”Porque poeta não cala”

POETAS

Poetas são entes que assumem riscos
que se esfolam nas alegrias,
como um simples botão de romã,
que acham bonito um sorriso do cão vadio que os segue.
Vadias ideias rendem versos toscos,
sem polimento,
apenas versos.

A uns serão potes repletos de significados
ocultos
transfeitos
transversos
A outros serão mensagens concretas de tapas e socos
porque a crueza dos dias assim os fez.

Nada pode incomodar tanto quanto versos.
E aliviar também.
Principalmente a quem os escreve
a quem os regurgita,
a quem os devolve como lírica,
sem nada pedir.
Plumas a quem os ler.
E, eventualmente, a quem os possuir como seus.

Brilhante espetáculo no Itaú Cultural, maio de 2019

Assisti ao primeiro espetáculo de Antonio Nóbrega em 1996, no Brincante, hoje sua casa e escola de música e dança, em São Paulo. Era o Na Pancada do Ganza, recolho de nossa tradição musical, de Mário de Andrade, de frevos e muito mais. Dança, dança, dança, canto, canto, canto. Fui com meus alunos do Colégio Galileu Galilei e com professores amigos, após termos desenvolvido o Projeto sobre a Semana de Arte Moderna. Demos a Nóbrega, num álbum, o registro de fotos e poemas escritos por nossos meninos. Ficou encantado.

Disse ao Antonio Nóbrega, ao fim do último espetáculo Rima, que ele ali estava GREGÓRIO DE MATOS em corpo e versos.

(Acesse o Facebook de Antonio Nóbrega para assistir aos vídeos do espetáculo. Uma ode à RIMA. Maravilhoso. Nessa apresentação, em vez da dança, enaltece o ritmo dos poemas, das canções – privilegiando a palavra, portanto)

Aqui alguns deles.

Sobre o trabalho com os alunos, leia no link à direita: Trabalhos realizados com alunos

Outra Semana de Arte Moderna, 1996

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/06/13/outra-semana-de-arte-moderna-1996/

E salve CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, o meu Camões.

Sobre Chico Buarque leia :

Chico Buarque, muito obrigada

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/06/19/chico-buarque-muito-obrigada/?fbclid=IwAR2w-F7uhwb4IOA7Fz8RTyT1AiZuyaooT6kPQ5TmMvBZb8MIBF50sg4RoNA

Chico, 73 anos:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2017/06/19/chico-73-anos/?fbclid=IwAR0XKr0XYYYRr8GQH3IyO3NzR2xPnNHDMVNZCjxtbFTrcniGaNJJWzo-oCU

Chico Buarque, as mulheres de si:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/03/20/chico-buarque-as-mulheres-de-si/?fbclid=IwAR36-0rBZoWL0hwlOc1yZzH4LxhUyEH0B8Qn2w-reffevyy4VJCYecKWI44

Poesia: Odonir Oliveira

Vídeos: Facebook de Antonio Nóbrega

”Dá-me um mote que eu te darei 100 livros infantis”- 1993

 

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ESPANTALHOS

No tempo das sementes
o jardineiro fiel
espanta perigos e ameaças
Na vigília incessante
adornado com palha
empalhado fielmente
é guardião
da vida pujante

No tempo das máquinas
não há guardiões
fossilizados
vilipendiados
aposentados
queimados pelos tempos
os espantalhos
fenecem
sem conseguir
impedir a ação tóxica
das máquinas
dos homens

 

Mote

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1 LIT Estrofe que antecede um poema, cujo conteúdo é desenvolvido na composição poética; moto.
2 LIT Citação colocada no início de um livro, de uma peça de teatro etc., que representa o tema escolhido pelo autor a ser desenvolvido na sua obra; moto.
3 Proposição que se quer desenvolver.
4 Aquilo que constitui um lema de vida.
5 ANT Frase de efeito que caracterizava um ideal, usada pelos cavaleiros ao participarem de ações de risco.
6 HERÁLD, ANT Palavra que era usada pelos cavaleiros como divisa nos brasões ou bandeiras; moto.

http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/mote/

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POESIA FAZ BEM

1993

Jovens de 11 e 12 anos da sexta série do Colégio Galileu Galilei, inquietos, vivazes, precisando de desafios, encontram-se na fase das implicâncias dos meninos com as meninas, do contato físico exagerado, dos esbarrões e sopapos entre meninos. Estão cheios de energia ali, sem saber se já são adolescentes ou se preferem ser crianças. Vamos ao trabalho, então.

 

APRESENTANDO O MOTE

Leitura da poesia. Discussão do tema da poesia (poucos haviam visto um espantalho, a não ser em filmes, desenhos), do que falava etc.

ESPANTALHO

Olá, espantalho!
que fazes aí?
 
Espanto os pardais
daqui e dali.
 
Não te sentes triste
no mesmo lugar?
 
É o meu destino,
não posso mudar.
 
Espantalho, espantalho,
não fales assim,
 
Deixas-me tão triste
por ti e por mim…
(Maria Cândida Mendonça)

 

