagar
Falando depressa
 
Ah, você tão linda
loirinha do cabelo de milho
Você de pele clara
dos olhos agora de mar
Você, filha minha
Retrato da espécie
na continuação!
 
Você lendo
escrevendo
Você sofrendo
Você se formando
ganhando jeito próprio
particular
 
Dedo na boca
Você segue indo
 
Você, espelho da vida
Viva a sua vinda
Viva a sua vida
 
Viva você!
Te amo.
 
26/5/1986
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Texto e poesia: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal (imprecisas, propositalmente imprecisas)

1º Vídeo: Canal Simone Pedaços – Áudio

2º Vídeo: Canal BAUDATV

3º Vídeo: Canal TRIBUTO ROUPA NOVA

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Minhas letras

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MÃOS QUE SE RESSENTEM

Não sou um fingidor
Não finjo sinceramente
Toco em você
muitas vezes ao dia
tenho em mim
muitas imagens suas
tenho aqui
seus retratos
seus tratos
seus maus-tratos
seus destratos
seus distratos
suas incompreensões
seu mistério interminável
seu som de riso
seu olhar de máquina loquaz
Toco em você muitas vezes ao dia
quando como e bebo flocos de nuvens e chuva
quando piso nas águas das lagoas
quando encontro o nascer do dia
e o crepúsculo
Toco em você
Ainda que para você
eu sempre seja apenas verso
Sou prosa e versos
Tenho um corpo
onde uma cabeça é mera contingência
Toco em você
quando me deito
quando estou sonho-realidade
saindo de mim
entrando em ti.

 

 

NÃO SEI ESCREVER SEM SENTIR

Não sou um fingidor
Não finjo sinceramente
Não furto lágrimas e risos de outros
Não absorvo dores alheias apenas
Sorvo as minhas nas deles e as deles passando pelas minhas.
Não sou um fingidor
Não sei fingir completamente
A dor que deveras sentem.

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DIGITAIS

 

Meu corpo tem suas digitais
Duvida?
Tem
Tem nele suas cores, dores e flores
Rimas pobres
Meu corpo tem suas digitais
Duvida?
Tem
Sua lírica vizinha de confundido poeta vagabundo
Plágios sem limites
Meu corpo tem suas digitais
Ainda?
Duvida?
Tem
As estradas cantantes, borbulhantes,
Companheira, passageira, errante
Rimas pobres
Meu corpo tem suas digitais
Duvida?
Tem
Lêmures vagueiam por sobre, por entre
Sempre
Acostamentos, impedimentos, atropelamentos
Rimas pobres
Meu corpo tem suas digitais
Duvida?
Tem

 

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Observação: Nunca quis arquivar o que escrevo em prosa e versos. Mas amigas e amigos têm encontrado textos meus em dedicatórias de livros, cartõezinhos … e me enviado no Facebook. Interessante reencontrar comigo, em minhas letras, literalmente. Vou publicando-as aos poucos, então.

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Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal pilopo polipo

2º Vídeo: Canal Jazz No End

Estradas de sol

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PALHACINHOS

Tenho neles a alegria, o colorido
trazem a luz da vida
entornam o riso arquivado
Há muito prefiro palhacinhos a palhaços reais
Palhaços encerram certo trágico intrínseco
Não anseio por tragédias
Não mais
Só alegrias
Simples assim
Meus palhacinhos me dão as mãos
mãos que sentem apreciam
Palhacinhos leves
rosto, mãos e sapatinhos de porcelana
lindos
acaricio, afago, me enterneço
Palhacinhos e crianças
iguais

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DAS DESESPERANÇAS

Ao acordar um desmotivo latente
ao acordar um desmanche de planos
Ao levantar uma desconfiança universal
ao levantar um desapego abissal
Ao caminhar um desconforto no coletivo
ao caminhar uma tristeza contínua
Ao ser, uma vontade de não estar
A espera das mãos dadas
A espera do abraço apertado
A espera do riso especial
Quem traz?
Quem revela?
Quem se entrega?
Corre, se atira
beija
abraça
está
fica

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DAS ESTRADAS DE SOL
As carinhas de sonho
Os rostinhos de magia
As páginas de vidas a serem escritas
Elas todas me sacodem
Elas todas fazem abrir os cofres de desconfortos
Suas falas em seus jogos simbólicos
Suas graças em seu modo de existir
perfumam
tingem de muitas cores
cada amanhecer
cada entardecer

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Encontrou-me a linda Nina Furnari, aluna querida por 3 anos, na década de noventa. Encontrou-me em dia cinza, num fim de tarde, e me escreveu tão lindas palavras de reconhecimento, que tingiu com elas o melhor por-do-sol do ano. Costumo repetir que ensinar crianças e adolescentes é bênção. E foi assim que também ela me abençoou .

