”Porque poeta não cala”

POETAS

Poetas são entes que assumem riscos
que se esfolam nas alegrias,
como um simples botão de romã,
que acham bonito um sorriso do cão vadio que os segue.
Vadias ideias rendem versos toscos,
sem polimento,
apenas versos.

A uns serão potes repletos de significados
ocultos
transfeitos
transversos
A outros serão mensagens concretas de tapas e socos
porque a crueza dos dias assim os fez.

Nada pode incomodar tanto quanto versos.
E aliviar também.
Principalmente a quem os escreve
a quem os regurgita,
a quem os devolve como lírica,
sem nada pedir.
Plumas a quem os ler.
E, eventualmente, a quem os possuir como seus.

Brilhante espetáculo no Itaú Cultural, maio de 2019

Assisti ao primeiro espetáculo de Antonio Nóbrega em 1996, no Brincante, hoje sua casa e escola de música e dança, em São Paulo. Era o Na Pancada do Ganza, recolho de nossa tradição musical, de Mário de Andrade, de frevos e muito mais. Dança, dança, dança, canto, canto, canto. Fui com meus alunos do Colégio Galileu Galilei e com professores amigos, após termos desenvolvido o Projeto sobre a Semana de Arte Moderna. Demos a Nóbrega, num álbum, o registro de fotos e poemas escritos por nossos meninos. Ficou encantado.

Disse ao Antonio Nóbrega, ao fim do último espetáculo Rima, que ele ali estava GREGÓRIO DE MATOS em corpo e versos.

(Acesse o Facebook de Antonio Nóbrega para assistir aos vídeos do espetáculo. Uma ode à RIMA. Maravilhoso. Nessa apresentação, em vez da dança, enaltece o ritmo dos poemas, das canções – privilegiando a palavra, portanto)

Aqui alguns deles.

Sobre o trabalho com os alunos, leia no link à direita: Trabalhos realizados com alunos

Outra Semana de Arte Moderna, 1996

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/06/13/outra-semana-de-arte-moderna-1996/

E salve CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, o meu Camões.

Sobre Chico Buarque leia :

Chico Buarque, muito obrigada

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/06/19/chico-buarque-muito-obrigada/?fbclid=IwAR2w-F7uhwb4IOA7Fz8RTyT1AiZuyaooT6kPQ5TmMvBZb8MIBF50sg4RoNA

Chico, 73 anos:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/06/19/chico-73-anos/?fbclid=IwAR0XKr0XYYYRr8GQH3IyO3NzR2xPnNHDMVNZCjxtbFTrcniGaNJJWzo-oCU

Chico Buarque, as mulheres de si:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/03/20/chico-buarque-as-mulheres-de-si/?fbclid=IwAR36-0rBZoWL0hwlOc1yZzH4LxhUyEH0B8Qn2w-reffevyy4VJCYecKWI44

Poesia: Odonir Oliveira

Vídeos: Facebook de Antonio Nóbrega

Outra Semana de Arte Moderna, 1996

A REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA E A PRÁTICA DAS REFLEXÕES

Li isso há tanto tempo, mais de 30 anos, que já me esqueci de quem cunhou esse lema. Perdão, portanto. Acredito nisso como bandeira. Se a professora e o professor tiverem que levantar da cama, todas as manhãs, para serem repetidores de aulas iguais ou semelhantes a outras e outras sempre, estará condenado ao insuportável. Adoecerá e se afastará de seu ofício. A motivação criadora é o motor do seu trabalho. Toda arte é assim. O que criarei hoje, como meu público alvo receberá meu trabalho, que bem terei feito a ele, qual o papel social do que eu faço … são questões que devem nortear nossos amanheceres. Caso contrário não suportaremos toda a gama de adversidades que se apresentam a nós em nossas escolas advindas dos alunos, de seus pais, da direção da escola, dos governantes, da sociedade em geral. É preciso acreditar em seu ofício. É preciso “seduzir” seus parceiros de trabalho nas escolas, a comunidade escolar, enfim, trazer mais elos para sua corrente eficaz. Sozinhos nos tornamos muito vulneráveis a desmandos de poder, quase sempre na própria escola, demissões, exonerações e outras violências – venham de escolas públicas ou privadas.