DESENVOLVENDO O MOTE
”Nossa, mas por que ela fala com o espantalho”
”Só pode ser uma menina, né, e bobinha, bem pequena, nunca vi falar com espantalho”
”Por que fala tudo com tu, é diferente, né. Não deve ser daqui do Brasil não”
“A menina fica triste porque o espantalho fica sempre parado, é por isso?”
PESQUISANDO CAMINHOS, ENCAMINHANDO RESPOSTAS
 Estudando variantes linguísticas e regionalismos no Brasil e em Portugal .
Que idade teria o eu lírico? É menino ou menina?
Onde estão?
A personagem vive ali, está acostumada com o espantalho? Onde podemos encontrar essas respostas? Ah, na poesia.
DECISÕES DE ADEQUAÇÃO AO PÚBLICO LEITOR
Já que esse poema é muuito infantil. Vamos escrever histórias para o público infantil, então ? É, porque esses autores já não são mais crianças. Mas podem escrever e ler suas histórias para crianças. Por que não?
DECISÕES SOBRE O MATERIAL A SER UTILIZADO NA CONFECÇÃO DOS LIVROS ”INFANTIS”
Leitura e manuseio de livrinhos infantis nos mais diversos formatos e confeccionados de diferentes materiais.
Apreciação da linguagem e do conteúdo tratado nos livrinhos.
Leitura em voz alta, dramatizada, das historinhas infantis.
Avaliação dos colegas das leituras feitas, com parecer oral e escrito sobre qualidades e aspectos que precisavam melhorar.
CRIAÇÃO DE HISTÓRIAS INFANTIS COM O POEMA COMO MOTE 
Pauta
Onde se passará sua história; quem estará conversando com o espantalho; por que a personagem estaria ali; o que acontecerá com os dois; haverá outras personagens na narrativa; como terminará …
Leitura em grupos.
Avaliação dos colegas das leituras feitas, com parecer oral e escrito sobre qualidades e aspectos que precisam melhorar.
Refacção dos textos tendo em vista vocabulário utilizado, pontuação expressiva, descrição de ambiente e de personagens, começo, meio e fim. Levando em consideração o público a que se destinam na contação de histórias que viria em seguida.
CONFECÇÃO DOS LIVRINHOS INFANTIS
Materiais sensoriais diversos, desde grãos a objetos, compondo as páginas e a capa.

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A INTERAÇÃO COM AS CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Uma manhã inteira de manuseio dos livrinhos em varais, de explicações, de respostas aos menores.
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Grupos de crianças da educação infantil se reuniam, sentados no chão, ao redor dos autores e ouviam as histórias.
Leitura expressiva, interações, tudo no melhor estilo ”contando para os pequenos.”
A FESTA
”Comes e bebes” e dança.
AVALIAÇÃO COLETIVA E RESGATE DO PROCESSO
Adolescentes, normalmente, ficam mais inibidos quando estão sendo filmados. Temem algum tipo de incorreção, de ”mico” – hoje até virariam memes nas redes – por isso no vídeo aparecem meio inibidos ao falar. Além do mais, essa avaliação se deu alguns dias após a contação de histórias – o que foi bom, porque puderam amadurecer mais as emoções vividas naquele outro dia.
Ocorre que tudo é muito vivo em escolas, não é mesmo? Então … haviam recebido sonora e severa bronca de um coordenador ou de alguém da direção (não me recordo de quem, nem o motivo), por algum tipo de comportamento inadequado minutos antes dessa gravação já agendada. Daí as carinhas tensas, certo tom severo nos olhares … enfim, essa professora aqui, resfriada e febril, teve que fazer a conversa fluir. Escola é isso, todo dia um desafio diferente.

 

1995

Revisão  do processo de construção das histórias e criação dos livros infantis. Emoções revisitadas 3 anos depois. Inclusive porque havia alunos que ingressaram para o nível médio, sem terem vivenciado os mesmos caminhos que seus colegas.

DEDICATÓRIA
Post dedicado aos meus meninos, todos hoje com mais de 36 anos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Salve Mariana Nassif, Nina Furnari e todos.
Foi tão bom rever nossa caminhada, meus jovens !
Grande beijo da Odonir
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Texto e poesia: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Vídeos:

  1. Canal Biscoito Fino

2. e 3.  Canal Odonir Oliveira (reeditados a partir de gravação em VHS)

 

 

 

 

 

Cidades mineiras invadem corações em 1994

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Arcadismo? O mito do herói? A devastação mineral nas Minas Gerais? A Conjuração Mineira? Século XVIII.

Tantas questões e tão distantes de 90 jovens paulistanos, em 1994. Como pegar o conhecimento com as mãos? Como nos apropriarmos dele sem possibilidades de recuo depois? Indo encontrar os lugares, deixando-nos invadir pelos caminhos e, sobretudo, percorrendo-os.

PREMISSAS GERAIS

A quem vai viajar com jovens, filhos dos outros

Jovens em grupo se transformam. E longe de casa, mais ainda. Há que se fazer ”combinados”. E cobrar que sejam cumpridos.

A possibilidade de problemas graves acontecerem como consumo de ilícitos, acidentes físicos, gástricos e outros mais é quase inevitável. Há que se ter paciência, amorosidade, disciplina e compaixão também. Todos fomos jovens. A repressão só acelera processos que aconteceriam de forma mais branda e tolerável talvez. ( Uma professora e amiga, mais velha que eu, sempre se recusava a viagens pedagógicas com ”filhos dos outros”, com pernoites e outros encaminhamentos. Acreditava ser muita responsabilidade para se assumir). Portanto, os pais e responsáveis devem receber, antecipadamente e por escrito, tudo o que for combinado.

Combinados feitos, é necessário ter-se bem claros, numa apostila talvez, os objetivos pedagógicos e interacionais da viagem. A relação entre os alunos, que fora dos limites da escola muda bastante. São 24 horas de convívio. (Muitos amigos não suportam tanta convivência assim, até em viagens de turismo). Outro aspecto é a interação com ”os locais”, nas cidades em que se visita. Qual o respeito que se deve ter, as diferenças de comportamento, os olhares e tudo o mais. É preciso ensinar, refletir sobre as peculiaridades locais e transformar diferenças em ganhos – que os alunos levarão com eles para outras viagens. E para sempre.

5 DIAS DE CONTATO COM MINAS GERAIS

90 meninas e meninas saem de São Paulo para as cidades históricas de MG. Eles têm 15 e 16 anos. São do Colégio Galileu Galilei, estão no 1º ano do ensino médio. Partem na 2ª feira de manhã e retornarão na 6ª feira. Com programação para todas as manhãs, tardes e noites.

Acompanham-nos no estudo do meio, eu, Odonir, professora de Língua Portuguesa e Literatura, os professores Luiz de Campos Jr, de Geografia e Eduardo, de Filosofia, e 3 guias da empresa de turismo pedagógico que nos daria suporte estratégico: reserva em pousada em Mariana, reservas em restaurantes, museus, igrejas, mina, desde a parada em Lavras, passando por Congonhas do Campo, Mariana, Ouro Preto e recomendações específicas sobre alguns procedimentos. Por exemplo, não se podia entrar de bermudas nas igrejas das cidades históricas.

