Pai

 

VIAGEM

estou
fiquei
recostada no sofá
recostada em seus dizeres e fazeres
 
estou
ouço encontro vivo
pai, suas melodias amadas me levam pela mão
 
Vem, filha, vem
ouço
estou
fiquei aqui, pai

 

PASSEIOS

no bonde, o onde
Rio, anos sessenta, estamos
vamos, seguimos
pergunto, pergunto, pergunto
de repente leio, pai
leio os anúncios e descubro
as palavras eram muito mais mágicas
as palavras eram muito mais belas que as paisagens cariocas
 
Pai, naquele encanto com a leitura primeira da menina falante
Pai, meu mágico céu de letras sempre veio de ti.

 

ENCANTOS MINEIROS

Minas, quem te conhece não esquece jamais
Já viu o tamanho de Minas, olha no mapa
E as montanhas, e Tiradentes e o rio Doce?
 
Prosa e verso de uma vida
A caminhada, os irmãos, os pais
a pé
de Alto Rio Doce a Barbacena
a pé
 
Solta essa gaiola aí, Plácido, carrega seu irmão, meu Deus!
 
Despede-se o menino do canarinho da terra, companheirinho eterno
eterno dentro de si
jamais nenhum pássaro seria engaiolado mais.

 

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INGENUIDADES

Menino em internato, escola agrícola federal
apenas rapazes, apenas olhares masculinos
filho mais velho, estudos, orgulho dos  pais
 
Jovem, solto por montanhas
deslumbramentos com pernas e braços femininos
ingenuidade
planos de casar, ter filhos
jamais sair de Minas
 
Minas jamais saiu de si,
até voltar e morrer em solo de poeira vermelha.

 

SINDICATO

Metalúrgico de sete às cinco
serão depois da jornada diária
sindicato, reuniões, campanhas
Não sejamos individualistas
ambulâncias, escola, posto de saúde, praça, orelhões
luta, desafios, reuniões, enfrentamentos
um brasileiro amando o Brasil mais que tudo
um operário fresador ferramenteiro para o coletivo
um mineiro porta-bandeira das Gerais
 
Libertas, quae sera tamen
emblema em letras garrafais
pai de caligrafia invejável, de ortografia invejável
pai, remetente de cartas a políticos municipais, estaduais, federais
a luta contínua pelo bem-comum, pelo coletivo
 
Pai, virtude e moral transparentes.

 

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Se há em minha vida modelos e espelhos, estes vêm de meu pai Plácido José de Oliveira, mineiro, fresador ferramenteiro e brasileiro, de corpo e alma.

Ouvia na Rádio Nacional, do Rio, muitas e muitas vezes seus cantores preferidos Vicente Celestino e Francisco Alves. Guardei seus LPs comigo como herança, bem como seus livros de Matemática, das técnicas de fresa de ferramentas (ainda com o cheiro do óleo das máquinas). São seu/ meu patrimônio material, além do relógio  que martela aqui as horas, como a marcha de um trem pelos trilhos de Minas.

 

Poesias: Odonir Oliveira

Fotos de arquivo pessoal

1º Vídeo: Canal Maringas Maciel

2º Vídeo: Canal SuperGramophone

3º Vídeo: Canal Maringas Maciel

4º Vídeo: Canal 1000amigovelho

5º Vídeo: Canal Yuri Ferreira

6º Vídeo: Canal Levi Junior

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2 comentários sobre “Pai

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