Nada de seguir apostilas, livros, apenas. Tudo muito esquematizado, pasteurizado, sem levar em conta o diferencial de seu grupo de alunos. Arrisque-se, planeje, leia, estude e confie. Vai dar certo, dentro dos objetivos a que você se propôs. Às vezes, aos olhos de outros, pode parecer que não tenha dado certo. Confie.

Muitos dos projetos realizados nas escolas públicas, depois ganham nuances semelhantes nas escolas privadas. E vice-versa. Servem de experiência, de bagagem para o aprimoramento do fazer pedagógico.

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Villa-Lobos participou da Semana de Arte Moderna de 1922 apresentando-se em três dias com três diferentes espetáculos:

dia 13 dia 15 dia 17
Segunda Sonata O Ginete do Pierrozinho Terceiro Trio
Segundo Trio Festim Pagão Historietas: Lune de OctobreVoilà la VieJe Vis Sans RetardCar vite s’écoule la vie
Valsa mística (simples coletânea) Solidão Segunda Sonata
Rondante (simples coletânea) Cascavel Camponesa cantadeira (suíte floral)
A Fiandeira Terceiro Quarteto Num Berço Encantado (simples coletânea)
Danças Africanas Dança Inferugnal e Quatuor (com coro feminino)

A SEMANA DE ARTE MODERNA (REVISITADA EM 1996)

Estamos em São Paulo, capital. O bairro é o Morumbi, no Colégio Galileu Galilei. O projeto se realiza com os dois 3ºs anos do nível médio.

Temos alunos desinteressados em ler, alunos que preferem esportes, alunos que estudam música e compõem, alunos que gostam de artes plásticas – desenho, esculturas, alunos que só se interessam pelos vestibulares no fim do ano e alunos que adoram ler. Vamos juntar seus gostos, suas capacidades, suas supostas inabilidades, seus interesses, seus prazeres e semear. Semear uns nos outros. Comecemos então.

NOS DEGRAUS DO THEATRO MUNICIPAL

1º DEGRAU: Semeando desiquilíbrios 

  • Ouvindo peças de Villa Lobos ( menores e depois maiores). Desenhando ao sabor das obras; trocando impressões; socializando prazeres e críticas. (Audição de CDs)
  • Pesquisando quem foi o maestro, obras, participação dele em um evento cultural da cidade a SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

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2º DEGRAU: Semeando descobertas

  • Pesquisa e “namoro” de obras de artistas plásticos anteriores e posteriores à Semana. (Anita Malfatti. Tarsilla do Amaral, Victor Brecheret, Di Cavalcanti)
  • Recriação de obras em guache, aquarela, em óleo, em argila). Trabalhos criados individual e/ ou coletivamente no período da tarde, após as aulas, com minha monitoria)

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3º DEGRAU: Semeando leituras

  • Pesquisas sobre a Semana de Arte Moderna de 1922; roda de leitura; discussões sobre as repercussões da Semana, sobre a reação do público e das elites da cidade de São Paulo.
  • Leitura de poemas; ensaio das leituras; proposta nascida nos alunos Vamos encenar a Semana pra todo mundo conhecer tudo isso. Inclusive pra pais e outros alunos do colégio.
  • Ensaios recorrentes de apupos, vaias, declamações, nas escadarias de entrada do Colégio Galileu Galilei – releitura das escadarias do Theatro Municipal de São Paulo.

Muitos alunos já conheciam o Theatro Municipal. (O que me levou a pensar em um outro projeto, levando crianças e adolescentes de escolas públicas a conhecer e a assistir récitas de grupos de música de  câmara e de canto lírico, anos mais tarde ali).