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OCASO
No anfiteatro de montanhas
Os profetas do Aleijadinho
Monumentalizam a paisagem
As cúpulas brancas dos Passos
E os cocares revirados das palmeiras
São degraus da arte de meu país
Onde ninguém mais subiu
 
 
Bíblia de pedra-sabão
Banhada no ouro das minas
Oswald de Andrade

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A apostila, densa. Há muitos poemas e textos com os quais se discutiria a existência de Tiradentes ou a sua não existência. O professor de Filosofia os desafiava a encontrar provas concretas de sua existência. O que aconteceu quando visualizaram a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, em um recibo emitido a um pedreiro por obras em sua casa. Viram isso na Casa de Contos, onde morreu enforcado Claudio Manoel da Costa.

Na lateral do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, em companhia dos profetas de Aleijadinho, ouvimos ‘‘Evocação das montanhas” e, olhando aquelas montanhas, criaram poemas e os ilustraram. De arrepiar a emoção estética ali presenciada.

Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Mariana, discutimos o mito do herói. Já haviam lido e relido textos sobre as barbas de Tiradentes, a respeito de ter sido uma recriação da República – em busca de heróis – e outros. O professor Eduardo, de Filosofia, encaminhava a discussão. Quando olhamos ao redor, havia homens, mulheres e crianças que não estavam gostando nem um pouco daquela prosa. Tive que chamá-los de lado e explicar-lhes tratar-se de um desafio pedagógico, de um encaminhamento para busca de provas em Ouro Preto – a Vila Rica – etc. Entenderam. Isso é se ter respeito com ”os locais”. Depois, nós, professores, socializamos com os alunos o episódio ocorrido. E aprenderam também com ele.

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A DESCIDA À MINA 

O impacto na descida de 315 m e o cenário mexeram com todos. O estudo geológico e histórico sobre os séculos XVII e XVIII foi vivenciado na Mina da Passagem.

Imprevisto foi o incidente em que alunos entraram em um dos lagos. Um deles pisou ali,  sem tênis, e cortou o pé. Isso envolveu socorro, atendimento com sutura e comunicação aos pais em SP. Imprevistos que ocorrem e devem ser tratados com calma e atenção em viagens com alunos.

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VISITAS EM OURO PRETO

Museu da Inconfidência (antiga cadeia de Vila Rica).

Casa de Contos – onde morreu Cláudio Manuel da Costa, declamação de poemas da sua lavra no interior do espaço.

Ponte de Marília de Dirceu e criação de um texto dramático de conversa entre os dois- ali sentados na ponte. Leituras posteriores nos saraus, à noite.

Visitas a todas as igrejas históricas de Ouro Preto

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EM MARIANA

Visita a todas as igrejas históricas.

Visita à Câmara.

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SARAU NAS NOITES DO HOTEL PROVIDÊNCIA, EM MARIANA

Criação de varal com poemas e produções de textos ilustrados.

Cantorias, em luau, no pátio interno do Hotel Providência (colégio das freiras), onde estávamos hospedados.

Sarau lítero-musical, aos moldes do século XVIII.

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Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só apreço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que teu afeto me segura,
Que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte, e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
[…]
Tomás Antonio Gonzaga

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CARTAS CHILENAS e a CONJURAÇÃO MINEIRA

Visita à UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) Faculdades de Humanas, Departamento de Letras, em Mariana. Conversa com o professor Ronald Polito, especialista em Tomás Antonio Gonzaga, reflexões sobre a vida, obra e o exílio do poeta em Moçambique, sua relação com Maria Doroteia de Seixas, a Marília, seu posterior casamento e vida abastada em África.

Alunos muito participantes, fazendo perguntas e interagindo com o professor. Manusearam documentos históricos de T. Antonio Gonzaga e textos de correspondências entre ele e seu pai. Segundo o especialista, encontrados em bibliotecas de Lisboa e do RJ.

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Observações psico-pedagógicas

É preciso saber que nem tudo sai exatamente como se espera a partir do planejamento, em um estudo de meio de 5 dias, em outro estado, como esse foi. Há imprevistos de toda ordem, mas cabe aos educadores – afinal são eles os adultos na situação – cabe a eles manterem a calma, atentarem aos objetivos previamente estabelecidos e tomarem as decisões necessárias, como alterações de ”certas rotas”, por exemplo.

Esse Projeto foi o 1º de muitos que desenvolvemos com essa moçada, até o 3º ano do ensino médio.

Leia também: ”Outra Semana de Arte Moderna- 1996”

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/06/13/outra-semana-de-arte-moderna-1996/

ESCOLA PÚBLICA

Anos mais tarde, em 1999, desenvolvi outro Projeto sobre Minas Gerais, com alunos do 8º ano da EMEF Rui Bloem, em SP. Foram motivados por esse Projeto. Desafiei-os “Vocês também podem fazer igual ou parecido? Se quiserem, nós faremos”. É claro que não teríamos condições materiais de viajar até MG, o público era outro. Mas garanto que estudaram e gostaram bastante do projeto desenvolvido “Encontra-me em Vila Rica, por favor”.

Leia aqui: https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2016/03/13/encontra-me-em-vila-rica-por-favor/

AOS MEUS  EX-ALUNOS, HOMENS E MULHERES HOJE

Sempre que posso, retorno aos nossos caminhos aqui em MG. Fico olhando outros jovens percorrendo as mesmas ruas e os mesmos becos. Lembro de vocês. Muito.

Confesso que foi a partir desse estudo, em 1994, que comecei a amadurecer a ideia de vir viver definitivamente em MG. O que ocorreu anos atrás.

“Minas são muitas” G. Rosa.

