Memórias, sabores e cores

R. Treze de Maio, Bixiga, SP

GIULIA

cabeça pensante
coração pulsante
passos traços braços
corpo errante
barco navegante
sexo fervente

cabeça pulsante
coração pensante
passos traços braços
corpo fervente
barco errante
sexo navegante

passos traços braços
barco fervente
corpo navegante
sexo errante
passos traços braços
cabeça
coração

R. Treze de Maio, Bixiga, SP
R. Treze de Maio, Bixiga, SP

MANHÃS DE DOMINGO

Em conversas com meu amigo Luiz Jacob, caminhando comigo pela praia, ele ressalta a importância de se ter memórias. Muitos de nós já estão indo e quanto é importante guardarmos – na memória – o que vivemos, rimos e nos divertimos uns com os outros.

Sempre valorizei demais as relações familiares entre pais, filhos, primos, avós, sobrinhos, aquelas festas italianas em que todos falam ao mesmo tempo, repõem mais comida nos pratos alheios, reforçando que daquela delícia ali você ainda não provou. Acho tudo isso muito divertido e fui sendo”adotada” por famílias inteiras de amigos em São Paulo, quando cheguei do Rio e lá fui viver. Festas de casamentos, batizados, aniversários, chás de cozinha, formaturas, a tudo comparecia, como fosse da família também. Depois, assumi o italiano paulistano com facilidade, visto que já o adorava desde a infância, pela convivência com filhas de italianos na FNM.

As cantinas italianas aos domingos, sempre lotadas. Necessário fazer reserva. As pizzarias nas noites, com músicos indo de mesa em mesa. Nossa, tantas novidades, tanta sabedoria, tantos sabores, tantas cores …

O Bixiga, a Bela Vista, reduto italiano, como outros da cidade, era um paraíso em tudo isso. Foi lá que conheci os diversos tipos de massas de pizza, a fina, a grossa, a integral. Imagine que havia lá uma delas que oferecia 103 tipos de pizza, nos anos 70. Isso para uma carioca … era muita novidade mesmo. Além disso, os tipos de macarrão. Em minha casa conhecíamos o espaguete e o talharim apenas. Em São Paulo … nossa ! E os diversos tipos de molhos à nossa escolha ! Comer é mesmo com italianos. Porções fartas, sabores sensualíssimos de encher olhos, lábios, estômago. “Mangia che te fa bene”, todas aquelas bracholas, o pão italiano, o vinho da casa, as berinjelas, as sardelas, as fogazzas, os canolis … um encantar-se com os paladares.

Cantina Roperto

Na caminhada com meu filho, após o almoço do domingo, paro e ouço o pianista cantando ”Roberta”. Peço-lhe que continue. Faz melhor, decide cantar pra mim, com o restaurante cheio em que ele estava, ”Io Che Non Vivo Senza Te”.

R. Treze de Maio, Bixiga, SP

ENRICO

sono solo
voglio essere solo
stai da solo
lo sono
il mio mondo
ho bisogno di stare da solo
il mio paradiso
i miei fiume
il mio mondo
sono solo
auguro al mare
prigioniero della terra
sono solo
il mio mondo

R. Treze de Maio, Bixiga, SP
R. Treze de Maio, Bixiga, SP

VIAJANTES

uma taça cheia
de vinho
tinto
goles lentos
goles gentis
goles parceiros
uma taça de vinho
vazia
uma taça de vinho
cheia
goles uns
goles outros
Dioniso, braços abertos
Διόνυσος,
Baco presente
presente do inconsciente
pensamento ausente
sonho sonho sonho
percurso de lua e estrelas
caminhos estreitos
Dioniso de braços abertos
Διόνυσος,
lua farol
estrelas estrelas estrelas
entrega.

R. Treze de Maio, Bixiga, SP
No Bixiga

Texto e poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal SandroTorricelli

2º Vídeo: Canal danielbarbozinha

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