A você, Nina, menina-mulher, bióloga, que dedico esse post. Beijo.

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Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal  e a última, da Nina.

1º Vídeo: Canal Mauro Senise

2º Vídeo: Canal musicavitor

 

”Minha namorada”, uma geração

Cine FNM2

Assisti no Canal Brasil Minha Namorada, de 1970, 1º filme do diretor Zelito Viana.

MOLDURA

Atuações fracas, atores muito jovens, sem aulas de interpretação – poderiam ser esses os obstáculos para o sucesso do filme. Entretanto, por retratar hábitos e costumes da sociedade carioca dos anos 70, talvez por isso mesmo a atuação amadoríssima e naturalista dos jovens atores soe como um retrato daquele momento. Um registro de costumes e dilemas da juventude. Quase não nos damos conta de que se trata de uma película, e sim de pessoas comuns percorrendo seus caminhos, existindo e como que, por acaso, alguém tenha feito uns instantâneos deles, das aulas de francês – idioma que se valorizava como cultura real – e tantos outros flashes da vida real ali.

Tem, ainda, as atuações corretas de Fernanda Montenegro e de João Dória como os pais da mocinha. Enfim, o filme serve de moldura para uma cena carioca dos anos 70, quando libertação, uso de pílulas, amor vivo e a reinvenção de uma sociedade que, estamentalmente reconhecida, não agradava à nova geração. Geração que não concordava com os valores da hipocrisia social vigentes.

Vale assistir na íntegra. Principalmente os mais jovens que não conheceram, nem viveram num mundo muito diferente desse que hoje existe.

Veja trechos do filme.

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Minha Namorada

Gênero: Filme/ Drama

Sinopse: Adolescente de classe média tem um namorado sério que os pais aprovam. De repente, ela conhece outro rapaz, com quem descobre ter maior identificação.

Elenco: Fernanda Montenegro, Jorge Dória, Arduíno Colassanti, Laura Maria, Ana Maria Magalhães, Pedro Aguinaga, Vera Maria de Paula, Antônio Cristiano

http://www.tvmap.com.br/c516880/Zelito-Viana-80-Anos-Minha-Namorada

FILMOGRAFIA DE ZELITO VIANA

1971 – MINHA NAMORADA

1973 – OS CONDENADOS

1977 – MORTE VIDA SEVERINA

1979 – TERRA DOS ÍNDIOS

1985 – AVAETÉ- SEMENTE DA VINGANÇA

2000 – VILLA-LOBOS-UMA VIDA DE PAIXÃO

2008 – BELA NOITE PARA VOAR

2011 – AUGUSTO BOAL E O TEATRO DO OPRIMIDO

2012 – SONS DA ESPERANÇA

Zelito Viana é irmão de Chico Anísio e pai de Marcos Palmeira

Fonte: http://www.adorocinema.com

1º e 3º Vídeos: Canal luciano hortencio

2º Vídeo: Canal Camila FJ

Origem

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SABORES

Abriu o vinho com destreza
nada disse
servindo-se
serviram-se
sentados
o silêncio bebe o vinho
o silêncio entontece as carnes
o silêncio semeia as cores
servindo-se
serviram-se
um tato evidente
um tato fervente
um tato ardente
a melodia embebeda
a música embriaga
a visão imprecisa
a visão desnecessária
a visão inexistente
o olfato macho
o olfato fêmea
o olfato gozo
um paladar na língua
um paladar na garganta
um paladar nas bocas
servindo-se
serviram-se
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CHEIROS
a boca aberta
fala fala fala
nervosismo
ocasião
a boca aberta
cala cala cala
observa reflete
percepção
a boca aberta
a boca aberta
a boca aberta
contemplação
álcool amor álcool amor
álcool desejo álcool desejo
alucinação
suor álcool amor
declaração
perdição
salvação
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PENUMBRA
laços lassos
pelos pelos
ondas umas ondas outras
céu e terra
voo e marcha
aninhar no ninho
alisar o dorso
alisar o fogo
alisar o firmamento
janela lançamento
janela embarque
janela pouso
porta entrada
porta estrada
porta espada
corpo esponja
corpo porto
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COMPANHIA FÉRTIL
sabia ler meu peito
sabia ler minhas mãos
sabia ler meus seios
sabia ler meus ombros
sabia ler minha música
sabia ler meu verso, minha rima
sabia ler meus olhos
sabia ler minha língua
sabia ler meu querer
sabia ler meus cotovelos
sabia ler minhas pernas grossas
sabia ler minhas vértebras todas
sabia ler meus sucos internos inteiros
sabia ler minha poção única e particular
sabia ler meus doces e acres
sabia me ler
como nenhum outro me leu
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Διόνυσος