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Texto: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

Fotos 2,3 e 4 de Denis Gorayeb

Vídeos

1 e 2: Canal Thadeu Camargo

3 – Canal Walter Rodrigues Filho

4 – Canal Gabriel Piva

Outra Semana de Arte Moderna, 1996

A REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA E A PRÁTICA DAS REFLEXÕES

Li isso há tanto tempo, mais de 30 anos, que já me esqueci de quem cunhou esse lema. Perdão, portanto. Acredito nisso como bandeira. Se a professora e o professor tiverem que levantar da cama, todas as manhãs, para serem repetidores de aulas iguais ou semelhantes a outras e outras sempre, estará condenado ao insuportável. Adoecerá e se afastará de seu ofício. A motivação criadora é o motor do seu trabalho. Toda arte é assim. O que criarei hoje, como meu público alvo receberá meu trabalho, que bem terei feito a ele, qual o papel social do que eu faço … são questões que devem nortear nossos amanheceres. Caso contrário não suportaremos toda a gama de adversidades que se apresentam a nós em nossas escolas advindas dos alunos, de seus pais, da direção da escola, dos governantes, da sociedade em geral. É preciso acreditar em seu ofício. É preciso “seduzir” seus parceiros de trabalho nas escolas, a comunidade escolar, enfim, trazer mais elos para sua corrente eficaz. Sozinhos nos tornamos muito vulneráveis a desmandos de poder, quase sempre na própria escola, demissões, exonerações e outras violências – venham de escolas públicas ou privadas.

Nada de seguir apostilas, livros, apenas. Tudo muito esquematizado, pasteurizado, sem levar em conta o diferencial de seu grupo de alunos. Arrisque-se, planeje, leia, estude e confie. Vai dar certo, dentro dos objetivos a que você se propôs. Às vezes, aos olhos de outros, pode parecer que não tenha dado certo. Confie.

Muitos dos projetos realizados nas escolas públicas, depois ganham nuances semelhantes nas escolas privadas. E vice-versa. Servem de experiência, de bagagem para o aprimoramento do fazer pedagógico.

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Villa-Lobos participou da Semana de Arte Moderna de 1922 apresentando-se em três dias com três diferentes espetáculos:

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Segunda Sonata O Ginete do Pierrozinho Terceiro Trio
Segundo Trio Festim Pagão Historietas: Lune de OctobreVoilà la VieJe Vis Sans RetardCar vite s’écoule la vie
Valsa mística (simples coletânea) Solidão Segunda Sonata
Rondante (simples coletânea) Cascavel Camponesa cantadeira (suíte floral)
A Fiandeira Terceiro Quarteto Num Berço Encantado (simples coletânea)
Danças Africanas Dança Inferugnal e Quatuor (com coro feminino)

A SEMANA DE ARTE MODERNA (REVISITADA EM 1996)

Estamos em São Paulo, capital. O bairro é o Morumbi, no Colégio Galileu Galilei. O projeto se realiza com os dois 3ºs anos do nível médio.

Temos alunos desinteressados em ler, alunos que preferem esportes, alunos que estudam música e compõem, alunos que gostam de artes plásticas – desenho, esculturas, alunos que só se interessam pelos vestibulares no fim do ano e alunos que adoram ler. Vamos juntar seus gostos, suas capacidades, suas supostas inabilidades, seus interesses, seus prazeres e semear. Semear uns nos outros. Comecemos então.

NOS DEGRAUS DO THEATRO MUNICIPAL

1º DEGRAU: Semeando desiquilíbrios 

  • Ouvindo peças de Villa Lobos ( menores e depois maiores). Desenhando ao sabor das obras; trocando impressões; socializando prazeres e críticas. (Audição de CDs)
  • Pesquisando quem foi o maestro, obras, participação dele em um evento cultural da cidade a SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

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2º DEGRAU: Semeando descobertas

  • Pesquisa e “namoro” de obras de artistas plásticos anteriores e posteriores à Semana. (Anita Malfatti. Tarsilla do Amaral, Victor Brecheret, Di Cavalcanti)
  • Recriação de obras em guache, aquarela, em óleo, em argila). Trabalhos criados individual e/ ou coletivamente no período da tarde, após as aulas, com minha monitoria)

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3º DEGRAU: Semeando leituras

  • Pesquisas sobre a Semana de Arte Moderna de 1922; roda de leitura; discussões sobre as repercussões da Semana, sobre a reação do público e das elites da cidade de São Paulo.
  • Leitura de poemas; ensaio das leituras; proposta nascida nos alunos Vamos encenar a Semana pra todo mundo conhecer tudo isso. Inclusive pra pais e outros alunos do colégio.
  • Ensaios recorrentes de apupos, vaias, declamações, nas escadarias de entrada do Colégio Galileu Galilei – releitura das escadarias do Theatro Municipal de São Paulo.

Muitos alunos já conheciam o Theatro Municipal. (O que me levou a pensar em um outro projeto, levando crianças e adolescentes de escolas públicas a conhecer e a assistir récitas de grupos de música de  câmara e de canto lírico, anos mais tarde ali).

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4º DEGRAU: Semeando modernismos

  • Criação de poesias com as estruturas livres semeadas pelos modernistas, ácidas, críticas ao formalismo poético.
  • Leitura do texto de Monteiro Lobato Paranoia ou Mistificação , que fazia duras críticas à Mostra de Anita Malfatti; reflexão sobre a chegada do novo, do oxigênio cultural. Comparação com páginas de Lima Barreto, contos gauchescos de Simão Lopes Neto.
  • Saboreio do conceito de Antropofagia nas artes plásticas e na literatura.

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MUITOS DEGRAUS: A presentação de 3 dias de SEMANA DE ARTE MODERNA

2ª feira, 4ª feira, 6ª feira

PÚBLICO: 

  • Comunidade escolar – pais, alunos, funcionários, diretores
  • Chefe de Gabinete da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo:  Elton Cardoso
  • Diretora de Bibliotecas Públicas da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo – SCBP
  • Diretora de Bibliotecas Infanto-Juvenis da Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo -SCBINJ

NOTA: Esse projeto foi amplamente documentado – processo e produto – pelo Colégio Galileu Galilei. Fotos e vídeos permaneceram no colégio, portanto.