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4º DEGRAU: Semeando modernismos

  • Criação de poesias com as estruturas livres semeadas pelos modernistas, ácidas, críticas ao formalismo poético.
  • Leitura do texto de Monteiro Lobato Paranoia ou Mistificação , que fazia duras críticas à Mostra de Anita Malfatti; reflexão sobre a chegada do novo, do oxigênio cultural. Comparação com páginas de Lima Barreto, contos gauchescos de Simão Lopes Neto.
  • Saboreio do conceito de Antropofagia nas artes plásticas e na literatura.

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MUITOS DEGRAUS: A presentação de 3 dias de SEMANA DE ARTE MODERNA

2ª feira, 4ª feira, 6ª feira

PÚBLICO: 

  • Comunidade escolar – pais, alunos, funcionários, diretores
  • Chefe de Gabinete da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo:  Elton Cardoso
  • Diretora de Bibliotecas Públicas da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo – SCBP
  • Diretora de Bibliotecas Infanto-Juvenis da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo -SCBINJ

NOTA: Esse projeto foi amplamente documentado – processo e produto – pelo Colégio Galileu Galilei. Fotos e vídeos permaneceram no colégio, portanto.

Muitas vezes o apresentei em congressos de educação em atividades para outros professores pelo país.

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Os Sapos
Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
– “Meu pai foi à guerra!” 
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos.

O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma.

Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi: 
– “Meu pai foi rei!”- “Foi!” 
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
– A grande arte é como 
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo”.

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é

Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio…

– “Meu pai foi rei!”- “Foi!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
 
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
– A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
 
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo”.
 
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.
 
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
 
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
 
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…
 

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Declamação do poema Os Sapos, de Manuel Bandeira (ao som de Sapo Cururu, de M. de Andrade, flauta doce, por duas alunas)

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Foto que revisitou a famosa dos modernistas, nas escadarias do Saguão de entrada do Theatro Municipal.

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Muitas vezes, durante os anos posteriores, encontrei esses meus alunos e tenho deles as mais gratas avaliações sobre esse maravilhoso trabalho.

Texto e projeto: Odonir Oliveira

A partir do comentário de Christine Jz, no projeto realizado anos antes, decidi registrá-lo aqui.

E esses alunos são os mesmos que 5 anos antes realizaram o projeto UM ENCONTRO MARCADO COM FERNANDO, citado por ela.

Leia aqui:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/03/25/um-encontro-marcado-com-fernando/

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal Pauta Brasileira

Villa-Lobos – Anna Stella Schic (1973) Simples coletânea, W134 (1917-19)
0:00 : I. Valsa Mística
1:41 : II. Num Berço Encantado
5:09 : III. Rodante
Paintings : RODOLFO AMOEDO
2º Vídeo: Canal Carlos Tobi
Faixa nº5
CD: Opus Clássico, 2013
Música: Heitor Villa-Lobos
Letra: Hermínio Bello de Carvalho

Voz: Ithamara Koorax
Violão: Rodrigo Lima
Xilogravura (“Frágil”): Anna Carolina Albernaz

 

3º Vídeo: Canal CassicalMusicTVHD
Bachianas Brasileiras No. 1 Heitor Villa-Lobos – Bachianas Brasileiras, No. 1 Complete Scored for orchestra of cellos (1930):
Heitor Villa Lobos Bachianas Brasileiras, No. 1, – orchestra of cellos.
01 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), I. Introduction – Embolada
02 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), II. Preludio – Modinha
03 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), III. Fuga – Conversa (Conversation)
Heitor Villa-Lobos (Portuguese pronunciation: [ejˌtoʁ ˌvilɐ lobus]; March 5, 1887 — November 17, 1959)

 

Essas últimas obras do 3º vídeo são posteriores à Semana de Arte Moderna. Acrescentei-as aqui por serem, como eu, fruto desse momento.