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Postagem inspirada pelo amor maduro de Luís N. e  Eugênia que se casaram no dia de ontem, em MG.
A vida é a arte do encontro, quando há tantos desencontros pela vida – escreveu um dia Vinícius de Moraes.
Poesias: Odonir Oliveira
Fotos de arquivo pessoal
Imagens de Dionísio retiradas da Internet

Vídeo: Canal Renaaaaaato

99 anos

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ACRÓSTICO

Irmã do trabalho, da obrigação diária
Tímida ao ponto, observadora, crítica
Amante de orquídeas, begônias, flores de seda
Lutadora de dia e de noite na sustentação da família
Inclemente na justiça, discurso moral idôneo, correção
Aspirante à doutora de todas as doenças.

Diletante da medicina, estudiosa, pesquisadora
Encantamento por valsas vienenses dançantes.
Anônima sempre nas narrativas de pais e irmãos mineiros
Reprodutora de ditados paternos à exaustão
Adivinhadora na interpretação de sonhos pelas manhãs
Uma fiel espectadora de filmes de mistério e de suspense
Julho trouxe do ventre de Natália ela, a menina valente
Ondas de sentimentos resguardados, de choros contidos.
Ombros cúmplices de filhos e netos na guerra da vida
Laranja seleta, jiló, angu molinho com leite os preferidos sempre
Inteligente, perspicaz, visionária de passos a seguir
Valente, braba feito onça, desconfiada
Entre segredos e declarações sempre uma advertência, uma recomendação
Ira de felina parida na defesa de suas crias ofendidas, machucadas, aviltadas
Razão escondendo uma emoção envergonhada, constrangida, sufocada
A mais deliciosa quituteira do trivial simples de tempero mineiro.

CONVERSAS INESQUECÍVEIS

Ao telefone: ”Mãe, animada pro carnaval?’‘ ”Muito, já até preparei minha fantasia, de tanto que eu gosto. Esse ano vou sair de Eva’‘ (risos)

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Conversas tête-à-tête:

” Mãe, gostou do poema que eu fiz pra senhora? ”.” Ah, pensei que fosse do Carlos Drummond igual o da outra vez. Era bonito igual ao dele. Gostei”.

‘Queria gravar uma fita dessas de vídeo recitando Navio Negreiro ou Sinistro 13″. ”Como é, mãe? Começa aí pra eu ver se a senhora lembra mesmo” ( declamava só parando quando interrompida).

Meu pai não tinha estudo mas era um filósofo, gostava de Allan Kardec, era um homem muito bom e justo, só de olhar pra gente, já sabíamos se estava gostando ou não. Meu pai nem suava. Suava , mas não tinha pelos e nem cheirava”.

Cuidado, quem com porcos se mistura farelos come“. ” A família da minha mãe era muito sistemática, todos de Belo Horizonte, de estirpe francesa, dos Renault, pão duros que só vendo”.

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“Pouca farinha no leite, senão engasga’‘. ” A sociedade é isso que tudo nos cobra e nada nos dá“. “Quem sai aos seus não degenera“. ”Fulano é muito interesseiro, cuidado”.

“Fulana tá mal com beltrana, ciumada. Cuidado, fala mal dela com você, depois fala mal de você com ela”.

“Não gosto que falem mal dos atores das novelas; são meus amigos, entram aqui em casa todo dia”. 

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Depois do teatro: “Não gostei não. Gritam muito e não são bonitos de perto como são na televisão”. ” Gosto do Nelson Rodrigues, mas na televisão. Se tiver alto, abaixo e pronto”.

” Olha só … você estudou na USP tudo aquilo e agora tá aí amamentando na minha cadeira de balanço, igual eu fazia, engraçado”.

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Vou chamar seu pai; vem ver aquela roupa toda que ela já passou; como é que pode, nesse tempinho? Vem ver, Plácido, quando eu dei fé, olha só”.

” Como que você acerta esses caminhos todos aqui nessa cidade enorme, quem te ensinou isso tudo, dirigir por isso tudo?”. ”Engraçado, a gente anda, anda aqui em São Paulo e não encontra um conhecido, né “.

Gosto de tailleur branco de linho, com blusa de organdi, acho tão chique e sapato branco de verniz então, acho lindo”. “Nunca tive uma saia longa”.

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“Acho homem que dá buquê de flores pra mulher a coisa mais linda, igual seu irmão fez com a mulher dele”.