Muitas vezes o apresentei em congressos de educação em atividades para outros professores pelo país.

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Os Sapos
Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
– “Meu pai foi à guerra!” 
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos.

O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma.

Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi: 
– “Meu pai foi rei!”- “Foi!” 
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
– A grande arte é como 
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo”.

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é

Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio…

– “Meu pai foi rei!”- “Foi!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
 
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
– A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
 
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo”.
 
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.
 
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
 
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
 
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…
 

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Declamação do poema Os Sapos, de Manuel Bandeira (ao som de Sapo Cururu, de M. de Andrade, flauta doce, por duas alunas)

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Foto que revisitou a famosa dos modernistas, nas escadarias do Saguão de entrada do Theatro Municipal.

modernistas-1922

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Muitas vezes, durante os anos posteriores, encontrei esses meus alunos e tenho deles as mais gratas avaliações sobre esse maravilhoso trabalho.

Texto e projeto: Odonir Oliveira

A partir do comentário de Christine Jz, no projeto realizado anos antes, decidi registrá-lo aqui.

E esses alunos são os mesmos que 5 anos antes realizaram o projeto UM ENCONTRO MARCADO COM FERNANDO, citado por ela.

Leia aqui:

https://poesiasdemaosquesentem.wordpress.com/2018/03/25/um-encontro-marcado-com-fernando/

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal Pauta Brasileira

Villa-Lobos – Anna Stella Schic (1973) Simples coletânea, W134 (1917-19)
0:00 : I. Valsa Mística
1:41 : II. Num Berço Encantado
5:09 : III. Rodante
Paintings : RODOLFO AMOEDO
2º Vídeo: Canal Carlos Tobi
Faixa nº5
CD: Opus Clássico, 2013
Música: Heitor Villa-Lobos
Letra: Hermínio Bello de Carvalho

Voz: Ithamara Koorax
Violão: Rodrigo Lima
Xilogravura (“Frágil”): Anna Carolina Albernaz

 

3º Vídeo: Canal CassicalMusicTVHD
Bachianas Brasileiras No. 1 Heitor Villa-Lobos – Bachianas Brasileiras, No. 1 Complete Scored for orchestra of cellos (1930):
Heitor Villa Lobos Bachianas Brasileiras, No. 1, – orchestra of cellos.
01 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), I. Introduction – Embolada
02 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), II. Preludio – Modinha
03 – Bachianas Brasileiras, No. 1 for ‘an orchestra of cellos’ (1930), III. Fuga – Conversa (Conversation)
Heitor Villa-Lobos (Portuguese pronunciation: [ejˌtoʁ ˌvilɐ lobus]; March 5, 1887 — November 17, 1959)

 

Essas últimas obras do 3º vídeo são posteriores à Semana de Arte Moderna. Acrescentei-as aqui por serem, como eu, fruto desse momento.

Um encontro marcado com Fernando

Professor é aquele que mesmo em momentos de diversão, deleite, encontra ali um vínculo, um  link a ser feito também com seu ofício de ensinar.

fernando-sabino

Conheci pessoalmente Fernando Sabino numa noite de outubro de 1991. Fui assistir a uma mesa-redonda da qual  ele participava, em São Paulo. Ao final, ficamos conversando, autografou seu último livro que eu havia levado e foi mineiramente o contador de “causos”, que eu previa.

Contei a ele o trabalho que estava desenvolvendo com meus alunos do Colégio Galileu Galilei, nas sextas séries. Conforme eu lhe contava, seus olhos ficavam cada vez mais atentos. Pediu que lhe mandasse alguma coisa deles pra ele ler. Dando-me seu endereço e telefone em Ipanema, no Rio. Enviei as cartas dos meninos e meninas; nelas eles contavam do que mais haviam gostado no livro lido, faziam perguntas e mais algumas meninices tantas. Fernando respondeu uma por uma e mandou para o colégio.

O livro lido era o lindo O menino no espelho.

A SEDUÇÃO

No ano seguinte, as cartas enviadas pelo autor Fernando Sabino foram o start para as novas turmas de sextas séries também quererem ler a obra. “Que livro legal é esse, né, Odonir, o autor até responde a gente. Também quero ler”.” Eu também. “.”Eu também.”

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Então vamos fazer de um limão vários jarros de limonada, por que não?

LEITURAS INICIAIS

Iniciamos com o texto “Menino”. Lemos as frases e pedi que marcassem apenas aquelas que seus pais diziam para eles. Foi muito bacana. Houve quem marcasse poucas e quem tivesse assinalado muitas. Rimos, e concluíram que uns eram bem mais “levados” do que outros. Coisas que a infância vai perfumando, como poesia.

MENINO

Menino, vem pra dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão. Já escovou os dentes? Toma a benção a seu pai. Já pra cama!

Onde aprendeu isso menino? – coisa mais feia. Toma modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.

De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desce daí, menino! Me prega cada susto…para com isso! Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você.

Avise seu pai que o jantar tá na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma coisa está tramando…não anda descalço, já disse! – vai calçar o sapato. Já tomou remédio? Tem de comer tudo, você tá virando um palito. Quantas vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! – teu pai tá dormindo. Para com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Pede licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder à sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Agora não, depois!

Deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olha aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais.

Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? – pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junta a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno pra saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.

Sorvete não pode, você tá resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro pra jogar fora? Toma juízo menino!

Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, depois, tenho mais o que fazer. Não fica triste não, depois mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, tá na hora de dormir. Vem que a mamãe te leva pra caminha. Mamãe te ama, viu! Dá um beijo aqui. Dorme com Deus meu filho!

SABINO CRIANÇA

Pedi que fizessem o mesmo com seus pais. Agora seriam eles a reconhecer as frases mais usadas com o filho. E pedi que os pais lhe dessem outro título (Na verdade, fora sugestão de uma aluna. “Odonir, esse título do Fernando Sabino e muito bobo; você já ensinou a não dar título bobinho pros nossos textos, né”). Queria que as meninas e os meninos  fortalecessem o conceito e a arte de se dar títulos, ideia central, certa inovação a despertar interesse em quem vai ler etc. Essa interação com a família é de suma importância, posto que integra a família com a escola, ensina o que se ensina por lá, ou até mesmo propicia aos pais se lembrarem do quão meninos já foram. Tudo alegria.

Faz muitos anos, entretanto me recordo de alguns títulos – talvez pela criatividade dos pais – “The mamas and the papas“, “Mãe é tudo igual”, “Criança é graça”, ” A arte  de ser pai de aluno de uma professora crítica”. Cada um leu o “seu” e aí deram outros. Foram votados os mais interessantes etc.

“SEMEANDO INFÂNCIA”

Nas próximas aulas, propus que narrassem a aventura ou o fato mais antigo de suas infâncias, aquele de que se lembrassem. Sentados em grupos de 4, começaram a lembrar e ir contando aos parceiros. Eu caminhava pelos grupos, aqui-ali mediando os relatos orais, orientando datação, localização, envolvidos na trama, desfecho etc. Depois eles próprios haviam aprendido e faziam uns com os outros. Votaram no mais interessante, mais arriscado, mais terrível de cada grupo. Depois foram à frente da classe narrar as aventuras vividas. Foi muito interessante notar quantos adjetivos, quanta expressividade havia ali naqueles relatos. Relatos orais na escola, língua oral, devolver o discurso para os meninos –  fundamentais a quem aprende e a quem ensina.

Ah, narrei o meu também. Professores devem se juntar aos alunos, sendo com eles também um aprendiz. Lembrei meu aniversário de 5 anos, com bolo de roda- gigante, bonequinhas vestidas nas cadeirinhas e docinhos de moranguinhos, deliciosos, tudo feito por minha mãe lá em Xerém, RJ. Eles adoraram.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Pedi que agora escrevessem a sua aventura. Leram para os parceiros do grupo. Aproveitei e fiz rodízio entre os integrantes. É muito importante diversificar. A convivência de alunos com mais dificuldade de escrita e outros com bastante facilidade– sendo mediadores, os ajudando- ensina a tolerância, a solidariedade e estimula a competência– creio eu.

Produziram. Na hora em que foram ler, um menino fez a observação régia “Seu texto quando você contou era bem mais legal que agora que você leu”. Refleti com eles os porquês dessa observação. Fui encaminhando a discussão para que percebessem a distância que havia- tradicionalmente- entre a norma culta falada e a escrita e que podiam conhecer ambas e usá-las como desejassem, quando preferissem ou fosse necessário etc. A famosa adequação da linguagem à situação de uso.

NOTA DE CONTEXTUALIZAÇÃO

Cumpre lembrar que esses meninos e meninas não tinham mais de 12 anos. Idade em que se é bastante criança ainda, mas se nega isso ao extremo. Meninos só gostam de meninos, reproduzem comportamentos masculinos clichê, difundidos há décadas, e meninas também reproduzem as feminices todas. Há um confronto enorme de ideias, de sentimentos entre eles, chegando até a algum tipo de violência – física ou velada. A crueldade se espalha como perfume. Prefiro tirar deles o perfume. Sempre. Portanto,  é preciso ensinar-lhes a lidar com sentimentos como ódio, raiva, agressão – naturais – mas transformando-os. E arte, criatividade é o “canal”, porque tem como matéria-prima os afetos, as sensações.

Foram feitas várias edições. E foi porque eu corrigi, com caneta vermelha? NÃO. Os leitores, o público leitor ao qual se destinavam aqueles textos é que deveria opinar. Passaram a fazer as críticas por escrito, em bilhetinhos, que eram presos por clips e entregues ao escritor. “Acho que tem muitas palavras repetidas”. “O final ficou sem graça.” “O título já conta tudo.” ” Tem muita troca de letras.” “Gostei, achei bem interessante. ” “Melhore a pontuação, tá faltando vírgula demais aí” etc.

Por fim, pedi que reescrevessem os textos e os ilustrassem com desenhos, colagens, o que fosse pertinente às aventuras vividas.

Ah, virou livro, né. Lindos livros até com grãos de feijão e de arroz, simulando uma narrativa ligada a um prato de sopa puxado pela toalha da mesa e derrubado na cabeça da menina; outro narrou o dia em que se perdeu na CEASA; outro a neve de onde havia morado e o frio sentido. Tantas narrativas da infância.

Lemos Drummond, então.

Lembrança do mundo antigo

Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era
tranqüilo em redor de Clara.
As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava
[no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!

APERFEIÇOANDO LEITURAS

Começamos a ler crônicas. Usando a Coleção Pra Gostar de Ler, v. 1,2,3,4. No início de cada um dos volumes lidos há um tipo de biografia: fotobiografia, auto biografia, biografia …

Depois das biografias e de terem aprendido muito sobre FERNANDO SABINO, propus a leitura de O menino no espelho, então.

 

Pareciam íntimos do autor. Sabiam que era botafoguense roxo, tocava bateria, o nome de todas as suas obras, que fora nadador campeão, quase profissional, que morava em Ipanema e que era “amigo da Odonir”.  Facilitava, é ou não é?

Foram lendo capítulo a capítulo, de várias maneiras. Havia dias em que fazíamos leitura compartilhada em classe, outras vezes dramatizavam o capítulo lido em casa. Ilustravam os capítulos, reescreviam alguns finais etc. A obra traz histórias quase independentes umas das outras, com o fio condutor do personagem Fernando e seu duplo Odnanref. Chegaram a fazer seus auto-retratos, atribuindo a eles seus nomes ao contrário também. O meu, por exemplo, ficou Rinodo. Só alegria. Poesia inoculada em todos.

Digo alegria porque CRIAR é mágico. O professor que levanta cedo e não se sente autor, criador do seu trabalho está condenado a ser um ” dador de aulas”, triste dele. É preciso ENCANTAR-SE para também ENCANTAR – penso eu.