“Acho feio mulher chupar picolé na rua, sem classe. E casada vestir saia acima do joelho e decote também. Falta de linha”.sam_3355

“Por que não vou à praia com seu pai? Eu não. Não ponho maiô nem morta. Deixa ele ficar namorando as beldades por lá. Ele fala que tem mulher muito pior que eu de maiô em Copacabana, que é pra eu ir ver o mar. Não vou. Sou mineira, mas não sou bobona igual ele com esse negócio de mar, de mar”.

Seu pai fala que eu nunca dei um beijo nele e vem com essa brincadeira de me forçar a beijar. Eu não. Primeiro que já dei sim, mas tô vendo aí umas que beijam muito e eles passando elas pra trás. Não dou beijo não”.

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Antes eu é que sabia muita coisa, até de Minas. Agora você sabe muito mais coisas que eu, até de Minas. Eu não sabia nada disso que você tá ensinando pros seus alunos, meu Deus do céu, ah“.

Queria que seu pai estivesse aqui pra ver isso tudo. Ele ainda tinha tantos planos, tanta vontade de viver e não viveu“.

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Obrigada, minha mãe braba feito onça, consegui ouvir sua voz. De verdade. Não gravei a fita de vídeo, mas tenho feito isso de outras formas.  

Texto e poesia: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeo: Canal George C. Cassemiro

 

A costura da vida

Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece se não fui eu que fiz?” – Milton Nascimento (Tunai)

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COSTURA DA VIDA
Sergio Perere

Eu tentei compreender
A costura da vida
Me enrolei pois
A linha era muito comprida

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar

Se na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Na linha das águas
Sou triste
Pelo fogo que um dia apaguei

Na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Mas na linha do fogo
Sou triste
Pelos mares que não naveguei

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar

PAULICÉIA

(Wimer Bottura / Delmo / Pablito Morales)

Esta é minha cidade, convulsiva e forte
De artérias urbanas e nervos de aço
Do riso efusivo e abraço cruel
Neblina é manto de arranha céu

A natureza concreta contrasta pessoas
Perfeitas formigas no imenso tropel
Efervescente e impulsiva, olhos no futuro

O campo é minado, o tiro é no escuro
O tempo é dinheiro e conduz a existência
Na lira moderna de algum menestrel

Esta é a minha cidade, convulsiva e forte
De artérias urbanas e nervos de aço
Do riso efusivo e abraço cruel
Neblina é manto de arranha céu

O Tietê corre nas marginais,
Feito louco inerte dentro da mortalha
Entre mansões, entre favelas ao léu

Trânsito, torres, pontes beirais
Trens, túneis, neons e sinais
Paulicéia desvairada – obelisco, postais

Este amor de cidade é a cidade do meu amor
Onde palpitam nas ruas corações sentimentais
Fulanos, beltranos, sicranos e tantos iguais
Fulanos, beltranos, sicranos e tantos iguais

SANTOS NEGROS
Cassia Maria

Salve os santos negros
Nossa Senhora do Rosário
Salve, São Benedito, Santa Efigénia, salve. (bis)

Eu bato no surdo imito coração
Passeio no reco chamando atenção
Na caixa não paro, alterno mão com mão
E o pé não sossega quer é dançar, eu vou.

Vou cortejar em procissão
Pra São Benedito é a minha oração. (bis)

Palavra te pego brinco na canção
Ganzá dá o molho, chocalho de mão.
E o corpo se acende não pára um segundo,
É percussão pura, eu quero é dançar, eu vou
Vou cortejar em procissão.
Pra São Benedito é a minha oração
Gungás vão no pé, patagome nas mãos
Pra São Benedito é a minha oração.

Bola de Meia, Bola de Gude
[Milton Nascimento]

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

 

Observação: ”Neste episódio o grupo mineiro “A Quatro Vozes” apresenta a música Fitas e Folias (Consuelo de Paula) . As irmãs Dora, Jussara e Jurema também contam um pouco sobre as trilhas que as levaram às descobertas musicais que permeiam hoje sua carreira e influenciam o repertório do grupo.
O Grupo é uma das grandes referências entre os atuais grupos vocais dedicados à MPB. O trabalho se destaca pelos arranjos vocais elaborados e escolha do repertório, baseado em pesquisas sobre as raízes da música popular brasileira.”

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Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal aquatrovozes

As pinturas que ilustram esse clipe são de Wassily Kandinsky:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Wassily_…

2º, 3º, 4º 5º Vídeos: Canal  aquatrovozes

6º Vídeo: Canal MisterDilson10

7º Vídeo: Canal Pôr do Som