O HAPPENING

Telefonei do colégio para contar ao “meu amigo” Fernando o trabalho. Mas mal comecei a falar,  ele me disse que estaria dali a 2 semanas em São Paulo – iria assistir a um show da filha Verônica Sabino – e queria conhecer “minhas meninas e meus meninos”. Não precisava me preocupar com nada, com passagem hospedagem porque ele estaria indo de qualquer maneira para o show.  Adorei. Contei às crianças. Preparamos um happening para abraçá-lo – ora, ora.

Fizeram muitos cartazes – sob a forma de placas – que iriam carregar nas mãos com tudo aquilo que sabiam dele, desde ser botafoguense, ser mineiro, nadador, até baterista. Pintamos faixas com os nomes dos personagens e mensagens deles para o autor. Uns meninos se caracterizaram como os personagens do livro. Havia uma bateria num palquinho e a banda dos alunos do colegial a postos.

Pais e funcionários do Colégio Galileu Galilei presentes .

A CHEGADA

O motorista o trouxe, e eu fui buscá-lo na entrada que tinha uma escadaria da portaria até o pátio. Ele me beijou e logo foi dizendo “Olha, eu sei que essa criançada é muito tímida. Pega um mais desinibido, e ele me faz uma pergunta. Dali eu emendo e vou falando solto. Não gosto desse negócio de palestra não. E eles são pequenos, né. Pode ser?”

Nada disse, aliás, acho que falei que seria assim.

Quando entrou no pátio, a banda tocou o hino do Botafogo. As crianças, mais de 100, o aplaudiram, levantaram os cartazes. Juro, pensei que ele fosse ter um problema de saúde ali, tamanha a sua emoção. Ia andando no palco, lendo os cartazes, gesticulando, ouvindo o hino, aplaudindo os meninos. Um ESPETÁCULO INENARRÁVEL aqui, podem crer. Tanto que me lembro tão bem dele até hoje.

Contou muitas situações vividas por ele, a mudança do nome para Fernando Sabino, sugerida por Mário de Andrade, sua relação com a natação, (narrada em O Encontro Marcado) com sua infância e que as histórias do livro eram todas verdadeiras, mostrando, inclusive,  o canivetinho vermelho – que dá nome a um dos capítulos da obra. Autografou todos os livros das crianças e um para minha filha também.

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Depois me pediu para levar TODOS OS CARTAZES para o Rio. Queria tê-los com ele para nunca mais esquecer aquele dia em São Paulo. Adoramos.

Terminou tocando bateria, um solo de jazz, que disse adorar. Mas já sabíamos.

AVALIAÇÃO E RESGATE

A auto avaliação dos alunos foi excelente. Muitos passaram a GOSTAR DE LER ali, dessacralizando um autor, tornando-o de carne e osso. Assim eles próprios dali pra frente poderiam ser escritores também. Publicados ou não.

Também leram quase a obra completa de F. Sabino, nos anos seguintes.

Na verdade, alguns estão por aí hoje escrevendo, e muito bem. Vez ou outra encontro com algum na “nuvem”.

Apresentei esse trabalho em alguns Congressos de Educação com o título de “Um encontro com Fernando”. Na oportunidade havia vídeo, fotos e muitos dos trabalhos realizados pelos alunos – que ficaram com o Colégio, todavia.

Trabalhos de meus alunos são sagrados, não me desfaço deles. Até porque há quem possa se inspirar neles para seguir seus próprios ramais e caminhos, não é mesmo?

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DURAÇÃO: cerca de 60 dias
MATERIAL: livros, criatividade, energia, boa-vontade
ANO: 1992
Colégio Galileu Galilei, SP

 

Observações: 1- O filme mostrado no trailer O menino no espelho é de 2014 . Uma sugestão é depois de lida a obra, assistirem ao filme e compararem a linguagem de Fernando Sabino à do filme, por exemplo.

2 – Fernando Sabino morreu em 2004. Encontrei ex-alunos, na época, que lamentavam sua morte como a de alguém de sua família. E era.

No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”, Fernando Sabino, em “No fim dá certo”, crônicas, Record, 1998

Texto: Odonir Oliveira
Foto de arquivo pessoal
1º Vídeo: Canal Cinesystem Cinemas
2º Vídeo: Canal Baiana Salvador
3º Vídeo: Canal Odonir Oliveira
Leia também outros trabalhos realizados com alunos aqui:
Categoria à direita: “Trabalhos realizados com alunos”
por-favor/

 

 

Filmes eternos: iniciações

TELA GRANDE

encantamento
som luz imagens
duas cores
muitas cores
poltronas
escuro
silêncios
magia
prazer
imaginação
delírio
sonho
ilusão fascinação perpetuação

 

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MEU CINEMA PARADISO ETERNO

Quando nos reunimos presencialmente (ou virtualmente), além de canções -se alguém estiver com um violão- falamos de filmes. Tanto canções quanto filmes têm a propriedade de nos remeter a mundos muito além daquele em que vivemos. Vejo a moçada nas redes sociais hoje se emocionando em amor, raiva, ódio pelas séries americanas, pelos filmes a que assistem na Netflix… Sou do tempo da tela grande, do frenesi das estreias, das filas na porta dos cinemas de rua, dos debates pós-filmes, das resenhas, do café na saída da exibição e ali a conversa por horas sobre aqueles belos filmes a que assistíamos.

Quando o cinema fez 100 anos, fiz com meus alunos do Colégio Galileu Galilei, nível médio,  em São Paulo, um belo projeto sobre filmes- que eles desconheciam até então. Isso envolveu trilhas sonoras, elencos, estúdios, críticas aos filmes e muito mais. E depois de havermos recebido a visita de um cineasta, tudo ficou mais fácil.

Aqui gostaria de sugerir alguns filmes, principalmente para a moçada que não os conhece.

Escolhi começar com o tema:  iniciações.

Houve uma vez um verão (Summer of 42)

O filme é de 1971; eu o assisti em 1976.

Aos quinze anos de idade, Hermie (Gary Grimes) vai passar as férias na praia. Durante esta viagem, ele procura respostas para suas dúvidas sobre a vida, a guerra, o amor e o sexo. Com a cabeça repleta de interrogações e sonhos, Hermie conhece uma mulher mais velha (Jennifer ONeal) e fica apaixonado. Começa assim, uma intensa relação onde Hermie busca aprofundar seu conhecimento sobre o mundo. E ela, por sua vez, busca no jovem adolescente o amor ausente de seu marido que partiu para a Guerra. Sobre este tema, o diretor Robert Mulligan faz uma belíssima poesia cinematográfica, relatando com sensibilidade o despertar de um jovem para o amor. A inesquecível trilha sonora, ganhadora do Oscar, composta por Michael Legrant e a bela fotografia fazem deste filme uma obra que retrata com perfeição o clima daquela época. Dentro de uma atmosfera romântica e sensível, Verão de 42 se transforma numa apaixonante história de amor, onde desejos, sonhos e descobertas se misturam em um verão mágico e inesquecível.

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The Graduate (A primeira noite de um homem)

O filme é de 1967; eu o vi em 1972

Após se formar em uma faculdade presumivelmente localizada na costa leste americana , o jovem Benjamim Braddok  retorna para a casa de seus pais em um subúrbio californiano não identificado, indeciso quanto ao que fazer em seu futuro e quanto às perspectivas para ele. As primeiras cenas do filme se passam no aeroporto, após o desembarque, tendo como fundo musical a canção The Sound of Silence. É recebido entusiasticamente pelos pais, os quais preparam-lhe uma festa de boas-vindas para a qual convidam vários amigos da família, muitos dos quais são desconhecidos de Benjamin. Seus pais também lhe oferecem um carro conversível de presente, carro este que passaria a ser um elemento bastante presente ao longo da trama.

Benjamin acaba sendo seduzido pela mulher do sócio de seu pai, a sra. Robinson. O casal Robinson é vizinho e amigo íntimo dos pais de Benjamin e é revelado que passam por problemas conjugais, ainda que evitem passar esta aparência. A sra. Robinson pede a Benjamin que a leve em casa após a festa dada por seus pais pois ela teria bebido demais. Pressionando o jovem a que a acompanhasse em uma bebida na casa dos Robinsons, que se encontrava vazia, os dois personagens protagonizariam uma das cenas mais conhecidas da história do cinema norte-americano: com sucessivas indiretas dadas pela sra. Robinson a Benjamin, este dirige-se a ela e diz-lhe: “Sra. Robinson, você está tentando me seduzir!” (Mrs Robinson, you are trying to seduce me no original, frase esta adaptada diversas vezes em paródias feitas em seriados e filmes diversos).

The Go-Between (O Mensageiro)

O filme é de 1971; eu o vi em 1975.

Em férias de verão na casa de campo de seu melhor amigo em Norfolk, interior da Inglaterra, o garoto Leo Colston apaixona-se pela bela Marian Maudsley, a filha mais velha da família. A moça incumbe o garoto de fazer o papel de mensageiro entre ela e Ted Burgess, o arrendatário de uma fazenda próxima. Leo, sentindo-se amado e valorizado por Marian, cumpre a tarefa com satisfação. Porém, não demora a descobrir que entre Marian e o rapaz existe um ardente e secreto caso de amor. E vem a desilusão.

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Rebel Without a Cause ( Juventude Transviada)

O filme é de 1955; eu o vi em 1975.

Juventude Transviada (Rebel Without a Cause ) é um clássico no sentido mais puro da palavra; este é o filme definitivo que representa toda uma geração.Na trama, os pais de Jim Stark se veem obrigados mudar novamente de cidade devido à quantidade de problemas em que o jovem rebelde se envolve. No colégio novo Jim se sente um pouco deslocado e tenta fazer amizade com alguns encrenqueiros, mas a tentativa de aproximação dele com Judy não é bem vista por Buzz, líder da gangue do colégio e namorado da jovem. Sofrendo perseguições por parte dos colegas Jim aceita participar de um racha para provar o seu valor. Uma história demasiada simples, mas com uma profundidade e força que encanta, choca, emociona e diverte gerações desde o seu lançamento no longínquo ano de 1955. 

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EASY RIDER

O filme é de 1969; eu o vi em 1973.

“Easy Rider” (“Sem Destino” ) foi lançado em 1969 nos Estados Unidos, em uma época de otimismo geral da nação pós-Segunda Guerra Mundial, de patriotismo, de anticomunismo (manifestado principalmente na Guerra Fria contra a União Soviética) e de desenvolvimentismo. Porém, nesse período começaram a surgir diversas manifestações contrárias ao estilo de vida e de pensamento no ocidente. Essas manifestações tinham o intuito de posicionar-se na contramão do capitalismo, do consumismo, da moral vigente. Era a contracultura.

O filme acompanha a trajetória de Wyatt (interpretado por Peter Fonda) e Billy (encarnado pelo rebelde Dennis Hopper) pelas estradas dos Estados Unidos a bordo de suas motocicletas custom. No caminho até New Orleans, eles passam por comunidades hippies, fazendas tradicionais, pequenas cidades, e, ao serem presos por desordem, conhecem George Hanson (magistralmente vivido por Jack Nicholson) na cela, um advogado sarcástico e crítico. George conta suas histórias, levanta perguntas para os dois motoqueiros – e passa a os acompanhar em sua jornada, regada por um rock de altíssima qualidade: Steppenwolf, The Byrds e Jimi Hendrix.

“Easy Rider” é, acima de tudo, um filme sobre liberdade. O mais importante não é o enredo, mas sim as experiências dos viajantes. Não é um filme sobre o destino, mas sim sobre a jornada.

Cine FNM2

Fotos de arquivo pessoal

Textos de sinopses diversas retirados da Internet.

Vídeos:

1-Canal rony gee guerrero ocampo

2- Canal Maureen712’s channel l

3-Canal  BigGreenMovieMachine

4- Canal  thesobgetsawaywithit

5- Canal Movieclips Trailer Vault

6- Canal  Regina Côrtes